TRAPOS & RELÍQUIAS
Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta
Como sou apaixonado por objetos, principalmente, fotos antigas. Sinto, por exemplo, uma profunda saudade das ausentes bancas de revistas, onde trocava-se figuras repetidas, afim de completar os nossos álbuns de "figuras".
Comprar revistas de faroeste e de heróis infalíveis, principalmente, era uma verdadeira aventura. Era prazeroso - fazia parte de uma época. Meu Deus, esse tempo passou, não existe mais, senão nas minhas reminiscências.
Hoje, constato que "evoluímos" para a cibernética, onde computadores e celulares de última geração se apresentam no lugar de tudo de bom que era do antigamente...
O peão, a baladeira e o bom carrinho de lata, etc., ficaram para trás. Cederam lugar para outros entretenimentos que tenho como obrigação, duramente de me acostumar.
O ser humano está usando sua inteligência numa tentativa de melhorar, mas as lembranças deixadas machucam em forma de uma ruptura brusca, criadora de uma cratera, chamada, saudade.
Uns dizem: tudo tem sua hora, desde gente até os objetos tecnológicos. Isso é verdade. Meu mundo passou e esse no qual estou agora inserido, parece não me caber.
Sinto saudade de uma época, em que as pessoas tinham mais tempo umas para as outras. Tudo, atualmente ficou apressado e de forma paradoxal, mais distante, gerando pessoas (seres) sozinhos...
É fato que agora não somos "vigiados ou protegidos" por nossos pais, e sim por consciência maquinal, cheia de engrenagens, introduzidas sutilmente em nossas vidas...
O que será de um homem como eu, cheio de saudade e vivendo num mundo alheio? Sinceramente, não sei. Essa pergunta devo fazer a mim mesmo. Então eu faço: Eu, qual tua posição?
(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 19.5.2026. SÃO LUÍS-MA).

.jpg)









