quarta-feira, 8 de abril de 2026

A Páscoa não é só hoje!


A Páscoa não é só hoje! Vivamos intensamente a Oitava da Páscoa!


Dom Anuar Battisti

Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

07/04/2026

Irmãos e irmãs, a Oitava da Páscoa não é apenas um prolongamento festivo, mas uma verdadeira chave de leitura para compreender o mistério central da fé cristã. Durante esses oito dias, a Igreja não “recorda” a Páscoa como algo passado; ela a vive como realidade presente. É como se o tempo fosse suspenso para que possamos permanecer diante do túmulo vazio e deixar que essa verdade transforme profundamente a nossa existência. 

Há, porém, um risco: reduzir a Páscoa a uma emoção momentânea ou a um simples simbolismo religioso. A Oitava nos confronta com algo muito mais exigente. Se Cristo ressuscitou, então toda a lógica da nossa vida precisa mudar. Não faz sentido continuar vivendo como se a morte tivesse a última palavra, como se o pecado fosse inevitável ou como se Deus estivesse distante. 

A liturgia desses dias insiste nas aparições do Ressuscitado. Ele não aparece a pessoas perfeitas, mas a discípulos frágeis, medrosos e até incrédulos. Isso revela algo essencial: a ressurreição não é prêmio para os bons, mas ponto de partida para os que se deixam transformar. Tomé duvida, Pedro carrega o peso da negação, os discípulos se escondem — e é justamente a eles que Jesus se manifesta. A Oitava da Páscoa, portanto, é também um tempo de confronto com a nossa própria incredulidade. 

Outro aspecto importante é que o Ressuscitado sempre toma a iniciativa. Ele vai ao encontro, entra onde as portas estão fechadas, oferece a paz antes mesmo de qualquer pedido de perdão. Isso desmonta a ideia de um Deus distante ou condicionado. A Páscoa revela um Deus que invade a história humana, não para condenar, mas para reconstruir.

Dança das cadeiras - Artigo de Merval Pereira


Dança das cadeiras

Merval Pereira

O encerramento da janela partidária provocou uma reorganização do sistema político brasileiro, mantendo, porém, a predominância de partidos da direita. Houve crescimento do PL — que está com a maior bancada, próxima dos cem deputados federais —, diminuição significativa do União Brasil e crescimento, em número de parlamentares e em influência nacional, do PSD. Este cresceu no Rio Grande do Sul, no Nordeste e em estados-chave como Minas e São Paulo. Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.

O PT manteve-se como o principal partido de esquerda, sem perdas. Mas a esquerda perdeu parlamentares que eram do PDT. O PSB cresceu nesse espectro partidário. Além de confirmar a tendência já registrada de apoio ao candidato do PL, as trocas partidárias reafirmaram a força das siglas mais estruturadas, que têm acesso aos recursos partidários e melhores condições de enfrentar as cláusulas de barreira. O crescimento de partidos como PL e PSD tornou o Centrão menos influente, embora continue sendo um importante eixo do sistema partidário brasileiro.

A atração exercida pelo PL se explica por diversos fatores, como força eleitoral óbvia na próxima campanha presidencial e acesso a recursos dos fundos eleitoral e partidário. O partido busca ser o agregador de forças conservadoras e liberais, papel disputado com o PSD, que não por acaso tem também um candidato à Presidência de direita, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. É um quadro de hoje, mostrando que Flávio tem uma candidatura sólida. Isso fez com que muita gente quisesse estar no partido vencedor. Mas é sinal também de que Caiado representa parte da direita e de que o PSD pode fechar acordo com Flávio para o segundo turno, se é que ele será mesmo o representante da direita — pode ser que perca força durante a campanha, quando começar a ser atacado.

A candidatura de Caiado trabalha com a possibilidade de vir a substituir Flávio durante a corrida presidencial, caso ele não resista aos ataques que certamente sofrerá, e não apenas do PT. Não foi por acaso que, ao ser anunciado candidato do PSD, Caiado fez seu primeiro pronunciamento afirmando que dará anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a todos os condenados do 8 de Janeiro. Com isso, quis se colocar diante do eleitor de direita e extrema direita como alternativa viável, caso Flávio não confirme sua liderança.

O homem é um ser miserável? - Por Carlos Santiago


O homem é um ser miserável?

Por Carlos Santiago 

“Pois na verdade nada há de mais miserável que o homem de todos os seres que vivem e rastejam em cima da terra”.  Essa frase de Zeus sublinhada na obra Ilíada do poeta Homero não saía de minha mente. Eu estava passeando de carro, às quatro horas da manhã, com minha cadelinha Minie, refletindo sobre a dureza da vida e as inquietudes, quando cheguei ao Centro Social Urbano (CSU) no bairro do Parque Dez, em Manaus, e encontrei duas senhoras que estavam servindo comida aos animais e às pessoas em situação de rua.

A vida é frágil, é finita, cheia de dores e de frustrações, mas o sentido que damos a ela faz diferença, mesmo nas limitações existenciais e no viver transitório. Não é novidade que homem se acha superior a outros seres vivos, arrogante e com desejos infinitos. E se define como portador de uma razão e de uma consciência deslumbrada capaz de acreditar que é o dono do planeta Terra.

Quando Zeus expressa que “nada há de mais miserável que o homem de todos os seres”, ele está relacionando os homens com os deuses, com os outros seres, distinções em que os deuses são imortais e o homem tem consciência de sua situação e busca o impossível, deixando de viver o mundo real, produzindo inquietudes e afetos nem sempre louváveis. Zeus foi duro. Acertou sobre a grande fragilidade humana. Porém, ele generalizou. Existem membros da espécie humana que possuem atributos que melhoram a sua vida e as dos outros, mesmo com dor e consciência da vida breve.

As duas senhoras, que todos os dias servem alimentos aos animais e aos moradores em situação de rua nas madrugadas do CSU do Parque 10, são pessoas extraordinárias que promovem amor ao próximo e demonstram gratidão pela vida. E a compaixão pode melhorar vidas de quem dá e de quem recebe. É fácil se perder em problemas existenciais, mas devemos lembrar de que há pessoas lutando por coisas muito mais difíceis.

Acredite se quiser - Por David Gertner


Acredite se quiser

Na política contemporânea, o absurdo já não precisa ser inventado. Basta ser descrito.

Por David Gertner*

07/04/2026

Houve um tempo em que a sátira exagerava a realidade. Hoje, ela apenas toma notas.

A cena pública global entrou em uma fase tão peculiar que o cronista, o ensaísta e o humorista político passaram a disputar o mesmo território narrativo: o da simples descrição dos fatos. O que antes exigia caricatura, hipérbole e ironia agora se apresenta espontaneamente, em estado bruto, nos discursos, nas instituições, nas redes e nos gestos mais solenes do poder.

Acredite se quiser: os defensores mais inflamados da liberdade frequentemente desejam apenas a liberdade dos que concordam com eles. Os paladinos da diversidade revelam notável dificuldade em conviver com a diversidade de pensamento. Os inimigos declarados da polarização alimentam dela sua energia vital, como se a moderação lhes retirasse oxigênio político.

Nada disso pertence a uma ideologia específica, a um país ou a uma cultura particular.

Tornou-se um idioma universal.

A contradição deixou de ser acidente e passou a ser método.

Fala-se em diálogo com o dedo já apontado. Invoca-se a democracia enquanto se prepara, em silêncio, a deslegitimação preventiva do resultado que desagrade. Clama-se por instituições fortes, desde que elas confirmem as próprias convicções. Celebra-se a pluralidade enquanto se organiza a exclusão moral do dissenso.

O mais curioso é que quase ninguém parece constrangido.

A incoerência perdeu seu custo reputacional.

O menino Jesus - Artigo de Pedro Valls Feu Rosa


O menino Jesus

Pedro Valls Feu Rosa

07/04/2026

Há alguns dias li que duas poderosas empresas transnacionais estariam comercializando café produzido por escravos, digo, crianças – elas trabalhariam umas oito horas por dia, seis dias por semana, a troco de uma remuneração irrisória.

Esta matéria remeteu-me a uma outra segundo a qual milhares de crianças africanas estariam perdendo a infância garimpando minerais que compõem muitos dos produtos eletrônicos que consumimos.

Por falar na África, recentemente noticiou-se que importantes corporações do ramo alimentício estariam adquirindo – conscientemente – cacau produzido por crianças reduzidas à escravidão mais bárbara.

Não nos esqueçamos do mundo das confecções. Denunciou-se que em um único país civilizado há entre 250.000 e 400.000 crianças trabalhando sob condições desumanas produzindo roupas para diversas empresas. Segundo consta, seriam refugiadas – além da queda, coice.

Não muito longe dali idêntico martírio estaria sendo imposto pela indústria de pescados. De cana de açúcar. Do tabaco. Do desmonte de navios velhos. De brinquedos – sim, até disso. E por aí seguimos.

Deixei por último a que mais me chocou: 40.000 crianças com no máximo oito anos de idade estariam sacrificando a infância assistindo, a troco de quase nada, doentes de todo tipo – isso em um país dos mais circunspectos do planeta.

Em síntese, denunciou-se que pelo mundo afora 73 milhões de escravos, digo, de crianças entre 5 e 11 anos estariam trabalhando duro a troco de uma merreca qualquer.

A imprensa, insistentemente, noticia que vários dos produtos produzidos desta forma são comercializados pelo planeta afora sem maiores incômodos – inclusive ali na esquina de nossas ruas.

Não fique com pena dessas crianças – afinal, nas palavras de Josh Billings, “ter dó não custa nem vale nada”. O de que elas precisam é de ações – apuração séria de cada denúncia e rigorosa responsabilização civil e criminal dos eventuais culpados. Não deve ser tão difícil fazer isso, pois a esmagadora maioria das reportagens que li trazia dados bastante concretos.

Nossa civilizada e cristã sociedade, porém, muitas vezes opta por omitir-se diante de algumas empresas “grandes demais para quebrar”. Prefere aguardar a chegada do Natal para ir a alguma igreja fazer o sinal da cruz diante da manjedoura exposta lá no altar.

*Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.


terça-feira, 7 de abril de 2026

JOGANDO COM O EXTERMÍNIO - Eugênio Bucci, acadêmico da Academia Paulista de Letras


JOGANDO COM O EXTERMÍNIO

Acadêmico: Eugênio Bucci

A possibilidade de uma chuva de artefatos mais destrutivos do que aqueles que a Casa Branca despejou em Hiroshima e Nagasaki pode não ser grande, mas é real


Jogando com o extermínio

Segundo uma crença liberal do século passado, as guerras arrefeceriam à medida que as sociedades de mercado prevalecessem e os regimes democráticos, minimamente estáveis, perdurassem. Pois bem, o que se deu foi o contrário, três vezes o contrário.

Primeiro revertério: os regimes democráticos começaram a periclitar e agora claudicam. O relatório anual do Instituto V-Dem, o principal ranking da democracia no mundo, rebaixou os Estados Unidos (até os Estados Unidos). De “democracia liberal”, o país caiu para “democracia eleitoral”. Na terra do tio Trump (o Tio Sam foi deportado), os indicadores de liberdade apodrecem como detritos burocráticos que o caminhão de lixo se esqueceu de recolher.

Segundo revertério: o que levava o nome de “sociedade de mercado”, com a livre iniciativa e a livre concorrência dando as cartas, virou uma degenerescência. O que temos para hoje é algo entre o crony capitalism, em que os negócios se viabilizam na base do compadrio de governantes com bilionários (como na Rússia ou, hoje, nos Estados Unidos), e o “tecnofeudalismo” (termo do economista grego Yanis Varoufakis), no qual os reis das big techs comandam a vassalagem generalizada. Podemos falar também em capitalismo superindustrial, como sustenta Fernando Haddad, mas o que importa não é o nome – o que importa é que, das tais sociedades de mercado, só resta uma carcaça decorativa para salvar as aparências (o pessoal gosta de aparências).

Terceiro revertério: as guerras aumentaram em quantidade, intensidade, letalidade e abrangência. O planeta fumega, e não apenas porque o aquecimento global veio nos dar o ar de sua graça febril. O ano 2024, considerado o mais mortífero desde 1945, registrou 129 mil mortes em 61 conflitos armados envolvendo 36 países. O ano de 2026 poderá ser pior, ainda não se sabe. O que se sabe, isto sim, é que o quadro está mais fora de controle do que estava há dois anos. Já não existe um organismo internacional capaz de desarmar o belicismo. A Organização das Nações Unidas (ONU), sem dinheiro, sem autoridade e sem direção, mal se mantém de pé. Muitas vozes pedem reformas no Conselho de Segurança e em toda a entidade. Em vão.

As bestas-feras se desinibiram. Como quem comenta que precisa amarrar o sapato, Putin se declara pronto para acionar seus arsenais atômicos, orgulhoso de sua “tríade nuclear” (ogivas plantadas em três bases diferentes, devidamente engatilhadas: mísseis intercontinentais em terra, outros em submarinos soltos pelos mares e, finalmente, bombas penduradas em monstros supersônicos que cruzam os céus e os infernos a 16 mil metros de altura).

Com o coração na mão - Artigo do professor e escritor Dartagnan da Silva Zanela


Com o coração na mão

Dartagnan da Silva Zanela

                    Lembro-me da primeira vez que assisti ao filme A Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson. Como também não esqueço o guaju que se espalhou pelos quatro ventos contra a obra, com incontáveis figuras, figurinhas, figuraças e figurões rasgando as vestes por conta da forma crua com que o diretor procurou retratar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, do mesmo modo, não me esqueço das palavras ditas pelo Papa São João Paulo II que, ao ser perguntado sobre o que achou do filme, disse, de forma lacônica: "Foi assim".

Mas, como estava dizendo, não me esqueço da primeira vez que o assisti. Cheguei ao cinema, tomei meu assento e, enquanto aguardava o início da exibição, havia um clima levemente festivo dentro da sala de projeção, típico de um cinema. De repente, a luz foi apagada, a exibição começou e, gradativamente, o silêncio tomou conta da sala; o ambiente foi tomado pelas cenas da película, com os diálogos das personagens encenadas nas línguas da época — aramaico, hebraico e latim — juntamente com uma trilha sonora que nos envolvia de tal forma que nos colocava como testemunhas diretas da Sexta-Feira Santa.

Até hoje, quando revejo esta obra de arte, sinto-me impactado, tendo o véu que encobre meus olhos e coração partido ao meio, tal qual o véu do Templo que se partiu quando Cristo expirou no alto do madeiro da cruz.

O Brasil entre o dólar e os BRICS - Artigo de Dagoberto Lima Godoy, engenheiro civil

 

O Brasil entre o dólar e os BRICS

Dagoberto Lima Godoy*

           A explosão da dívida dos Estados Unidos é um sintoma de desgaste estrutural. A dívida americana já ronda os US$ 39 trilhões, acima de 120% do PIB, segundo o FMI. Isso não significa colapso iminente do sistema americano, mas indica que o coração financeiro do mundo já não transmite a mesma sensação de solidez inquestionável de outrora. Tampouco significa o desaparecimento súbito da ordem anterior. O que se vê é a erosão simultânea de vários de seus pilares: a supremacia incontestada do dólar, a neutralidade das cadeias globais, a abundância de energia barata e a ideia de que a globalização havia domesticado a guerra.

A ordem mundial não está apenas se reordenando por planilhas, tarifas e algoritmos; está sendo redesenhada também pelo uso da força. A guerra da Rússia contra a Ucrânia demonstra quanto energia, alimentos e logística continuam sendo armas estratégicas, assim como o confronto militar direto dos Estados Unidos contra o Irã projeta forte impacto potencial sobre petróleo, seguros, fretes e estabilidade regional.

Mas a transformação mais profunda decorre do fato de a economia digital ter-se tornado brutalmente material. A escalada da inteligência artificial está empurrando para cima a demanda por eletricidade, refrigeração, cobre, lítio, grafite, terras raras e capacidade firme de geração. A demanda por minerais críticos segue crescendo e permanece fortemente concentrada, sobretudo no refino controlado pela China.

Nesse cenário, o Brasil ganha relevo. Não por ser potência militar ou líder em inteligência artificial, mas por deter um conjunto de ativos que o novo ciclo histórico valoriza crescentemente: energia limpa, alimentos, água, território e minerais críticos, como lítio, grafite, níquel, cobre, nióbio e terras raras. Num mundo que passa a girar em torno de infraestrutura energética, transição industrial e segurança de suprimentos, isso confere ao Brasil um peso que parece ainda não ter sido inteiramente percebido por sua própria elite dirigente.

Nesse quadro, os BRICS ensaiam, não uma substituição frontal do dólar, como Lula por vezes sugere, mas uma erosão prática de sua centralidade, por meio de sistemas de pagamento e cooperação financeira colocados no centro da agenda do bloco. Pelas manifestações oficiais, o Brasil parece inclinar-se para esse polo alternativo, embora essa opção estratégica não tenha sido efetivamente discutida no Congresso Nacional.

O governo Lula parece acreditar que a aproximação com os BRICS amplia a margem de manobra diplomática, abre espaço para financiamento, cooperação tecnológica seletiva, pagamentos em moedas locais, quando convenientes, e maior poder de barganha diante do sistema tradicional. Isso pode elevar o valor estratégico de nossos ativos materiais — energia, agropecuária e minerais. Mas há três ilusões que o país precisa evitar.

Os principais cabos eleitorais da oposição - Artigo de Percival Puggina


Os principais cabos eleitorais da oposição

Percival Puggina* 

         Fazer política exige alguns talentos especiais. Não é por acaso que pessoas competentes, vencedoras em outros setores de atividade, são mal sucedidas quando, convocadas à atividade política, se apresentam ante o eleitorado.

A partir do momento em que por ampla maioria, a atual configuração do STF formou trincheira no teatro das operações políticas e abriu o arsenal dos meios jurídicos de que dispunha, suas decisões produziram as consequências que todos pudemos ver e lastimar. Num rápido sumário: oposição intimidada, redes sociais amordaçadas, população silenciosa, ministros parecendo usufrutuários do Supremo, e militância de redação recebendo poderosa parceria para acabar com as pretensões políticas de conservadores e liberais. Nas refregas quotidianas, era comum ver estúdios que lembravam barraca de campanha onde, entusiasmados jornalistas, diante do mapa dos fatos, recebiam do STF, por celular, mensagens transmitidas como se vindas do Alto Comando de uma guerra contra a direita.

Voto tem estômago - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


Voto tem estômago

Alex Pipkin, PhD em Administração

Durante muito tempo, votar foi um exercício quase intelectual. Escolhia-se um lado, adotava-se uma narrativa, defendia-se um enredo maior. Sim, democracia, riscos, redenção. A realidade era um mero detalhe, domesticado pelo marketing político.

Funcionou, até parar de funcionar.

Porque a realidade não debate; ela cobra. E não parcela.

O Brasil de hoje não é um gráfico de PowerPoint; é um país de 81 milhões de CPFs asfixiados. Não é retórica, não. É crédito negado, nome sujo, conta vencendo antes do salário cair. A economia deixou de ser tema e se transformou em sufoco.

Isso muda a biologia da política.

Não é só a falta da carne; é a impossibilidade de sustentar a própria vida. O juro se transformou em armadilha, e o atraso em rotina. A dívida deixa de ser exceção e se transformou em estado permanente.

O desespero, cedo ou tarde, senta-se à mesa.

Foi ali que a promessa foi feita. Lembram da picanha e da cervejinha? Simples, direta, irresistível. Não era um plano, era uma imagem. Parecia que imagens venceriam argumentos.

Até encontrar a realidade.

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