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segunda-feira, 28 de março de 2016

Aos Trancos e Barrancos...Ah, Humanidade!... Um poema clássico ao estilo Mhario Lincoln


Aos Trancos e Barrancos.
Ah, Humanidade!
(*) Mhario Lincoln


Como andam as bruxas de Blair
As bocas amargas sem fecho-éclair
os curtos-circuitos movidos a Éclair
as delícias das fragrâncias Belle-Aire?
Os amores de Dom Descartes, René
ou o 'ver pra crer', de São Tomé
As garras afiadas de François Voltaire
O vendedor de virtudes, Yang Zhu, até?
Como andam os moinhos de Quixote,
as muitas amantes de Sir Lancelot
o drama escarrado na morte de Pixote,
o Rei do Baião de Pé-de-Serra, do Xote?
Por onde anda, de Einstein, a relatividade,
Contra Kant, Auguste Comte, a sua positividade,
A saga de Simone de Beauvoir gritando igualdade
Acabou, Tomás de Torquemada, toda maldade?
E as definições de Céu e Inferno de Dante
Da cruz, aos pés, o pobre Judas morre adiante
De John Campbell, o horizonte, o sextante
Narciso, impreciso, anarquista, egoísta, amante.
E os patos e os lobos, a altos custos se encerra
Hoje, a meninada não lê Gibi, mas joga guerra
Sabres de luz, uivos dos games, monstro que berra
Leituras virtuais, guerreiros que 'salvam' a Terra.
E as uvas verdes da Raposa, que Esopo contava
O pastor, do Lobo, que a mentira cultuava
E o trabalho da formiga enquanto a cigarra invernava
A Lebre e a Tartaruga, onde tudo se imaginava?
Foram-se os tempos de hibernar nos livros de amor
Iracema, O guarani, seja de José de Alencar, o que for
A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, com louvor
Meu Pé de Laranja Lima, de J.M. de Vasconcelos. Tutor!
... E debaixo da cama, escondidos na léxica puberdade
Elogio da madrasta, de Vargas Llosa, que ansiedade!
A filosofia na alcova, de Marquês de Sade, maldade,
O amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence, arde.
Mãos trêmulas, ardentes pensamentos na coleguinha
Da turma, esbelta, linda, estonteante, mas sozinha
De repente, com truques mágicos de Houdini; só minha!
No roteiro fantástico de A Normalista, de Adolfo Caminha.
Onde andam os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski,
ou os livros futuristas do poeta Vladimir Maiakovski,
ou a impúbere obra do russo Kornei Ivanovitch Tchukóvski
E A Marca de Água, Nobel de Literatura, de Joseph Brodsky?
Lamento profundamente quem não leu e nem se interessa
Mas infindáveis são as obras completas para ler sem pressa
O Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung, a Bíblia Sagrada, impressa
Thriller com arrepios, de Frederick Forsyth: O Dossiê Odessa.
Longe de 64, dos pós e contras da luta, A Conquista do Estado,
de René Armand Dreifuss, arte como fogo, povo encabulado.
A análise real de Carlos Fico, Além do Golpe. Mas de que lado?
Memórias de um Militante, de Cid Benjamin, narrador alado.
Como andam nossos leitores famintos, empinadores de nariz
Nem leram o Febeapá-Festival de Besteiras Que Assola o País
de um Stanislaw Ponte Preta, no Pasquim; sapatos de verniz.
Ei, onde estão leitores de micro-almanaques em pele de perdiz?
Infelizmente, tudo hoje é muito mais fácil, há quem diga
Basta uma pesquisa na internete e lá está o resumo, sem fadiga
de um livro todo. Pra que guardar toda vida? Há quem diga:
Mais fácil do que ler um livro, é ir ao cinema com uma amiga...

(Mhario Lincoln é advogado, poeta, jornalista, escritor)

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