quarta-feira, 15 de julho de 2026

Entre Dimensões - Artigo de Virginia Nunes Freire


Entre Dimensões


Virginia Nunes Freire







“Há perguntas que a ciência continua investigando, outras que a filosofia procura compreender e algumas que apenas o silêncio da alma consegue acolher. Esta é uma reflexão sobre uma delas.”
Não chegamos a este planeta por um simples passe de mágica. Houve um longo processo evolutivo, no qual inúmeras forças e contribuições participaram da construção da vida como a conhecemos.
Estamos inseridos em um universo repleto de dimensões. No entanto, antes de buscarmos compreender aquelas que nos parecem mais distantes, talvez devamos refletir sobre a que está mais próxima de todos nós: a morte.
A morte pode ser compreendida como uma passagem para outra dimensão, onde a energia da vida deixa seu invólucro carnal, que retorna à Mãe Terra, enquanto sua essência segue um novo caminho. Não sabemos exatamente o que existe além desse limiar, mas a própria natureza nos ensina que a transformação é uma constante.
As dimensões não são compartimentos isolados. Pelo contrário, elas parecem entrelaçar-se pela força do pensamento, pelas emoções e pelos sentimentos que cultivamos por aqueles que partiram. A saudade, o amor e a memória mantêm vivos vínculos que desafiam nossa compreensão.
O universo é uma imensa malha de relações, regida por leis que a Física procura compreender. Uma delas nos oferece uma reflexão profunda: a Primeira Lei da Termodinâmica estabelece que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. Essa afirmação, embora pertença ao campo científico, inspira também uma visão filosófica sobre a continuidade da existência.
Acredito que o universo seja uma imensa trama de energia em permanente transformação. Talvez ainda compreendamos apenas uma pequena parte desse infinito. A ciência continua revelando os mecanismos da natureza, enquanto a filosofia e a espiritualidade procuram compreender seu significado.
Estamos em permanente transformação. Talvez a única maneira de continuar aprendendo seja manter a mente aberta, livre de preconceitos e bloqueios, reconhecendo que o conhecimento humano está sempre em construção. Como dizia Albert Einstein: “Deus não joga dados com o universo.” Independentemente da interpretação dessa frase, ela nos convida a refletir que existe uma ordem maior, ainda não totalmente compreendida pela nossa limitada percepção.
Escolho caminhar com a mente aberta, respeitando o conhecimento científico e, ao mesmo tempo, acolhendo a intuição que habita meu coração. É por isso que procuro viver na vibração do amor, pois acredito que ele é a energia que melhor conecta as pessoas, transcendendo o tempo, a distância e, quem sabe, até as dimensões que ainda não somos capazes de compreender.
Aqueles que já partiram continuam presentes em minha vida. Não apenas na lembrança, mas nos ensinamentos que deixaram, nos valores que transmitiram e no amor que construímos juntos.
Eles vivem em mim. Estão presentes em minhas escolhas, em minhas maneira de olhar o mundo e em cada gesto de carinho que ofereço ao próximo. Enquanto o amor permanecer, nenhuma separação será definitiva, porque o verdadeiro vínculo não pertence apenas ao corpo, mas à essência.
Se um dia encontrarmos todas as respostas, talvez descubramos que ciência e espiritualidade nunca foram adversárias, mas apenas linguagens diferentes na busca pela mesma verdade.
E, até que esse dia chegue, continuarei vivendo entre dimensões: com os pés firmes na Terra, a razão aberta ao conhecimento e o coração voltado para o amor. Porque, para mim, é o amor que une o visível e o invisível, o passado e o presente, a matéria e o espírito. É nele que encontro a força para seguir aprendendo, transformando-me e honrando aqueles que continuam vivos dentro de mim.
Virginia

Fonte - Facebook

Bolsonaro e Flávio: decisão separa o que a Constituição protege, artigo de Ney Lopes, jornalista e escritor, ex-deputado federal

 

Opinião: Bolsonaro e Flávio: decisão separa o que a Constituição protege

Ney Lopes*

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro.

A medida foi motivada pela divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro e tornada pública por Flávio.  

O próprio teor da decisão mostra que o motivo seria a divulgação de um vídeo, anunciando a leitura da carta.

Portanto, tudo leva a crer numa possível acusação de propaganda antecipada, nunca crimes eleitorais.

O direito consagra dois princípio: da razoabilidade e da proporcionalidade.

O primeiro impõe que o juiz pondere sobre a sanção  aplicada, diante do fato ocorrido.

A proibição de comunicação deve ser considerada medida extrema, sobretudo se tratando de contexto familiar.

O segundo caracteriza o excesso constatado a uma aplicação desproporcional da lei.

Separar pai de filho interfere no núcleo da família, que é de acordo com o artigo 226 da Constituição, a base da sociedade e tem especial proteção do Estado.

 A medida somente se justificaria nas hipóteses de crimes violentos ou coação direta no âmbito familiar.

Além do mais, a justiça deve buscar medidas menos gravosas, que sejam capazes de atingir o objetivo.

Certamente, na punição da propaganda antecipada seriam suficientes multas, advertência,  ou proibição de reincidência, sem romper a comunicação familiar.

Admite-se até a alternativa da supervisão do contato, ou seja, a comunicação ocorreria  mediante condições estabelecidas para evitar interferências nas investigações.

Nunca o filho ser proibido de ver o pai.

Desproporcional e desarrazoada

Vê-se que, não havendo indícios concretos de crime há amplo espaço para considerar a a proibição de contato desproporcional e desarrazoada.

O que se espera – mas é improvável que ocorra – seria o STF, em sede de colegiado, considerar ilegal essa proibição.  

Considerando que o pai e filho são figuras políticas relevantes, a vedação do contato configura um excesso de poder judicial sobre o processo democrático.

Portanto, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proíbe Flávio Bolsonaro de se comunicar com o pai Jair Bolsonaro, salvo melhor juízo, afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, fundamentais no Direito.

Invade o núcleo familiar protegido pela Constituição. Sob o pretexto de regular a política é um excesso, que sufoca o vínculo paternal, em nome do processo democrático.

*Ney Lopes é jornalista e escritor, ex-deputado federal


DIA DO HOMEM / HOMENS & GAMETAS - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA DO HOMEM /

HOMENS & GAMETAS

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

O que poderia ser o dia a dia se não houvesse esta dor de barriga, esta cólica ácida, gastrite que apodrece o sol, o vento?

Livros, um monte de letras, um monte de pensamentos de pessoas que tinham o dia a dia para construí-los e as noites para trocar pelos dias...

O que não seria destas coisas monótonas se não houvesse a certeza da repetição? Não seria diferente. Dia a dia e noite a noite confundem-se. Há uma pequena diferença: um é branco e outro é preto (às vezes).

Minhas unhas crescem à noite ou ao dia? Sei lá! A poda dá-se a qualquer hora (embora meus dentes sejam postiços de tanto roê-las).

Dia? O que é isso? Algo que convencionaram chamar de dia. Poderia ser aid, como noite poderia ser etion. Quantas nuvens já passaram pela janelinha que me mostra o dia. Cirros, cúmulos e nimbos – seiscentos e tantos. Será? Não! Só há uma nuvem: aquela que se esparrama pelo céu formando mil e tantas figurinhas e figuronas.

Parecem anjos, parecem demônios... A noite também mostra, mas não vejo porque estou preocupado com o dia a dia. Tenho que preparar o amanhã, para poder viver hoje... Contar carneirinhos, escrever poesias, assinar o ponto, ler qualquer coisa que saiu da cabeça de alguém como eu.

Tem-se a ilusão de que se está vivendo. Ilusão, apenas ilusão, como se tem a ilusão de que a sombra serve para alguma coisa. Para que serve minha sombra? Boa pergunta! Para nada... Nem dia a dia nem noite a noite. Anote isso!!!

Não! Não anote! Seu dia a dia iria ficar como o meu: cheio de anotações e a noite a noite você transformaria em dia só em pensar loucuras: por que há dias? Por que há noites? Sei lá. Pergunte a Deus... Não! Não pergunte. Ele está ocupado com o nosso dia a dia, com a nossa noite a noite. O caderno dele está cheio de anotações claras e escuras desde o primeiro dia e a primeira noite.

Uma coisa é certa: há pecados tantos num, quanto no outro e, desde que existem dia a dia e noite a noite, há alguém malinando, numa irônica existência chamada solidão cotidiana...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 15.07.2026. SÃO LUÍS-MA).


A tecnologia do pertencimento - Texto de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A tecnologia do pertencimento

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Nassim Taleb escreveu que dificilmente alguém é convencido por argumentos. Apenas a realidade seria capaz disso.

Talvez isso descrevesse um mundo que já não existe.

Hoje, a realidade já não basta.

Não porque os fatos tenham desaparecido, mas porque surgiu um mecanismo de controle muito mais sofisticado do que a censura; o pertencimento.

Durante séculos, o poder tentou controlar o que as pessoas podiam dizer. Agora basta controlar o grupo ao qual elas desejam pertencer.

Essa é a inovação política mais sofisticada do nosso tempo.

O pertencimento deixou de ser consequência das convicções. Tornou-se o fabricante das convicções.

Primeiro escolhe-se a tribo. Depois é a tribo que passa a definir os limites do pensamento aceitável.

Nesse instante, um fato deixa de ser apenas um fato. Torna-se uma ameaça à identidade, uma vez que discordar já não significa perder uma discussão. Significa arriscar o reconhecimento, os vínculos, as referências e, para muitos, a própria estrutura psicológica que dá sentido à vida.

É por isso que previsões fracassam sem destruir as narrativas que as produziram.

A realidade deixou de corrigir as crenças. São as crenças que passaram a reinterpretar a realidade, até que ela volte a caber na história que a tribo decidiu contar.

Esse é o mecanismo de poder que menos precisa recorrer à coerção. Basta convencer as pessoas de que o preço de questionar a narrativa é o pertencimento.

Poucas estão dispostas a pagar esse preço.

Poeta Sertanejo - A tristeza e a felicidade são duas coisas engraçadas.


Poeta Sertanejo

15 / 07 / 2026

A tristeza e a felicidade são duas coisas engraçadas.

No meio de um momento de tristeza, às vezes pode surgir a felicidade do nada.

E até mesmo a própria felicidade, pode se transformar em lágrimas derramadas.

Por isso, plante a felicidade no cair da noite, para colher no romper da alvorada.

Que com toda certeza será irrigada com o sereno de uma noite orvalhada.

A tristeza às vezes se faz indelicada, no inverno maltrata o florir da roseira que enfeita do rancho a chegada.

Deixando a felicidade da minha cabocla de alma magoada.

É quando vejo da varanda, um canário preso numa gaiola, cantando com saudade de sua amada.

Casa do poeta
Diz o poeta que é nesta hora que a tristeza e a felicidade andam de mãos dadas.

No canto triste, alegre de uma ave aprisionada.

Só imagina sua dor quem também está numa prisão sem ter feito nada.

Adormece no início da noite, e fica acordado de madrugada.

Contemplando a lua, que pelo sol também foi abandonada.

E desta forma segue a vida, passando por momentos de tristeza e felicidades na longa caminhada.

Um te serve de alívio e o outro de lição para a longa jornada.

Bom dia meu povoooooo... 

Um dia abençoado para todos vocês... 


terça-feira, 14 de julho de 2026

A culpa que nunca muda de endereço - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


A culpa que nunca muda de endereço

Alex Pipkin, PhD em Administração

Existe uma impressionante regularidade na história. Mudam os séculos, mudam as ideologias, mudam os regimes políticos e mudam até os argumentos utilizados para justificar o preconceito, mas o personagem da acusação permanece o mesmo.

Poucos povos foram privados com tanta frequência do direito elementar à inocência coletiva quanto os judeus.

Já foram responsabilizados pela morte de Cristo, pelas pestes medievais, pela usura, pelo capitalismo, pela globalização e, agora, voltam a ser convocados ao banco dos réus pelos crimes do bolchevismo.

A acusação apenas acompanha o espírito de cada época. Para quem combate o capitalismo, os judeus tornam-se a personificação da riqueza, dos bancos e do mercado. Para quem combate o comunismo, transformam-se nos arquitetos da Revolução Bolchevique. A acusação muda de direção, mas nunca de destinatário.

Fala Sergio Moro..., nas redes sociais...

 

“Lula, durante 2018, recebeu 572 visitas na prisão, inclusive 21 do então candidato à presidência do PT, Fernando Haddad. Seus visitantes concediam, em seguida, longas entrevistas a TV e à imprensa sobre o que Lula havia falado. Nunca cogitei cercear o direito de visita ou de correspondência de Lula. Já Bolsonaro agora não pode mais receber visitas de seu filho, Flávio Bolsonaro, na prisão domiciliar e pelo jeito também não tem assegurado o direito de correspondência previsto na lei para todo preso. Falta proporcionalidade e legalidade à decisão do Min. Moraes.”


DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE PENSAMENTO - LIBERDADE & PENSAMENTO

DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE PENSAMENTO

LIBERDADE & PENSAMENTO



Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Teríamos sabedoria sem pensar sistematicamente? Não, acredito que não. Essas existências abstratas que se materializam na mente humana, são obras da perfeição de Deus.

O psiquiatra e escritor Augusto Cury, com seu profundo poder de análise, foi preciso ao escrever o seguinte: "o poder de um ser humano não está na sua musculatura, mas na sua inteligência. Os fracos usam a força, os fortes usam a sabedoria”.

Portanto, com seus pensamentos, sabedorias, lavras, entusiasmos, inspirações, criações e desempenhos, homens e mulheres (artistas ou não, literatos ou não), mas acima de tudo trabalhadores, tentam melhorar o mundo, mas as vezes arruínam... E Deus, sabiamente, põe asas em tudo que pensamos e em tudo que pretendemos modificar.

Isso é um exercício diário por toda a vida... Em reconhecimento à boa sabedoria e ao bom pensamento, saúdo a todos!

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 14.07.2O26. SÃO LUÍS)


segunda-feira, 13 de julho de 2026

ELUCUBRAÇÕES ELEIÇOEIRAS - Artigo de José Renato Nalini, acadêmico da Academia Paulista de Letras


ELUCUBRAÇÕES ELEIÇOEIRAS

Acadêmico: José Renato Nalini*

O que temos praticado atende às exigências de uma verdadeira democracia?


Elucubrações eleiçoeiras

2026 é um ano instigante para o Brasil. Eleições muito esperadas e decisivas para indicar que o País está se compenetrando de que uma nova realidade geopolítica se instaurou e que é preciso muita racionalidade assertiva para enfrentá-la.

Como seria bom que o voto fosse facultativo e, portanto, reservado a quem realmente se interessa pela política. Diante do número de abstenções, votos em branco e votos nulos, vê-se que não é diminuta a parcela da população que prefere cuidar de seus próprios interesses e não toma conhecimento da renovação dos quadros dirigentes da Nação.

Além disso, na sociedade eletrônica hoje vigente, poder-se-ia pensar no exercício do sufrágio pela internet. Por que mobilizar milhares de pessoas, requisitar prédios que precisam passar por adaptações provisórias, mas que oneram quem as realiza, para o comparecimento pessoal de quem poderia manifestar sua opinião servindo-se de todo equipamento hoje disponível? É um contrassenso poder utilizar o Pix para transferir vultosas importâncias e exigir a presença física do eleitor nos lugares destinados a receber sua manifestação de vontade.

Pense-se no trabalho indesejável realizado por aqueles convocados para servir como mesários, de forma compulsória e quase sempre cumprido sob protesto, que seria banido de nossa prática democrática. Só quem recebe os inúmeros requerimentos de dispensa do serviço obrigatório e gratuito é que sabe inexistir o fictício entusiasmo dos recrutados a trabalhar no dia das eleições.

Outros benefícios como subproduto adviriam: melhoria no trânsito e, por consequência, no flagelo da emissão de gases venenosos causadores do efeito estufa. Poupar-se-ia o sacrifício dos garis, forçados ao recolhimento de toneladas de propagandas que sujam e enfeiam as ruas e, não raro, vão entupir bueiros e bocas-de-lobo.

Em lugar do dispêndio milionário com esse espetáculo que movimenta milhares de cidadãos, haveria condições de elaborar sistemas de controle e auditoria comprobatória de que não houve fraudes e que o exercício democrático de fato refletiu a vontade dos que realmente querem escolher seus representantes.

O Brasil custa a acertar o passo com a contemporaneidade. Embora já disponha há muitos anos do melhor e mais confiável sistema de aferição daquilo que a cidadania deseja, hesita e tarda em adotar estratégias que consagrem seu processo eleitoral, para servir como padrão para outras nações e para demonstrar que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) vieram para ficar e precisam transformar praxes anacrônicas e surreais, como a obrigatória presença física do eleitor no dia das eleições.

Pense-se, além disso, na regra esdrúxula que permite ao brasileiro no exterior manifestar sua preferência eleitoral e obriga o brasileiro em solo pátrio a se locomover ao local em que seu domicílio eleitoral está cadastrado.

Sabe-se que isso demandaria intermináveis debates no Parlamento e que o conservadorismo argumentaria com a insegurança, com a indispensabilidade do “teatro cívico”, a congregar milhões que prefeririam enunciar sua preferência de forma cômoda e confortável, sem a necessidade de locomoção para encontrar sua seção eleitoral.

Como o raciocínio da maior parte da política partidária se restringe a cogitar como ganhar a eleição, repensar o sistema e trazê-lo para a contemporaneidade tangida pela inteligência artificial (IA) não está em seu horizonte. Mas um dia a conta chegará, e, se o desinteresse da cidadania pelo sistema eleitoral continuar, chegar-se-á a um dilema. O que temos praticado atende às exigências de uma verdadeira democracia?

Agora, uma vertente que poderá interessar mais imediatamente os candidatos. É anacrônica a lei de propaganda até hoje praticada. A juventude algorítmica não assiste televisão. Abomina a “propaganda eleitoral” que não é gratuita, mas custeada pelo contribuinte. Os chamados “marqueteiros” permaneceram no figurino passado e não convencem os moços e quem consiga enxergar um palmo além do nariz.

Um candidato inteligente recrutará os jovens que já nasceram com chips e que manejam com perícia e competência os meandros das redes sociais. Mensagens curtas, diretas, eloquentes, produzirão mais efeito do que os cansativos comícios nos quais a mediocridade é a maior atração.

Apenas os mais sagazes conseguirão raciocinar que o número de abstenções, de votos em branco e nulos, representam muito mais do que aquele voto contra o candidato que eu odeio. Esta tem sido a reiterada crônica de nossos pleitos: vota-se não naquele em que eu realmente acredito, mas no adversário a quem eu odeio e ao qual devoto minha ojeriza.

O Brasil, polarizado e, a cada momento, mais irado, esta terra em que há mais celulares do que habitantes, precisaria resgatar seus valores tão negligenciados. Dentre os quais, os critérios para a mais adequada seleção dos quadros dirigentes dos Poderes eleitos, assunto que não está na pauta das preocupações de tantos que lamentam a situação nacional e nada fazem para melhorá-la. Mais seriedade, mais juízo e mais sensatez, povo bom de minha terra.

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo/Opinião, em 13 07 2026

*José Renato Nalini é acadêmico da Academia Paulista de Letras


Instituições também precisam saber sair da frente - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e consultor empresarial


Instituições também precisam saber sair da frente

Alex Pipkin, PhD em Administração e consultor empresarial

Existe uma regra silenciosa nas empresas bem administradas. Ela é simples; quanto melhor funciona um processo, menos ele aparece.

Ninguém elogia a folha de pagamento que cai no dia certo, a logística que entrega no prazo ou o sistema que nunca falha. Eles só se tornam assunto quando deixam de cumprir o básico.

Talvez devêssemos julgar as instituições pelo mesmo critério.

No Brasil, acostumamo-nos a medir a força de uma instituição pelo espaço que ela ocupa no debate público. Quanto mais aparece, intervém, amplia suas funções e disputa protagonismo, mais forte parece. Estamos usando a métrica errada.

Uma instituição madura não existe para ocupar o centro da sociedade, mas para produzir regras claras, estáveis e impessoais, capazes de permitir que milhões de pessoas trabalhem, invistam, empreendam, inovem e façam planos sem precisar pensar nela todos os dias.

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