sábado, 21 de março de 2026

TRAGÉDIA MORAL - Artigo de Miguel Reale Junior - Acadêmico da Academia Paulista de Letras


TRAGÉDIA MORAL

Acadêmico: Miguel Reale Junior*

O arcabouço político do País está corroído e a responsabilidade em grande parte se deve ao presidencialismo de cooptação e ao sistema eleitoral


Tragédia moral

Com aperto na garganta nos perguntamos se o Brasil tem jeito. A resposta, revestida de muitas dúvidas, exige um retrospecto.

A corrupção como forma de obtenção de apoio parlamentar, antes eventual, se institucionalizou com o mensalão. Minoritário na Câmara dos Deputados, o governo conseguiu a partir de 2003 a adesão de parlamentares de outros partidos mediante a entrega a eles de importâncias contínuas advindas de contratos fraudulentos com empresas de publicidade, gerando o conhecido mensalão. Julgado em 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na condenação de vários líderes partidários.

Esse processo não teve o condão de intimidar, pois enquanto se desenrolava o julgamento no STF instalou-se o petrolão, com ramificações em outras estatais. Constitui-se um tripé: empresas construtoras, diretores de empresas estatais e agentes políticos de diversos partidos.

Obras e equipamentos adquiridos com sobrepreço geravam, com anuência de diretores de estatais, recursos que eram distribuídos a agentes políticos e partidos, em geral fora de época eleitoral. Dessa forma, garantia-se a manutenção desses diretores e dos contratos sobrefaturados, dando os congressistas de muitos partidos, em contrapartida, apoio ao governo.

Descoberta a trama no Paraná, estabeleceu-se a competência da vara de crimes financeiros, a 13.ª Vara Federal de Curitiba, cujo titular era Sergio Moro – competência esta contestada pelas defesas dos acusados, mas confirmada em instâncias superiores. No STF, chegou-se a dizer (Inq. 4130 QO/PR) haver liame entre os inquéritos da Operação Lava Jato e que, “sejam crimes ligados à Petrobras ou não, estão todos inseridos no mesmo contexto”, revelando um modo de governar de organização criminosa estruturalmente ordenada, sendo talvez o “maior caso de corrupção do mundo”.

Houve diversas colaborações premiadas (delações), que constituem negócios jurídicos processuais penais por via dos quais o Estado, detentor do uso legítimo da força, abre mão de parcela do seu poder de punir para receber em contrapartida confissão acompanhada de provas consistentes, especialmente documentais, do esquema de corrupção. Não é tortura ou constrangimento ilegal, mas ameaça legal, redundando em acordo, acompanhado por grandes advogados, em benefício do delator, de um lado, com pena reduzida ou até impunidade; e da acusação, de outro, por conhecer meios para a obtenção de provas dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Mas os responsáveis pela acusação e pelo julgamento se arvoraram em salvadores da Pátria e agiram não como partícipes da administração da justiça, mas como agentes políticos, comprometendo a imparcialidade em inadmissível conluio entre promotor e juiz. Anularam-se processos com base nessa evidente violação do devido processo legal.

Além deste vício do comprometimento do juiz, não houve garantia de incolumidade das provas digitais colhidas. No entanto, não há sentença absolutória ou prova da inverdade da corrupção. Assim, anulados os processos, ou se deu a prescrição ou foram erradamente enviados, pelo STF, à Justiça Eleitoral, em vista de o dinheiro ter sido destinado aos partidos políticos, o que não faz o crime ser eleitoral.

A Justiça Eleitoral, por sua vez, não tem estrutura para se encarregar de maxiprocessos. A apuração dos fatos deixou, então, de ser feita e prevaleceu a narrativa falsa de nada ter havido. A impunidade venceu, apesar de as provas estarem depositadas nos processos paralisados. A permissividade ganhou espaço.

O apoio político, antes alcançado pelos contratos fraudulentos do mensalão ou do petrolão, passou a ser adquirido graças a outra forma de apropriação, as emendas parlamentares, por via das quais os congressistas abocanham R$ 60 bilhões da receita disponível, ganhando trunfos nos seus redutos eleitorais, financiando a compra de tratores (com muitos desvios de verbas), a construção de estradas, pinturas de escolas, sem planejamento da administração pública, com obras soltas no varejo.

O clima do vale-tudo passou a prevalecer e o exercício da influência se espalhou, atingindo até mesmo a advocacia, pois o advogado passou a valer não por seu conhecimento e sua arte argumentativa, mas por sua capacidade de interferência no gabinete de ministros. A advocacia passou a ser lobbycacia.

O ápice desta tragédia moral deu-se no caso Banco Master, dirigido por quem soube explorar as fragilidades e vaidades, trazendo para seu campo aqueles que poderiam agir em seu benefício, inclusive comprometendo, segundo consta, autoridades em festas de arromba, instalando a Farra Futebol Clube.

O arcabouço político está corroído, palco de comércio, e a responsabilidade em grande parte se deve ao presidencialismo de cooptação e ao sistema eleitoral, que não atuam em favor da instalação de lealdades políticas, pois indutores da compra e venda de apoio. Não há adesão a programas de governo e à prevalência do interesse público.

O Brasil depende novamente de sua pujante sociedade civil, que deve exigir correções do disfuncional sistema político.

*Miguel Reale Junior - Acadêmico da Academia Paulista de Letras

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo/Opinião, em 07 03 2026


sexta-feira, 20 de março de 2026

O CURTO HORIZONTE DOS GOVERNOS - Acadêmico: José Renato Nalini, membro da Academia Paulista de Letras


O CURTO HORIZONTE DOS GOVERNOS

Acadêmico: José Renato Nalini*

Apesar da urgência do dia a dia, é preciso pensar a longo prazo. O conceito de ‘alfabetização de futuro’ é instigante. O futurismo é o trabalho da imaginação a construir imagens das coisas que ainda vão acontecer. O mundo precisa de líderes que pensem a longo prazo e que não sejam imediatistas como os atuais


O curto horizonte dos governos

A coordenação da vida social é hoje entregue a cidadãos eleitos, que em nome da sociedade, fazem a gestão do interesse comum. O velho modelo doutrinário é o da Democracia, governo do povo, pelo povo e para o povo. Ainda não se desenvolveu um padrão diverso daquele que se apregoa como o ideal: um Estado de Direito de índole democrática.

Na lição inesquecível de Charles de Secondat, Barão de Montesquieu, o poder precisaria se tripartir, para não ser abusivo. O mais relevante recebe a incumbência de legislar. Elabora as “regras do jogo”. Administrar, tarefa do Executivo, é aplicar a lei. Julgar, missão do Judiciário, é aplicar a lei aos conflitos. Todavia, o elemento imprescindível é sempre a lei.

Só que, na prática, não é bem isso o que acontece. A política partidária se converteu numa verdadeira profissão. Não raro, ou melhor, em inúmeros casos, profissão hereditária.

A lei vem a reboque da realidade. O parlamentar não tem condições de antever o que acontecerá e sempre “corre atrás” do prejuízo. Isso é grave quando os ciclos de inovação ocorrem amiúde, cada vez mais rápido e em intervalos que se encurtam a cada momento.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Quem acredita em pesquisa? - minha pequena crônica de hoje - Hélcio Silva

Quem acredita em pesquisa?


Hélcio Silva

19 / 03 / 2026

O ano de 2026 já está nas barcas de março, enfrentando os mares bravios da política e trazendo a notícia de que a aprovação do Governo Brandão é maior que o Governo Lula no MA.

Ufa... onde está o fato?

Quem disse?

“A Pesquisa Quaest, contratada pela TV Mirante, também quis ouvir do eleitor maranhense sobre a avaliação dos governos estadual e federal.

No levantamento, o governador Carlos Brandão (sem parido) está mais bem avaliado que o presidente Lula (PT) no Maranhão.”

Nenhum nem outro tem aprovação do povo...

Brandão - segunda a pesquisa - tem sua gestão aprovada por 64% dos maranhenses, enquanto que 25% desaprovam, sendo que 11% não sabe ou não opinou.

A única pesquisa verdadeira será no dia da eleição...

Aliás, os únicos números verdadeiros, em dias de hoje, estão sentados na mentira...

Vamos ter mentiras contraditórias ao longo das eleições...

Neste peso pesado das comparações, nada há diferente entre Lula e Brandão.

Cada lado joga com seus números, ao gosto de suas vontades...

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


quarta-feira, 18 de março de 2026

Tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

FICCO/MA deflagra Operação Íctio contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.


- As investigações apontam que o grupo criminoso atua na distribuição de cocaína e crack em comunidades da Grande São Luís (Foto: Divulgação)18/03/2026

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Maranhão (FICCO/MA) deflagrou, nesta quarta-feira, 18, a Operação Íctio, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas em larga escala e à lavagem de capitais.

As investigações apontam que o grupo criminoso atua na distribuição de cocaína e crack em comunidades da Grande São Luís (MA). Os investigados utilizavam empresas de fachada, movimentações financeiras fracionadas e interpostas pessoas para ocultar e dissimular valores provenientes de atividades ilícitas.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 30 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados do Tribunal de Justiça do Maranhão, nos municípios de São Luís (MA), São José de Ribamar (MA), Paço do Lumiar (MA), Barreirinhas (MA), Juazeiro do Norte (CE), Vila Velha (ES) e Itapema (SC).

Antes do sol... por Hélcio Silva - 18 / 03 / 26

Antes do sol...

Hélcio Silva


18 / 03 / 26

Estou abrindo a porta de minha choupana entes do Sol entrar com seus raios de luz que a tudo mostra.

Na minha choupana simples e no meio das matas não encontrei as lamentações dos ememdeiros... Maranhãozinho sumiu...

Aliás, o Sol não mostrou tudo sobre o choro dos órfãos do deputado Maranhãozinho, o rei das emendas...

Raios de tempos sisudos - espantados - não me mostraram a nomeação em tempo real para comandar a pasta da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão... Brandão abriu a janela e leu a nota... Abriu o papel e leu o texto:

“a coronel da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), Augusta Andrade, é nova secretária à frente da pasta de Segurança Pública (SSP) do Estado."

Foi uma novidade...

Bateu o martelo... E pronto!

No terraço, ao pezinho de um boldo, um rouxinol anuncia a nova bomba:

"PT todo enrolado!!! Banco Master paga empresa de nora de Jaques Wagner"

Qual a novidade, tratando-se do PT? ... tudo normal!!!...

 Wagner é gente de Lula, ligadissimo a Lula...

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (16) que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar a perda do cargo de magistrado, e a consequente perda de salário, como a maior punição por violações disciplinares.

Ou seja, a aposentadoria compulsória deixa de ser a principal sanção para casos mais graves. A medida era duramente criticada porque afastava o juiz da função, mas mantinha a remuneração mensal proporcional ao tempo de serviço.

A medida vale para juízes e ministros de todos os tribunais, menos o Supremo Tribunal Federal (STF).

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Por que o pessoal do STF tá fora?

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


terça-feira, 17 de março de 2026

STF condena sete réus por desvio de emendas parlamentares destinadas a município do Maranhão


STF condena sete réus por desvio de emendas parlamentares destinadas a município do Maranhão 

Para a 1ª Turma, grupo usou emendas como moeda de troca.

17/03/2026

 


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (17), sete dos oito réus da Ação Penal (AP) 2670. Entre os condenados por corrupção passiva estão os deputados federais Josimar Cunha Rodrigues (PL-MA), conhecido como Josimar Maranhãozinho, e Gildenemir de Lima Sousa (PL-MA), conhecido como Pastor Gil, além do ex-deputado João Bosco da Costa (PL-SE), conhecido como Bosco Costa, e mais quatro réus. Eles foram acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de cobrar propina para destinar recursos ao Município de São José de Ribamar (MA) por meio de emendas parlamentares.  O colegiado discute, no momento, a dosimetria da pena a ser aplicada.

Prevaleceu no julgamento o entendimento do relator, ministro Cristiano Zanin, de que a PGR comprovou a correlação entre a conduta dos parlamentares (destinar as verbas) e a solicitação da vantagem, caracterizando o “tráfico da função pública” ou a venda do ato de ofício.  

Por falta de provas, Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil, Bosco Costa, João Batista Magalhães e Thalles Andrade Costa foram absolvidos da acusação de participação em organização criminosa. De acordo com o colegiado, não ficou provado que os réus pertencessem a uma organização estruturada para cometer outros crimes contra a administração pública. Thales foi denunciado apenas por esse crime.

Fonte - STF 


AS VIAGENS DE CARINA - Acadêmico: Gabriel Chalita, escritor membro da Academia Paulista de Letras

 

AS VIAGENS DE CARINA

Acadêmico: Gabriel Chalita*

Uma luz saía dos seus olhos. Talvez fosse o sol atravessando as folhas da árvore e apresentando de forma graciosa aquela mulher.

As viagens de Carina

Fui para o sítio de uma amiga nos descansos da Serra da Mantiqueira. Era um dia bom para amar. Um dia bom para tomar água.

A água que desce da fonte é
alimentadora de significados.  Tanta pureza no nascer. Depois de tempos de percursos, a água pura se envolve com um rio que traz outros elementos. E a beleza dos inícios se perde no poluído. 

Carina é uma senhora que mora perto do sítio e que cultiva horta e pomar e, também, conversas. Minha amiga disse que eu haveria de gostar da prosa. Ela estava em conversas com ninguém. Silenciou quando nos viu. E prosseguiu:"Estão crescendo bonitas, não acham?".

Olhei para a horta, tão verdejante. As laranjas ao lado também, o sabor da frescura do amanhecer. Minha amiga nos apresentou. Ela se disse honrada. Sempre diz isso. Qualquer encontro é uma honra para ela. Afinal, são vidas que se olham, vidas que falam, vidas que escutam, vidas que devem beber a água limpa do amor. 

Ela falou do dia lindo. Eu disse que o triste era a guerra. Ela concordou dizendo que toda guerra é triste. Percebi que ela não sabia muito da guerra, das guerras. 
"Tão longe". Eu disse que, embora fosse longe, eram humanos, irmãos nossos morrendo. Ela concordou repetindo: "Irmãos nossos". 

Milagre estatístico dos trópicos - artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


Milagre estatístico dos trópicos

Alex Pipkin, PhD em Administração

Quando a estatística passa a servir ao poder, a realidade torna-se opcional.

Nos trópicos, medir deixou de ser descrever; passou a ser fabricar.

O país tornou-se uma sofisticada máquina de ilusões, onde a intelligentsia de turno já não se dedica à economia, mas à engenharia narrativa da realidade.

O IBGE, antes um organismo técnico respeitável, converteu-se em um laboratório estatístico, onde números são processados até confessarem a prosperidade exigida pela paróquia governamental.

A narrativa do pleno emprego é uma das engrenagens centrais dessa arquitetura de ficção. Trata-se de uma construção política que só se sustenta na mente dos operadores da narrativa e na resignação de quem se acostumou a aceitar propaganda como substituta da realidade.

As emendas do pastor e do Josimar

Julgamento de Josimar é hoje

As emendas do Pastor na barca do deputado



Para informar a todos ou a quem interessar, li, nesta manhã, no blog do Jorge Aragão, a notícias envolvendo os deputados Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil, na enrolada das emendas.

Leio a notícia “Por devegar ou por não ter pressa”  vejo abaixo no texto:

"Na parte da tarde desta terça-feira (17), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir o julgamento do processo penal contra deputados acusados de irregularidades com emendas parlamentares. Os três deputados neste processo são do PL e dois do Maranhão – Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil.

Vale destacar que é a primeira vez que o STF julga um processo sobre uma eventual condenação por desvio de emendas parlamentares.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos deputados federais e os acusa de corrupção passiva e organização criminosa. Na denúncia, a PGR aponta que os deputados cobraram propina R$ 1,6 milhão para garantir a liberação de R$ 6,6 milhões em emendas de saúde destinadas ao município de São José de Ribamar (MA)."


Estado de saúde de Bolsonaro


Estado de Saúde de Bolsonaro

Hoje, (ontem)16 de março de 2026, Carlos Bolsonaro atualizou o estado de saúde do presidente Jair Bolsonaro após visitá-lo no Hospital DF Star.

Segundo ele, Bolsonaro foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas segue com pneumonia bacteriana persistente, respiração muito debilitada e um quadro ainda delicado, exigindo monitoramento constante e cuidados intensivos.

É um momento que exige sensibilidade e oração. Estamos falando de uma vida em luta, enfrentando um quadro sério e que inspira muita atenção.

Que Deus fortaleça o presidente Jair Bolsonaro, sustente sua família e dê sabedoria à equipe médica. Seguios com fé, esperança e o coração voltado pela sua recuperação.


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