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terça-feira, 31 de maio de 2016

EDUQUE ENQUANTO HÁ TEMPO


Lúcia Moysés*






“Educa, educa por mim, e em meu nome, as almas e os corações que se ignoram, porque me ignoram... A alma é imortal... E eu tenho pressa que todas se alcandorem ao Sol da Verdade Eterna...”

Estas são palavras registradas no conto “O discípulo anônimo”, ditado por Léon Tolstói a Yvonne Pereira, e que consta do livro Ressurreição e Vida. Elas teriam sido ditas pelo Mestre Jesus àquele que dedicou sua vida a anotar seus os feitos e ditos a fim de levá-los às crianças e jovens do seu tempo: um seguidor que o acompanhou durante todo o seu messianato, conhecido como o moço do manto marrom.

Na narrativa, aquele jovem, certo dia, tocado de profunda compaixão, começa a curar possessos, em nome de Jesus. E assim prossegue até certa noite em que sonha com a visita do Mestre a lhe dizer: “... Não te limites a curar apenas os corpos, que tendem a desaparecer no túmulo. Trata de curar também as almas, por amor de mim, pois estas são eternas e mais necessitadas do que os corpos, pois necessitam de fachos da Verdade”.

Tais palavras soam como um alerta para pais educadores espíritas, muitas vezes esquecidos de que os filhos são espíritos a caminho da evolução e que essas se fazem sob o facho da Verdade Eterna. Ainda que não constem dos evangelhos, serve de inspiração a todos os que se dedicam à obra da educação do espírito que retorna à Terra para nova jornada.

No cerne das afirmativas ressalta a ideia de que a alma somente conseguirá evoluir se adotar os preceitos assinalados pelo Mestre Jesus e registrados nos evangelhos. Enquanto tal não ocorre, as pessoas continuarão se ignorando. Significa dizer que prosseguem distanciadas de si mesmas, vivendo a vida do corpo, priorizando instintos e sensações, em detrimento da alma; valorizando aquilo que se destina ao pó e à desintegração em detrimento do que é eterno.

Embora saibamos de tudo isso, muitas vezes, envolvidos pelos chamamentos da vida, agimos como se o ignorássemos. É o tempo dedicado à satisfação dos sentidos, aos cuidados excessivos da aparência; é a busca desenfreada pelos prazeres fugazes e o esquecimento das coisas do espírito que nos levam a caminhar sem a presença de Jesus em nossas vidas.

No entanto, mais do que nunca, nesses tempos de avanços tecnológicos e de apelos ao hedonismo, as crianças necessitam conhecer a mensagem cristã, especialmente no que diz respeito à educação moral.

Na hora presente, em que o culto das aparências estimula a vaidade, o orgulho e o narcisismo, é da maior importância que ajudemos os pequeninos a vivenciarem a humildade e a simplicidade. Igualmente imperativo é o ensino de valores como a compaixão, a bondade, a tolerância, o respeito a si e ao próximo.

Oferecer oportunidades às crianças e aos jovens de exercitar as virtudes cristãs é nossa forma de acelerar o processo evolutivo dos nossos filhos e daqueles que estão sob a nossa responsabilidade.

A família e a Casa Espírita desempenham um importante papel nessa tarefa.

Há pais que ainda questionam se devem ou não levar seus filhos para as atividades educativas oferecidas pela Casa Espírita. Muitos dizem que preferem esperar até que os filhos tenham condições de decidirem por si mesmo a respeito desse assunto. Esquecem-se, porém, que ao renascer, espírito algum traz consigo as informações do seu passado, de quem foi e por que motivos está reencarnando. Sabemos, no entanto, que exceto aqueles que retornam em missão, todos os demais necessitam fazer novas aprendizagens, corrigir vícios e imperfeições morais, quando não resgatar faltas e reajustar-se com adversários do passado. Muitos trazem pautas reencarnatórias difíceis de serem cumpridas. Por isso necessitam, desde o ventre materno, contar com as mãos seguras dos nossos pais. Carentes de orientação e bons conselhos, de exemplos sadios e ensinamentos morais, tais espíritos encontram nas lições do evangelho de Jesus – nosso modelo e guia – tudo aquilo que necessitam para o seu progresso espiritual.

Esperar que as crianças cresçam e atinjam a idade de escolher se querem ou não seguir os passos do Divino Amigo pode ser um risco desnecessário para o equilíbrio do espírito, pois se, do plano espiritual, antigos adversários ou companheiros afinados com o mal as espreitam, é possível que ao atingirem essa fase do desenvolvimento elas já estejam sintonizadas com tais companhias. Por isso, educar a criança e o jovem, tal como o fazia o moço do manto marrom, fazendo-os compreender a mensagem do Mestre Amado e colocando em prática as suas lições, é nosso dever.

*Lúcia Moysés é educadora, escritora e palestrante espírita

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