sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O FILHO DE PEDRO - Crônica da saudade - Por Hélcio Silva


O FILHO DE PEDRO

Crônica da saudade


Por Hélcio Silva

(30/07/2022)

Um tempo que já se faz antigo!

Parte de minha infância que não lembro. Alguma coisa - um pequeno espaço de recordação que fosse - gostaria de recordar.

Uma infância nascida, que não sei se nasceu, nem sinto que nasci e nem sei se chorei, no momento de nascer.

Minha mãe, nunca vi... Se a vi, amnésia me puniu, cegando-me por momentos, por muitos momentos que até hoje se prolongam.

Dizem haver sido uma mulher bonita de cabelos longos, que nunca segurei seus fios e se os segurei não lembro que os tenha segurado.

Morreu e não a vi em seu ataúde... E se a vi não lembro que a tenha visto.

Não tenho foto dela com seus cabelos longos, nem dela deitada no seu leito da morte.

Meu pai, um homem de bem, morreu poucos anos depois, longe dos filhos, em outro Estado onde fora buscar socorro médico, sem êxito...

Todos na orfandade!...  Éramos seis os filhos da mulher bonita de cabelos longos e do homem de olhos bonitos, que cortou os mares para morrer no rio.

Uma história real.


A feiura como virtude gerencial - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A feiura como virtude gerencial

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Existe uma lição sutil na arquitetura. Edifícios modernos podem ser esteticamente horrorosos e continuar de pé, mas pontes precisam prestar contas à realidade. Na engenharia, falhas estruturais cobram um preço imediato. A gravidade não aceita jargões, não frequenta congressos e jamais concorda com o chefe para proteger a carreira.

Nas empresas ocorre o oposto. A feiura intelectual desfruta de um ecossistema extraordinariamente confortável.

O ser humano é tribal antes de ser corporativo. Quer pertencer, assimilar códigos e sinalizar alinhamento.

Observe por um momento os ambientes de inovação. Empenhados em celebrar a ruptura, usam o mesmo vocabulário, leem os mesmos autores, frequentam os mesmos eventos e até se vestem igual. A corporação conseguiu padronizar até a rebeldia.

DiMaggio e Powell explicaram em 1983 como organizações de um mesmo setor se tornam progressivamente parecidas. A velha gaiola institucional ganhou decoração futurista. Benchmarking, consultorias e metodologias ágeis ampliam repertórios, mas também servem como blindagem.

Fracassar acompanhado é profissionalmente seguro; ter razão sozinho é um risco inaceitável. O consenso se converteu em uma apólice de seguro contra a demissão. Se todos erraram juntos, o desastre ganha contornos de prudência.

Por isso o dissidente experiente incomoda. Não porque tenha sempre razão, mas porque já viu modismos nascerem com nomes em inglês e morrerem sem deixar valor. A experiência não garante o acerto. A conformidade garante ainda menos.

Inovar não é substituir o que envelheceu. É saber o que precisa mudar sem desaprender o que continua verdadeiro.

MISÉRIA & ABANDONO - Por - Antonio Guimrães de Oliveira, escritor e poeta

MISÉRIA & ABANDONO



Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Hoje vi uma senhora na porta de uma farmácia...

Em estado deplorável, pedia, pelo amor de Deus, que alguém comprasse para ela, um certo medicamento...

Constatei a miséria física e financeira daquela "pobre" senhora...

Confesso que não sei mais se é bom chegar na idade senil, em tal situação...

A vida se apresenta com muitas facetas: privações (visíveis) e incapacidades (invisíveis).

O que posso "inferir" é que certos seres humanos, são vítimas, muitas vezes, do abandono da família...

Volto a questionar: até onde viver, é melhor do que morrer?

Por que nos esforçamos tanto para nos mantermos vivos, embora em situações tão adversas?

Bem, fica a reflexão...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 21.08.2026. SÃO LUÍS-MA).


Povo do Meu Agrado...

 

Povo do Meu Agrado

21 / 08 / 2026

**E se a felicidade estiver justamente naquele cantinho que muita gente chama de simples?**



*****

Uma casinha na beira da estrada,

uma horta crescendo no terreiro,

bananeira balançando com o vento

e alguém na porta olhando o dia passar.


Ali, cada verdura que nasce

tem cuidado de quem plantou.

Cada parede guarda uma história

e cada manhã traz esperança de novo.


Pode faltar luxo,

mas quando tem alimento na terra,

paz dentro de casa

e coragem para continuar...



**já existe uma riqueza que dinheiro nenhum consegue comprar.**

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”

 

Poeta Sertanejo - Meu canto é o grito do boiadeiro - 21 / 08 / 2026...


Poeta Sertanejo

21 / 08 / 2026

Sou filho e neto do sertão, nasci feito a semente no chão rachado.

Lugar onde o sol queima a pele, e a chuva sempre chega tarde, com seu recado.

Quando tudo já está pela seca judiado.

Meu berço foi a sombra do juazeiro, meu aconchego foi a noite de céu estrelado.

Meu canto é o grito do boiadeiro conduzindo na estrada seu gado.

Não nasci no luxo, nasci na lida sobre a poeira e a lama do alagado.


Me criei correndo atrás de bode, e capinando o milho plantado.

Aprendi com o vento a força da vida, de quem corre por todos os lados.

E com o rio seco a acreditar na fé por agrado.

Porque as dificuldades do campo, faz parte do homem com seu legado.

Hoje a cidade me chama, com luzes acesa e vaidade de uma vida agitada.

Mas recordo da pescaria no poço ingazeiro, e das noites estreladas.

Porque no peito ainda trago a simplicidade de uma vida passada.

De quem é raiz, mesmo hoje sendo folha do livro arrancada.

Sou filho e neto do sertão, e no meu destino, cada passo que dou é lembrança de uma longa jornada.

Bom dia meu povoooooo

Uma abençoada sexta-feira para todos vocês...


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Tá hoje na Coluna do Cláudio Humberto...


Tá hoje na Coluna do Cláudio Humberto

Coluna CH / 19 de agosto

Plano de saúde dos senadores gera rombo milionário: arrecada R$5 e gasta R$40 milhões

Impostos garantem a benesse a 79 senadores, 187 ex-senadores e 363 dependentes

19/08/2026


Plenário do Senado Federal. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado).

Cláudio Humberto

É deficitário o plano de saúde de senadores, ex-senadores e, claro, dependentes de suas excelências. Todos se penduram na benesse que, sem escolha, é custeada pelo pagador de impostos. Levantamento do Ranking dos Políticos considerou a despesa ao longo de 2025, apenas de usuários do sangue azul, sem os servidores. São 79 senadores, 187 ex-senadores e mais 363 dependentes. A arrecadação foi de R$5.179.524,92. As despesas são bem maiores, R$40.476.846,63.

Gota no oceano

Os R$5 milhões vieram de contribuições dos beneficiários. Soma-se a esse valor a merreca de R$86 mil em coparticipação.

Cabe tudo

O rombo abarca indenizações e restituições, pagamentos a prestadores de serviços de saúde, tratamentos de longo prazo etc, etc, etc...

Câmara no azul

Na Câmara, a assistência consegue ser superavitária. Foram R$8,35 milhões em arrecadação contra R$8,22 milhões em despesas.

É só comparar

O custo por beneficiário da Câmara foi de R$520,88 por mês. No deficitário Senado, o valor salta para R$5.362,59.


DIA NACIONAL DO HISTORIADOR - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO HISTORIADOR



Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Sou um historiador e escritor que usa os sonhos para, em palavras, elaborar pesquisas, prosas, romances e poesias, em delirios róseos, mas atrelados à dura realidade que se apresenta.

As histórias que escrevo têm destinos mirabolantes dos quais nem eu escapo. "A História não é um eco distante, mas uma conversa viva - e o Historiador, seu tradutor". Por isso não sei, às vezes se sou criador ou criatura...

Procuro, como um autor comprometido com as facetas da natureza, diversificar as minhas publicações e promover horizontes. Penso, assim, me alargar na tão complexa matéria humana.

Ei-los: Algodão no Mearim; O Parto da Insônia; Algodão: Ouro Branco; O Arquivista Acidental; A Fuga do Perfume; Estação Ecológica Sítio do Rangedor: Uma proposta educacional; Artigos Diversos; Pêndulos & Fiéis; São Luís: Memória & Tempo; São Luís em Cartões Postais e Álbuns de Lembranças; Pregoeiros & Casarões; Becos & Telhados; Adagas & Punhais.

Povo do Meu Agrado - Tem coisa que traz lembrança

 

Povo do Meu Agrado

19 / 08 / 2026



Tem coisa que traz lembrança

só de bater o olho e olhar:

uma casa simples no mato

e alguém varrendo o lugar.

Vassoura de galho na mão,

folha juntada no terreiro,

era assim que começava o dia

em muito canto do interior.

Casa humilde, chão de terra,

sombra boa no quintal.

Coisas simples de antigamente

que hoje têm valor especial.




 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Raiou mais um dia...


Poeta Sertanejo

19 / 08 /22026

Raiou mais um dia, muito de mim eu espero.

Sigo agradecendo a Deus, quem tanto venero.

Lá fora o sol já brilha, iluminando os verdes campos, lugar onde canta o valente quero-quero.

Ao lado do velho pingo, cavalo de estimação, a quem sou amigo sincero.

O jacu no terreiro, se mistura com as galinhas.

O teiú sorrateiro, vem matar a sede nas águas da biquinha.

O cheiro gostoso do café toma conta da cozinha.

Vendo a porta aberta a alma desperta e o João de barro entra na capelinha.


Parece agradecer pela construção de sua nova casinha.

Recolheu o manto da noite, quando do dia Deus puxou a cortina.

Os primeiros raios do sol atravessaram a intensa neblina.

A natureza é uma mãe que cuida também ensina.

Onde cada ser vivo é mesmo uma benção divina.

Por isso sou sertanejo nato e agradeço por essa sina.

Morar no campo realmente me fascina.

Bom dia meu povoooooo

Um dia super abençoado para todos vocês


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Aporofobia ou horror aos pobres - Artigo de José Luiz Alquéres


Aporofobia ou horror aos pobres

José Luiz Alquéres*

17/08/2026

Entre os temas que vêm ganhando espaço na filosofia moral está a Aporofobia, palavra que significa aversão ou rejeição aos pobres. O conceito tem implicações profundas na realidade das grandes cidades brasileiras, sobretudo quando analisado à luz do processo de urbanização ocorrido nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial.

Antigas cidades, muitas nascidas ainda no período colonial, sofreram ocupação rápida e desordenada, decorrente da enorme migração do campo para os centros urbanos. O Brasil possui hoje índice de urbanização próximo de 90%. A China, em comparação, só ultrapassou a marca de 50% no início da década passada e hoje está em torno de dois terços. A urbanização brasileira criou, ao longo dos últimos 70 anos, enormes áreas ocupadas por populações de baixa renda, muitas vezes em locais sujeitos a alagamentos e deslizamentos.

Essas condições precárias vêm sendo reproduzidas por gerações, pois as políticas públicas não conseguiram enfrentar adequadamente o desafio de proporcionar vida digna a um contingente expressivo da população. Segundo o Censo de 2022, 20% da população da cidade do Rio de Janeiro viviam em favelas e comunidades urbanas, categoria específica do IBGE que não abrange, naturalmente, todas as formas de precariedade habitacional existentes no país.

Mais grave é o caráter geracional do fenômeno. Quando sucessivas gerações nascem e crescem submetidas às mesmas condições, aquilo que deveria ser intolerável — o precário, o informal, o degradante — acaba se tornando usual e até percebido por muitos como realidade inescapável das regras do jogo social que separam os segmentos de maior e menor renda. É a banalização do inominável.

A visão de seres humanos vivendo em condições tão degradantes comove aqueles que possuem um mínimo de compaixão e solidariedade. Para outros, porém, produz aversão e estimula explicações superficiais para um fenômeno complexo. Surgem argumentos que atribuem a pobreza a uma suposta preguiça dos pobres, a uma predisposição à criminalidade ou à vadiagem, ou à pretensa recusa a estudar, trabalhar e buscar melhores condições de vida.

Essas interpretações preconceituosas ignoram um fato fundamental: nessas áreas, os serviços públicos básicos jamais estiveram disponíveis em escala adequada. As escolas foram historicamente precárias, os postos de saúde insuficientes e as condições sanitárias deficientes produziram índices elevados de mortalidade infantil, com consequências sobre a expectativa de vida. Dentro de uma mesma cidade como o Rio de Janeiro, comparações entre áreas como o Complexo do Alemão, a Maré e a Rocinha e bairros de maior renda evidenciam profundas desigualdades nas condições de vida.

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