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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Décimo Domingo do Tempo Comum


Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora – MG


Impérios, reinos e nações, ao longo da história mais distante e também recente, têm querido impor-se sobre os demais impérios, reinos ou nações, pelo poder da força. Por isso, as fábricas de armas continuam sendo um ótimo negócio. Em certas ocasiões, o poder humano reveste-se de uma aparente bondade, de pele de cordeiro, mas conserva seu caráter de lobo, com sua capacidade e desejo de dominar e oprimir. Há guerras que são feitas em nome da liberdade dos povos, mas muitas vezes escondem secretas intenções que se orientam quase que exclusivamente em benefício daqueles mesmos que fazem a guerra. O que se diz dos povos se pode dizer das pessoas e das famílias. Aí também há verdadeiras guerras em que uns desejam dominar os outros, onde ninguém ouve, mas somente trata de se impor aos outros.

Diante dessa realidade do poder humano, que cai quase sempre – até mesmo quando não são empregadas armas, mas apenas a confrontação dialética – na tentação de abusar de sua própria força, em benefício próprio, o evangelho deste domingo nos propõe outra forma de poder quase totalmente oposta. Se o poder humano (militar, político, econômico, religioso) costuma cair na tentação de oprimir, afundar, humilhar ou abusar, Jesus emprega seu poder precisamente para o contrário: dá vida, ressuscita, levanta, eleva. É um poder, o de Deus, que se abaixa a si mesmo até o homem e que se coloca a serviço da pessoa humana.

Tudo isso se vê nesta história tão simples da viúva de Naim. É uma viúva. Em uma sociedade patriarcal, uma mulher que não tem marido, que está sozinha, é já um zero à esquerda, não tem presença social e nem direitos. O filho era sua esperança. Era o homem da casa, a possibilidade de ser amparada, protegida, cuidada e defendida. Mas esse filho tinha morrido. Um cadáver, uma pessoa morta, é também sinal de impotência. Não se pode levantar por si mesmo, é vulnerável a tudo. Por isso, as lágrimas da mulher. Se sua situação já era arriscada, a morte de seu filho a deixou completamente indefesa diante da sociedade. Então, surge Jesus, que sente compaixão dela. Jesus não pode modificar as convenções sociais, mas dá a vida ao filho. Com seu poder, levanta-o dentre os mortos. Materialmente lhe ordena que se levante e que se reintegre na sociedade. Assim, também a mulher se poderia levantar da prostração. É o poder que se coloca a serviço da vida.

Hoje, muitos conhecem a experiência de ser oprimidos pelo poder político, militar ou econômico. Há famílias nas quais uns dominam os outros. Jesus nos convida a nos relacionarmos de outra maneira, isto é, reconhecendo os demais em toda a sua dignidade, erguendo os oprimidos e criando a fraternidade, onde todos estejam no mesmo nível, como filhos e filhas de Deus.

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