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sábado, 12 de novembro de 2016

Os apóstolos de Cristo (1ª parte)

“Ao amanhecer, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lc 6,13).


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora – MG
  
Amanhecia um novo dia. Jesus havia passado a noite toda em oração a Deus no alto de uma montanha. Lá mesmo, ainda nas alturas espirituais da oração, ele reúne os seus discípulos e forma um grupo mais restrito ao qual deseja entregar uma responsabilidade maior: a de irem e anunciarem a todas as gentes a sua boa nova. “Ao amanhecer, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lc 6,13). O termo tem origem no idioma grego e significa “enviados”. De fato, ele confia a este pequeno grupo uma enorme tarefa: a de conquistar o mundo para Deus. “Ide por todo mundo, a todos anunciai o evangelho, fazendo-os discípulos meus... ensinai a todas as criaturas, tudo o que vos ensinei... batizai a todos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Eis que estarei convosco todos os dias até os confins dos tempos” (cf Mt 28,20).

Entre aqueles que Jesus escolheu naquela manhã, no alto da montanha sagrada, encontravam-se dois que se chamavam Simão e dois que se chamavam Judas. Simão Pedro, a quem Jesus escolheu para ser o coordenador do grupo, seu imediato vigário, a pedra que o representasse, pois somente Cristo é Pedra Fundamental. Era Pedro, portanto, constituído chefe visível, sobretudo para depois que o Mestre se tornasse invisível a partir da ascensão.

O outro Simão ficou conhecido como Simão Zelote, na versão de Lucas e Simão Cananeu, na lista de Mateus. Zelote, certamente porque teria pertencido a um grupo político contrário à dominação romana sobre os judeus. Cananeu, porque nasceu em Caná da Galileia, onde Jesus fez seu primeiro milagre, mediante a intercessão de Maria, sua mãe.

Entre os dois Judas, um se perdeu nos caminhos da infidelidade e da traição, que foi Judas Iscariote cujo nome figura sempre no último lugar nas listas dos apóstolos, seja nos escritos de Lucas quanto de Mateus.

Mas o outro que ficou conhecido e venerado com o nome de Judas Tadeu, tendo o seu nome nas listas no penúltimo lugar, figura como sinal de fidelidade, muro que separa os que permaneceram fiéis ao Senhor e aquela terrível defecção do apóstolo que traiu clamorosamente o Mestre.

A luz que se acendia naquela manhã para o rosto daqueles discípulos privilegiados pelo amor de Cristo, e que em Iscariote se tornou trevas pela diabólica infidelidade, permaneceu, contudo, acesa e irradiante para os onze.

Todos os Apóstolos fiéis ao Senhor, inclusive Matias que foi escolhido após a ressurreição para ocupar o lugar de Judas Iscariote, têm recebido veneração e culto desde o princípio da história cristã.

Entre eles, alguns se destaca em especial devoção, como é o caso de são Judas Tadeu, celebrado liturgicamente dia 28 de outubro, juntamente com São Simão.

Sobre Judas Tadeu, pode-se perguntar: “por que tem recebido tanta admiração, sendo que de sua vida se sabe tão pouco? Sobre seu destino, a tradição diz que tenha ela pregado na Judeia, na Samaria, na Mesopotâmia e na Líbia. Os Armênios o consideram seu primeiro evangelizador ao lado de São Bartolomeu. Mas tudo isso ainda depende de maior documentação comprobatória no atual estágio da pesquisa.

Popularmente, se explica a predileção e confiança atual por São Judas Tadeu, por ter seu nome, no decorrer da história, ficado um tanto esquecido nas devoções, dada a semelhança nominal entre ele e o infeliz traidor. A partir da idade moderna vem, por este motivo, venerado como o intercessor nas causas desesperadoras, nas ocasiões que parecem não haver mais remédio para solução de graves questões.

Pessoalmente, julgo ter esta devoção popular um bom sentido bíblico e teológico, pois os santos no ato de suas intercessões não fazem outra coisa senão suplicar e manifestar o amor incondicional, o poder infinito de Deus. No caso, haver-se-á de recordar a palavra do Arcanjo Gabriel a Maria, no ato da anunciação, quando avisa a respeito da gravidez de Isabel na velhice, afirmando que “Para Deus, nada é impossível” (Lc 1,37).

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