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segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Homem do Sudário

Arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) e Primaz do Brasil
Dom Murilo S.R. Krieger

Desde o dia 12 de maio passado pode-se ver, em Salvador, a exposição internacional gratuita intitulada "Quem é o Homem do Sudário?" (Adianto que essa exposição se encontra no Shopping Bahia, irá até o dia 30 de junho, e está aberta diariamente, das 9 às 22h).

O Santo Sudário é uma peça de linho, com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,1 metro de largura, guardado, desde o século XIV, na Catedral de Turim. O tecido apresenta a imagem de um homem de 1,83m de altura, que foi crucificado. Naturalmente, o que está sendo exposto em nossa cidade é somente uma foto do Santo Sudário, mas que muito nos ajuda a entender melhor a Paixão de Cristo.

As referências mais antigas ao Santo Sudário encontram-se no Evangelho. O evangelista Mateus observou: "Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. José, tomando o corpo, envolveu-o num lenço limpo e o colocou num túmulo novo, que mandara escavar na rocha" (Mt 27,57-60a). O evangelista João, depois de descrever a mesma cena (cf. Jo 19,38-40), testemunhou que ele próprio foi ao túmulo de Jesus, "no primeiro dia da semana, bem de madrugada". Pedro o acompanhava, mas ele, João, chegou antes ao local. "Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro... chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte" (Jo 20,1-8).

O Santo Sudário tem uma longa história; foi objeto de numerosos estudos por parte de cientistas. Sua autenticidade tem defensores e também detratores. Estudos recentes confirmam que se trata de um pano com cerca de dois mil anos; que até recentemente não havia técnica alguma que possibilitasse uma falsificação tão perfeita; que o que ele encerra de segredos é inimaginável etc. É importante lembrar que não se trata de matéria de fé; por isso, reconhecendo que não tem competência para julgar questões científicas, a Igreja confia esses estudos aos cientistas.

O interesse pelo Santo Sudário se deve ao fato de ele ser uma referência a Jesus Cristo, o mistério mais profundo da história humana. Alguém já observou que tal mistério tem como causa ser ele filho de uma mulher humilde e simples; ter nascido numa gruta e vivido numa cidade (Nazaré) tão pouco importante que no Antigo Testamento nunca houve uma referência a ela. Ali, até os trinta anos, trabalhou como carpinteiro. Depois, por três anos, percorreu sua terra, falando do "Reino de Deus". Nunca esteve em algum lugar que ficasse a mais de 300 quilômetros do local onde nascera. Nada nos deixou por escrito. Não constituiu família. Não estudou no Templo de Jerusalém, embora, quando tinha doze anos, lá discutisse com os Doutores da Lei. Nunca buscou o "sucesso". Abandonado pelos amigos, morreu crucificado. Três dias depois, no sepulcro em que estava, ficou só o lençol que o cobria. Ressuscitado, apareceu diversas vezes aos apóstolos. Comeu com eles e deixou que tocassem em suas chagas... Passados vinte séculos, continua sendo a figura central da humanidade. O tempo histórico da vida humana é reconhecido como o antes e o depois dele.

Guardemos para nós dois testemunhos: "O Sudário é um ícone [= imagem] escrito com o sangue; sangue de um homem flagelado, coroado de espinhos, crucificado e ferido no lado direito" (Bento XVI, 02.05.2010). "O precioso linho nos pode servir de ajuda para melhor compreender o mistério do amor do Filho de Deus por nós" (João Paulo II, 24.05.1998).

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