segunda-feira, 22 de junho de 2026

Poeta Sertanejo - Ao chegar no terreiro da casa já sem morador...


Poeta Sertanejo

Ao chegar no terreiro da casa já sem morador, encontrei meus rastro de saudades que ali ficou.

Uma janela aberta pelo tempo pendurada, o que acontecia lá fora tudo observava.

Na cozinha um velho fogão a lenha corroído pelos anos, apagado por muito tempo nem as cinzas lhe restou.

Na parede da sala um prego velho de frente a porta, que o quadro da imagem de Jesus por muito tempo segurou.

Num cantinho do quarto de casal, as marcas de onde ficava uma mesinha.

E mãe com bíblia aberta falava com Deus nosso senhor com carinho e devoção.


Também restou num cantinho o lugar da lamparina luz divina que nos protegia da escuridão.

Por trás da porta outro prego onde meu pai pendurava sua espingarda que usava para espantar assombração.

E a passos lentos voltando para a cozinha, parecia que eu via, a mesa grande e a família reunida para a refeição.

Lá fora com as madeiras tombadas ao chão.

A garagem da velha carroça, e o coberto do pilão que ao tempo não resistiu.


O velho poço ainda com água, porém sem balde nem corda no sário.

E o pé de rosa sem flores firme na vida seguiu, foi regado por minhas lágrimas que dos olhos caiu.

Hoje vejo que tudo que o tempo me deu ele mesmo destruiu.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


As bordadeiras de Viana - Por Áureo Mendonça


As bordadeiras de Viana

Por  Áureo Mendonça*



As bordadeiras sempre tiveram destaque na cidade de Viana, Oliva Mendonça minha avó paterna, Maria de Fabrício, Nhazinha Campelo, Mundoca Barros, sua filha Maria Lúcia, dona Heronita e outras fazem parte da cultura vianense.

O compositor Beto Gomes fez a música as Bordadeira de Viana interpretada na bela voz do cantor e compositor Rogério do Maranhão. Uma música muito bonita e com bela melodia que homenageia as bordadeiras de Viana.

Essa indumentária do Bumba-meu-boi produzida por minha avó Oliva Mendonça há 50 anos, é uma relíquia da família Mendonça e se algum dia a cidade de Viana tiver seu museu irei disponibilizar ao museu para fazer parte do acervo da memória e da história de Viana.

*Áureo Mendonça é escritor e poeta de Viana


Faz tempo que não vejo o poeta Lima Coelho... Faz tempo!... Por Hélcio Silva

 

Faz tempo que não vejo o poeta Lima Coelho... Faz tempo!...


Por Hélcio Silva

A última vez que o abracei foi na porta da Assembleia, quando funcionava na Rua do Egito... E faz tempo!

 

Hoje... ainda sem vê-lo - recebo seu abraço... De longe, nas Marcas da Vida.

 

O abraçar é bem melhor que o ver!

 

Transcrevo aqui  nas minhas redes sociais e no meu Blog o texto de LIma Coelho (poeta Carlos Alberto Lima Coelho)

 

AS MARCAS DA VIDA



Lima Coelho 

O tempo passa e, com ele, caminhamos por trilhas marcadas e projetadas para nossa vivência neste mundo físico.

Cada ruga que surge não é apenas um sinal da idade, mas uma página escrita pela experiência. Cada cicatriz guarda uma batalha vencida. Cada sorriso eternizado no rosto revela momentos de alegria compartilhada. E cada lágrima silenciosa transformou-se em aprendizado para a alma.

As marcas da vida são testemunhas do caminho percorrido. Elas contam histórias que os livros não registram, mas que o coração jamais esquece. São lembranças de quedas e recomeços, de despedidas e reencontros, de sonhos realizados e de novos horizontes que continuam a nos chamar.

Envelhecer não é perder a juventude; é acumular sabedoria. É compreender que o verdadeiro valor do tempo não está nos anos vividos, mas na intensidade com que vivemos cada instante.

Que as marcas do rosto sejam vistas como medalhas da existência, pois nelas repousam as memórias de quem amou, lutou, chorou, sorriu e, acima de tudo, continuou seguindo adiante.

Carlos Alberto Lima Coelho

"Cada traço uma história contada; cada ensinamento um passo adiante; cada aprendizado um crescimento constante." - Do Poeta CALC...Meu irmão/amigo


sábado, 20 de junho de 2026

CAIXA DE SURPRESAS (Augusto Pellegrini), poeta e escritor


CAIXA DE SURPRESAS



(Augusto Pellegrini)

Lá estava eu, sentado quieto no meu canto
Sem nada pra fazer, sem um destino certo
Quando ela veio, sem causar surpresa ou espanto
Sem qualquer emoção, e sem ninguém por perto
Tinha consigo uma caixa envolta em papel pardo
À guisa de presente, um tanto inusitado
Se aproximou e se desvencilhou do fardo
Depositando a caixa no chão, bem ao meu lado
Então tocado eu fui por imensa surpresa
Que foi se transformando em preocupação
A caixa conteria alegria ou tristeza?
Traria ela bons fluidos ou pranto e danação?
Me apoderei da caixa, rasguei o papel pardo
Curioso, quis saber o que ela continha
Lá dentro se encontrava todo o meu passado
E o meu futuro oculto em uma outra caixinha.
Fevereiro 2021


ARQUIVISTAS & PESQUISADORES - Dia dos Arquivistas & Pesquisadores, Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


ARQUIVISTAS & PESQUISADORES

20.06 - Dia dos Arquivistas & Pesquisadores

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Saúdo os ilustres arquivistas e pesquisadores, abaixo - relacionados. Diz respeito a seres especiais - que "vivem nas sombras" - e que, desenvolvem pesquisas, a partir de um método científico.
Em outras palavras, a partir de uma metodologia que testa e comprova hipóteses, estabelecendo com veracidade, precisão, amplitude e conclusão nas diversas áreas do conhecimento.

Alô Janaina!!!

 

Alô Janaina!!!

Bom dia!...

Leio teu aviso do amanhecer!!!



Tu tais em SumPaulo?!!

Eu tô cá em SumLuís...

Mas te olhei na manãzinha...

Parecias bem feliz...

***

Ou bem contrariada

Com as coisas dos Brasis...

 ***

 Eu sou Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


sexta-feira, 19 de junho de 2026

A História da Perseguição de um Povo - Uma Geografia das Ausências - por David Gertner*

 

A História da Perseguição de um Povo

Uma Geografia das Ausências

David Gertner*

17/06/2026 

Ao longo de mais de dois mil anos, os judeus deixaram para trás cidades, casas, sinagogas, yeshivot, bibliotecas e cemitérios espalhados por continentes inteiros. A história judaica é também a história desses lugares que permaneceram, mesmo quando aqueles que os habitavam foram obrigados a partir.

Existem povos cuja história foi escrita por imperadores, exércitos e fronteiras. Outros deixaram sua marca por meio de monumentos, revoluções ou conquistas. A história do povo judeu parece seguir outro caminho. Ela pode ser contada pelas cidades abandonadas, pelas casas deixadas para trás, pelas comunidades destruídas, pelos cemitérios espalhados por continentes inteiros e pelas sucessivas migrações forçadas que atravessam mais de dois mil anos.

Poucos povos descobriram tantas vezes que aquilo que chamavam de lar era apenas um empréstimo da história.

Talvez por isso a memória ocupe um lugar tão central na experiência judaica. Quando se perde repetidamente a segurança da geografia, aprende-se a habitar a geografia da lembrança. A memória torna-se uma forma de pátria. Não uma pátria capaz de impedir guerras, expulsões ou perseguições, mas uma pátria suficientemente resistente para sobreviver a elas.

A experiência do exílio acompanha a história judaica desde a Antiguidade. Quando Jerusalém foi conquistada pelos babilônios, no século VI antes da era comum, e o Primeiro Templo destruído, uma parte significativa da população foi levada para longe de sua terra. Séculos depois, a destruição do Segundo Templo pelos romanos e a derrota das revoltas judaicas transformariam uma tragédia local em uma diáspora global. Roma não procurou apenas derrotar uma rebelião. Procurou enfraquecer a própria ligação entre um povo e sua terra. Jerusalém foi reconstruída como cidade romana, a Judeia perdeu seu nome original e uma dispersão que duraria séculos ganhou novo impulso.

Seria razoável imaginar que uma sucessão tão longa de derrotas acabasse dissolvendo uma identidade coletiva. A história está repleta de povos que desapareceram após perderem seu território, suas instituições ou sua língua. No entanto, algo incomum aconteceu com os judeus. Eles perderam o Estado, mas preservaram a memória. Perderam a soberania, mas mantiveram a identidade. Foram espalhados por continentes, mas conservaram uma narrativa comum sobre quem eram, de onde vinham e a que tradição pertenciam.

Essa permanência, porém, teve um custo elevado.

Ao longo da Idade Média e do início da era moderna, os judeus viveram em quase toda a Europa, mas raramente em condições de plena segurança. Sua permanência dependia da tolerância de reis, nobres e autoridades religiosas. Em tempos de prosperidade, eram aceitos. Em tempos de crise, tornavam-se suspeitos. Foram acusados de espalhar epidemias, de conspirar contra governantes, de controlar finanças, de ameaçar a religião dominante ou de exercer influência excessiva. As acusações mudavam conforme a época. O acusado permanecia o mesmo.

Foi assim que comunidades inteiras desapareceram da Inglaterra no final do século XIII. O mesmo aconteceu na França. Mais tarde, na Espanha, uma das mais brilhantes civilizações judaicas da história foi destruída pela expulsão de 1492. Em Portugal, poucos anos depois, milhares de pessoas seriam forçadas à conversão ou ao exílio. Em cada geração repetia-se uma cena familiar: famílias abandonando casas, negócios, bibliotecas, sinagogas e cemitérios para recomeçar em algum outro lugar, quase sempre com a esperança de que desta vez encontrariam estabilidade. Raramente encontravam. Ainda assim, recomeçavam.

Talvez um dos aspectos mais extraordinários da história judaica seja justamente essa capacidade de reconstrução. Cada expulsão gerava novas comunidades. Cada dispersão criava novos centros culturais. Cada tentativa de apagamento era seguida por uma reinvenção. A sobrevivência tornou-se não apenas uma necessidade, mas uma característica da própria experiência histórica judaica.

O século XIX trouxe os pogroms da Europa Oriental. Milhões de judeus deixaram o Império Russo e buscaram refúgio principalmente nos Estados Unidos e em outras partes das Américas. Mas o pior ainda estava por vir.

O Holocausto não foi apenas mais um capítulo de perseguição. Foi o mais sombrio deles — uma ruptura moral sem precedentes. Pela primeira vez, um Estado moderno utilizou sua burocracia, sua tecnologia, sua capacidade industrial e sua máquina administrativa para perseguir um objetivo explícito de extermínio. Não se tratava de expulsar os judeus. Não se tratava de convertê-los. Não se tratava sequer de subordiná-los. Tratava-se de eliminá-los.

Seis milhões de seres humanos foram assassinados.

A Europa judaica, que durante séculos fora o principal centro da vida judaica mundial, emergiu da Segunda Guerra Mundial irreconhecível. Comunidades inteiras desapareceram. Famílias foram apagadas da história. Sobreviventes descobriram que não tinham para onde voltar. Suas casas estavam ocupadas. Seus parentes haviam morrido. Suas cidades já não eram as mesmas.

Foi nesse contexto que nasceu o Estado de Israel.

Reduzir sua criação a uma consequência do Holocausto, porém, é ignorar uma história muito mais longa. A ligação do povo judeu com aquela terra antecede em muitos séculos o surgimento do cristianismo e em mais de um milênio o surgimento do islamismo. Jerusalém já era o centro político e espiritual da civilização judaica quando Roma ainda era uma república. A presença judaica na região jamais desapareceu completamente, embora tenha variado em tamanho ao longo dos séculos.

Em 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou um plano de partilha que previa a criação de dois Estados, um judeu e outro árabe, nos territórios então administrados pelo Mandato Britânico. Os líderes judeus aceitaram a proposta. Os líderes árabes a rejeitaram. A guerra começou antes mesmo da independência formal de Israel. Desde então, a região vive um conflito cuja complexidade desafia explicações simples e cujas consequências humanas atingem israelenses e palestinos há gerações.

A criação de Israel tampouco encerrou o ciclo histórico dos deslocamentos judaicos. Entre o final da década de 1940 e os anos 1970, aproximadamente 850 mil judeus deixaram ou foram expulsos dos países árabes e de outras partes do mundo muçulmano. Comunidades que haviam florescido por séculos — e em alguns casos por mais de dois mil anos — desapareceram quase por completo.

Judeus do Iraque, Egito, Iêmen, Líbia, Síria, Marrocos e de outros países abandonaram casas, negócios, escolas, yeshivot, sinagogas, bibliotecas, cemitérios e patrimônios acumulados ao longo de gerações. Muitos chegaram a Israel apenas com aquilo que conseguiam carregar consigo. Outros seguiram para a Europa ou para as Américas. Mais uma vez, uma população judaica precisou reconstruir sua vida longe das terras que durante séculos havia chamado de lar.

Mesmo assim, essa lista está longe de ser completa. A história judaica não é apenas a história de uma expulsão ou de uma diáspora, mas de muitas. Babilônia, Roma, Inglaterra, França, Espanha, Portugal, partes da Europa Oriental, o mundo árabe e inúmeros outros lugares compõem uma geografia de ausências construída ao longo de mais de dois milênios. Cada geração herdou não apenas uma tradição, mas também a memória de algum lugar deixado para trás.

Nada disso significa que Israel esteja acima de críticas. Nenhum país está. Nenhuma democracia está. Governos erram. Líderes tomam decisões equivocadas. Estratégias podem ser contestadas. Políticas públicas podem e devem ser debatidas. Os próprios israelenses fazem isso com intensidade e frequência.

Seria reconfortante acreditar que a longa história das perseguições pertence ao passado. Que expulsões coletivas, discriminações legais e preconceitos sistemáticos são relíquias de uma humanidade menos esclarecida.

Mas a história raramente desaparece.

Com mais frequência, ela muda de linguagem.

Os símbolos se transformam. Os slogans se renovam. As justificativas se adaptam ao espírito de cada época. O impulso permanece.

É nesse ponto que se torna essencial preservar uma distinção fundamental. Criticar um governo não é o mesmo que questionar a existência de um país. Discordar de uma política não é o mesmo que negar a um povo o direito à autodeterminação nacional. E responsabilizar judeus espalhados pelo mundo pelas ações de qualquer governo não é uma forma de ativismo político. É uma das expressões mais antigas do antissemitismo.

Essa distinção tornou-se particularmente importante nos últimos anos. O aumento dos ataques contra sinagogas, escolas, centros comunitários, estudantes e instituições judaicas em inúmeros países não pode ser explicado como mera crítica à política externa de Israel. Quando judeus em Paris, Londres, Nova York, Buenos Aires ou Melbourne tornam-se alvo de hostilidade por acontecimentos ocorridos a milhares de quilômetros de distância, já não estamos diante de um debate sobre governos ou fronteiras. Estamos diante da velha ideia de responsabilidade coletiva dos judeus por eventos que ultrapassam qualquer indivíduo.

Quando a hostilidade deixa de ser dirigida a políticas, governos ou decisões específicas e passa a atingir judeus como indivíduos ou comunidades, já não estamos diante de uma crítica política.

Estamos diante do antissemitismo.

Em muitas universidades, movimentos sociais, organizações internacionais e espaços digitais, tornou-se comum ouvir que Israel seria o país mais odiado do mundo ou que quase toda a humanidade condenaria sua existência. As pesquisas mostram uma realidade mais complexa. Há críticas significativas às políticas israelenses e ao comportamento de determinados governos. Mas a questão mais interessante talvez não seja a existência dessas críticas.

A questão é outra.

Por que determinados conflitos mobilizam a consciência moral global de forma tão intensa enquanto tragédias igualmente devastadoras — e muitas vezes muito mais longas e letais — recebem atenção incomparavelmente menor?

Nas últimas décadas, guerras e crises humanitárias no Congo, Sudão, Síria, Iêmen, Somália, Haiti, Ucrânia, Venezuela e outras regiões produziram milhões de mortos, refugiados e deslocados. Algumas devastaram sociedades inteiras durante anos. Outras permanecem praticamente invisíveis para grande parte da opinião pública internacional. Fazer essa pergunta não exige minimizar o sofrimento palestino nem absolver Israel de seus erros. Exige apenas reconhecer que o sofrimento humano não deveria ser hierarquizado segundo critérios políticos, ideológicos ou midiáticos.

O humanismo verdadeiro não escolhe vítimas favoritas. Não mede a dignidade humana pela nacionalidade, pela religião ou pela utilidade política de uma causa. Ele sofre diante de todas as tragédias.

Talvez seja justamente aqui que a história volte a lançar sua sombra sobre o presente.

Ao longo dos séculos, os judeus foram frequentemente transformados em símbolo de problemas muito maiores do que eles próprios. Foram responsabilizados por epidemias, crises econômicas, derrotas militares, transformações sociais e ansiedades coletivas. Mudavam as circunstâncias. Mudava a linguagem. Permanecia a necessidade de encontrar um culpado.

É impossível olhar para essa longa história sem perceber certas continuidades inquietantes.

A questão central deste ensaio não é se um determinado governo israelense merece críticas. Evidentemente merece, como qualquer governo. Tampouco é se os palestinos merecem dignidade, segurança e um futuro. Evidentemente merecem.

Mas existe uma pergunta ainda mais difícil.

Depois de mais de dois mil anos de expulsões, perseguições, massacres, discriminações legais e tentativas de apagamento, por que o único Estado judeu do mundo continua sendo, para tantos, o único cuja própria legitimidade permanece em discussão?

Talvez não exista uma resposta simples.

Mas a própria existência da pergunta deveria nos inquietar.

Afinal, poucos povos passaram tantos séculos descobrindo que aquilo que parecia permanente podia desaparecer de uma geração para a outra. Poucos foram expulsos de tantos lugares, perseguidos sob tantas bandeiras e acusados sob justificativas tão diferentes.

A história do povo judeu não é apenas a história de uma minoria.

É a história de uma advertência.

Ela nos lembra que o preconceito raramente desaparece. Mais frequentemente, ele se adapta. Troca de linguagem, de símbolos e de justificativas, preservando intacta a convicção de que determinados seres humanos precisam explicar por que merecem existir.

E toda vez que uma sociedade chega a esse ponto, aquilo que está em julgamento não é apenas o destino dos perseguidos.

É a própria qualidade moral da civilização.


*David Gertner nasceu no Brasil, filho de judeus do Leste Europeu cujas famílias foram deslocadas pelas perseguições e turbulências que marcaram o século XX. Vive nos Estados Unidos há mais de três décadas. Escreve sobre memória, identidade, história, ética e condição humana. Mais em www.davidgertner.com.


Sócio já negociava com Jaques Wagner quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda -


Coluna CH / 19 de junho

Sócio já negociava com Jaques Wagner quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda

19/06/2026 


Da esquerda para a direita, o banqueiro Augusto Lima, Jaques Wagner (PT-BA), Daniel Vorcaro e Lula (PT)

Cláudio Humberto

Jaques Wagner vive como milionário em Salvador

O imóvel de R$2,5 milhões em Salvador, que teria sido negociado como propina para o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner, vale dez vezes menos que o apartamento de luxo no edifício Mansão Victory Tower, onde mora o senador. Fica no Corredor da Vitória, metro quadrado mais caro de Salvador. Apartamento como o de Wagner pode custar mais de R$20 milhões. O prédio do comuna que adora os luxos da burguesia tem píer privativo e teleférico para a Baía de Todos-os-Santos.

Explica aí, companheiro

Difícil é explicar como um sindicalista do PT, que chegou na Bahia com a mão na frente e outra atrás, acumulou patrimônio milionário na política.

Muro petista é bem alto

Wagner disse que a Bahia “tem muro baixo”. Oura lorota: a espetacular Mansão Victory Tower, onde mora, é protegida por muros altíssimos.

Fora dos padrões do PT

O líder de Lula disse que seria para sua filha o tal apê de R$2,5 milhões, de 203m, praticamente uma quitinete para os padrões de luxo do petista.

Trapalhada e mentira

Após a desastrosa participação como um convidado bem trapalhão do G7, Lula (PT) retornou ao Brasil como a mesma fama de mentiroso que deixou na França, após afirmar lorotas como “nunca fui esquerdista”.

Fogo petista

“Fogo amigo sempre aparece, mas eu prefiro confiar na minha relação e na confiança [de Lula]”, afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA) sobre pedidos de deputados do próprio PT para que ele deixe a liderança do governo no Senado, e críticas de Lindbergh Farias e Rogerio Correia.

Nada, ninguém, nunca

Ao declarar solidariedade a Jaques Wagner, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que, neste País, “não comemora nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado do processo”.


O mergulho do Jaques Wagner - por Hélcio Silva


O mergulho do Jaques Wagner

Por Hélcio Silva

Vão dizer que a notícia é de ontem... Não é bem assim: o texto é de hoje, assinado pelo ex-deputado e futuro senador Deltan Dallagnol.... E é sobre o mergulho do senador Jaques Wagner nas águas apodrecidas da corrupção...

Leia abaixo:


URGENTE: ALCOLUMBRE BLINDA JAQUES WAGNER!

Por Deltan Dallagnol


O Congresso tinha sessão conjunta marcada. Oficialmente, cancelaram por falta de acordo.

Mas a pergunta é: por que justamente agora? Porque numa sessão conjunta, Alcolumbre seria pressionado a ler o requerimento da CPMI do Banco Master.

Obrigação dele. E hoje a pressão explodiu: a Polícia Federal chegou a Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, em investigação ligada ao Banco Master.

O escândalo é tão grande que ele não ia poder ignorar. Aí cancelou. 

O Senado não pode ser esconderijo de político corrupto. 

Tem que ser trincheira contra corrupção, lavagem de dinheiro e crime financeiro. 

Está na hora de colocar no Senado quem lutou contra o crime.

Não quem passou a vida advogando pelo crime. O Brasil não precisa de senador para proteger governo e banqueiro amigo.

Precisa de senador para proteger o povo.

***

Tô indo... Tomar meu café, com tapioca do Maranhão.

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais que Hélcio


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A vergonha mudou de endereço - Por Alex Pipkin, PhD em Administração


A vergonha mudou de endereço

Alex Pipkin, PhD em Administração

Às vezes tenho a sensação de viver uma versão coletiva de O Estranho Caso de Benjamin Button.

Não porque a humanidade esteja rejuvenescendo. Mas porque, pela primeira vez, uma sociedade inteira parece ter decidido transformar a adolescência em ideal de vida.

Durante séculos, crescer significava descobrir uma verdade desagradável. A realidade existe.

Ela não pergunta o que desejamos. Ela não consulta nossos sentimentos. Ela não negocia com convicções. Ela apenas existe.

Tornar-se adulto era aprender a conviver com isso. Era compreender que nem todo desejo é um direito, nem toda frustração é uma injustiça e nem toda crença resiste ao confronto com os fatos.

A civilização nasceu desse aprendizado. Foi o longo processo de ensinar seres humanos a trocar impulsos por responsabilidade, vontades por consequências e desejos por realidade.

Mas algo mudou.

Pela primeira vez, não exigimos que os desejos se adaptem ao mundo. Exigimos que o mundo se adapte aos desejos.

A realidade passou a pedir desculpas.

Os fatos tornaram-se acessórios.

A identidade passou a valer mais do que os argumentos.

E, de repente, sentir virou uma forma superior de saber.

Talvez por isso a grande mazela do nosso tempo não seja a ignorância. Ignorância sempre existiu.

O que existe hoje é algo mais sofisticado.

A renúncia voluntária à lucidez.

Nunca tivemos tanta informação, tantos especialistas e tantos instrumentos para compreender o mundo.

Ainda assim, multidões preferem o conforto psicológico do pertencimento ao desconforto intelectual da verdade.

Não buscam compreender; buscam pertencer.

E é justamente aqui que a vergonha mudou de endereço.

Durante séculos, sentia vergonha quem contrariava a realidade. Hoje, sente vergonha quem contraria a tribo.

A dissonância cognitiva transformou-se em esporte coletivo.

Nunca houve tanta inteligência disponível e tão pouca coragem para utilizá-la.

Pessoas brilhantes repetem absurdos para preservar aplausos.

Instituições fingem não ver o que veem.

Intelectuais fingem não saber o que sabem.

Não escrevo isso por nostalgia.

O passado foi tão imperfeito quanto o presente.

Escrevo porque nenhuma sociedade prospera quando transforma sentimentos em critérios de verdade, quando confunde compaixão com dependência, quando substitui responsabilidade por reivindicação permanente ou quando troca pensamento por sinalização de virtude.

Talvez eu esteja deslocado. Talvez seja apenas um adulto tentando permanecer adulto numa época que decidiu transformar a adolescência em projeto de sociedade.

Mas a realidade possui uma característica inconveniente.

Ela não participa de assembleias, não aceita moções de repúdio, tampouco se curva a narrativas.

Ela apenas envia a conta.

E a história mostra que, mais cedo ou mais tarde, toda civilização acaba pagando.

Afinal, a realidade tem muitos defeitos. Mas nunca teve o hábito de perdoar dívidas.


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