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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

RELATÓRIO DA CPI DO MARUN É UM ULTRAJE AO PAÍS


Jorge Oliveira

Barra de São Miguel, AL - Às vezes eu quero entender o nosso país mas confesso que fico muito confuso. Agora mesmo estou a analisar como ainda continuamos maus representados no Congresso Nacional, no Governo Federal e na Justiça. Quando leio, por exemplo, a notícia de que o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) pede no seu relatório o enquadramento de Rodrigo Janot na Lei de Segurança Nacional e a sua prisão por conspirar contra o presidente Temer não sei se morro de rir ou se choro de vergonha diante de tanta imbecilidade. Não à toa, ao ser instalada, alguns deputados e senadores se recusaram a participar dessa CPI de marionetes que só envergonha o país.

Desde o início todo mundo sabia que essa comissão não é séria. Ela foi instalada a pedido do presidente que queria se vingar de Janot por pedir a sua cabeça, acusando-o de crimes de lavagem de dinheiro e de criar uma organização criminosa. O que não se sabia é que alguns deputados fossem se submeter a essa farsa que só serviu para dar palanque ao Marun e levá-lo ao Planalto como ministro do Temer. Que horror! Como o brasileiro deve se sentir pequeno, miúdo, ínfimo e impotente diante de um monte de bobos da corte que criam uma comissão para jogar fora o seu dinheiro. E mais do que isso: uma comissão que se mostra incompetente para apresentar um relatório factível, digno, sério, a altura de um parlamento que respeite o voto do seu povo.

É uma mixórdia geral o que acontece hoje no Brasil: um ex-presidente condenado que quer voltar ao trono; um STF que faz e refaz e não sabe o que faz das leis; um presidente pendurado em vários processos que usa o dinheiro público para comprar deputados e se safar de julgamentos; uma ex-presidente que pirou de vez e vive por aí afora repetindo o “é golpe, é golpe é golpe”; um deputado palhaço que tenta sair de cena com discurso de estadista; e, agora, uma CPI que adota os métodos sicilianos da máfia para pedir a prisão de procuradores que nem sequer foram ouvidos na comissão, numa clara vindita de dar inveja aos perigosos capos da cosa nostra italiana.

Que vexame, hein! Como um grupo de parlamentares é submetido durante quatro meses a um trabalho deselegante, indigno e subserviente como esse? Como se deixaram manipular pelo deputado Marun, e viraram marionetes a serviço de um circo mambembe ou até mesmo de um bordel de beira de estrada? Não precisava convocar ninguém para depor já que se sabia do resultado. Por que, então, gastar dinheiro com transporte, hospedagem para fazer um teatro cujo enredo da peça os brasileiros já sabiam? Porque ainda somos passivos diante de um descalabro dessa natureza, onde o dinheiro do contribuinte é jogado fora como vivêssemos em um país de primeiro mundo com todas as suas questões sociais resolvidas.

Marun é pau mandado. Serviu ao deputado Eduardo Cunha e esteve na linha de frente da sua defesa sem se preocupar com o que pensava a opinião pública. Nesse momento ainda é o principal defensor de Temer na Câmara dos Deputados e prepara-se para se mudar. Quer ficar mais próximo do presidente como ministro da Secretaria de Governo, para onde já foi nomeado. Esse ministério é aquele que, entre outras coisas, distribui dinheiro para as emendas dos deputados. Está no lugar certo na hora certa, pois o presidente está comprando os amigos dele para fazer passar a reforma da Previdência. Além disso, passa a ser o legítimo representante do presidiário Cunha lá dentro do Planalto.

Janot não deu a menor bola para a convocação de Marun. Como não era obrigado a depor se lixou para o pedido dele, daí a raiva do deputado para enquadrá-lo na Lei de Segurança Nacional, numa atitude nitidamente irresponsável.  Ora, não era procedendo dessa forma, com parcialidade, que a CPI iria desvendar o mistério que envolve Janot e os irmãos Batista que receberam dele impunidade a todos os crimes pela delação premiada. Se a comissão fosse séria teria convocado também os políticos denunciados pela PGR na organização criminosa da JBS.

Marun mirou, durante os trabalhos, em desqualificar Janot e ridicularizar Joesley ao recebê-lo para depor, chamando-o de “bandidinho” e pequeno “mafioso”, ambos algozes do seu chefe. Quem acompanhou a CPI, viu, naquelas audiências, um grupo de deputado a serviço do Palácio do Planalto, como também acontecia na época dos petistas que tinham lá dentro do parlamento seu canil de cães de guarda.

É assim, diante desse quadro, que os brasileiros vivem. E de tanto verem políticos inescrupulosos manipulando seus votos como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, eles simplesmente deixaram de reagir e, inconscientemente, viraram seus cúmplices.

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