sexta-feira, 19 de junho de 2026

A História da Perseguição de um Povo - Uma Geografia das Ausências - por David Gertner*

 

A História da Perseguição de um Povo

Uma Geografia das Ausências

David Gertner*

17/06/2026 

Ao longo de mais de dois mil anos, os judeus deixaram para trás cidades, casas, sinagogas, yeshivot, bibliotecas e cemitérios espalhados por continentes inteiros. A história judaica é também a história desses lugares que permaneceram, mesmo quando aqueles que os habitavam foram obrigados a partir.

Existem povos cuja história foi escrita por imperadores, exércitos e fronteiras. Outros deixaram sua marca por meio de monumentos, revoluções ou conquistas. A história do povo judeu parece seguir outro caminho. Ela pode ser contada pelas cidades abandonadas, pelas casas deixadas para trás, pelas comunidades destruídas, pelos cemitérios espalhados por continentes inteiros e pelas sucessivas migrações forçadas que atravessam mais de dois mil anos.

Poucos povos descobriram tantas vezes que aquilo que chamavam de lar era apenas um empréstimo da história.

Talvez por isso a memória ocupe um lugar tão central na experiência judaica. Quando se perde repetidamente a segurança da geografia, aprende-se a habitar a geografia da lembrança. A memória torna-se uma forma de pátria. Não uma pátria capaz de impedir guerras, expulsões ou perseguições, mas uma pátria suficientemente resistente para sobreviver a elas.

A experiência do exílio acompanha a história judaica desde a Antiguidade. Quando Jerusalém foi conquistada pelos babilônios, no século VI antes da era comum, e o Primeiro Templo destruído, uma parte significativa da população foi levada para longe de sua terra. Séculos depois, a destruição do Segundo Templo pelos romanos e a derrota das revoltas judaicas transformariam uma tragédia local em uma diáspora global. Roma não procurou apenas derrotar uma rebelião. Procurou enfraquecer a própria ligação entre um povo e sua terra. Jerusalém foi reconstruída como cidade romana, a Judeia perdeu seu nome original e uma dispersão que duraria séculos ganhou novo impulso.

Seria razoável imaginar que uma sucessão tão longa de derrotas acabasse dissolvendo uma identidade coletiva. A história está repleta de povos que desapareceram após perderem seu território, suas instituições ou sua língua. No entanto, algo incomum aconteceu com os judeus. Eles perderam o Estado, mas preservaram a memória. Perderam a soberania, mas mantiveram a identidade. Foram espalhados por continentes, mas conservaram uma narrativa comum sobre quem eram, de onde vinham e a que tradição pertenciam.

Essa permanência, porém, teve um custo elevado.

Ao longo da Idade Média e do início da era moderna, os judeus viveram em quase toda a Europa, mas raramente em condições de plena segurança. Sua permanência dependia da tolerância de reis, nobres e autoridades religiosas. Em tempos de prosperidade, eram aceitos. Em tempos de crise, tornavam-se suspeitos. Foram acusados de espalhar epidemias, de conspirar contra governantes, de controlar finanças, de ameaçar a religião dominante ou de exercer influência excessiva. As acusações mudavam conforme a época. O acusado permanecia o mesmo.

Foi assim que comunidades inteiras desapareceram da Inglaterra no final do século XIII. O mesmo aconteceu na França. Mais tarde, na Espanha, uma das mais brilhantes civilizações judaicas da história foi destruída pela expulsão de 1492. Em Portugal, poucos anos depois, milhares de pessoas seriam forçadas à conversão ou ao exílio. Em cada geração repetia-se uma cena familiar: famílias abandonando casas, negócios, bibliotecas, sinagogas e cemitérios para recomeçar em algum outro lugar, quase sempre com a esperança de que desta vez encontrariam estabilidade. Raramente encontravam. Ainda assim, recomeçavam.

Talvez um dos aspectos mais extraordinários da história judaica seja justamente essa capacidade de reconstrução. Cada expulsão gerava novas comunidades. Cada dispersão criava novos centros culturais. Cada tentativa de apagamento era seguida por uma reinvenção. A sobrevivência tornou-se não apenas uma necessidade, mas uma característica da própria experiência histórica judaica.

O século XIX trouxe os pogroms da Europa Oriental. Milhões de judeus deixaram o Império Russo e buscaram refúgio principalmente nos Estados Unidos e em outras partes das Américas. Mas o pior ainda estava por vir.

O Holocausto não foi apenas mais um capítulo de perseguição. Foi o mais sombrio deles — uma ruptura moral sem precedentes. Pela primeira vez, um Estado moderno utilizou sua burocracia, sua tecnologia, sua capacidade industrial e sua máquina administrativa para perseguir um objetivo explícito de extermínio. Não se tratava de expulsar os judeus. Não se tratava de convertê-los. Não se tratava sequer de subordiná-los. Tratava-se de eliminá-los.

Seis milhões de seres humanos foram assassinados.

A Europa judaica, que durante séculos fora o principal centro da vida judaica mundial, emergiu da Segunda Guerra Mundial irreconhecível. Comunidades inteiras desapareceram. Famílias foram apagadas da história. Sobreviventes descobriram que não tinham para onde voltar. Suas casas estavam ocupadas. Seus parentes haviam morrido. Suas cidades já não eram as mesmas.

Foi nesse contexto que nasceu o Estado de Israel.

Reduzir sua criação a uma consequência do Holocausto, porém, é ignorar uma história muito mais longa. A ligação do povo judeu com aquela terra antecede em muitos séculos o surgimento do cristianismo e em mais de um milênio o surgimento do islamismo. Jerusalém já era o centro político e espiritual da civilização judaica quando Roma ainda era uma república. A presença judaica na região jamais desapareceu completamente, embora tenha variado em tamanho ao longo dos séculos.

Em 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou um plano de partilha que previa a criação de dois Estados, um judeu e outro árabe, nos territórios então administrados pelo Mandato Britânico. Os líderes judeus aceitaram a proposta. Os líderes árabes a rejeitaram. A guerra começou antes mesmo da independência formal de Israel. Desde então, a região vive um conflito cuja complexidade desafia explicações simples e cujas consequências humanas atingem israelenses e palestinos há gerações.

A criação de Israel tampouco encerrou o ciclo histórico dos deslocamentos judaicos. Entre o final da década de 1940 e os anos 1970, aproximadamente 850 mil judeus deixaram ou foram expulsos dos países árabes e de outras partes do mundo muçulmano. Comunidades que haviam florescido por séculos — e em alguns casos por mais de dois mil anos — desapareceram quase por completo.

Judeus do Iraque, Egito, Iêmen, Líbia, Síria, Marrocos e de outros países abandonaram casas, negócios, escolas, yeshivot, sinagogas, bibliotecas, cemitérios e patrimônios acumulados ao longo de gerações. Muitos chegaram a Israel apenas com aquilo que conseguiam carregar consigo. Outros seguiram para a Europa ou para as Américas. Mais uma vez, uma população judaica precisou reconstruir sua vida longe das terras que durante séculos havia chamado de lar.

Mesmo assim, essa lista está longe de ser completa. A história judaica não é apenas a história de uma expulsão ou de uma diáspora, mas de muitas. Babilônia, Roma, Inglaterra, França, Espanha, Portugal, partes da Europa Oriental, o mundo árabe e inúmeros outros lugares compõem uma geografia de ausências construída ao longo de mais de dois milênios. Cada geração herdou não apenas uma tradição, mas também a memória de algum lugar deixado para trás.

Nada disso significa que Israel esteja acima de críticas. Nenhum país está. Nenhuma democracia está. Governos erram. Líderes tomam decisões equivocadas. Estratégias podem ser contestadas. Políticas públicas podem e devem ser debatidas. Os próprios israelenses fazem isso com intensidade e frequência.

Seria reconfortante acreditar que a longa história das perseguições pertence ao passado. Que expulsões coletivas, discriminações legais e preconceitos sistemáticos são relíquias de uma humanidade menos esclarecida.

Mas a história raramente desaparece.

Com mais frequência, ela muda de linguagem.

Os símbolos se transformam. Os slogans se renovam. As justificativas se adaptam ao espírito de cada época. O impulso permanece.

É nesse ponto que se torna essencial preservar uma distinção fundamental. Criticar um governo não é o mesmo que questionar a existência de um país. Discordar de uma política não é o mesmo que negar a um povo o direito à autodeterminação nacional. E responsabilizar judeus espalhados pelo mundo pelas ações de qualquer governo não é uma forma de ativismo político. É uma das expressões mais antigas do antissemitismo.

Essa distinção tornou-se particularmente importante nos últimos anos. O aumento dos ataques contra sinagogas, escolas, centros comunitários, estudantes e instituições judaicas em inúmeros países não pode ser explicado como mera crítica à política externa de Israel. Quando judeus em Paris, Londres, Nova York, Buenos Aires ou Melbourne tornam-se alvo de hostilidade por acontecimentos ocorridos a milhares de quilômetros de distância, já não estamos diante de um debate sobre governos ou fronteiras. Estamos diante da velha ideia de responsabilidade coletiva dos judeus por eventos que ultrapassam qualquer indivíduo.

Quando a hostilidade deixa de ser dirigida a políticas, governos ou decisões específicas e passa a atingir judeus como indivíduos ou comunidades, já não estamos diante de uma crítica política.

Estamos diante do antissemitismo.

Em muitas universidades, movimentos sociais, organizações internacionais e espaços digitais, tornou-se comum ouvir que Israel seria o país mais odiado do mundo ou que quase toda a humanidade condenaria sua existência. As pesquisas mostram uma realidade mais complexa. Há críticas significativas às políticas israelenses e ao comportamento de determinados governos. Mas a questão mais interessante talvez não seja a existência dessas críticas.

A questão é outra.

Por que determinados conflitos mobilizam a consciência moral global de forma tão intensa enquanto tragédias igualmente devastadoras — e muitas vezes muito mais longas e letais — recebem atenção incomparavelmente menor?

Nas últimas décadas, guerras e crises humanitárias no Congo, Sudão, Síria, Iêmen, Somália, Haiti, Ucrânia, Venezuela e outras regiões produziram milhões de mortos, refugiados e deslocados. Algumas devastaram sociedades inteiras durante anos. Outras permanecem praticamente invisíveis para grande parte da opinião pública internacional. Fazer essa pergunta não exige minimizar o sofrimento palestino nem absolver Israel de seus erros. Exige apenas reconhecer que o sofrimento humano não deveria ser hierarquizado segundo critérios políticos, ideológicos ou midiáticos.

O humanismo verdadeiro não escolhe vítimas favoritas. Não mede a dignidade humana pela nacionalidade, pela religião ou pela utilidade política de uma causa. Ele sofre diante de todas as tragédias.

Talvez seja justamente aqui que a história volte a lançar sua sombra sobre o presente.

Ao longo dos séculos, os judeus foram frequentemente transformados em símbolo de problemas muito maiores do que eles próprios. Foram responsabilizados por epidemias, crises econômicas, derrotas militares, transformações sociais e ansiedades coletivas. Mudavam as circunstâncias. Mudava a linguagem. Permanecia a necessidade de encontrar um culpado.

É impossível olhar para essa longa história sem perceber certas continuidades inquietantes.

A questão central deste ensaio não é se um determinado governo israelense merece críticas. Evidentemente merece, como qualquer governo. Tampouco é se os palestinos merecem dignidade, segurança e um futuro. Evidentemente merecem.

Mas existe uma pergunta ainda mais difícil.

Depois de mais de dois mil anos de expulsões, perseguições, massacres, discriminações legais e tentativas de apagamento, por que o único Estado judeu do mundo continua sendo, para tantos, o único cuja própria legitimidade permanece em discussão?

Talvez não exista uma resposta simples.

Mas a própria existência da pergunta deveria nos inquietar.

Afinal, poucos povos passaram tantos séculos descobrindo que aquilo que parecia permanente podia desaparecer de uma geração para a outra. Poucos foram expulsos de tantos lugares, perseguidos sob tantas bandeiras e acusados sob justificativas tão diferentes.

A história do povo judeu não é apenas a história de uma minoria.

É a história de uma advertência.

Ela nos lembra que o preconceito raramente desaparece. Mais frequentemente, ele se adapta. Troca de linguagem, de símbolos e de justificativas, preservando intacta a convicção de que determinados seres humanos precisam explicar por que merecem existir.

E toda vez que uma sociedade chega a esse ponto, aquilo que está em julgamento não é apenas o destino dos perseguidos.

É a própria qualidade moral da civilização.


*David Gertner nasceu no Brasil, filho de judeus do Leste Europeu cujas famílias foram deslocadas pelas perseguições e turbulências que marcaram o século XX. Vive nos Estados Unidos há mais de três décadas. Escreve sobre memória, identidade, história, ética e condição humana. Mais em www.davidgertner.com.


Sócio já negociava com Jaques Wagner quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda -


Coluna CH / 19 de junho

Sócio já negociava com Jaques Wagner quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda

19/06/2026 


Da esquerda para a direita, o banqueiro Augusto Lima, Jaques Wagner (PT-BA), Daniel Vorcaro e Lula (PT)

Cláudio Humberto

Jaques Wagner vive como milionário em Salvador

O imóvel de R$2,5 milhões em Salvador, que teria sido negociado como propina para o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner, vale dez vezes menos que o apartamento de luxo no edifício Mansão Victory Tower, onde mora o senador. Fica no Corredor da Vitória, metro quadrado mais caro de Salvador. Apartamento como o de Wagner pode custar mais de R$20 milhões. O prédio do comuna que adora os luxos da burguesia tem píer privativo e teleférico para a Baía de Todos-os-Santos.

Explica aí, companheiro

Difícil é explicar como um sindicalista do PT, que chegou na Bahia com a mão na frente e outra atrás, acumulou patrimônio milionário na política.

Muro petista é bem alto

Wagner disse que a Bahia “tem muro baixo”. Oura lorota: a espetacular Mansão Victory Tower, onde mora, é protegida por muros altíssimos.

Fora dos padrões do PT

O líder de Lula disse que seria para sua filha o tal apê de R$2,5 milhões, de 203m, praticamente uma quitinete para os padrões de luxo do petista.

Trapalhada e mentira

Após a desastrosa participação como um convidado bem trapalhão do G7, Lula (PT) retornou ao Brasil como a mesma fama de mentiroso que deixou na França, após afirmar lorotas como “nunca fui esquerdista”.

Fogo petista

“Fogo amigo sempre aparece, mas eu prefiro confiar na minha relação e na confiança [de Lula]”, afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA) sobre pedidos de deputados do próprio PT para que ele deixe a liderança do governo no Senado, e críticas de Lindbergh Farias e Rogerio Correia.

Nada, ninguém, nunca

Ao declarar solidariedade a Jaques Wagner, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que, neste País, “não comemora nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado do processo”.


O mergulho do Jaques Wagner - por Hélcio Silva


O mergulho do Jaques Wagner

Por Hélcio Silva

Vão dizer que a notícia é de ontem... Não é bem assim: o texto é de hoje, assinado pelo ex-deputado e futuro senador Deltan Dallagnol.... E é sobre o mergulho do senador Jaques Wagner nas águas apodrecidas da corrupção...

Leia abaixo:


URGENTE: ALCOLUMBRE BLINDA JAQUES WAGNER!

Por Deltan Dallagnol


O Congresso tinha sessão conjunta marcada. Oficialmente, cancelaram por falta de acordo.

Mas a pergunta é: por que justamente agora? Porque numa sessão conjunta, Alcolumbre seria pressionado a ler o requerimento da CPMI do Banco Master.

Obrigação dele. E hoje a pressão explodiu: a Polícia Federal chegou a Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, em investigação ligada ao Banco Master.

O escândalo é tão grande que ele não ia poder ignorar. Aí cancelou. 

O Senado não pode ser esconderijo de político corrupto. 

Tem que ser trincheira contra corrupção, lavagem de dinheiro e crime financeiro. 

Está na hora de colocar no Senado quem lutou contra o crime.

Não quem passou a vida advogando pelo crime. O Brasil não precisa de senador para proteger governo e banqueiro amigo.

Precisa de senador para proteger o povo.

***

Tô indo... Tomar meu café, com tapioca do Maranhão.

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais que Hélcio


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A vergonha mudou de endereço - Por Alex Pipkin, PhD em Administração


A vergonha mudou de endereço

Alex Pipkin, PhD em Administração

Às vezes tenho a sensação de viver uma versão coletiva de O Estranho Caso de Benjamin Button.

Não porque a humanidade esteja rejuvenescendo. Mas porque, pela primeira vez, uma sociedade inteira parece ter decidido transformar a adolescência em ideal de vida.

Durante séculos, crescer significava descobrir uma verdade desagradável. A realidade existe.

Ela não pergunta o que desejamos. Ela não consulta nossos sentimentos. Ela não negocia com convicções. Ela apenas existe.

Tornar-se adulto era aprender a conviver com isso. Era compreender que nem todo desejo é um direito, nem toda frustração é uma injustiça e nem toda crença resiste ao confronto com os fatos.

A civilização nasceu desse aprendizado. Foi o longo processo de ensinar seres humanos a trocar impulsos por responsabilidade, vontades por consequências e desejos por realidade.

Mas algo mudou.

Pela primeira vez, não exigimos que os desejos se adaptem ao mundo. Exigimos que o mundo se adapte aos desejos.

A realidade passou a pedir desculpas.

Os fatos tornaram-se acessórios.

A identidade passou a valer mais do que os argumentos.

E, de repente, sentir virou uma forma superior de saber.

Talvez por isso a grande mazela do nosso tempo não seja a ignorância. Ignorância sempre existiu.

O que existe hoje é algo mais sofisticado.

A renúncia voluntária à lucidez.

Nunca tivemos tanta informação, tantos especialistas e tantos instrumentos para compreender o mundo.

Ainda assim, multidões preferem o conforto psicológico do pertencimento ao desconforto intelectual da verdade.

Não buscam compreender; buscam pertencer.

E é justamente aqui que a vergonha mudou de endereço.

Durante séculos, sentia vergonha quem contrariava a realidade. Hoje, sente vergonha quem contraria a tribo.

A dissonância cognitiva transformou-se em esporte coletivo.

Nunca houve tanta inteligência disponível e tão pouca coragem para utilizá-la.

Pessoas brilhantes repetem absurdos para preservar aplausos.

Instituições fingem não ver o que veem.

Intelectuais fingem não saber o que sabem.

Não escrevo isso por nostalgia.

O passado foi tão imperfeito quanto o presente.

Escrevo porque nenhuma sociedade prospera quando transforma sentimentos em critérios de verdade, quando confunde compaixão com dependência, quando substitui responsabilidade por reivindicação permanente ou quando troca pensamento por sinalização de virtude.

Talvez eu esteja deslocado. Talvez seja apenas um adulto tentando permanecer adulto numa época que decidiu transformar a adolescência em projeto de sociedade.

Mas a realidade possui uma característica inconveniente.

Ela não participa de assembleias, não aceita moções de repúdio, tampouco se curva a narrativas.

Ela apenas envia a conta.

E a história mostra que, mais cedo ou mais tarde, toda civilização acaba pagando.

Afinal, a realidade tem muitos defeitos. Mas nunca teve o hábito de perdoar dívidas.


TEMPO & INTERVALO - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


TEMPO & INTERVALO

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

O mundo está cheio de pessoas que se perderam ao longo do tempo... No entanto, alguns cientistas teóricos, afirmam que o "isso" não existe...

Se o "isso" não existe, por que a gente se perde, e se se perde, perde-se em quê? E por quê? Só pode ser no tempo ou por conta desse "isso", dito inexistente.

Os eventos estão contidos nesse "algo" que os estudiosos dizem que não existe. Ora, se os eventos existem ou existiram, estão ou estavam dentro de uma existência...

Cabe questionamentos: o que nos envelhece e nos mata, senão o tempo, que a tudo apodrece? A existência, aliada a todos os eventos estão dentro do quê?

Alguém pode responder a mim: está dentro do espaço! Nada disso me satisfaz. Sou "cismado" com essa figura misteriosa, chamada de tempo, pois o próprio espaço está submetido a ele - acredito nisso.

Tenho a mais absoluta certeza de que o próprio tempo tem me ensinado como fui construído e como sou destruído. É soberano e de quem tem "piedade", revela a lentidão, o esquecimento, etc.

Observei durante anos como minhas partes vão se esvaindo até não ter mais utilidade. Infância, adolescência, adulto e agora velho. Estou pronto para o descarte...

Por fim, tem me mostrado como toda a minha totalidade não terá, em algum momento, nenhuma utilidade...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 18.06.2026. SÃO LUÍS-MA).


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Tonturas e dores - crônica de Hélcio Silva


Tonturas e dores

Hélcio Silva

(17 / 06 / 2026)

Faz um bom tempo que não escrevo minhas crônicas. Guardo-as escondidas no esquecimento da vida!

Poesias, nem sei se as tenho mais!

Mas como toda crônica é uma poesias, guardo todas as minhas crônicas na gaveta da poesia...

 Faço uma pausa!...

Lembro Píndaro ((518-438 a.C.)...

Lembro agora: foi o primeiro poeta grego a refletir sobre a natureza da poesia e sobre o papel do poeta. Sua poesia ilustra as crenças e os valores da Grécia antiga.

Ki coisa! Nem vivi o tempo da Grécia antiga, como sei essa lembrança de Píndaro?

Tenho lembrança do Píndaro do Fluminense: Castilho, Píndaro e Pìnheiro...

Deste Píndaro lembro bem!

Hoje, quantos tempos já se passaram!...

Vivo ainda hoje na lembrança do Olavo, o nosso Bilac!

*** 

"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar entre os ramos inquietos...

Vê que luz! que calor! que multidão de insetos!

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este!"

***

Ah! Que lembrança do meu velho Liceu!

Vejo meus dias de hoje... doente!... Dores e tonturas que não passam!

Ando, pelas ruas do Cohatrac, carregando as dores a as tonturas... com o peso da diabetes, presionando a minha vida...

“Ki vida?!

Estou de volta... devagar... Muito devagar!!!

Este texto estará no meu face e no meu blog, com chamada do X - ex-twitter.

Vivo o cansaço da vida! 

Um abraço forte a todos os meus amigos e amigas

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Epístola de Paulo aos Romanos 3 - Paulo responde a objeções

 

Epístola de Paulo aos Romanos 3

Romanos 3

Paulo responde a objeções

¹ Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?

² Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.

³ E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?

⁴ De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.

⁵ Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.)

⁶ Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?

⁷ E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?

⁸ E por que não dizemos, como alguns, caluniosamente, afirmam que o fazemos: Pratiquemos males para que venham bens? A condenação destes é justa.

⁹ Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado;

¹⁰ como está escrito: Não há justo, nem um sequer,

sábado, 30 de maio de 2026

Não é contra o Brasil, é uma medida contra o PCC e o CV - Artigo de Martin de Luca


Não é contra o Brasil, é uma medida contra o PCC e o CV

Espantalho da "intervenção militar" serve mais para criar pânico político do que para explicar o direito aplicável

Martin de Luca*

29/05/2026

O argumento de que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos “ameaça a soberania brasileira” inverte completamente o problema.

A ameaça à soberania brasileira não vem dos EUA reconhecer a realidade. A ameaça à soberania brasileira vem de facções criminosas que controlam territórios, impõem regras paralelas, aterrorizam populações civis, corrompem agentes públicos, lavam bilhões, traficam drogas e armas através de fronteiras e projetam sua atuação para além do Brasil.

Soberania é a capacidade efetiva do Estado de controlar seu território, proteger sua população e impedir que organizações criminosas substituam o poder público.

O argumento de que PCC e CV não poderiam ser tratados como organizações terroristas porque “não têm bandeira política” é juridicamente estreito e empiricamente ingênuo. Essas organizações talvez não publiquem manifestos ideológicos como grupos revolucionários clássicos. Mas exercem poder político no sentido mais concreto possível porque controlam comunidades, intimidam autoridades, influenciam eleições, paralisam cidades, impõem toque de recolher, ordenam ataques contra agentes públicos e usam violência sistemática contra civis para preservar domínio territorial e econômico.

A designação americana não transforma o Brasil em alvo. Ela mira organizações criminosas específicas que representam ameaça transnacional. Também não autoriza automaticamente intervenção militar em território brasileiro. Esse espantalho serve mais para criar pânico político do que para explicar o direito aplicável. O efeito concreto da designação é ampliar ferramentas contra financiamento, logística, facilitadores, lavagem de dinheiro, movimentação internacional, apoio material e redes de suporte. Ou seja onde essas facções são mais vulneráveis.

Também é curioso ouvir preocupações abstratas com soberania quando as principais vítimas da perda de soberania são os brasileiros que vivem sob domínio criminoso. Para a mãe que não pode sair de casa porque uma facção decretou toque de recolher, para o comerciante extorquido, para a família atingida por guerra territorial, para o policial assassinado e para a comunidade abandonada à governança criminal, a soberania brasileira já foi violada há muito tempo — não por uma designação americana, mas pelo poder armado das facções.

A pergunta correta é por que o Estado brasileiro permitiu que essas organizações crescessem a ponto de se tornarem uma ameaça hemisférica. Se o Brasil tivesse desmantelado sua infraestrutura financeira, contido sua expansão internacional, protegido suas fronteiras, impedido sua infiltração institucional e recuperado os territórios dominados por facções, talvez EUA não tivesse sentido necessidade de agir.

Isso não é uma medida anti-Brasil. É uma medida contra o PCC e o Comando Vermelho. O verdadeiro ato pró-Brasil é reconhecer que o povo brasileiro é a primeira e maior vítima dessas organizações e que a cooperação internacional contra elas deve ser bem-vinda, não tratada como ofensa nacional.

O Brasil deveria responder não com indignação performática, mas com cooperação, inteligência financeira, extradições, bloqueio de ativos, repressão à lavagem de dinheiro e uma estratégia nacional séria para recuperar territórios dominados pelo crime organizado.

A soberania brasileira não será protegida defendendo a sensibilidade diplomática de facções criminosas. Será protegida destruindo o poder delas.

*Martin De Luca é advogado atuante nos Estados Unidos.
Texto transcrito das redes sociais do autor.


Epístola de Paulo aos Romanos - Romanos 2 - Os gentios e os judeus igualmente culpados. O juízo de Deus


Epístola de Paulo aos Romanos

Romanos 2

Os gentios e os judeus igualmente culpados. O juízo de Deus

1 Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas.

2 Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas.

3 Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus?

4 Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?

5 Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,

6 que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento:

7 a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;

8 mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.

9 Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego.

10 glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.

11 Porque para com Deus não há acepção de pessoas.

12 Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O dia em que o hospício fiscal ficou sem clientes - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


O dia em que o hospício fiscal ficou sem clientes

Alex Pipkin, PhD em Administração

Durante décadas, a Argentina viveu sob uma das fraudes psicológicas mais sofisticadas já produzidas pela política.

A fraude não era econômica. A economia era apenas a fatura que chegava depois.

O truque consistia em convencer milhões de pessoas de que a única instituição capaz de salvá-las era exatamente a instituição que as tornava dependentes.

Primeiro vinham a inflação, os déficits, os controles de preços, a destruição da moeda, a insegurança econômica e a corrosão silenciosa da capacidade de planejamento das famílias.

Depois surgia o Estado oferecendo proteção contra os estragos que ele próprio havia produzido.

Era o incêndio administrado por um corpo de bombeiros que chegava ao local carregando gasolina.

O peronismo transformou esse mecanismo em cultura nacional. Não vendia apenas políticas públicas. Vendia uma visão de mundo; a crença de que riqueza pode ser distribuída antes de ser produzida, de que prosperidade nasce de decretos e de que o indivíduo é incapaz de caminhar sem a tutela permanente do poder.

Por isso, a grande ruptura promovida por Milei talvez não tenha sido, em sua essência, econômica. Foi psicológica.

Ele compreendeu algo que boa parte dos economistas costuma esquecer. Sociedades raramente abandonam ideias ruins porque encontraram argumentos melhores. Abandonam-nas quando a realidade se torna insuportável.

Milei retirou a maquiagem do cadáver.

Busca