sábado, 29 de agosto de 2026

Povo do Meu Agrado - 29 / 08 / 2026

Povo do Meu Agrado 




Nessa casa simples mora um tesouro,

que dinheiro nenhum consegue comprar.

É feita de fé, de luta e esperança,

de quem nunca desistiu de plantar.


O terreiro guarda pegadas antigas,

o alpendre já viu tanta conversa acontecer.

Cada parede conta um pedaço da vida,

que o tempo jamais vai esquecer.


No sertão, a riqueza tem outro nome.

É um café passado na hora, um sorriso sincero,

uma sombra boa no fim da tarde

e a paz de voltar para o lugar que a gente mais ama.


Quem também acredita que uma casa simples pode guardar as maiores histórias da vida?

*****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Cantou o galo ainda de madrugada...


Poeta Sertanejo

29 / 08 / 2026

Cantou o galo ainda de madrugada, já estou de pé a besta ruana está preparada.

Parto sozinho mas volto com minha amada.

Vou fazer de tudo, para resolver de um jeito camarada.

Seu pai e irmão dizem ser valentão, a briga está formada.


Pode até chover bala no sertão, mas não recuo por nada.

Ela é bonita feito uma rosa em botão.

É mesmo na verdade a moça mais linda da região.

Dei pra ela meu amor, para mim entregou seu meigo coração.

Levo comigo na cinta uma faca e um trinta, vou cortando a escuridão.

Vou mostrar para esses sujeitos, a fibra que tem um peão.


Bom dia meus companheiros, trago para vocês duas opções.

Não dou viagem à toa, ou ela vai comigo numa boa.

Ou vamos lutar feito três leões.

Aconteça o que acontecer a menina vai comigo, vai ser minha patroa.


Chega pra cá boiadeiro, se realmente isso que quer nós te abençoa.

O sujeito com fama de valente, pra mim hoje não tem melhor pessoa.

Falo e não retiro, que é o avô dos meus filhos, adoro esse coroa.

Bom dia meu povoooooo

Um abençoado para todos vocês


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

SE NASCÊSSEMOS VELHOS - Artigo do poeta Carlos Alberto Lima Coelho, jornalista e escritor


SE NASCÊSSEMOS VELHOS

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão-Brasil

E se a vida tivesse escolhido outro caminho?

E se chegássemos ao mundo com cabelos brancos, rosto marcado, passos lentos e olhos carregados de uma sabedoria que ainda não tivemos tempo de conquistar?

Nasceríamos velhos.

Viríamos ao mundo não para crescer, mas para diminuir os anos. A cada aniversário, uma ruga desapareceria. Os cabelos recuperariam a cor. As pernas ficariam mais firmes, a memória mais rápida, o coração talvez mais inquieto.

Seria a teoria do decrescimento: em vez de caminharmos da infância para a velhice, seguiríamos da velhice em direção à juventude.

Aos oitenta, começaríamos a vida.

Aos setenta, aprenderíamos a andar com mais segurança. Aos sessenta, descobriríamos que o corpo responde melhor aos nossos desejos. Aos cinquenta, sentiríamos nascer uma energia desconhecida. Aos quarenta, olharíamos o mundo com entusiasmo renovado. Aos trinta, acreditaríamos que quase tudo ainda é possível.

E, curiosamente, quanto mais jovens ficássemos, menos experiência carregaríamos.

Talvez aí estivesse o grande mistério.

Hoje envelhecemos acumulando lembranças. Nesse mundo invertido, rejuvenesceríamos perdendo-as.

A cada ano, uma história poderia desaparecer.

Primeiro esqueceríamos algumas dores. Depois, talvez certos amores. As decepções se apagariam, mas junto com elas poderiam desaparecer também as lições aprendidas. Os ressentimentos morreriam, porém parte da nossa identidade seguiria o mesmo caminho.

GIGANTE & SÁBIO, artigo de Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


GIGANTE & SÁBIO



Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

 

... e eu pensei que teria meu pai por toda vida - delírio.

Naquela manhã, ainda do século passado, mais precisamente no ano de 1996, papai estava morto por doenças ligadas à idade.

Nunca esqueci dos seus feitos e da altura dos voos que alçou... Acredito que o seu último decolar foi o mais importante. Meu pai está no céu!

Hoje, 28 de outubro, faria 115 anos, mas aquela manhã, especialmente aquele dia, não o quiseram mais...

Assustado, o vi pálido e diminuto naquele ataúde. Chorei todo encolhido por dentro e por fora, mas com o tempo me acostumei...

Todos nós estamos aqui de passagem e com papai não poderia ser diferente...

Vai acontecer oportunamente, o mesmo comigo. Lógico, com o destino tendo outra tratativa...

Embora ele não estando mais fisicamente aqui, o parabenizo pelos seus ensinamentos e pela bela família que construiu.

Deixou a maior das heranças, somos muito unidos. Temos muito respeito uns pelos outros.

Ele ainda em vida dizia: "... irmão não empresta dinheiro para irmão, mas dá".

Não nos deixou bens materiais, mas deixou o melhor dos bens patrimoniais - a união.

Obrigado, papai. Seguimos à risca seus ensinamentos e não haveremos, jamais de te esquecer.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 28.08.2026. SÃO LUÍS-MA)


Povo do Meu Agrado - 28 / 08 / 2026...

 

Povo do Meu Agrado

28 / 08 / 2026

 



**Tem conversa de feira que vale mais do que qualquer dinheiro no bolso.**



De um lado, o queijo esperando freguês,

do outro, dois dedos de prosa.

Uma pergunta daqui,

uma história dali,

e a manhã vai ficando gostosa.

Na feira é assim, meu povo,

ninguém leva só aquilo que comprou.

Leva notícia, leva lembrança,

leva um sorriso de quem encontrou.

Entre queijo, manteiga e amizade,

vai sobrevivendo uma tradição bonita:

 

**a feira nordestina, onde o povo vende, compra e também reparte a vida.**

*****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Ao passar o pequeno riozinho, avistei a velha paineira...


Poeta Sertanejo

28 / 08 / 2026

Ao passar o pequeno riozinho, avistei a velha paineira.

Segui adiante encostei num mourão de porteira.

Fechando os olhos, na tela da mente avistei o passado.

Eu ainda criança, cheio de esperança, sultão do meu lado.

Meu pai lá no curral ordenhando suas vacas leiteiras, em cantoria estava sempre animado.

Da antiga casinha nada restou, somente vejo o pé de manga que ficava ao lado.


Sobre a sua sombra, tinha um banco de madeira, que nas tardes costureiras, nós ficávamos ali sentado.

Até mesmo o velho pé de roseira ainda está na minha mente desenhado.

O tempo passou depressa e tudo com sigo levou.

Somente as poucas lembranças, em minha mente, foi que restou.

Mostrando estar mesmo tudo mudado, onde sorria o menino do passado.

O homem de hoje é quem chorou, porque somente recordações do passado, foi tudo que ali encontrou.

Bom dia meu povoooooo

Um espetacular de bom para todos vocês


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ROUPA BRANCA NA SEXTA-FEIRA - por Luiz de Miranda

 

CONVERSANDO SOBRE A UMBANDA

ROUPA BRANCA NA SEXTA-FEIRA


Luiz de Miranda*

Na Umbanda, o dia de sexta-feira é consagrado ao Pai Oxalá, o Senhor da criação, e no Candomblé, o Orixá funfun (branco, em iorubá), igualmente o Senhor da vida. É de costume , e, em algumas Casas até obrigatório, o uso de roupa branca na sexta-feira em homenagem a esse importante e reverenciado Orixá.

Nas correntes de médiuns da Umbanda, o uso da roupa branca é obrigatório. Tal atitude vem da intenção de dizer que todos somos iguais perante nossos Guias e Orixás, abrindo mão das vaidades e do ego.

No entanto, usar o branco na sexta-feira, de acordo com o Sheikh Abdul Hameed Ahmad, líder espiritual da comunidade mulçumana baiana, tal costume deriva do comportamento dos escravizados islâmicos trazidos para Salvador-BA, que marcaram com grande evidência a cultura e a religiosidade neste local. Eram conhecidos como malês, dotados de alto nível de instrução, por terem sido alfabetizados em árabe. E ainda detinham uma forte capacidade de organização que os fizeram famosos no grande e talvez o maior levante urbano contra a escravidão: a revolta dos malês. Tinham como costume vestirem-se de branco todas as sextas-feiras, obedecendo as ordens contidas no Alcorão que afirma aos seguidores da religião, se vestirem de roupas claras para homenagear Alá, considerado por eles o Criador do universo. Tal costume então, passa também a fazer parte do comportamento dos escravizados que cultuavam os Orixás, que igualmente, faziam da sexta-feira um dia especial, só que, para se conectar a Oxalá de forma pura e serena em gratidão e respeito ao Senhor da vida.

A convivência na dificuldade desses povos gerou formas e saberes de resistência e boa convivência. Algo que se deve entender como forma de sobrevivência e também de união de forças, onde o que era sagrado para uns, se fazia sagrado também para os outros. Mas, sem nenhum dos lados perder sua essência e fundamentos. Ou seja: usar branco nas sextas-feiras não é um fundamento da Umbanda, é apenas um costume adquirido para de maneira singela e expressiva se conectar com o Pai da Criação: Oxalá. Já que, Alá, igualmente Pai da Criação, era homenageado por seus seguidores da mesma forma, só que com fundamentos e entendimentos distintos.

No Brasil, usar o branco nas sextas-feiras é considerado também um ato político, onde os seguidores das religiões de matriz africana fazem questão de confessar sua fé publicamente.


*Luiz de Miranda é presidente e Sacerdote da Casa de Umbanda do Caboclo 7 Penas, com mais de quarenta anos dedicados aos atendimentos fraternais e divulgação da nossa querida Umbanda.

QUANDO O POETA DESCOBRE A REALIDADE, por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


QUANDO O POETA DESCOBRE A REALIDADE

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão - Brasil

Houve um tempo em que me inspirei como um poeta e imaginei que as palavras poderiam melhorar o mundo.

Dentro de mim havia cores. Muitas cores. Algumas nasciam da esperança, outras do desejo de acreditar que o homem seria capaz de construir uma sociedade mais justa, onde a riqueza não humilhasse a pobreza e onde ninguém precisasse esconder a própria dignidade sob uma roupa desgastada.

Com essas tintas interiores, comecei a pintar meus cenários.

Coloquei beleza onde havia tristeza. Plantei flores onde o chão parecia seco. Aproximei os homens, distribuí abraços, inventei sorrisos e fiz do amor uma espécie de moldura para aquele quadro imaginário.

Por alguns instantes, tudo parecia verdadeiro.

O poeta possui esse privilégio: consegue visitar lugares que ainda não existem. Enxerga pontes onde os outros veem abismos. Descobre luz nas frestas da escuridão e, quando necessário, transforma lágrimas em versos.

Mas chegou o momento em que precisei afastar-me um pouco da tela para observar melhor a pintura.

Foi então que percebi que algumas cores não pertenciam ao mundo real.

Lá fora continuavam existindo desigualdades. De um lado, a fantasia dos salões elegantes; do outro, a roupa simples daquele que luta diariamente pela sobrevivência. Uns desperdiçando o que tantos outros jamais tiveram. Gente cercada de gente, mas vivendo profundamente só.

Meu quadro começou a perder as cores.

A realidade passou sobre ele como uma chuva inesperada. Misturou as tintas, apagou alguns traços e me obrigou a reconhecer que aquele mundo perfeito existia apenas dentro de mim.

O sonho havia acabado?

Talvez não.

Com o passar dos anos, compreendi que o poeta não escreve porque o mundo é belo. Muitas vezes escreve justamente porque ele ainda precisa tornar-se belo.

A poesia não existe apenas para celebrar flores. Também serve para apontar espinhos.

Hoje, olhando aqueles versos que nasceram décadas atrás, percebo que o jovem poeta desejava muito mais do que escrever. Queria compreender o homem. Queria descobrir por que somos capazes de amar tanto e, ao mesmo tempo, produzir tanto desamor.

Ainda não encontrei todas as respostas.

Continuo misturando cores, pensamentos, lembranças e esperanças.

E talvez seja essa a missão de quem escreve: mesmo sabendo que o cenário perfeito não existe, continuar segurando o pincel.

Porque enquanto houver alguém disposto a imaginar um mundo melhor, ainda haverá uma pequena possibilidade de transformá-lo.

Carlos AL Coelho

Inspirado no poema “Inspirei-me como um poeta”, do livro Conversa de Amigo ou Denúncia.


POETA & OFÍCIO - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


POETA & OFÍCIO



Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

O poeta tem como destino (obrigação), colocar as palavras em seus devidos lugares. A partir de então emerge uma lógica advinda do caos.

Um poeta verdadeiro, sofre para tornar agradável o inferno da confusão de letras, formadoras de palavras desordenadas.

Se ele, o poeta não se esforçar a ponto de conseguir tal intento, continua o purgatório do belo, do claro, do novo, da luz cintilante e divina, escondido na couraça do anonimato.

Ao lado do poeta, encontram-se as musas (anônimas), o pensamento inédito que servirá de base para os muitos que ainda virão na forma de versos, formando livros que transcendem o tempo.

O poeta vive uma vida diferente dos outros mortais, num mundo vivo de imagens que ainda se formarão e passarão pelo olhar e coração de muitas pessoas.

É duro e difícil o ofício de um poeta, mas em sua solidão e muitas vezes, timidez, ele ajuda na construção de um mundo que se forma a cada momento.


(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 27.08.2026. SÃO LUÍS-MA)

 


Povo do Meu Agrado... e tem mesa que...

 

Povo do Meu Agrado

 27 / 08 / 2026

**Tem mesa que serve comida. Outras servem também alegria, amizade e boas lembranças.**



Panela cheia, café esperando,

gente chegando e sorriso no rosto.

Cada prato servido carrega um pouco

do carinho de quem preparou tudo.

 

É no meio dessa simplicidade

que o encontro fica bonito.

Um ajuda daqui, outro acolhe dali,

e ninguém precisa de muito para ser feliz.

No nosso Nordeste é assim:

 


**quando a mesa é compartilhada, sempre cabe mais um e sempre sobra história pra contar.**

*****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


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