sábado, 18 de abril de 2026

Táxi Aéreo Vorcaro - Artigo de Ruy Castro


Táxi Aéreo Vorcaro

 Ruy Castro

De tanto ler que o juiz Fulano, o senador Beltrano e o deputado Cicrano voaram "nas asas de Daniel Vorcaro", apelei para a IA a fim de saber mais. Recebi como resposta: "Daniel Vorcaro não tem asas. Seus membros posteriores, como os de qualquer ser humano, são braços. Talvez a pergunta se refira à sua frota de aviões particulares, entre os quais jatinhos dos quais se serviram diversas autoridades. Mesmo nesse caso, elas não voaram nas asas dos jatinhos, mas dentro das aeronaves. ‘Voaram’ é uma metáfora. Na verdade, viajaram confortavelmente sentadas e presas aos assentos por cintos de segurança".

Gosto da IA porque ela nos oferece ângulos sobre os quais não tínhamos pensado. A idéia de um Vorcaro de asas, como o Ícaro do mito grego, é perfeita. O herói saltou de um penhasco em Creta com as asas construídas por seu pai, o artesão Dédalo, feitas de penas amarradas com fios e presas por cera de abelha. Mas Ícaro desobedeceu aos conselhos de Dédalo, de que não voasse muito alto para não ter a cera derretida pelo Sol. Resultado: foi às alturas, o Sol o castigou e ele despencou lá de cima, morrendo no mar. Hoje vê-se que Vorcaro voou ainda mais alto do que Ícaro, sem temer que a cera de suas asas fosse derretida pelo Sol.

Para piorar, Vorcaro, ao invés de voar sozinho como Ícaro, deu carona em suas asas a uma penca de autoridades, algumas muito pesadas: os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro, o ex-ministro de Bolsonaro Fábio Faria e vários deputados federais, entre os quais Nikolas Ferreira (PL-MG). Impossível não cair por excesso de peso.

Neste momento, em função de uma delação premiada, Vorcaro está consultando suas listas de passageiros para revelar o quanto cobrou de cada um pelo táxi aéreo. Até lá, os citados devem ser considerados inocentes, claro.

Mesmo porque, como dizia Nelson Rodrigues, "em Brasília, todos são inocentes e todos são cúmplices".

Folha de São Paulo, 16/04/2026

 

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL - Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

No mundo atual, a visão que temos sobre a literatura infantojuvenil, inclui diversos segmentos: histórias, livros, revistas e poemas.

No dia Internacional do livro infantojuvenil, uma homenagem ao escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen, autor de inúmeros livros desse gênero, marcante para Humanidade, e admirado por crianças, jovens e adultos.

Considero os livros infantojuvenis marcantes, e recordo-me ainda criança, e adolescente, das leituras e narrativas (roda de conversa) diárias efetuada por Laura Guimarães Maranhão e Oliveira (minha avó materna), com uma entonação perfeita, uma narrativa e dicção ideal.

Conforme o livro, ela era sempre rodeada por ávidas crianças que, em busca de conhecimento, ouviam sua “contação”, de suas próprias criações: “O Príncipe Pássaro”, “A Porca Ensapatada”, “O Homem que Virava Bicho”, “Agapito e Dom Sapo”, “Reino dos Milindros”, dentre outros.

Na literatura universal, são marcantes os livros e fábulas infantojuvenis: “O Pequeno Príncipe” (Antoine de Saint-Exupéry), “O Gato de Botas” (Charles Perrault), “Alice no País das Maravilhas” (Lewis Carroll), Contos de Jacob Ludwig Carl Grimm (“A Bela Adormecida”, “A Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Cinderela”, “João e Maria”, “O Pequeno Polegar”, “Rapunzel”), “O Patinho Feio”, “A Gata Borralheira”, “Viagem ao Centro da Terra”, “As Aventuras de Pinóquio”, “As Mil e uma Noites” (“Simbá, o Marujo”, “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”), Fábulas de Esopo (“A Cigarra e a Formiga”, “A Raposo e o Corvo”, “A Lebre e a Tartaruga”, “A Raposa e as Uvas”, “O Cão e a Sombra”, “A Rã e o Touro”, “O Burro Carregando Sal”, “O Cão e a Máscara”, “O Galo e a Pérola”, “O Corvo e o Jarro”, “O Leão e o Rato”, “A Galinha e os ovos de ouro”, “O Vento Norte e o Sol”, “O Lobo e o Cordeiro”, “O Pastor Mentiroso e o Lobo”, “O Urso e as Abelhas”, O Cavalo e o Burro”, “As Aves e o Morcego”), Peter Pan (James Matthew Barrie), e outros inúmeros clássicos.

“E o mundo viverá como um só…” - artigo de Dom Itacir Brassiani, Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


“E o mundo viverá como um só…” 

Dom Itacir Brassiani 

Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) 

Em 1971, quando a guerra promovida pelos EUA contra o Vietnã fervia e matava, John Lennon compôs e gravou uma canção que se tornaria um provocativo libelo pela paz: “Imagine que não exista paraíso, nenhum inferno sob nós, e, acima de nós, apenas o céu. Imagine que não há países, nenhum motivo para matar ou morrer”.  

E prosseguia, instigando nossa imaginação: “Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Imagine que não existam posses, ganância ou fome. Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós, e o mundo viverá como um só”. 

Não precisamos compartilhar a escala de valores do ex-Beatle para justificar o engajamento pela paz e pela igualdade. Zacarias, o pai de João Batista, saudou Jesus de Nazaré como o “Sol que nasce do alto para guiar nossos passos no caminho da paz” (Lucas 1,79). E, no seu nascimento, os coros celestes cantaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que ele ama” (Lucas 2,14). 

Em 1963, antes de John Lennon e no calor da ‘guerra fria’, o Papa João XXIII escreveu Pacem in terris, onde afirma que a paz entre os povos se baseia na verdade, na justiça e na liberdade, e que as tensões entre países não são superadas com a força das armas ou com a mentira. E cita S. Agostinho: “Sem a justiça, os reinos não passam de latrocínio”.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Morre Oscar Schmidt

Morre Oscar Schmidt, uma lenda do basquete


Lenda do basquete brasileiro, o ex-jogador Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. Conhecido como "Mão Santa", ele eternizou a camisa 14 da seleção brasileira.

A informação foi confirmada pela assessoria de Oscar.

Oscar chegou a ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), após ter um mal-estar, mas não resistiu.

Segundo postagens mais recentes de familiares, ele já estava com a saúde debilitada após uma cirurgia. No começo de abril, o filho de Oscar, Felipe Schmidt, recebeu homenagem no lugar do pai no Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Oscar lutou durante 15 anos contra um tumor cerebral.

A assessoria informou que o velório será fechado para a família.

Nas redes sociais, o filho de Oscar postou uma homenagem ao pai. "Como filho, eu só tenho a dizer: pai, vou sentir a sua falta. Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem e tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi. Você foi um exemplo de vida para mim, e eu nunca, nunca vou te esquecer", escreveu Felipe Schmidt.


Motivos pra não votar no Lula...

Motivos pra não votar no Lula...



Os 4 motivos para Joaquim não votar em Lula

Pres/tenção... meus amigos e amigas do Maranhão... O Joaquim fez uma comunicação escrita dizendo das razões de não votar no LULA...

Para quem não conhece o Joaquim, leia aqui para ter conhecimento: Joaquim Haickel nasceu em São Luís do Maranhão em dezembro de 1959. É advogado, empresário, jornalista, escritor e cineasta. Membro da Academia Maranhense Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Foi deputado estadual e deputado federal.

Pois é... Hoje o Joaquim postou nas redes sociais os motivos de não votar no Lula:

Leia o que ele escreveu... E tá na internet:


"Existem muitos, mas vou citar apenas 4 motivos para não votar em Lula ou em qualquer outro candidato da esquerda.

1- Porque eles mentem tanto, descarada e repetidamente, iludem a população, prometendo coisas que sabem jamais poderão realizar, como acabar com a fome, a insegurança, a miséria, e a falta de saneamento.

2- Porque roubam acintosamente, aparelhando o Estado para se beneficiarem patrimonialmente, como nos casos dos escândalos do INSS e do Banco Master.

3- Porque são péssimos administradores, quebraram as estatais brasileiras, sucatearam e desmoralizaram as forças armadas.

4- Porque se eles vencerem as eleições, irão nomear mais 3 ministros do STF que irão continuar atacando a nossa democracia de forma indefensável."

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Té mais ver!

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...

Geologia não é destino - Artigo de David Gertner


Geologia não é destino

16/04/2026

David Gertner*

Um artigo recente de Drew Crawford, publicado na rede X, chamou atenção ao apresentar o Brasil como uma das grandes apostas estratégicas do século XXI. A provocação é poderosa: como um país com tamanha abundância de água doce, energia limpa, capacidade agrícola e minerais críticos continua sendo tratado com desconto pelos mercados globais? A pergunta é pertinente. Mas a resposta exige ir além do fascínio fácil pelos ativos naturais (CRAWFORD, 2026).

O Brasil talvez seja hoje um dos maiores paradoxos estratégicos do nosso tempo. Concentramos cerca de 12% da água doce superficial do planeta, temos uma matriz elétrica entre as mais limpas do mundo, lideramos globalmente em nióbio, reunimos reservas estratégicas de grafita, níquel, lítio e terras raras, somos uma potência na produção e exportação de alimentos e, ainda assim, seguimos negociando na bolsa com múltiplos significativamente inferiores aos dos Estados Unidos.

A pergunta implícita é simples e devastadora: como um país com tamanha abundância estratégica pode continuar sendo tratado com tamanho desconto?

A resposta passa por abandonar a sedução dos slogans e enfrentar uma verdade menos confortável. O mercado não precifica o que um país tem; precifica o que ele consegue transformar em valor recorrente, previsível, escalável e institucionalmente protegido. É precisamente nesse ponto que a geologia brasileira encontra o limite da nossa história.

O século XXI devolveu centralidade a quatro ativos que o Brasil possui em escala rara: água, energia limpa, segurança alimentar e minerais críticos. Em um mundo marcado pela transição energética, pela eletrificação industrial, pela disputa por cadeias de suprimento e pela geopolítica dos insumos estratégicos, poucos países chegam a este momento tão bem posicionados. Nossa matriz elétrica, impulsionada por hidrelétricas, eólica, solar e biomassa, permanece entre as mais limpas do planeta. Ao mesmo tempo, o país detém reservas gigantescas de nióbio, grafita, níquel, lítio e terras raras — justamente os materiais que sustentam baterias, turbinas, redes elétricas, chips, defesa, mobilidade elétrica e inteligência artificial.

Papa no lugar de Trump - Artigo de Vicente Limongi Netto

Papa no lugar de Trump

Vicente Limongi Netto*


Bem feito, Trump, quem mandou você tirar o Papa leão do anonimato vazio e improdutivo? O mundo hipócrita agora volta-se contra você. Até igrejinhas do interior do sertão aproveitaram como ávidos desocupados e pingentes dos holofotes para tirar pedaços de você e fazer média com o Papa Leão que, como outros pontífices aproveita momentos de barulheira grossa no mundo,  com balas, canhões, drones, vai altivo para a sacada do suntuoso Vaticano e clama pela paz. Pedindo mais pão, menos canhão.  Seria engraçado, nessa linha,  se analistas católicos, padres, bispos , cardeais, coroinhas e carpideiras por algum instante do arranca rabo inútil, que não vai acabar com a guerra nem vai baratear a gasolina nem vai acabar com a miséria no mundo, botassem Trump no Vaticano e o Papa na Casa Branca. Ações nas bolsas do planeta iriam explodir.  Seria engraçado o Papa que é cidadão americano,  na Casa Branca, de terno e gravata.  Como presidente do país mais poderoso do mundo combatendo a guerra com orações, rezas brabas e crucifixo, rouco, enxugando gelo, com missas, discurseiras e bíblia,  enfrentando bombas na Ucrânia, no Irã e no Libano.

*Vicente Limongi Netto é jornalista.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

As calçadas da avenida (série memórias) Por: Carmen Novoa - Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

 


As calçadas da avenida (série memórias)

 Por: Carmen Novoa

 Em: 15 de abril de 2026

 Em 1866, Friedrich Nietzche profetizou que os habitantes modernos das cidades do futuro teriam necessidade de um espaço urbano no qual pudessem encontrar-se de novo com eles mesmos. Com esse pensamento, dias passados, num sábado à noite percorri a Avenida. A Avenida a que me refiro, para as novíssimas gerações é a Eduardo Ribeiro. Para nós da geração anterior, era apenas a Avenida. Com letra maiúscula. E tinha caráter de monumento. Era substantivo comum, mas pela força de sentimentos simples e dignos adquiriu identidade própria, anulando o nome do homenageado. Era a Avenida, por antonomásia. Sim, percorri dias atrás, à noite a Avenida Eduardo Ribeiro e o que vi foi algo aviltante. Desde o “roadway” passando pelo Relógio Municipal, Catedral de N. S. da Conceição, e por casas que contam histórias como a que a C&A e lojas Marisa recuperaram e a que o Carrefour manteve as arquitetônicas linhas, todas as calçadas foram roubadas do cidadão manauense. Afrontando e jogando no lixo o código de posturas do município. Falo das bancas de camelôs. À noite dispostas uma ao lado da outra embrulhadas em lona de cor única arrancaram a visão dos prédios, deixando uma paisagem semelhante a de um acampamento bélico após uma batalha campal: Fileiras silenciosas, mas desordenadas qual exército de Pancho Villa, sem regras, sem deveres, sem impostos, sem rubores. É certo que em Manaus, com seu um milhão e meio de habitantes, necessita de uma política pública eficaz para sanar esse cancro social. Sinalizam ser a carência de empregos o motivo desse caráter do comércio de informalidade. No entanto arrogam para si o direito de desprezar um local condigno (antigo Armazéns de J. G. Araújo) em que seriam alocados com todo o conforto de área central e privilegiada. Assim as barracas vicejam e proliferam dia após dia. Ali barraquinhas de Bangladesh, aqui tendas só aceitáveis em locais praianos, nunca no asfalto, onde o churrasquinho, fumaça, gordura, comilanças e um “gato” puxando energia elétrica fazem a festa do exército do apocalipse. Invadem o meu e o teu território, as calçadas do cidadão, com a arrogância dos que se sentem protegidos por algum ser supremo o que o legitimo manauense deve temer por mais ignoto que seja.

Itália decide pela extradição de Carla Zambelli ao Brasil


Carla Zambelli

Itália decide pela extradição de Carla Zambelli ao Brasil

16 de abril de 2026

A Justiça da Itália decidiu, nesta quinta-feira (16), autorizar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil após ela ser condenada por porte ilegal de arma. A informação foi confirmada pelo embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca, mas a defesa ainda pode recorrer da decisão.

O caso aconteceu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli foi filmada correndo atrás de um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, com uma arma na mão, após uma discussão política. Por causa disso, o STF condenou a ex-deputada a mais de 5 anos de prisão, também por constrangimento ilegal com uso de arma.

ALMAS CONSAGRADAS - Artigo de José Renato Nalini, acadêmico da Academia Paulista de Letras


ALMAS CONSAGRADAS   

Acadêmico: José Renato Nalini

Em momentos de crise como os de hoje, com incríveis e lastimáveis conflitos bélicos em várias partes do planeta, é importante recordar existências que colidem com esta Era impregnada de materialismo, de individualismo egoísta, de ateísmo sob múltiplas tonalidades


Almas consagradas

Os tempos que nos são dados vivenciar, imprimem à rotina um ritmo incompatível com a serenidade essencial à preservação da saúde mental. Inflação de informações, requisição permanente de inúmeras fontes de absorção e a volúpia das redes sociais, bombardeando a atenção que precisa ser múltipla e difusa.

A humanidade está enferma. Ainda que se apregoe o infinito acervo de conquistas científicas a contribuírem com a longevidade, isso não significa cheguemos todos lúcidos, conscientes e serenos. Indague-se: qual seria hoje o conceito de plena higidez da mente humana?

Entretanto, houve tempo em que o silêncio era um dom divino, cultivado nos claustros religiosos. Por isso os conventos, os mosteiros e os carmelos eram celeiros de espíritos superiores e incubadores de santidade.

Convém, de quando em vez, recordar vocações como a da Madre Maravillas de Jesus, excelsa figura de alma consagrada a Deus na vida puramente contemplativa. Adornou-se de todas as virtudes claustrais que praticou e transmitiu às suas filhas, as jovens carmelitas que a seguiram.

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