terça-feira, 30 de junho de 2026

A propaganda aceita tudo - Alex Pipkin, PhD em Administração


A propaganda aceita tudo

Alex Pipkin, PhD em Administração

Sempre que assisto à propaganda oficial, tenho a impressão de atravessar o guarda-roupa de Nárnia. Durante alguns minutos, entro num mundo onde as leis da economia foram suspensas, as consequências foram revogadas por decreto e a prosperidade obedece disciplinadamente aos roteiristas da publicidade. O problema é que, terminado o comercial, o telespectador volta ao Brasil. A realidade também.

A propaganda oficial vive de promessas, enquanto a realidade cobra resultados. Não precisa provar; basta emocionar.

É por isso que governos populistas jamais resistem ao seu encanto.

Há uma ironia difícil de ignorar nesse modelo; com o dinheiro dos próprios impostos, o cidadão financia a publicidade destinada a convencê-lo de que sua vida melhorou. É o paciente pagando pelo próprio efeito placebo. Apenas no primeiro semestre deste ano, o governo autorizou cerca de R$ 520 milhões para publicidade institucional. Vejam, isso é mais que o dobro do valor empenhado no mesmo período do último ano eleitoral do governo anterior, segundo levantamento divulgado pela imprensa. O dado não deixa dúvidas: a ficção oficial tornou-se um artigo de luxo caro demais para o pagador de impostos.

O maior “talento” da propaganda estatal é condensar problemas complexos em frases de efeito. No universo dos palanques, as restrições desaparecem, os custos perdem importância e as consequências parecem sempre adiadas. Quando a realidade insiste em contrariar o roteiro, aumenta-se o volume do microfone e lança-se uma nova campanha.

A propaganda aceita qualquer roteiro.

A realidade continua trabalhando com consequências.

A economia, contudo, não se impressiona com discursos. Ignora pesquisas e campanhas; responde apenas a incentivos, produtividade, investimento e confiança. É ilusório imaginar que a escassez possa ser vencida pela retórica.

O Brasil parece dedicar cada vez mais energia a discutir a repartição da riqueza e cada vez menos a refletir sobre sua criação. É como discutir a decoração do bolo de aniversário antes mesmo de saber se há farinha na despensa.

Prestar contas é obrigação; fazer propaganda de si mesmo é vaidade.

A comunicação pública deve existir para expor fatos e serviços, não para cultivar percepções artificiais de sucesso. Quando a informação cede lugar ao marketing político, o debate público empobrece, e a transparência deixa de servir ao cidadão para blindar o governante.

A publicidade oficial, por isso, deveria ser tratada com extrema parcimônia.

Governos existem para administrar a realidade do país, não para administrar a realidade percebida.


Poeta Sertanejo - Assim é o amanhecer do meu sertão...


Poeta Sertanejo

Assim é o amanhecer do meu sertão, o sol entre pela fresta da janela fazendo clarão.

O cheiro gostoso do café vai tomando conta do casarão.

A passarada em cantoria, mostrando alegria fazem um barulhão.

A linguiça caseira, vai defumando por cima do fogão.

Enquanto o tossin engrossa o caldo do feijão.

Os pingos de orvalho, gota a gota, vão umedecendo o chão.

Segue murmurando morro abaixo as águas do ribeirão.

A garça branca se destaca lá baixada, enquanto canta a siriema aqui no espigão.

Canta um sabiá na laranjeira, responde uma corruíra na cabeça do mourão.

Trato da galinhada no terreiro, porcada no mangueirão.

Vacas de leite no curral, na cocheira meu alazão.

E nós carinhos da cabocla é onde cuido do meu coração.

Aqui sou feito um passarinho que já levanta cantando.

Mas também sou igual a um relógio, que vive trabalhando.

Enquanto muitos estão preocupados com o time do coração.

Eu posso dizer que não tenho preocupação.

Porque o meu pouco é muito nestes confins de sertão.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês...



O Brasil em desordem, diz Ronaldo Caiado

 

O Brasil em desordem


Pre-candidato à presidência da República

 O país está em desordem, ninguém mais confia nas autoridades e, a cada dia que passa, surge um novo escândalo. O próximo presidente não pode chegar manchado por acusações. Ele precisa ter integridade moral, experiência e coragem pessoal para resgatar o Brasil.” - Caiado


sábado, 27 de junho de 2026

A FESTA DO VAGALUME - Zé Carlos Gonçalves, escritor e poeta


A FESTA DO VAGALUME

(o retorno)

Zé Carlos Gonçalves

Com surpresa, mas com muita e muita alegria, recebo a notícia da volta da Festa do Vagalume. Um patrimônio pinheirense. E só quem a viveu sabe o verdadeiro significado de sua reedição. E, se as bandas forem "da mesma pegada" do passado, estaremos sendo brindados com o melhor da música.

O que importa é que a festa do Vagalume vai além de uma simples festa. Era o ímã para os filhos da terrinha, que bateram asas em longos voos e buscaram novos horizontes, retornarem ao seu ninho. Era, também, o imã, que atraía centenas de pessoas, de todas as lonjuras, ao aconchego dos nossos abraços e consideração. Aí, para abrilhantar a ocasião, uma procissão de motos invadia a cidade. Uns, como num ritual, vinham matar a saudade da serena brisa, dos campos verdes, das conhecidas ruas; outros vinham vivê-las pela primeira vez. E, sem surpresa alguma, já era garantido o enfeitiçamento. E, com certeza, "não se desumbigavam mais".

A verdade é que a festa do Vagalume funcionava como "uma frenética bola", que despertava e dinamizava a economia, tal uma avalanche. Nada absurda a afirmação. Afinal, era responsável pela movimentação dos transportes, dos hotéis, dos comércios, dos aluguéis, da culinária, da urbanidade.

Importante é que a festa do Vagalume não se fechava em si, deu rebentos. E, em nossa cidade, surgiu a Noite Energética, pujante e pulsante, sob a batuta dos funcionários da CEMAR. Duas festas, dois grandiosos e iluminados acontecimentos.

E, para nossa alegria, essa força, arrebatadora e festiva, não era restrita a minha Princesa. Como uma onda, se fazia presente na Festa do Remedinho, em são Bento, e na Festa do Pó, em perimirim.

Que venha o bendito e radiante Vagalume!


Zé Carlos Gonçalves


Poeta Sertanejo - Para que ter saudade, se a saudade só me faz sofrer.


Poeta Sertanejo 

Para que ter saudade, se a saudade só me faz sofrer.

Se o destino me tirou de perto, provavelmente foi para esquecer.

Adeus linda flor do campo, partirei antes do amanhecer.

E assim, numa madrugada, sai sem destino, nem ninguém saber.


Fui para terras estranhas sem ninguém me conhecer.

Hoje meu corpo está longe, mas meus pensamentos estão sempre em você.

Sento nas margens do ribeirão, e fico horas olhando as águas descer.

E por incrível que pareça, a saudade me domina.

Então vejo seu rosto, no espelhar das águas cristalinas.

Quando a lembrança aperta, no desespero chamo seu nome.

Como pode um sentimento, machucar por dentro o coração de um homem.


Na infelicidade, a ingrata dor da saudade, minha paz consome.

Meu coração pede o regresso, minha mente pede para seguir adiante, como um viajante sem direção nem nome.

Não posso mais levar a vida assim, neste sofrimento preciso pôr um fim.

Afinal foi por isso que o destino tirou você de mim.

Para que na vida eu seguisse mesmo que sozinho.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês...


O TRIÂNGULO por Augusto Pellegrini, poeta e escritor

 

O TRIÂNGULO


(Augusto Pellegrini)

O marido vasculha os arredores

À cata de uma conclusiva pista

Que possa comprovar os seus temores

Que em cena esteja entrando um novo artista

A mulher se esconde atrás dos seus humores

Com medo de uma eventual entrevista

Diz se sentir ofendida em seus pudores

Sem jamais admitir outra conquista

E o outro também tem seus dissabores

E toma as precauções que são previstas

E, buscando evitar tantos horrores

A porta da saída logo avista

Maio 2021


De escândalo em escândalo quem nos salvará? Por: Ronaldo Amazonas


De escândalo em escândalo quem nos salvará?

Por: Ronaldo Amazonas

Nosso Brasil varonil é o país dos escândalos. Mal o país sai de uma catástrofe judicial, política ou econômica e logo somos enredados em novas confusões. Credo!

Quem mais protagoniza e capitaliza negativamente essas ondas tempestuosas de imoralidade e de corrupção, são os políticos.

Essa sucessão de escândalos são a prova cabal da mediocridade da nossa classe política com honrosíssimas exceções. Oremos!

Na dianteira de todas as instituições, pessoas, organismos e poderes, de longe está o PT na crista da onda dos maus feitos. 

Sai governo e entra governo, troca de mandatário ou de nomes, lá está o PT de Lula e suas franjas a estrelar toda sorte de enredo nesse escarcéu.

Mas o PT nunca está só! Ora seus apoiadores, ora os partidos nanicos da extrema esquerda, ora algum parlamentar em quaisquer níveis de posição, sempre há alguém do entorno do partido dos trabalhadores envolvido numa tramóia. Oremos!

Por dever de justiça e de lealdade aos fatos, também não posso deixar de registrar que a direita tem lá seus aloprados.

Filhos do Bolsonaro, ex ministros, apoiadores, partidos aliados e entidades ligadas à direita, vira e mexe cometem lá seus pecadinhos que a mídia podre adora reverberar com avidez. Misericórdia!

Será que não existem homens e mulheres honrados, partidos sérios, entidades acima de qualquer suspeita, que escapem dessa situação vexatória?

Não é possível que não tenhamos eleitores aptos e preparados para darem o apoio e os votos necessários para uma virada de mesa e uma passada a limpo num país sofrido e destiorado.

A tal pátria amada salve salve não passa de uma viúva pobre e abusada o tempo todo por seus filhos, irmãos, cunhados patentes e amigos.

O Brasil só escapa desses filhos ingratos e gulosos porque é bem maior e, a cada lapada nos seus costados largos, sai mais fortalecido procurando sempre tirar os melhores exemplos de cada ferida aberta.

Mas para tudo há um limite. Ou o país dá uma guinada pra direita e acerta o passo definitivo rumo ao desenvolvimento, à moralidade pública, ao controle financeiro e põe fim aos desmandos do judiciário e nos escândalos da classe politica, ou sofreremos mais umas décadas patinando na instabilidade econômica e social.

Té logo!


quinta-feira, 25 de junho de 2026

O CORAÇÃO DE EULÁLIA - Artigo de Gabriel Chalita, acadêmico da Academia Paulista de Letras


O CORAÇÃO DE EULÁLIA

Acadêmico: Gabriel Chalita

Os acúmulos de sentimentos menores diminuem a vida. E entorpecem o movimento dos dias. Se olharmos para trás querendo vingança, o dia não segue para frente.


O coração de Eulália

Não poucas vezes, ela dizia, "É com o coração, não com o fígado, que se decide".

Eu ficava escarafunchando e pensava comigo mesmo que precisamos dos dois. Não era médico nem era das biologias. Mas sentia que cada órgão tinha sua finalidade. 

Ela era mais velha do que eu. Era professora de piano. Era linda. E falava como se depositasse as palavras no mundo com delicadeza difícil de descrever. Um dia fui dizer à minha mãe que não havia mulher como Eulália. Minha mãe achou graça e, na feira, contou. Enquanto as duas escolhiam batatas, minha mãe disse do filho e da paixão quase infantil.

Passei tempos evitando um encontro. Quando a encontrei, ela tratou de sorrir com ternura, como se eu fosse um menino desprovido de qualquer atributo que representasse qualquer possibilidade. Atingiu meu fígado. Tive raiva. E raiva da minha mãe, tão desastrada nos assuntos do coração. Não nos dela que era apaixonada pelo meu pai e que tinha dele os mais lindos sentimentos. Nos meus. Nos meus assuntos do coração.

Algumas pessoas da cidade diziam que Eulália já havia passado do tempo de casar. Eu discordava. O tempo, decidimos nós. Eu era atrevido na época com alguns assuntos. Eulália acordava o meu coração. Ainda sinto o cheiro do seu perfume nas memórias do amanhecer da minha vida.

O verdadeiro esporte nacional - artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


O verdadeiro esporte nacional

Alex Pipkin, PhD em Administração

É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ato de fé, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é.

O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.

Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.

Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.

A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências.

"PISA NA FULÔ" — O XOTE QUE FEZ O BRASIL DANÇAR


Eu estava realmente pesando encontrar alguma música (com letra de São João) em homenagem aos dias de hoje...   E encontrei, na verdade,  o poeta e escritor Augusto Pellegrini Fllho que postou o que abaixo transcrevo, com saudades!...

Pisa Na Fulô  · Ivon Curi ·


"PISA NA FULÔ" — O XOTE QUE FEZ O BRASIL DANÇAR



Por Augusto Pellegrini Fllho 

Entre os grandes clássicos da música nordestina, poucos alcançaram a popularidade de "Pisa na Fulô". Composta por João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior, a canção ganhou projeção nacional na voz de Ivon Curi, tornando-se um dos maiores sucessos do final dos anos 1950.

Nascida da criatividade de João do Vale, um dos mais importantes compositores brasileiros, a música retrata com humor e alegria o ambiente das festas populares do interior nordestino. A narrativa transporta o ouvinte para um animado baile onde todos, dos mais jovens aos mais velhos, se rendem ao ritmo contagiante do xote.

A expressão "fulô", forma popular nordestina da palavra "flor", tornou-se inseparável da canção. Com versos simples, bem-humorados e repletos de regionalismo, a obra ajudou a apresentar ao Brasil urbano a riqueza cultural do Nordeste, seus costumes, sua linguagem e sua musicalidade.

A interpretação de Ivon Curi contribuiu decisivamente para o sucesso da composição. Dono de uma das vozes mais populares da época, o cantor levou a música às rádios de todo o país, transformando-a em um fenômeno de vendas e popularidade.

O êxito foi tão grande que "Pisa na Fulô" acabou se tornando uma das obras mais conhecidas de João do Vale, compositor maranhense que mais tarde também assinaria clássicos como "Carcará". Ao longo das décadas, a canção recebeu inúmeras regravações e passou a integrar o repertório obrigatório das festas juninas e dos eventos dedicados à cultura nordestina.

Mais do que um simples sucesso popular, "Pisa na Fulô" representa a força da música regional brasileira, capaz de atravessar gerações sem perder sua autenticidade, seu humor e sua alegria contagiante.

Uma canção que nasceu nas festas do povo e conquistou definitivamente um lugar na história da música brasileira.


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