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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Emancipação do ser


Adilson Motta de Santana







A era da razão trouxe muitos benefícios ao ser humano que aprendeu a separar realidade de superstição e desenvolveu métodos para o conhecimento da Verdade. Porém, levada ao exagero, a razão gerou o materialismo que procura abafar todas as manifestações da alma através de uma lógica que aparentemente consegue explicar tudo pelo olhar da matéria.
Assim é que a alma foi banida do ensino acadêmico, que a Medicina não mais a enxerga como promovedora da vida do corpo e que a Psicologia, ciência da alma, a aborda apenas como algo subjetivo e irreal.

       A ciência espírita possui os recursos para modificar esse paradigma fazendo a Humanidade entrar numa nova fase em que o Espírito seja aceito como uma realidade objetiva. Os Espíritos Superiores podem inspirar e incentivar, mas nada podem fazer se não assumirmos uma postura ativa diante daquilo que queremos mudar. As mudanças requerem atitude da nossa parte e o Espiritismo fornece as ferramentas necessárias para um entendimento profundo do ser humano, de modo a irmos além da concepção materialista da vida. O Espiritismo é seguido hoje por milhões de pessoas, mas permanece ainda como uma crença. Somente a ciência espírita pode transformá-lo em um conhecimento que transmite uma verdade para todos, capaz de transformar as instituições sociais inserindo a noção de ser espiritual que somos.

       Allan Kardec escreveu que o sonambulismo é a prova da existência da alma*. Porém, o esquecimento desse e dos demais fenômenos emancipativos é quase geral e pouco se tem feito para entender essas faculdades. A Psicologia tem avançado muito desde o século passado, mas ainda se debate, na quase totalidade, nos limites impostos pela matéria. Através do sonambulismo pode-se ir além, perscrutando a alma com os seus conteúdos escondidos, suas capacidades em gérmen, suas aspirações, dando a conhecer uma estrutura formada por vivências reencarnatórias diversas que alimentam possíveis traumas e conflitos que machucam e desarmonizam, mas também potencialidades diversas que podem e devem ser aproveitadas para o crescimento saudável físico e psíquico e a conquista da felicidade.

       Os fenômenos de emancipação da alma (ou fenômenos anímicos) revelam que o pensamento, como afirma o materialismo, não é produto da atividade cerebral. Os sonâmbulos conseguem enxergar com os olhos fechados e à distância, bem como através de obstáculos físicos, sugerindo a existência de outras vias de percepção, quando o mesmo faz uso dos sentidos da própria alma. "Quando o sonâmbulo descreve o que se passa à distância, é evidente que vê, mas não com os olhos do corpo. Vê-se a si mesmo e se sente transportado ao lugar onde vê o que descreve. Lá se acha, pois, alguma coisa dele e, não podendo essa alguma coisa ser o seu corpo, necessariamente é sua alma ou Espírito"**. O sonambulismo pode ser um meio de provar que somos um Espírito envolvido pela matéria corporal, que este possui capacidades que vão muito além dos limites dos sentidos físicos, podendo estas serem aproveitadas para o conhecimento do ser humano como um todo.

       As ideias materialistas têm se mostrado funestas, necessitando a Humanidade de ideias precisas a respeito daquilo que realmente somos, Espíritos em essência, seres imortais. Se o sonambulismo consegue expor a alma e os seus recursos escondidos, vale a pena nos debruçarmos sobre o estudo teórico e prático dessa faculdade, a fim de disponibilizarmos meios de comprovação da nossa realidade íntima, espiritual.

Fontes bibliográficas:

* O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, cap. VIII, item 455.

** Idem.


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