segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O BELO HORIZONTE DO MEU PAI - Texto de Gabriel Chalita, acadêmico da Academia Paulista de Letras


O BELO HORIZONTE DO MEU PAI

Acadêmico: Gabriel Chalita*

Continue sorrindo para mim. E soprando mistério para que eu continue acreditando na bondade, sua mais valorosa herança.


O belo horizonte do meu pai

Meu pai é José, nome do carpinteiro, pai de Jesus. Nome de tantos pais do Brasil e de outros lugares.

Meu pai é mineiro de Belo Horizonte. Como o santo, o esposo de Maria, meu pai é de Deus. Um homem de Deus. Quando estava por aqui e onde está agora, é o que sinto, crente que sou no sentir.  

Os seus pais vieram do Líbano, como tantos outros pais, buscando um mundo melhor para os seus filhos. Em tempos de guerra, vieram por aqui em busca de paz. Viveram pouco em Belo Horizonte. Viveram a vida em Cachoeira Paulista, uma sagrada cidade entre as serras da Mantiqueira e do Mar. Em Cachoeira Paulista, desde que minha memória é capaz de memorizar, meu pai via o horizonte. O belo horizonte. 

Era bonito de ver o sonhador sonhando. Em uma terra sem nada, ele via o café sendo colhido e o aroma perfumando a vida das pessoas. E, então, comprou a terra e virou plantador de café. Em áreas de silêncio, apenas, e de areia e pedras, viu famílias vivendo e convivendo e fazendo filhos. E construiu vilas e casas.

Em uma esquina, imaginou pessoas comprando e conversando onde não havia nada e abriu loja e fábrica. Em um lugar sem ninguém, viu romances nascendo e risos rindo e lágrimas, sem medo de demonstrar emoção e fez um cinema, o primeiro da pequena cidade. E construiu casas em um asilo para ajudar. E ajudou a vida inteira. Meu pai compreendeu os horizontes dos outros, porque era homem de escutar. 

Quando eu quis ser escritor, ele viu um futuro de bondades em mim. As palavras criam horizontes nas pessoas. Quando eu quis ser professor, ele sorriu de felicidade. Eu quis outras coisas que desisti. Ele compreendia, inclusive, as desistências. Os horizontes para serem construídos precisam de tempo e de paciência. 

A paciência era uma das virtudes que eu mais admirava em meu pai. Os erros dos outros nem sempre nascem da intenção de errar. É preciso confiar no tempo para os arrumos. 

Eu gostava de estar perto dele na loja, no sítio, nas construções. Eu gostava de ir com ele comprar pão e manteiga. Eu gostava de dizer a ele dos meus medos e de ouvir sorrisos libertadores. A sua voz em forma de oração ainda diz delicadezas em mim: "Calma, meu filho, confie, Deus está com você". 

Minha mãe era mais agitada do que ele. Era bonito de ver o arco de amor desenhando história em suas diferenças. Era bonito de ver como eles se olhavam com gratidão por terem se conhecido em um mundo tão grande. Ela nasceu na Síria. E se conheceram em uma calçada na cidade de Taubaté, no mesmo Vale entre as montanhas da Cachoeira onde nasci.

Ele foi ver um jogo de futebol. E se não tivesse ido? E se ela não estivesse naquela calçada naquele dia? Os imponderáveis da vida brotam amor. E eu sou fruto desse amor. 

Faz tempo que meu pai foi viver a eternidade. Minha mãe também foi, tempos depois. Eu prossigo por aqui, vivendo com eles em mim. Lembrando lembranças que abrem belos horizontes na minha vida. Parece que vivemos muitas vidas em uma vida, apenas. Uma bela vida.

Os ontens prosseguem no hoje. E o hoje é possuidor das sementes do amanhã. Da terra que pode ser plantio de café ou de filmes de cinema. Das lojas ou das salas de aula em que o amor é sempre necessário.

Lembro o primeiro dia em que entrei em uma sala de aula e fui chamado de professor. Lembro o café no fim do dia e da minha empolgação ao dizer aos meus pais que havia encontrado o meu lugar no mundo. Meu pai repetiu com orgulho: "Meu filho, meu menino, é professor".

Meu pai me viu seminarista, me viu fazendo peças de teatro, me viu vereador, me viu voltando da primeira viagem fora do Brasil para dar palestras e lançar livros. E abraçava o que via. Era bom contar tudo a ele. Até dos medos.

Um dia, em um dos primeiros lugares em que fui diretor, eu disse a ele da minha dúvida de ficar ou sair. Minha mãe disse que eu deveria ficar. Era muito jovem e recebia muito bem. Ele perguntou se eu estava feliz. Eu disse que, até então, sim, que mais recentemente, não. Então, ele disse: "Você sabe a resposta, filho, a vida é muito curta para desistirmos da felicidade". 

Que belo horizonte via o meu pai. Eu perdi dois irmãos. Ele e minha mãe enterraram dois filhos. As dores sempre viveram na minha casa, mas ele nunca deixou de ser feliz. Eu tinha quinze anos quando, no velório do meu irmão, ele agradecia a Deus pelo tempo em que ele pôde ser pai de um filho tão especial. A felicidade mora, também, na tristeza. Ela se chama paz. Ela é compreendedora das finitudes da vida. E da eternidade. 

Da eternidade, sinto que meu pai sente o amor que escrevo em palavras quando falo dele. E, se sinto, acredito. E sinto que, um dia, de um jeito que não sei, nos olharemos de novo e, na pureza do amor, agradeceremos por termos, no tal do mundo grande, sido pai e filho. 

Não se escolhe pai. É parte do que não depende de nós. Se dependesse, eu escolheria o meu bom José. Como escolho pensar nele e chorar e sorrir, porque são sentimentos que se completam. 

Feliz dia dos pais, meu pai amado. Continue sorrindo para mim. E soprando mistério para que eu continue acreditando na bondade, sua mais valorosa herança.

Publicado em O Dia, em 09 08 2026

*Gabriel Chalita é acadêmico da Academia Paulista de Letras 


DIA NACIONAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO - Texto de Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



DIA NACIONAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO

EIRAS & BEIRAS

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Nesse feriado, depois de um certo período em casa, fui andar pelas ruas do Centro Histórico da minha cidade, São Luís, "ainda" patrimônio mundial da humanidade.

Na Praia Grande, constatei "um patrimônio da humanidade" sem eiras e nem beiras. Na grande maioria em estado de ruínas e necessitando urgentemente de conservação.

Sobrados, meias moradas, sem eiras, beiras ou tribeiras, formam um triste retrato de uma tragédia urbana.

O que deveria servir de orgulho a todos, percebo mesmo, é desolação. Seria tão bom se prevenir da barbárie, em sua forma mais profunda - o abandono.

Olho para nossa cidade, grito e indago: onde estão os homens públicos ou ministérios, procuradores, desembargadores?

Uma tristeza, olhar os becos, ruas estreitas, praças, fontes, etc., necessitando urgentemente de um melhor tratamento, que nunca vem...

Deixei para escrever esses "ditos" depois das festividades, para não dizerem que estava atacando algum ocupante de cargo ou servidor público. Se faço isso agora, que assim seja!

Homens públicos (servidores públicos que detém sua guarda), vamos salvar nossa cidade! Se continuar assim, só restará o nome numa velha fotografia de que um dia, foi patrimônio da humanidade.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 17.08.2026. SÃO LUÍS-MA).


Povo do Meu Agrado 17 / 08 / 2026 -


Povo do Meu Agrado

17 / 08 / 2026



Bom dia, meu povo querido,

o sol já vem clareando,

e quem planta com esperança

vai aos poucos prosperando.


Tem abóbora na colheita,

tem banana pra carregar,

tem trabalho feito com gosto

e alimento pra nossa mesa chegar.


Que Deus abençoe a roça,

quem planta e quem vai colher.

Que nunca falte saúde,

nem coragem pra vencer.


Bom dia com fé no peito,

com fartura e gratidão.

Que hoje Deus visite

cada casa do nosso sertão!



 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Companheiro se você nunca ouviu...


Poeta Sertanejo

17 / 08 / 2026

Companheiro se você nunca ouviu, o cantar estridente de um gavião penacho.

Nunca ouviu o murmurar das águas de um ribeirão correndo vale a baixo.

O sanhaço picando uma banana madura, direto do cacho.

Nunca passou nos caminhos onde paço, e não recebeu do aranha gato um abraço.

Você não conhece o meu sertão, lugar onde o latido dos perdigueiros ecoa no espaço.

Aqui se ouve a léguas e meia o grito dos boiadeiros, o gado tocando.

E se avista uma nuvem de poeira, onde a boiada pantaneira está passando.

E lá no alto da colina, uma pomba clandestina canta pela chuva chamando.


Os ares dos campos virgem se encontram esfumaçados.

Pelo o homem que com tudo vai acabando.

Mas cheio de orgulho eu falo pra você, o quando é lindo o florir do belo ipê.

O cantar em liberdade de um majestoso sabiá, que parece a Deus agradecer.

Contemplar lá no jardim o lindo florir de uma roseira, onde os colibris vem logo pelo amanhecer.

Com muito carinho eu lhe convido, para isso tudo vir conhecer.

Vai admirar a lua prateada clareando a estrada, no anoitecer.

E se encantar com a orquestra da passarada no romper da aurora pelo o amanhecer.

Bom dia meu povoooooo

Uma semana abençoada para todos vocês...


sábado, 15 de agosto de 2026

O sigilo da fonte e o Estado Democrático de Direito - Por Bady Curi Neto


O sigilo da fonte e o Estado Democrático de Direito

Por Bady Curi Neto

Em: 14 de agosto de 2026

Tudo começou com uma reportagem do jornalista maranhense Luís Pablo (Luís Pablo Conceição Almeida) que, em seu blog, denunciou que o ministro Flávio Dino e sua família teriam utilizado carros oficiais da Justiça do Maranhão para fins particulares, sem cessão formal. Segundo o próprio jornalista, a formalização só teria ocorrido depois que os fatos vieram a público. A série de reportagens teve início em 20 de novembro de 2025, com o texto intitulado “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”.

Após as reportagens, e de forma no mínimo curiosa, o próprio jornalista passou a ser acusado de perseguir o ministro e a ser alvo de busca e apreensão. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e cumprida em março de 2026, com fundamento em suposta prática do crime previsto no art. 147-A do Código Penal (perseguição), a partir de investigação que, segundo o STF, havia sido solicitada pela Polícia Federal em 23 de dezembro de 2025.

Na análise do material apreendido — celulares e computador —, a Polícia Federal teria identificado, no que se costuma chamar de “pescaria probatória” (fishing expedition), a possível fonte das informações do jornalista, por meio da quebra do sigilo de seus aparelhos.

Com base nisso, agora, em agosto de 2026, a pedido da PF e com aval da PGR, o ministro Alexandre de Moraes determinou a busca e apreensão contra a fonte do jornalista — o ex-secretário de Estado, Raimundo Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, ex-deputado estadual e adversário político de Flávio Dino — e também contra o advogado do jornalista.

Dino comanda inquéritos contra os próprios desafetos no Maranhão -Jogo bruto...

 

Jogo bruto

Dino comanda inquéritos contra os próprios desafetos no Maranhão

Desafeto de Dino, governador agora é acusado de "chefiar organização criminosa"

14/08/2026 - Atualizado 15/08/2026

 

Felipe Camarão (PT) integra o grupo ligado ao ex-governador Flavio Dino - Foto: redes sociais.

DP- Redação - (Diário do Poder)

Uma série de investigações da Polícia Federal, sob relatoria e comando direto do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, aponta o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), desafeto pessoal do magistrado, como suposto “líder de uma organização criminosa envolvida em desvios de recursos públicos e até no homicídio de um empresário em 2022.  O senador Weverton Rocha também figura como suspeito de pressões em processo no STJ sobre crime no estado. Brandão alega perseguição política.

Como reportaram Vinícius Valfré, Aguirre Talento e Gustavo Côrtes no Estadão, Dino reproduziu relatório da PF identificando o governador como “provável líder da organização criminosa ora investigada”, citando fluxos de valores e interlocuções com aliados, incluindo o sobrinho Daniel Brandão, conselheiro do TCE. As investigações envolvem suspeitas de obstrução, coação de testemunhas e uso da estrutura estatal, em casos que atingem adversários políticos e desafetos de Dino no Maranhão, onde o ministro mantém influência e o grupo “dinista” se opõe ao atual governo.

A nota oficial do Governo do Estado do Maranhão esclarece: “A assessoria do governador Carlos Brandão vem a público esclarecer que o Supremo Tribunal Federal não tem competência para julgar casos relacionados a governadores de estados, atribuição legal do Superior Tribunal de Justiça. Ainda que no âmbito das investigações surjam personalidades ou autoridades com este foro, cada um deve ser direcionado ao juízo competente, questão apresentada pela Procuradoria-Geral da República na petição 15437/MA (página 31).

Destaca ainda que vê com surpresa a quebra de sigilo dos processos por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, após tamanha repercussão da quebra do sigilo da fonte envolvendo o jornalista Luís Pablo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, direito que é assegurado pela Constituição.

Causa estranheza o inquérito sobre o caso Tech Office se ater a atos relacionados unicamente a partir de 2022, quando houve o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, em São Luís. A decisão omite, porém, a reabertura de um processo administrativo de pagamento que estava arquivado desde 2014, sendo retomado em 2019, e que seria o motivo do homicídio. O processo foi reaberto na Secretaria de Educação do Estado, que era à época era comandada por Felipe Camarão e quando o próprio ministro era governador do Maranhão.

Em 2025, o ministro Flávio Dino lançou publicamente o nome de Felipe Camarão ao cargo de pré-candidato ao governo do estado, em evento em uma universidade, motivo pelo qual o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou pedido de impeachment contra o ministro no Senado Federal.

O grupo que se intitula de “dinistas” é adversário político do governador Carlos Brandão. Apesar de todos os elementos acima citados, o ministro segue responsável por decisões que impactam diretamente o cenário político do Maranhão.”


"O dia em que encontrei na favela filha de Tobias Barreto" - Texto de Ney Lopes, escritor, jornalista e poeta: ex-deputado federal


Memória: "O dia em que encontrei na favela filha de Tobias Barreto"

14 Ago 2026

Ney Lopes*

Memória, história, hoje

Em 1965 transferi-me para residir em Recife e prosseguir estudos na Faculdade de Direito de PE. Passei a integrar a equipe de reportagens especiais do Jornal do Comércio, dirigida pelo jornalista Zezito Maciel, irmão de Marco Maciel.  Era diretor-secretário do jornal o conceituado jornalista Esmaragdo Marroquim, figura influente no meio intelectual e cultural de Pernambuco, junto a escritores, imprensa e nomes de destaque como Ariano Suassuna e Mário Melo. Convidado, passei a integrar a equipe de repórteres da sucursal nordeste da Folha de SP, dirigida pelo conterrâneo Calazans Fernandes. Lá trabalhei ao lado do também amigo e conterrâneo Gaudencio Torquatto, hoje consagrado analista político do país.

Recebi na redação, a missão de localizar o paradeiro de “descendentes diretos” de Tobias Barreto, jurista pernambucano, filósofo, poeta, crítico, professor de Direito. considerado o fundador da Escola do Recife e um dos maiores intelectuais da história do Brasil, além de patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Barreto tinha origem humilde e a sua pele escura foi usada socialmente para discriminálo, inclusive dificultando casamento com família aristocrática. Tornou-se defensor de negros e escravizados, incluindo atuação jurídica abolicionista. No Memorial da Justiça de Pernambuco consta a ação de liberdade do escravo Simplício Manuel, denominada “Uma questão de Justiça”, proposta por Tobias Barreto.

A investigação começou do zero. Madruguei por semanas, caminhando pela periferia do Recife, até que um oficial de Justiça me deu a pista decisiva. Encontrei dona Calíope Barreto, filha de Tobias, aos 68 anos, vivendo em um quarto miserável numa favela. Sobrevivia como “pensionista da caridade pública”. A herdeira de um dos maiores pensadores do país estava confinada à invisibilidade. Com o fotógrafo Clodomir Leite, levei dona Calíope para um “roteiro da saudade” pelas ruas do Recife. Na Faculdade de Direito, emocionada, relembrou o pai e disse apenas: “Ele sofreu muita inveja”. Era a síntese de uma vida marcada por grandeza intelectual e pequenas mesquinharias sociais

O abandono a que estava submetida gerou forte comoção na opinião pública pernambucana. O impacto da matéria e o apelo humano da história fizeram com que grandes veículos de circulação nacional se interessassem pelo caso. “O Cruzeiro”, na época a principal revista do país, adquiriu os direitos de republicação da reportagem.

A Academia Pernambucana de Letras (APL), por sugestão de acadêmicos que reconheceram o valor documental e histórico do fato, publicou a reportagem em sua revista.  O poder público estadual mobilizou-se para amparar dona Calíope. Foi autorizada a doação de uma casa e pensão mensal pelo  governador Paulo Guerra, assessorado pelo secretário de Justiça, Dr. João Roma e o secretário Assistente, Marco Maciel.

Hoje, ao revisitar essa memória, agradeço a Deus a oportunidade de ter contribuído para restaurar um capítulo esquecido da história brasileira. Tobias Barreto continua iluminando a cultura nacional — e sua filha, resgatada da penúria, devolveu ao país a chance de honrar esse legado.

*Ney Lopes é escritor, jornalista e poeta: ex-deputado federal 


Povo do Meu Agrado - Pelo caminho vai seguindo...

 

Povo do Meu Agrado

15 / 08 / 2026

 



Pelo caminho vai seguindo,

com sua sacola na mão,

cada passo vai chegando

mais pertinho do seu chão.


Lá na frente está a casinha,

cercada de verde e beleza,

um cantinho simples e bonito,

abraçado pela natureza.


Quem passa o dia lá distante

sabe a alegria que dá,

quando avista a própria casa

e percebe que chegou ao seu lugar.

 


 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”

 

Poeta Sertanejo - Ainda me lembro de mãe varrendo seu terreiro...


Poeta Sertanejo

15 / 08 / 2026

Ainda me lembro de mãe varrendo seu terreiro, com uma vassoura de guanxuma não ficava um cisco no chão.

Depois limpava o coberto onde guardava o pilão.

Com capricho de tudo ela zelava, até mesmo do velho tacho, que quando pai matava um capado nós usava.

Suas panelas areadas, que de longe brilhava.


Suas roupas branquinhas estendidas no varal, que eram lavadas, lá nas águas do ribeirão, na sombra do bambuzal.

Bacia na cabeça, batedor era de tábua, mulher guerreira de uma época triunfal.

Vida cabocla, de um tempo sem progresso, onde o sucesso, estava na colheita do cafezal.

A família trabalhava unida, no mesmo ideal.

Enfrentando o cotidiano, ganhar um dinheirinho para pagar as contas, e comprar uma roupa nova no final do ano.

Tempos passados, lembranças, que vivo recordando.

E assim com muita alegria, a todas mães de família da época sigo homenageando.

Ao ler essa escrita de maneira tão bonita, no tempo elas também vão retornando.

Bom dia meu povoooooo

Um final de semana abençoado para todos vocês


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A inversão moral da solidariedade - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A inversão moral da solidariedade

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Não tenho certeza. Certezas absolutas deixo para o divino e para aqueles, cada vez mais donos da verdade, que dispensam a dúvida.

Tenho, porém, uma convicção bastante resistente de que existe uma perigosa confusão moral nestes tempos de “nova consciência”, em que depender dos outros pode ser apresentado como solidariedade, enquanto desejar depender de si mesmo começa a adquirir a desagradável aparência de egoísmo.

Adam Smith jamais caiu nessa armadilha. Interesse próprio não é egoísmo. O homem smithiano deseja melhorar de vida, prosperar, cuidar dos seus, mas leva consigo o espectador imparcial, aquele juiz moral interno que nos faz enxergar nossa conduta pelos olhos dos outros. Temos empatia, limites e deveres, mas também carregamos uma responsabilidade que nenhuma boa intenção coletiva deveria apagar. Minha vida é, antes de tudo, minha responsabilidade.

Ninguém abre uma padaria para alimentar a humanidade. Abre porque deseja prosperar, mas, para isso, precisa fazer um pão que alguém queira comprar, atender bem, competir e servir para ser servido. O interesse é individual, o que não impede o benefício de chegar aos outros. Smith percebeu há séculos algo que nossa sofisticada “nova consciência” parece empenhada em esquecer.

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