FRUTOS DA EMOÇÃO
Carlos Alberto Lima Coelho, poeta e escritor
“Sonha, poeta, sonha! Aqui sentado, no tosco assento da janela antiga, apoias sobre a mão a face pálida, sorrindo — dos amores à cantiga.” Álvares de Azevedo
Há lembranças que não envelhecem. Permanecem guardadas em algum lugar da alma, como antigas canções esperando apenas que alguém gire o botão do rádio para voltarem a tocar.
Grande parte das minhas poesias e crônicas nasceu assim: entre a solidão de uma madrugada, a ternura de uma lembrança e o desejo de transformar sentimentos em palavras. Algumas foram publicadas em livros e sites; outras ganharam vida através da voz, declamadas em programas românticos das emissoras de rádio de São Luís.
Naquele tempo, o rádio era mais do que um aparelho. Era companhia, confidente e mensageiro. Havia noites em que uma poesia parecia atravessar a cidade inteira, entrando silenciosamente pelas janelas e alcançando corações que talvez estivessem sofrendo, amando ou simplesmente esperando.
Programas como “Eu, Você e o Amor”, na Rádio Educadora do Maranhão, apresentado por Herbert Pereira; “Capital Romântica”; “Eu, Você e a Noite”, na Rádio Difusora; e “Tudo Dentro da Noite”, na Rádio Timbira, tornaram-se espaços onde a emoção encontrava abrigo.








