sábado, 15 de agosto de 2026

O sigilo da fonte e o Estado Democrático de Direito - Por Bady Curi Neto


O sigilo da fonte e o Estado Democrático de Direito

Por Bady Curi Neto

Em: 14 de agosto de 2026

Tudo começou com uma reportagem do jornalista maranhense Luís Pablo (Luís Pablo Conceição Almeida) que, em seu blog, denunciou que o ministro Flávio Dino e sua família teriam utilizado carros oficiais da Justiça do Maranhão para fins particulares, sem cessão formal. Segundo o próprio jornalista, a formalização só teria ocorrido depois que os fatos vieram a público. A série de reportagens teve início em 20 de novembro de 2025, com o texto intitulado “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”.

Após as reportagens, e de forma no mínimo curiosa, o próprio jornalista passou a ser acusado de perseguir o ministro e a ser alvo de busca e apreensão. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e cumprida em março de 2026, com fundamento em suposta prática do crime previsto no art. 147-A do Código Penal (perseguição), a partir de investigação que, segundo o STF, havia sido solicitada pela Polícia Federal em 23 de dezembro de 2025.

Na análise do material apreendido — celulares e computador —, a Polícia Federal teria identificado, no que se costuma chamar de “pescaria probatória” (fishing expedition), a possível fonte das informações do jornalista, por meio da quebra do sigilo de seus aparelhos.

Com base nisso, agora, em agosto de 2026, a pedido da PF e com aval da PGR, o ministro Alexandre de Moraes determinou a busca e apreensão contra a fonte do jornalista — o ex-secretário de Estado, Raimundo Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, ex-deputado estadual e adversário político de Flávio Dino — e também contra o advogado do jornalista.

Dino comanda inquéritos contra os próprios desafetos no Maranhão -Jogo bruto...

 

Jogo bruto

Dino comanda inquéritos contra os próprios desafetos no Maranhão

Desafeto de Dino, governador agora é acusado de "chefiar organização criminosa"

14/08/2026 - Atualizado 15/08/2026

 

Felipe Camarão (PT) integra o grupo ligado ao ex-governador Flavio Dino - Foto: redes sociais.

DP- Redação - (Diário do Poder)

Uma série de investigações da Polícia Federal, sob relatoria e comando direto do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, aponta o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), desafeto pessoal do magistrado, como suposto “líder de uma organização criminosa envolvida em desvios de recursos públicos e até no homicídio de um empresário em 2022.  O senador Weverton Rocha também figura como suspeito de pressões em processo no STJ sobre crime no estado. Brandão alega perseguição política.

Como reportaram Vinícius Valfré, Aguirre Talento e Gustavo Côrtes no Estadão, Dino reproduziu relatório da PF identificando o governador como “provável líder da organização criminosa ora investigada”, citando fluxos de valores e interlocuções com aliados, incluindo o sobrinho Daniel Brandão, conselheiro do TCE. As investigações envolvem suspeitas de obstrução, coação de testemunhas e uso da estrutura estatal, em casos que atingem adversários políticos e desafetos de Dino no Maranhão, onde o ministro mantém influência e o grupo “dinista” se opõe ao atual governo.

A nota oficial do Governo do Estado do Maranhão esclarece: “A assessoria do governador Carlos Brandão vem a público esclarecer que o Supremo Tribunal Federal não tem competência para julgar casos relacionados a governadores de estados, atribuição legal do Superior Tribunal de Justiça. Ainda que no âmbito das investigações surjam personalidades ou autoridades com este foro, cada um deve ser direcionado ao juízo competente, questão apresentada pela Procuradoria-Geral da República na petição 15437/MA (página 31).

Destaca ainda que vê com surpresa a quebra de sigilo dos processos por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, após tamanha repercussão da quebra do sigilo da fonte envolvendo o jornalista Luís Pablo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, direito que é assegurado pela Constituição.

Causa estranheza o inquérito sobre o caso Tech Office se ater a atos relacionados unicamente a partir de 2022, quando houve o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, em São Luís. A decisão omite, porém, a reabertura de um processo administrativo de pagamento que estava arquivado desde 2014, sendo retomado em 2019, e que seria o motivo do homicídio. O processo foi reaberto na Secretaria de Educação do Estado, que era à época era comandada por Felipe Camarão e quando o próprio ministro era governador do Maranhão.

Em 2025, o ministro Flávio Dino lançou publicamente o nome de Felipe Camarão ao cargo de pré-candidato ao governo do estado, em evento em uma universidade, motivo pelo qual o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou pedido de impeachment contra o ministro no Senado Federal.

O grupo que se intitula de “dinistas” é adversário político do governador Carlos Brandão. Apesar de todos os elementos acima citados, o ministro segue responsável por decisões que impactam diretamente o cenário político do Maranhão.”


"O dia em que encontrei na favela filha de Tobias Barreto" - Texto de Ney Lopes, escritor, jornalista e poeta: ex-deputado federal


Memória: "O dia em que encontrei na favela filha de Tobias Barreto"

14 Ago 2026

Ney Lopes*

Memória, história, hoje

Em 1965 transferi-me para residir em Recife e prosseguir estudos na Faculdade de Direito de PE. Passei a integrar a equipe de reportagens especiais do Jornal do Comércio, dirigida pelo jornalista Zezito Maciel, irmão de Marco Maciel.  Era diretor-secretário do jornal o conceituado jornalista Esmaragdo Marroquim, figura influente no meio intelectual e cultural de Pernambuco, junto a escritores, imprensa e nomes de destaque como Ariano Suassuna e Mário Melo. Convidado, passei a integrar a equipe de repórteres da sucursal nordeste da Folha de SP, dirigida pelo conterrâneo Calazans Fernandes. Lá trabalhei ao lado do também amigo e conterrâneo Gaudencio Torquatto, hoje consagrado analista político do país.

Recebi na redação, a missão de localizar o paradeiro de “descendentes diretos” de Tobias Barreto, jurista pernambucano, filósofo, poeta, crítico, professor de Direito. considerado o fundador da Escola do Recife e um dos maiores intelectuais da história do Brasil, além de patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Barreto tinha origem humilde e a sua pele escura foi usada socialmente para discriminálo, inclusive dificultando casamento com família aristocrática. Tornou-se defensor de negros e escravizados, incluindo atuação jurídica abolicionista. No Memorial da Justiça de Pernambuco consta a ação de liberdade do escravo Simplício Manuel, denominada “Uma questão de Justiça”, proposta por Tobias Barreto.

A investigação começou do zero. Madruguei por semanas, caminhando pela periferia do Recife, até que um oficial de Justiça me deu a pista decisiva. Encontrei dona Calíope Barreto, filha de Tobias, aos 68 anos, vivendo em um quarto miserável numa favela. Sobrevivia como “pensionista da caridade pública”. A herdeira de um dos maiores pensadores do país estava confinada à invisibilidade. Com o fotógrafo Clodomir Leite, levei dona Calíope para um “roteiro da saudade” pelas ruas do Recife. Na Faculdade de Direito, emocionada, relembrou o pai e disse apenas: “Ele sofreu muita inveja”. Era a síntese de uma vida marcada por grandeza intelectual e pequenas mesquinharias sociais

O abandono a que estava submetida gerou forte comoção na opinião pública pernambucana. O impacto da matéria e o apelo humano da história fizeram com que grandes veículos de circulação nacional se interessassem pelo caso. “O Cruzeiro”, na época a principal revista do país, adquiriu os direitos de republicação da reportagem.

A Academia Pernambucana de Letras (APL), por sugestão de acadêmicos que reconheceram o valor documental e histórico do fato, publicou a reportagem em sua revista.  O poder público estadual mobilizou-se para amparar dona Calíope. Foi autorizada a doação de uma casa e pensão mensal pelo  governador Paulo Guerra, assessorado pelo secretário de Justiça, Dr. João Roma e o secretário Assistente, Marco Maciel.

Hoje, ao revisitar essa memória, agradeço a Deus a oportunidade de ter contribuído para restaurar um capítulo esquecido da história brasileira. Tobias Barreto continua iluminando a cultura nacional — e sua filha, resgatada da penúria, devolveu ao país a chance de honrar esse legado.

*Ney Lopes é escritor, jornalista e poeta: ex-deputado federal 


Povo do Meu Agrado - Pelo caminho vai seguindo...

 

Povo do Meu Agrado

15 / 08 / 2026

 



Pelo caminho vai seguindo,

com sua sacola na mão,

cada passo vai chegando

mais pertinho do seu chão.


Lá na frente está a casinha,

cercada de verde e beleza,

um cantinho simples e bonito,

abraçado pela natureza.


Quem passa o dia lá distante

sabe a alegria que dá,

quando avista a própria casa

e percebe que chegou ao seu lugar.

 


 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”

 

Poeta Sertanejo - Ainda me lembro de mãe varrendo seu terreiro...


Poeta Sertanejo

15 / 08 / 2026

Ainda me lembro de mãe varrendo seu terreiro, com uma vassoura de guanxuma não ficava um cisco no chão.

Depois limpava o coberto onde guardava o pilão.

Com capricho de tudo ela zelava, até mesmo do velho tacho, que quando pai matava um capado nós usava.

Suas panelas areadas, que de longe brilhava.


Suas roupas branquinhas estendidas no varal, que eram lavadas, lá nas águas do ribeirão, na sombra do bambuzal.

Bacia na cabeça, batedor era de tábua, mulher guerreira de uma época triunfal.

Vida cabocla, de um tempo sem progresso, onde o sucesso, estava na colheita do cafezal.

A família trabalhava unida, no mesmo ideal.

Enfrentando o cotidiano, ganhar um dinheirinho para pagar as contas, e comprar uma roupa nova no final do ano.

Tempos passados, lembranças, que vivo recordando.

E assim com muita alegria, a todas mães de família da época sigo homenageando.

Ao ler essa escrita de maneira tão bonita, no tempo elas também vão retornando.

Bom dia meu povoooooo

Um final de semana abençoado para todos vocês


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A inversão moral da solidariedade - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A inversão moral da solidariedade

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Não tenho certeza. Certezas absolutas deixo para o divino e para aqueles, cada vez mais donos da verdade, que dispensam a dúvida.

Tenho, porém, uma convicção bastante resistente de que existe uma perigosa confusão moral nestes tempos de “nova consciência”, em que depender dos outros pode ser apresentado como solidariedade, enquanto desejar depender de si mesmo começa a adquirir a desagradável aparência de egoísmo.

Adam Smith jamais caiu nessa armadilha. Interesse próprio não é egoísmo. O homem smithiano deseja melhorar de vida, prosperar, cuidar dos seus, mas leva consigo o espectador imparcial, aquele juiz moral interno que nos faz enxergar nossa conduta pelos olhos dos outros. Temos empatia, limites e deveres, mas também carregamos uma responsabilidade que nenhuma boa intenção coletiva deveria apagar. Minha vida é, antes de tudo, minha responsabilidade.

Ninguém abre uma padaria para alimentar a humanidade. Abre porque deseja prosperar, mas, para isso, precisa fazer um pão que alguém queira comprar, atender bem, competir e servir para ser servido. O interesse é individual, o que não impede o benefício de chegar aos outros. Smith percebeu há séculos algo que nossa sofisticada “nova consciência” parece empenhada em esquecer.

Revista Oeste sobre o caso Flávio Dino

Revista Oeste sobre o caso Flávio Dino

PF diz que jornalista alvo de Moraes causou 'perturbação do equilíbrio psicológico' em Dino



A Polícia Federal (PF) enviou um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão afirmou que o jornalista Luís Pablo abalou o “equilíbrio psicológico” do ministro Flávio Dino. O impacto ocorreu depois da publicação de reportagens sobre o ministro.

As reportagens denunciaram o uso de um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do magistrado. A investigação tramita no Inquérito das Fake News sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O processo acabou identificando Raimundo Cutrim como a fonte do jornalista.

No pedido de investigação, a PF afirmou que a atuação de Luís Pablo se enquadra no crime de perseguição. “A prática reiterada de atos invasivos ou intimidatórios gera sofrimento emocional, medo constante, sensação de vigilância permanente e perturbação do equilíbrio psicológico da vítima”, diz o documento obtido pelo jornal Gazeta do Povo.

Reportagem de Vanessa Araujo


Sobre a suposta ameaça sofrida por Flávio Dino - Por Joaquim Haickel


Sobre a suposta ameaça sofrida por Flávio Dino

Joaquim Haickel

Sou maranhense e acredito que sou bastante conhecido em minha cidade, São Luís.

Conheço o jornalista e blogueiro Luís Pablo, a quem não tenho em bom conceito, assim como conheço Flávio Dino, que é até meu confrade na Academia Maranhense de Letras, mas a quem, infelizmente, também não tenho em bom conceito.

Sou uma pessoa muito bem informada e nunca soube ou ouvi falar que Flávio Dino e sua família tenham sido vítimas de ameaças, até porque, desde que ele entrou para a política, eles sempre andaram cercados de seguranças armados, em todos os lugares e a todo instante. Agora, como ministro, isso se exacerbou.

Se uma coisa dessas tivesse acontecido, todos por aqui teriam comentado, até porque esse seria um assunto de repercussão nacional: a perseguição e a ameaça a um ministro da suprema corte.

O que se sabe é que o referido jornalista e blogueiro, que tem fama de falastrão e chantagista, noticiou que o ministro Dino, que tem fama de vitimista e perseguidor, juntamente com sua família, estava fazendo uso de um carro blindado pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão.

Acredito que, qualquer que tenha sido a forma de divulgação dessa notícia, nenhuma delas é criminosa.

Corrijam-me se eu estiver errado, mas dizer que uma pessoa pública, juntamente com sua família, está em um determinado lugar, usando um veículo que não deveria estar usando, não se enquadra em nenhuma caracterização de crime em nosso código penal. É tão somente a denúncia do cometimento de irregularidades por parte de alguém que deveria ser exemplo de moralidade


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O último contribuinte - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


O último contribuinte

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Brasil, 2037.

O governo anunciou ontem a criação da Contribuição Extraordinária de Sustentabilidade Fiscal, novo tributo destinado, segundo a nota oficial, a preservar a capacidade financeira do Estado.

A notícia foi recebida sem grande surpresa por uma população que, depois de tantos anos, já havia aprendido uma das leis mais estáveis da política brasileira. Quando falta dinheiro ao governo, procura-se algum brasileiro que ainda tenha dinheiro.

Desta vez, porém, surgiu um inconveniente técnico. A Receita Federal, com seus computadores, cruzamentos de dados e algoritmos de inteligência artificial, estava tendo dificuldade para encontrá-lo. Cogitou-se até uma força tarefa para localizar o último contribuinte economicamente ativo, de preferência alguém que ainda tivesse renda, patrimônio e a imprudência de permanecer na economia formal.

A máquina pública continuava funcionando, salários, aposentadorias, benefícios, adicionais e vantagens permaneciam protegidos. Em certos setores do Estado, especialmente na elite do Judiciário, onde remunerações desenvolveram uma relação apenas protocolar com o teto constitucional, a crise fiscal conservava a saudável tradição de ser sempre um problema dos outros. Chamam isso de justiça social. A contabilidade, menos sensível às emoções e às boas intenções, chama isso pelo nome menos emocionante de despesa.

O Brasil também continuava existindo, embora hospitais tivessem filas quilométricas, escolas desmoronassem, estradas aguardassem reparos que nunca chegavam e investimento em infraestrutura tivesse se tornado lembrança de uma época em que ainda sobrava algum dinheiro depois de pagar a máquina.

Poeta Sertanejo - A porta se abre lá fora...


Poeta Sertanejo

13 / 08 / 2026

A porta se abre lá fora ainda se encontra estendido, o negro manto da madrugada.

Um galo bate asas e canta, o caboclo levanta para mais uma jornada.

No céu azul uma estrela ainda brilha, parecendo dizer bom dia meu camarada.

Balde na mão, corda no ombro lá vai ele ordenha sua vacada.

De orvalho a grama se encontra molhada.

Em clima de festa, se ouve a orquestra da passarada.


Entre meio a madrugada escura, se ouve as batidas de uma ferradura, é um cavaleiro que passa na estrada.

Segue seu destino, meu grande amigo, Deus é contigo em mais uma empreitada.

O sol vem raiando na cacunda da serra, clareando a terra que outrora estava apagada.

Se avista o chaminé do fogão a lenha a fumaçar, a cabocla também está acordada.

Um ronco de motor se ouve na estrada, é a jardineira escolar que vem buscar a molecada.

Seguem em busca do aprendizado, para seguir o legado, que um dia irão herdar.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


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