terça-feira, 1 de setembro de 2026

ACÁCIAS & PALIDEZ - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



ACÁCIAS & PALIDEZ

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Enquanto não acontecem os meus sonhos; enquanto os meus sonhos não passam de sonhos;

enquanto o que acredito é loucura para os outros;

enquanto os outros acham que tudo é loucura, tenho que esperar uma eternidade para ter a certeza de quem tem, realmente razão: se o odor das flores

ou os perfumes dos outros...

Estou fazendo minha parte, acredito... Acredito na acácia que serviu de cruz para Deus e nos acúleos que cose minhas vestes rotas,

estas mesmas que sugam o suor da minha fronte de sal, de sal, de sal...

Por isso, tenho, no meu jardim, uma dessas árvores com acúleos ... Vez outra, fito-os à distância

e, mesmo assim, sinto dores intensamente...

Tenho que cumprir com o meu destino... Sou um predestinado, às vezes acossado, restando-me apenas acácias amarelas no meio do meu jardim...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 01.09.2026. SÃO LUÍS-MA)


Poeta Sertanejo - Canta a seriema lá no cerrado, o galo no batido da asa também...


Poeta Sertanejo

 01 / 09 / 2026

Canta a seriema lá no cerrado, o galo no batido da asa também, já deu o seu recado.

O chaminé está funcionando e o caboclo, está acordado.

João de barro está no pé do eito, mostrando ser um bom sujeito, vai trabalhando animado.

Ao contrário do que diz a música, a dona Joaninha está sempre ao lado.


Galinhada no terreiro, é igual formigueiro esparramado.

Sinto a presença de Deus, quando vem a barra do dia.

No mangueirão é bonito ver a leitoada, junto as porcas de cria.

A festa da natureza está por todo lado.

Na orquestra dos passarinhos, nas capivaras no banhado.

Na plantação de café e milho, também no arrozal cacheado.

Está no peito do sertanejo, que vive sossegado.

Sua felicidade está nas vacas leiteiras, também no cavalo arreado.

No canto do sabiá, que em liberdade canta apenas por agrado.

Sua felicidade está nos braços de Maria, também nas graças de poder levantar mais um dia, se sentindo abençoado.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

UM NINHO NA MEMÓRIA - Artigo de Gabriel Chalita, Acadêmico da Academia Paulista de Letras


UM NINHO NA MEMÓRIA

Acadêmico: Gabriel Chalita*

A minha alma é ninho. Quem quiser se aconchegar que venha. E voe, quando quiser.


Um ninho na memória


Havia uma senhora na cidade da minha infância que gostava de passarinhos. Lembro-me com carinho das feições do seu rosto, da voz que amansava a vida, do nome de santa, Teresa.

Mesmo em dias de chuvas fortes, em que as árvores do seu quintal enlouqueciam, ela aguardava o tempo bom. E dormia depois do almoço, sei disso porque, não poucas vezes, almoçava com ela. E com seu neto, Gustavo, da minha idade. Ela pedia licença para se distrair do dia e descansar o pensamento.

No quintal, havia uma espécie de tanque aumentado que usávamos como piscina, em dias quentes. E tinha a Fabiana, a outra amiga inseparável.

Teresa era viúva. Gostava de falar sobre o marido. Sobre as viagens que fizeram juntos. Uma vez, foram ao estrangeiro e receberam a bênção do papa. Ela nunca se esqueceu. E nunca deixou de dizer daquela viagem tão longe e tão perto na sua memória.

Na casa de Teresa, havia passarinhos. Havia ninho de passarinhos. E ela gostava de ver os nascimentos, os piados, os barulhos, o canto. Fabiana falava dos passarinhos do seu pai, criados em gaiolas. Falava com tristeza. Não queria que eles fossem presos. Falava do irmão que armava um alçapão para pegar. Eu também ficava triste. Imaginava uma família de passarinhos passeando e um deles, por distração, preso em um alçapão. Que dor para aquela família. Que covardia para quem armava para prender, para fazer sofrer.

OS CICLOS DA VIDA, por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


OS CICLOS DA VIDA

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís - Maranhão-Brasil

A vida nunca caminha em linha reta. Ela se movimenta em ciclos, como as marés, como as estações, como o sol que desaparece no horizonte apenas para nascer novamente do outro lado da noite.

Há dias em que tudo parece iluminado. O coração acorda disposto, os caminhos se abrem e até os pequenos acontecimentos parecem carregar alguma espécie de felicidade. São os dias de sol da alma.

Mas também chegam as nuvens.

Há momentos em que não conseguimos compreender determinadas perdas, certas ausências, alguns silêncios. Perguntamos por quê. Procuramos respostas. E descobrimos, muitas vezes, que a vida não responde imediatamente. Ela prefere ensinar devagar.

O tempo é um professor silencioso.

Aquilo que ontem parecia insuportável, amanhã talvez seja compreendido como aprendizado. A dor não deixa de ter doído, mas passa a ocupar outro lugar dentro de nós. E, quando percebemos, já estamos novamente caminhando.

Talvez seja esse um dos maiores segredos da existência: sempre existe um recomeço escondido depois de alguma despedida.

Povo do Meu Agrado...


Povo do Meu Agrado



31 / 08 / 2026

**Bom dia! Tem dia que começa com cheiro de feira e gosto de tradição.**

 


Que hoje não falte alimento na mesa,

coragem para trabalhar,

saúde para seguir a caminhada

e um sorriso bonito no rosto.


Assim como o pescador traz o peixe,

que a vida também traga pra nós

uma boa pescaria de paz,

alegria e esperança.

 

**Bom dia, meu povo! Que Deus abençoe nossa caminhada e nossa feira.**

 *****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Se não fosse o amor que se instalou no meu peito...


Poeta Sertanejo

31 / 08 / 2026

Se não fosse o amor que se instalou no meu peito, eu não sofria assim desse jeito por aquela ingrata.

Porque a dor dos desprezo, é lança, que fere e maltrata.

Estou indo em busca da minha felicidade.


Estou deixando a cidade, vou viver entre meio as matas.

Volto pra minha terra hoje de madrugada.

Já está tudo certo, as coisas estão arrumadas.

A dor que trago no peito, nas águas do ribeirão, depois um mergulhão serão afogadas.

A tristeza vou deixar, pelos caminhos esparramada.


No galope do tordilho, que feito eu não se entrega por nada.

Estou indo embora de volta pro meu sertão.

Trouxe o peito vazio, mas levo a tristeza no coração.

Mas também levo a certeza, que cidade não é lugar de peão.

Vou atrás de uma caboclinha lá da minha região.

Não vou deixar o desprezo, tirar de mim a razão.

Sou filho do mato, o mato é mesmo minha paixão.

Bom dia meu povoooooo

Uma semana ricamente abençoada para todos vocês


ROSAS & VASOS por Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor


ROSAS & VASOS

Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor



O tempo para quando

o vaso que abriga uma

roseira deixa de ser vaso;

quando a roseira frondosa

deixa de produzir rosas;

quando o espinho pontudo

deixa de ferir;

quando uma notícia é

recebida e tudo

cai das mãos;

quando não se tem

vontade de juntar os pedaços...

Chove em mim...

Oh! Mas quanta aridez

existe no jardim de Deus!

Eu me lembro:

o tempo era contínuo,

progressivo, eterno

– infinito!

Agora não é mais...

Oh! O que fiz?

Não sou mais vaso,

não abrigo roseira,

tampouco rosas

nem espinhos...

Sou a fatalidade,

um monte de areia

aliado a fragmentos

de nada...


(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 31.08.2026. SÃO LUÍS-MA).

 

As maravilhas do tempo - Artigo de Dom Paulo Mendes Peixoto


As maravilhas do tempo

Dom Paulo Mendes Peixoto*

A vida é um mistério, realidade que encanta e desencanta. Existem sim muitos encantos e estímulos que nos impulsionam a viver bem, com a esperança de novidades saudáveis e motivadoras de felicidade. Na prateleira dos encantos, estão também os desencantos, a convivência do bem e do mal juntos, exigindo de nós o exercício do discernimento. Temos que fazer nossas escolhas.

Não tem como a gente não estar envolvido com realidades do tempo. Somos todos conduzidos por uma cultura tecnológica sem retorno. É um processo de massificação e descaracterização de nossa identidade. Tudo é maravilhoso, que contamina e conduz à alienação. Por detrás da Inteligência Artificial (IA) está um grupo manipulador e concentrador de dados, com capacidade para ideologias de exclusão.

Temos fenômenos naturais: relâmpagos, trovões, granizos, terremotos etc. A IA está se tornando um outro fenômeno, não natural, mas com potencial inimaginável. Sem dúvida, é sinal de potencial humano, mas não pode descartar o mistério da ação divina. A máquina não consegue amar, os algoritmos não ultrapassam os limites de uma concatenação de dados, portanto, não é ato humano.

A tônica divina é a vitória do bem sobre o mal. Assim foi a morte de Cristo na Cruz, abrindo caminho para a realidade eterna da vida. A IA nunca vai se prestar para isto, porque escapa a ela o mistério que envolve a vida humana. Ela pode, e isto acontece, ajudar a antecipar realidades de mistério, caso seja usada para construir o bem, a fraternidade e o amor solidário.

Preocupa-nos a dimensão que a inteligência artificial pode dar às mentiras, falsidades, fake news, principalmente agora em ano eleitoral. Ela tem capacidade manipuladora e de desviar a atenção e a intenção das pessoas. Pode mostrar a face podre de um candidato de forma totalmente trabalhada. Agora, o importante é não cair nas suas armadilhas, nos encantos, que trazem desencanto e sofrimento.

As novidades são maravilhosas. A Bíblia fala que o anúncio do Anjo a Maria foi uma novidade (Lc 1,26-38). Isto se consolida nos encantos de vida, no relacionamento, na convivência e no calor humano. A IA, com toda sua pujança, não pode impedir o verdadeiro sentido da vida, transfigurada no absoluto mistério de Deus. A vida é muito mais bela e maravilhosa, que ultrapassa os algoritmos.

*Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo metropolitano de Uberaba


domingo, 30 de agosto de 2026

SOB O OLHAR DE DEUS - Por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

 



SOB O OLHAR DE DEUS



Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão-Brasil

30 / 08 / 2026

Há momentos em que a vida parece diminuir o passo apenas para nos permitir pensar. Pensar no que somos, no que fazemos aqui e, sobretudo, no estranho e maravilhoso mistério de existir.

Basta observar a natureza.

O vento passa pelas árvores e, sem que ninguém lhe ensine música, transforma folhas em instrumentos. A mata responde com seus próprios sons. Uma semente rompe a terra, uma flor se abre silenciosamente, um pássaro anuncia a manhã. Tudo acontece sem aplausos, sem holofotes, sem a necessidade de provar coisa alguma.

Talvez esteja aí uma das grandes lições da existência.

A natureza simplesmente cumpre o seu destino.

Nós, seres humanos, ao contrário, passamos boa parte da vida procurando respostas. Queremos saber de onde viemos, para onde vamos, por que sofremos, por que amamos e qual o propósito de carregarmos um espírito dentro desta temporária morada chamada corpo.

Mistério?

Certamente.

Mas talvez o mistério não tenha sido criado para ser totalmente explicado. Algumas coisas foram feitas para serem sentidas.

O amor é uma delas.

Quanto mais aprendemos a amar sem cobrar, sem exigir, sem transformar afeto em moeda de troca, mais começamos a compreender dimensões da vida que a razão, sozinha, não alcança.

Nascemos de um gesto de amor e, desde o primeiro sopro, iniciamos uma caminhada particular. Os caminhos aparecem diante de nós, as escolhas se multiplicam e cada pessoa precisa descobrir qual estrada deseja percorrer.

É justamente aí que começam muitos dos nossos desencontros.

DIA NACIONAL DO PERDÃO - Por Antônio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO PERDÃO

30 / 08 / 2026 

Por Antônio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



Por que não posso perdoar aquela abelha pela ferroada que me deu?

Intrépido subi nas alturas daquela árvore e peguei todos os favos de mel. E de muitas, uma delas não gostou.

O mel, lógico, muito doce, mas a reação daquela abelha me fez chorar - foi amarga...

Lembro que Jesus perdoou a todos que lhes fizeram mal, embora escarnecido naquela cruz.

Hoje é o dia do perdão. Acredito que aquela abelha me perdoou, pois para com ela já o fiz há muito tempo.

O perdão é um ato nobre que nos ensinou amarga e naturalmente, o Nazareno.

Peço, portanto, perdão de todos os meus pecados e pelas ofensas que, voluntária ou involuntariamente pratico, e ainda sou capaz de cometer.

É a proximidade mais imediata que temos com o divino, reconhecer o mal praticado e perdoar a quem, por vez, também nos fez o mesmo.

Eu peço perdão pela minha intrépida juventude sem limites; peço perdão ao meu corpo cheio de cicatrizes...

Enfim, peço perdão pelos meus erros sucessivos e pela minha cegueira e desleixo diante da verdade.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 30.08.2026. SÃO LUÍS-MA)


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