quinta-feira, 9 de julho de 2026

Como fabricar pobreza sem perder a “virtude” - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


Como fabricar pobreza sem perder a “virtude”

Alex Pipkin, PhD em Administração

Existe uma fórmula quase infalível para fabricar pobreza sem abrir mão da superioridade moral.

A receita é antiga, embora continue sendo vendida como novidade; singela, embora funesta. Gasta-se antes de produzir, distribui-se antes de criar riqueza, transforma-se o lucro em pecado e o prejuízo em certificado de virtude. Parte-se da convicção de que decretos podem revogar as leis da economia e, quando a realidade apresenta a conta, culpa-se o capitalismo por não cumprir uma promessa que jamais fez.

Quase sempre, aliás, confunde-se mercado com o velho compadrio estatal que prospera justamente à sombra do poder.

O mais curioso é que esse mofo intelectual continua sendo tratado como vanguarda. Mudam as narrativas, renovam-se as hashtags e multiplicam-se os manifestos, mas o desfecho raramente muda.

Têm-se menos investimento, mais dependência do Estado, crescimento anêmico e uma liberdade econômica cada vez menor.

O espetáculo ganha um capítulo à parte quando surgem os novos engenheiros da sociedade. São movimentos conduzidos por jovens de convicções inabaláveis e currículos ainda em branco, que conhecem a opressão muito mais pelos livros do que pela experiência de criar riqueza, administrar organizações ou assumir riscos.

Movidos por um idealismo frequentemente sincero, confundem intenções com resultados e passam a exigir pacotes de bondades cuja conta recai justamente sobre aqueles que pretendiam proteger.

A economia tem um defeito imperdoável para os arquitetos da utopia; ela não reconhece certificados de virtude. Responde apenas a incentivos, segurança jurídica, produtividade, investimento e responsabilidade fiscal. Quando esses fundamentos são substituídos pelo voluntarismo político, o desastre pode até demorar, mas nunca perde o endereço.

A política consegue sobreviver algum tempo alimentada por narrativas.

A realidade, não; não negocia com desejos, e não se impressiona com palavras de ordem.

A realidade tem um vício insuportável para os engenheiros da utopia; ela insiste em cobrar resultados de quem só apresenta intenções.

É por isso que toda tentativa de fabricar prosperidade sem produzir riqueza termine fabricando exatamente o contrário.


ESPÍRITO & SUBMISSÃO - por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


ESPÍRITO & SUBMISSÃO

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Em mim há um silêncio ignorante, talvez covarde. Por ser assim, esse silêncio, emudece todo o barulho que de mim poderia vir...

Eu teria, com certeza, toda a verdade do mundo sufocando a mentira. Mas o que há dentro de mim, é uma escuridão que "me obriga" a cometer insanidades, injustiças...

Como eu gostaria de subir na mais alta nuvem e tocar o céu, nas bordas das vestes de Deus. Sou limitado por demais. Talvez ateu...

Meus pés estão presos ao chão de forte argamassa, minhas asas foram "cortadas" à navalha. Não consigo levantar vôo. Sou um ser estático...


A gravidade é muito forte e só me leva ao centro, ao núcleo da terra, onde suponho, se localiza o inferno com todos os seus demônios.

Meu Deus, veja onde fui parar por intermédio do pensamento que me deste...!!!

Uma homenagem ao poeta Vinícius de Moraes, que morreu no estado do Rio de Janeiro, em 09.07.1980.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 09.07.2026. SÃO LUÍS-MA).


Poeta Sertanejo - Lá tinha uma paineira à beira da estrada.


Poeta Sertanejo

09 / 07 / 2026

Lá tinha uma paineira à beira da estrada.

Lugar onde João de barro fez mas dona joaninha sua primeira morada.

Casa pequena porém abençoada, porque naquela casinha, de beira de estrada sua família aumentou.

João de barro teve filhos, e hoje já é avô.


Olhando o João de barro, entendo porque meus cabelos com o passar dos anos branqueou.

Porque a casinha de fundo de sertão, hoje é minha mas foi onde meu pai morou.

E no contexto da história, estamos no livro da glória onde hoje eu sou o pai e meu pai é bisavô.

O menino de outrora o tempo para trás deixou.

Onde um dia em brincadeira, eu plantei a paineira onde João de barro fez sua morada mostrando ser bom construtor.


Eu era um um rapazinho e ele um jovem pássaro recém casado, hoje estamos de idade, quando na verdade, o passado virou saudade.

Ainda me lembro da sua primeira moradia, onde era só o casal não tinha o restante da família.

Mostrando que o anos passaram ligeiro por nós, hoje eu e o amigo João de barro já somos avôs.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês 


"Trecho de uma comunicação de Lèon Denis" - Mensagem obtida em Tours, em 8 de julho de 1927, por incorporação

"Trecho de uma comunicação de Lèon Denis"

12-11-2014

Mensagem obtida em Tours, em 8 de julho de 1927, por incorporação




“Minha prezada senhora Renée, a impressão que tivestes, pessoalmente, entre 8 horas e 9:15, na noite de 12 de abril é, naturalmente, em decorrência do êxtase, do desdobramento, da alegria, do deslumbramento e da luminosa vertigem que eu mesmo senti, trocando de mundo.

Da vida terrestre, com seu movimento orgânico, à vida do espaço, com sua sensação radiosa, há forçosamente, na mudança das situações, um ponto morto que fica em suspensão, em maior ou menor tempo, conforme a evolução, estado da alma e a observação do indivíduo.

Após o momento em que pararam os órgãos que animavam meu pensamento humano, no minuto em que despertei para a luz do Além, tive uma espécie de sonolência, de sono hipnótico.

Sentia-me como que entorpecido por condensações de vapor, que formavam em torno de mim algo como um casulo fluídico.

Meus queridos e bons guias trabalhavam; depois, minha respiração deixou meu envoltório carnal e, como um débil fio, desligou-se sem choque.

Senti, então, todo o meu ser dilatado, vaporoso, atraído como por mãos invisíveis, que não eram senão os pensamentos de meus guias.

Esses pensamentos se concretizavam e tocavam meu espírito sob a forma de emanações luminosas, refletidas pelo perispírito de meus entes queridos desencarnados.

Eu flutuava em derredor deles como o pássaro que sai do ovo, mas que é frágil e dá seus primeiros passos em vossa Terra.

Havia deixado minha casa carnal e ensaiava as primeiras evoluções no Mundo da Luz, domínio maravilhoso criado por Deus.

Mais do que nunca, meus amigos, sei agora que todo ser humano rompe sua carcaça física com maior ou menor dificuldade, de acordo com a sua evolução e conforme o grau de fé e de confiança que tenha na bondade e na justiça de Deus.”

Léon Denis.

(Revue Spirite, outubro de 1927).


A festa da vida - Por Ronaldo P. Rodrigues


A festa da vida

04-04-2019

(Ronaldo P. Rodrigues)


Certa vez, o Amor, para comemorar o aniversário da Vida, resolveu fazer uma festa e convidou amigos e conhecidos.

A Alegria não poderia faltar, pois contagiava a todos com sua maneira de ser.

A Tristeza disse que não poderia ir, pois tinha um encontro com a Depressão e a Melancolia.

A Paz e a Tranquilidade chegaram cedo, pois ficaram encarregadas pelas músicas da festa.

O Bem e a Caridade chegaram de mãos dadas e todos diziam que formavam um belo casal.

A Fé e a Esperança estavam sempre juntas e sentaram-se próximas à Felicidade – sempre sorridente. A Euforia disse que só iria com a Responsabilidade e esta, por sua vez, fazia questão de entrar de mãos dadas com o Bom-senso.

A Vaidade, apesar de não ter sido convidada, ficou a espreita, esperando uma oportunidade de burlar a Moralidade que fazia a Segurança do local.

O Medo falou que não iria por receio de encontrar com o Desconhecido.

O Orgulho e o Egoísmo disseram também que não iriam, pois ficariam deslocados nesse ambiente.

A Coragem vestiu seu melhor traje para impressionar a todos.

A Paciência chegou sem ser percebida.

A Vida foi a primeira a chegar, acompanhada de seus irmãos – A Vontade e a Determinação.

No ponto alto da festa, quando a Vida não parava de rir ao lado da Alegria e da Felicidade chegou Ele, Jesus, acompanhado do Amor, cuja luz sensibilizou a todos.

Ele abraçou a Vida e a abençoou e o Amor, naquele momento, presenteou-a com um convite para caminhar no Jardim das Virtudes, cujo perfume era de origem Divina.

E assim, saíram a caminhar para o Jardim – o Amor e a Vida, e logo atrás, eram seguidos por uma caravana de amigos do Bem, da Caridade, da Benevolência, da Tolerância, da Paciência, da Fé, da Esperança, do Entendimento, da Alegria e da Felicidade, cujo guia era a luz do Mestre Jesus.

Paz a todos,

Meimei

Obs: Psicografia recebida no Centro Espírita Jundiaí-SP, durante reunião mediúnica em 03 de março de 2019, pelo médium Ronaldo P. Rodrigues.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Poeta Sertanejo - No fim da estrada de terra e poeira


Poeta Sertanejo

08 / 07 / 2026

No fim da estrada de terra e poeira, vou construir uma casa humilde porém hospitaleira, onde vou chamar de lar.

Será tão perfeito que até a saudade, fará voltar quem for me visitar.

Terá uma varanda com mesa e cadeiras, para o pôr sol no final do dia poder contemplar.

Um belo jardim para os ligeiros colibris virem, as flores visitar.

Também terá rede armada, pelo vento a balançar.


Um lago na porta para uns peixinhos eu poder pescar.

Uma árvore com sombra estrondosa, e um banco de madeira para prosear.

Também farei um balanço, para que com minha amada eu possa brincar.

E uma grama verdinha, onde deitados as estrelas nós possamos contar.

Logo após o sol ir embora, e a lua chegar para tudo iluminar.

Quero ver a vida com seu brilho, ser feliz com meus filhos e a esposa amada.


Sair para o terreiro e sentir do mato o cheiro em plena madrugada

Quero viver meu cotidiano, usar o fogão a lenha.

Fazer café no coador de pano, talvez ser visto como um Zé ninguém mesmo sendo seu fulano.

Porque o bom da vida é ser feliz, e com nada ficar se preocupando.

Boa noite meu povoooooo

Uma ótima noite para todos vocês


PESQUISADORES & CIENTISTAS, DIA NACIONAL DO PESQUISADOR - Por Antonio Guimarães de Oiveira, escritor e poeta


PESQUISADORES & CIENTISTAS

DIA NACIONAL DO PESQUISADOR



Por Antonio Guimarães de Oiveira, escritor e poeta

Não existiria esse dia tão especial se não fora os ilustres pesquisadores, abaixo relacionados. Diz respeito a seres especiais - que vivem nas "sombras" - e que, desenvolvem pesquisas, a partir de um método científico.

Em outras palavras, a partir de uma metodologia que testa e comprova hipóteses, estabelecendo com veracidade, precisão, amplitude e conclusão nas diversas áreas de conhecimento.

Ei-los: Zacarias, Luiz Melo, Maria de Lourdes Lauande Lacroix, Leopoldo Gil Dulcio Vaz, Euges Lima, Elizabeth Sousa Abrantes, Natalino Salgado, Marise Ericeira, Henrique Borralho, Raimundo Balby Silva Silva, José Neres, Roque Macatrão, Célio Gitahy Vaz Sardinha, Iramir Alves Araujo, Aline Mendonça, Éden Do Carmo Soares Junior, José Reinaldo, André Barreto Campelo, Claunísio Amorim Carvalho, Germana, Eduardo Cordeiro, Ana Lívia, Diogo Gualhardo Neves, Cândida Íris Moreira Lima, Alan Kardec Pacheco, José Eulálio Figueiredo de Almeida, Rossini Corrêa, pesquisadores dos arquivos do TJMA, os pesquisadores da Biblioteca Pública Benedito Leite, os pesquisadores do Arquivo Público, os pesquisadores da Biblioteca Municipal José Sarney, os pesquisadores da Casa de Cultura Josué Montello, os pesquisadores da Ufma, os pesquisadores da Uema, os pesquisadores do Ifma, os pesquisadores do Mavam, os pesquisadores do Ipham, os pesquisadores do Instituto de Genealogia do Maranhão, os pesquisadores de Balaústres e atas da maçonaria, os pesquisadores do IHGM (citados ou não).

Continuando com Flaviomiro Mendonça, Nelin Vieira Vieira, Antonio Noberto, José Jorge, Joseane Souza, Wilson Martins, Iury Costa, Manoel Barros, Kathia Salomão, Maria Rachel Souza Soares de Quadros, Paulo Oliveira, André Luís Ferreira, Paulo Helder, Luanvyson Mello, Gabriela, Hugo Enes, Osias Filho, Djalda Muniz, Antônia da Silva Mota, Aldy Mello de Araújo, Aline Nascimento, José Almeida, Paulo Meneses Pereira, Joaquim Pedro Aguiar, Ananias Martins, Áureo Mendonça, Flaviano Meneses da Costa, Bruno Azevedo, Ademar Danilo, Herbeth de Jesus, Dulcinea Llopes Espindola Espindola , Marcelo Cheche Galves, Giniomar Ferreira Almeida, Lissandra Leite, Regina Farias e Wagner Cabral, Eziquio Barros Neto, Washington Cantanhede, Inaldo Lisboa, Mundinha, José Marcelo do Espírito Santos, Manoel dos Santos Neto, Herbeth de Jesus, Edmilson Sanches, José Carlos de Araújo, Carlos Alberto, Joaquim Haickel, Júlia Camêlo Camêlo, Marcelo Barros, Mundicarmo Ferretti, Ana Luisa Almeida Ferro, Flávio Braga, Ramssés De Sousa Silva, Agenor Gomes, Christopherson Melo, dentre outros.

Os pesquisadores dos seguintes sodalicios: Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino (Abraes), Academia Poética Brasileira, Academia Atheniense de Letras e Artes, Academia Maçônica Maranhense de Letras, Academia de Letras e Artes Maçônicas, Academia Literária do Maranhão, Academia Internacional dos Maçons Imortais, Academia Maranhense de Letras, Academia de Letras e Artes Militars, Academia Maranhense de Ciências, todas com notáveis pesquisadores e profissionais de relevância "apaixonados" por seus ofícios e lugares que frequentam. São pesquisadores de arquivos e bibliotecas, buscando em jornais, partituras, filmes, pergaminhos, livros antigos e anuários, os fatos e conhecimentos.

São providos das observações, investigações, espíritos críticos e perseveranças. Não existem por acidente, são personagens constantes nos Arquivos públicos e particulares, blibliotecas públicas ou particulares, em museus e mesmo em outras plagas.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 08.07.2026. SÃO LUÍS-MA)


terça-feira, 7 de julho de 2026

Poeta Sertanejo - Casinha simples do interior...


Poeta Sertanejo

07 / 07 / 2026

Casinha simples do interior, que me abrigou ainda na infância.

Hoje trago guardado na lembrança, meus tempos de criança.

Gostosa recordação que da mente nunca saiu.

O velho pote de barro, que armazenava água fresquinha que do poço saiu.

Na força do braço, no giro do saril.

Lá na cozinha, mesa com seis cadeiras, e as panelas areadas que brilhavam na prateleira.


No canto próximo à janela, uma chama amarela do velho fogão a lenha, onde mãe assumia sua função de cozinheira.

De frente a porta da cozinha por cima da mesa, sem nem uma surpresa o quadro da santa ceia, que representava a família inteira.

Lá na sala, um velho sofá onde meu pai sentava para escutar seu velho rádio de pilhas, sem perturbação.

Uma mesinha ficava no canto, cheia de santo em devoção.


Era o lugar sagrado onde mãe fazia suas orações.

E do lado de fora um grande campo aberto, onde por mim foi descoberto, em exploração.

Menino levado vida faceira, feito o vento também cruzei fronteiras.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


ABISMO & SOL - por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


ABISMO & SOL

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Discorrer sobre o ser humano é "escorregadio", pois quem fala é ele mesmo. Este é carente por excelência, de afeto, de companhia, de tudo, afinal.

É tão lógica essa premissa, que ele "inventa" crenças e religiões, ergue templos e cria datas, dada a sua imensa solidão - vazio sobretudo.

Agora, viver sem Deus é impossível.

Não há, na minha opinião, a figura real do ateu. Ele até poderá se achar, mas órfão, ele não é. Vivemos inventando "coisas" , tecnologias e tentando nos salvar de nós mesmos.

Surgem filosofias das mais esdrúxulas, mas sempre terminamos em nossas contradições e recorremos a Deus.

Precisamos, em todos os aspectos, Dele. Na alegria e na tristeza, sempre lembramos Dele. Até mesmo quando achamos que criamos alguma coisa, Deus está presente. Aliás, presente em tudo: no sorriso e no choro, no amor e na falta dele.

É da nossa natureza sermos dependentes, em todos os rumos e direções que trilhamos.

Não somos auto-suficientes em absolutamente nada. Sempre nos voltamos a Ele com pedidos de socorro e/ou de agradecimentos.

Quem pensa que não pratica isso, é um solitário que está apenas se enganando.

Tenho que dizer, ao finalizar esse meu "discorrer": sou apenas mais um habitante de um lugar contraditório e por ser inacabado, sou incauto.

A certeza que tenho a respeito do que digo e escrevo é humildemente submetida a qualquer julgamento.

A verdade passa muito longe do absoluto e eu sou relativamente "pequeno" para ser o "dono" da verdade.

Ah! A verdade. O que é isso, essencialmente, e aonde está em toda a sua "simples" plenitude?

Em algum lugar que apenas supomos que está em todos.

Acredito nisso, sem porém, está certo e consciente totalmente. Não poderia ser diferente.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 07.07.2026. SÃO LUÍS-MA).


Imprensa livre - Artigo de Pedro Valls Feu Rosa


Imprensa livre

Pedro Valls Feu Rosa*

Dizem que a humanidade padece sob uma corrupção tão endêmica quanto histórica. Geme por conta dos péssimos sistemas de saúde. Chora por não dispor de saneamento básico adequado. Desespera-se com problemas vários de infraestrutura e administração. E até testemunha a fome assassinar uma criança a cada cinco segundos.

Há quem diga serem estes os grandes desafios da raça humana. Peço licença para, humildemente, discordar. Estes não são problemas, mas meras consequências. São efeitos, na verdade. Efeitos da falta de uma imprensa livre e transparente.

Sim, é aqui, defendendo o direito humano de acesso à informação, que deveremos travar a maior de nossas batalhas em defesa da cidadania e da eficiência.

Afinal, como disse Thomas Jefferson, “onde a imprensa é livre e todo homem é capaz de ler tudo está salvo”.

A imprensa não é livre quando vinculada a poderosos grupos econômicos, cujos interesses quase sempre se sobrepõem aos da população. A imprensa não é livre quando depende da ajuda financeira de governos. A imprensa não é livre quando sujeita a uma censura disfarçada por parte do sistema legal. A imprensa não é livre quando utilizada pelo poder político e econômico como instrumento de dominação de países inteiros.

É paradoxal: em tempos de Internet e globalização a humanidade depara-se com sua maior crise – a do acesso à informação. Olhe ao redor e perceba que, no mundo, apenas uma a cada sete pessoas vive em países nos quais as notícias são livremente divulgadas – e não estão incluídos neste cálculo os mecanismos mais sutis de controle dos meios de comunicação, aos quais me referi, e nem os casos de quase monopólio de divulgação de notícias.

Precisamos, assim, enquanto humanidade, conceber leis que protejam a imprensa da influência inadequada do poder político e econômico e dos mecanismos de censura disfarçada. Leis que obriguem cada veículo de comunicação a informar a população sobre as origens de seu faturamento.

Leis que imponham ampla transparência na atividade de estabelecer o que é e o que não é notícia. Leis que impeçam práticas monopolistas nos meios de comunicação. Leis que obriguem a divulgação dos vínculos profissionais dos formadores de opinião e de suas famílias.

Avançar nesta seara é trabalho para os séculos – e prova de maturidade dos povos!

*Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.


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