A Páscoa não é só hoje! Vivamos intensamente a Oitava da Páscoa!
Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
07/04/2026
Irmãos e irmãs, a Oitava da Páscoa não é apenas um prolongamento festivo, mas uma verdadeira chave de leitura para compreender o mistério central da fé cristã. Durante esses oito dias, a Igreja não “recorda” a Páscoa como algo passado; ela a vive como realidade presente. É como se o tempo fosse suspenso para que possamos permanecer diante do túmulo vazio e deixar que essa verdade transforme profundamente a nossa existência.
Há, porém, um risco: reduzir a Páscoa a uma emoção momentânea ou a um simples simbolismo religioso. A Oitava nos confronta com algo muito mais exigente. Se Cristo ressuscitou, então toda a lógica da nossa vida precisa mudar. Não faz sentido continuar vivendo como se a morte tivesse a última palavra, como se o pecado fosse inevitável ou como se Deus estivesse distante.
A liturgia desses dias insiste nas aparições do Ressuscitado. Ele não aparece a pessoas perfeitas, mas a discípulos frágeis, medrosos e até incrédulos. Isso revela algo essencial: a ressurreição não é prêmio para os bons, mas ponto de partida para os que se deixam transformar. Tomé duvida, Pedro carrega o peso da negação, os discípulos se escondem — e é justamente a eles que Jesus se manifesta. A Oitava da Páscoa, portanto, é também um tempo de confronto com a nossa própria incredulidade.
Outro aspecto importante é que o Ressuscitado sempre toma a iniciativa. Ele vai ao encontro, entra onde as portas estão fechadas, oferece a paz antes mesmo de qualquer pedido de perdão. Isso desmonta a ideia de um Deus distante ou condicionado. A Páscoa revela um Deus que invade a história humana, não para condenar, mas para reconstruir.









