domingo, 19 de abril de 2026

AMOR INCURÁVEL - Por Alex Brasil Poeta, jornalista, escritor e poeta


AMOR INCURÁVEL


Por Alex Brasil Poeta 

Tento afogar-te nas profundezas turvas

do esquecimento,

mas insistente lutas,

emergindo nas manhãs de meus pensamentos.

Que amor incurável é esse

para o qual minha alma não tem defesa,

amor que se no fogo ardesse

a cinza ainda permaneceria acesa?

Tento viver sem a cruz de tua saudade

amalgamada em meu coração

e a Deus, até peço por caridade,

banir de minha alma tua recordação.

Tento, tento te esquecer amor divino e insano;

não que te amar não tenha trazido paz,

não que o nosso amor tenha sido engano;

mas porque cansei de amar quem não me ama mais.


LEVANTA, MANGUEIRA! - Crônioca de Nonato Reis, jornalista, poeta e escritor

 LEVANTA, MANGUEIRA!


Nonato Reis

Dia de eleição no Ibacazinho é sinônimo de festa, alegria, congregação. Os amigos e parentes, geralmente dispersos por terras distantes, aproveitam para matar a saudade, atualizar os assuntos, celebrar a vida.

Gente que às vezes passa anos sem visitar o solo-mãe reaparece para a alegria do povoado, erguido à beira do Igarapé do Engenho, a meia hora a pé de Viana.

Não raro tenho dificuldade para reconhecer primos com os quais convivi na adolescência e jamais os reencontrei. Eis por que prefiro manter meu domicílio eleitoral em Viana. É uma forma de voltar às origens no duplo sentido, ainda que por breve tempo.

Em 1978, no pleito que Walber Duailibe, tratado como mito da política local, concorrendo para deputado estadual, obteve mais de 4 mil votos, só em Viana, registrou-se a maior concentração de primos forasteiros no lugar. Era como se todos tivessem previamente combinado ali um reencontro.

Aquilo merecia uma comemoração à altura. Porém João Cidreira, patriarca dos Cidreira, morrera fazia poucos meses e deixara no ar um clima pesado de contrição, que desautorizava excessos.

Um dia depois da votação, sentaram-se todos ao redor de uma mesa comprida com bancadas de um lado e de outro, no terreiro da casa de Ribamar Cidreira, filho do falecido.

A conversa começou previsível, recordando pequenos episódios de infância. Não demorou e alguém mais ousado pediu para descer uma “loira gelada”. Eu aproveitei e disse: “desce logo três”. Em pouco tempo, acabara o estoque de seis grades.

Não sei por que, nesse dia, eu, que sou um fracasso com álcool, encontrava-me incrivelmente lúcido, mesmo após completar a transição da cerveja para o conhaque e deste para a “azulzinha de Penalva”, a famosa Jatobá, melhor cachaça da região.

A atmosfera pesou e não foi por causa do clima de pós-morte. Paulo de Milton fitava uma árvore reta, longilínea, parecida com o eucalipto, em frente à mesa.

Seus olhos vermelhos feito brasa faiscavam. De repente começou a cantarolar o que me pareceu o verso de um samba. Dizia com os braços erguidos: “levanta, mangueira!”.

Mas não saía disso e eu entendi que ele, na verdade, se dirigia à árvore. Na sequência apanhou um galho de pimenta malagueta e mastigou aqueles frutinhos vermelhos sofregamente com folha e tudo.

Depois, já no auge do delírio, danou-se a beijar uma prima sentada ao lado dele, algo que ele, tímido de doer, jamais o faria em estado normal. Nunca esqueci a imagem dos dois com os lábios em brasa como se pintados de batom.

A coisa começou a desandar, já havia gente comendo sarapó cru como tira-gosto, ninguém mais tinha controle de nada e o dono da casa decidiu dar um basta naquela sem-vergonhice, expulsando os beberrões que, sem um destino certo, foram bater na casa do meu pai.

Ali dois primos, namorados de duas irmãs minhas, se pegaram numa luta corporal em pleno jardim que guarnecia a entrada lateral da casa, cujas plantas a dona Eulina cuidava com um zelo de mãe.

Depois, como a compensar aquela falta imperdoável, ajoelharam-se aos pés do seu Rena e pediram-lhe as mãos das meninas em casamento.

O velho, mal contendo um ar de contrariedade, respondeu que a decisão sobre aquele assunto não lhe cabia. “Isso não é comigo. É com elas que vocês devem se acertar". Marília, se roendo de raiva, ralhou com Derval: “nem a pau eu caso contigo!”. Rosane seguiu a irmã: “só se eu tivesse perdido o juízo!”, disse fuzilando Murilo com o olhar.

A fome bateu e me dirigi à cozinha. Encontrei Paulo lutando para comer um pedaço de galinha cozida, que a toda a hora caía no chão de terra batida. Ele o apanhava todo sujo e o levava à boca, mas não conseguia comer.

Aquilo me embrulhou o estômago e de súbito apaguei. Lembro de ter acordado noite alta às margens do Igarapé do Engenho, enlameado de vômitos feito porco, a cantar um samba de Paulinho da Viola.

A voz soava fantasmagórica, como que saída de um disco de vinil em rotação lenta. “Minha viola vai pro fundo do baú/Não haverá mais ilusão/quero esquecer ela não deixa/Alguém que só me fez ingratidão”.

Abri os olhos, olhei para o alto, o céu parecia límpido. Uma estrela cadente riscou o espaço e apagou de repente. O estômago embrulhado e a cabeça a explodir de dor, jurei nunca mais colocar álcool na boca. E cumpri. Pelo menos até o fim daquela noite.

...

Do livro A Mulher do Próximo, com lançamento para julho.


Brasileiros ignoram quem manda nas urnas - Artigo de Ney Lopes, advogado, jornalista, ex deputado federal.


Brasileiros ignoram quem manda nas urnas

Ney Lopes

16/04/2026

Judicioso artigo de Paulo Baía, sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ, “abre os olhos” de quem acompanha o processo eleitoral brasileiro. O “recado” para os candidatos e marqueteiros é ter consciência, que não basta apenas “fazer marketing jovem”, e sim também construir uma comunicação política, que funcione para os eleitores mais velhos. O idoso não é o “vovô que precisa de ajuda”, mas o cidadão que sustenta a casa, consome e também decide quem sobe a rampa do Planalto. Hoje, representa cerca de 23% do eleitorado (mais de 36 milhões de brasileiros em 2026).

Dados da Nexus Pesquisa e do TSE revelam uma realidade que muitos preferem ignorar: o Brasil envelheceu, e o poder agora está nas mãos de quem já viveu décadas de crises. É uma força avassaladora e disciplinada, que toma conta do cadastro eleitoral brasileiro.
Invasão Prateada
O salto é assustador para qualquer marqueteiro: em 16 anos, o eleitorado idoso cresceu 74%, chegando a 36,2 milhões de pessoas. Enquanto o país cresceu apenas 15% como um todo, a terceira idade avançou cinco vezes mais rápido. Não é apenas uma mudança estatística; é uma transferência de poder. Quase um em cada quatro votos virá de alguém com mais de 60 anos.
Erro Fatal

A polêmica maior reside na ignorância das campanhas. Tratar o Facebook como “coisa de velho”, ou acreditar que o idoso é um eleitor passivo é um erro analítico crasso. Ao contrário dos jovens, que fragmentam a atenção em vídeos de cinco segundos, o eleitor idoso lê, compara e guarda na memória.
Muitas vezes, o eleitor idoso é tratado pelas campanhas como alguém que está em uma posição de carência extrema e, por isso, trocará seu voto por um benefício imediato, ignorando que, em muitos casos, ele é o principal arrimo de família e também quer segurança para os netos e educação de qualidade.
Entregar remédio, passagens gratuitas, brindes e prometer asilos aos idosos é fácil de usar em um comercial de TV. Reformar o sistema previdenciário, integrar o prontuário para que tenha acompanhamento geriátrico contínuo e criar uma rede de atenção básica à saúde, leva anos e não “gera foto”.

sábado, 18 de abril de 2026

Táxi Aéreo Vorcaro - Artigo de Ruy Castro


Táxi Aéreo Vorcaro

 Ruy Castro

De tanto ler que o juiz Fulano, o senador Beltrano e o deputado Cicrano voaram "nas asas de Daniel Vorcaro", apelei para a IA a fim de saber mais. Recebi como resposta: "Daniel Vorcaro não tem asas. Seus membros posteriores, como os de qualquer ser humano, são braços. Talvez a pergunta se refira à sua frota de aviões particulares, entre os quais jatinhos dos quais se serviram diversas autoridades. Mesmo nesse caso, elas não voaram nas asas dos jatinhos, mas dentro das aeronaves. ‘Voaram’ é uma metáfora. Na verdade, viajaram confortavelmente sentadas e presas aos assentos por cintos de segurança".

Gosto da IA porque ela nos oferece ângulos sobre os quais não tínhamos pensado. A idéia de um Vorcaro de asas, como o Ícaro do mito grego, é perfeita. O herói saltou de um penhasco em Creta com as asas construídas por seu pai, o artesão Dédalo, feitas de penas amarradas com fios e presas por cera de abelha. Mas Ícaro desobedeceu aos conselhos de Dédalo, de que não voasse muito alto para não ter a cera derretida pelo Sol. Resultado: foi às alturas, o Sol o castigou e ele despencou lá de cima, morrendo no mar. Hoje vê-se que Vorcaro voou ainda mais alto do que Ícaro, sem temer que a cera de suas asas fosse derretida pelo Sol.

Para piorar, Vorcaro, ao invés de voar sozinho como Ícaro, deu carona em suas asas a uma penca de autoridades, algumas muito pesadas: os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro, o ex-ministro de Bolsonaro Fábio Faria e vários deputados federais, entre os quais Nikolas Ferreira (PL-MG). Impossível não cair por excesso de peso.

Neste momento, em função de uma delação premiada, Vorcaro está consultando suas listas de passageiros para revelar o quanto cobrou de cada um pelo táxi aéreo. Até lá, os citados devem ser considerados inocentes, claro.

Mesmo porque, como dizia Nelson Rodrigues, "em Brasília, todos são inocentes e todos são cúmplices".

Folha de São Paulo, 16/04/2026

 

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL - Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

No mundo atual, a visão que temos sobre a literatura infantojuvenil, inclui diversos segmentos: histórias, livros, revistas e poemas.

No dia Internacional do livro infantojuvenil, uma homenagem ao escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen, autor de inúmeros livros desse gênero, marcante para Humanidade, e admirado por crianças, jovens e adultos.

Considero os livros infantojuvenis marcantes, e recordo-me ainda criança, e adolescente, das leituras e narrativas (roda de conversa) diárias efetuada por Laura Guimarães Maranhão e Oliveira (minha avó materna), com uma entonação perfeita, uma narrativa e dicção ideal.

Conforme o livro, ela era sempre rodeada por ávidas crianças que, em busca de conhecimento, ouviam sua “contação”, de suas próprias criações: “O Príncipe Pássaro”, “A Porca Ensapatada”, “O Homem que Virava Bicho”, “Agapito e Dom Sapo”, “Reino dos Milindros”, dentre outros.

Na literatura universal, são marcantes os livros e fábulas infantojuvenis: “O Pequeno Príncipe” (Antoine de Saint-Exupéry), “O Gato de Botas” (Charles Perrault), “Alice no País das Maravilhas” (Lewis Carroll), Contos de Jacob Ludwig Carl Grimm (“A Bela Adormecida”, “A Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Cinderela”, “João e Maria”, “O Pequeno Polegar”, “Rapunzel”), “O Patinho Feio”, “A Gata Borralheira”, “Viagem ao Centro da Terra”, “As Aventuras de Pinóquio”, “As Mil e uma Noites” (“Simbá, o Marujo”, “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”), Fábulas de Esopo (“A Cigarra e a Formiga”, “A Raposo e o Corvo”, “A Lebre e a Tartaruga”, “A Raposa e as Uvas”, “O Cão e a Sombra”, “A Rã e o Touro”, “O Burro Carregando Sal”, “O Cão e a Máscara”, “O Galo e a Pérola”, “O Corvo e o Jarro”, “O Leão e o Rato”, “A Galinha e os ovos de ouro”, “O Vento Norte e o Sol”, “O Lobo e o Cordeiro”, “O Pastor Mentiroso e o Lobo”, “O Urso e as Abelhas”, O Cavalo e o Burro”, “As Aves e o Morcego”), Peter Pan (James Matthew Barrie), e outros inúmeros clássicos.

“E o mundo viverá como um só…” - artigo de Dom Itacir Brassiani, Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


“E o mundo viverá como um só…” 

Dom Itacir Brassiani 

Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) 

Em 1971, quando a guerra promovida pelos EUA contra o Vietnã fervia e matava, John Lennon compôs e gravou uma canção que se tornaria um provocativo libelo pela paz: “Imagine que não exista paraíso, nenhum inferno sob nós, e, acima de nós, apenas o céu. Imagine que não há países, nenhum motivo para matar ou morrer”.  

E prosseguia, instigando nossa imaginação: “Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Imagine que não existam posses, ganância ou fome. Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós, e o mundo viverá como um só”. 

Não precisamos compartilhar a escala de valores do ex-Beatle para justificar o engajamento pela paz e pela igualdade. Zacarias, o pai de João Batista, saudou Jesus de Nazaré como o “Sol que nasce do alto para guiar nossos passos no caminho da paz” (Lucas 1,79). E, no seu nascimento, os coros celestes cantaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que ele ama” (Lucas 2,14). 

Em 1963, antes de John Lennon e no calor da ‘guerra fria’, o Papa João XXIII escreveu Pacem in terris, onde afirma que a paz entre os povos se baseia na verdade, na justiça e na liberdade, e que as tensões entre países não são superadas com a força das armas ou com a mentira. E cita S. Agostinho: “Sem a justiça, os reinos não passam de latrocínio”.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Morre Oscar Schmidt

Morre Oscar Schmidt, uma lenda do basquete


Lenda do basquete brasileiro, o ex-jogador Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. Conhecido como "Mão Santa", ele eternizou a camisa 14 da seleção brasileira.

A informação foi confirmada pela assessoria de Oscar.

Oscar chegou a ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), após ter um mal-estar, mas não resistiu.

Segundo postagens mais recentes de familiares, ele já estava com a saúde debilitada após uma cirurgia. No começo de abril, o filho de Oscar, Felipe Schmidt, recebeu homenagem no lugar do pai no Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Oscar lutou durante 15 anos contra um tumor cerebral.

A assessoria informou que o velório será fechado para a família.

Nas redes sociais, o filho de Oscar postou uma homenagem ao pai. "Como filho, eu só tenho a dizer: pai, vou sentir a sua falta. Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem e tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi. Você foi um exemplo de vida para mim, e eu nunca, nunca vou te esquecer", escreveu Felipe Schmidt.


Motivos pra não votar no Lula...

Motivos pra não votar no Lula...



Os 4 motivos para Joaquim não votar em Lula

Pres/tenção... meus amigos e amigas do Maranhão... O Joaquim fez uma comunicação escrita dizendo das razões de não votar no LULA...

Para quem não conhece o Joaquim, leia aqui para ter conhecimento: Joaquim Haickel nasceu em São Luís do Maranhão em dezembro de 1959. É advogado, empresário, jornalista, escritor e cineasta. Membro da Academia Maranhense Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Foi deputado estadual e deputado federal.

Pois é... Hoje o Joaquim postou nas redes sociais os motivos de não votar no Lula:

Leia o que ele escreveu... E tá na internet:


"Existem muitos, mas vou citar apenas 4 motivos para não votar em Lula ou em qualquer outro candidato da esquerda.

1- Porque eles mentem tanto, descarada e repetidamente, iludem a população, prometendo coisas que sabem jamais poderão realizar, como acabar com a fome, a insegurança, a miséria, e a falta de saneamento.

2- Porque roubam acintosamente, aparelhando o Estado para se beneficiarem patrimonialmente, como nos casos dos escândalos do INSS e do Banco Master.

3- Porque são péssimos administradores, quebraram as estatais brasileiras, sucatearam e desmoralizaram as forças armadas.

4- Porque se eles vencerem as eleições, irão nomear mais 3 ministros do STF que irão continuar atacando a nossa democracia de forma indefensável."

*****

Té mais ver!

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...

Geologia não é destino - Artigo de David Gertner


Geologia não é destino

16/04/2026

David Gertner*

Um artigo recente de Drew Crawford, publicado na rede X, chamou atenção ao apresentar o Brasil como uma das grandes apostas estratégicas do século XXI. A provocação é poderosa: como um país com tamanha abundância de água doce, energia limpa, capacidade agrícola e minerais críticos continua sendo tratado com desconto pelos mercados globais? A pergunta é pertinente. Mas a resposta exige ir além do fascínio fácil pelos ativos naturais (CRAWFORD, 2026).

O Brasil talvez seja hoje um dos maiores paradoxos estratégicos do nosso tempo. Concentramos cerca de 12% da água doce superficial do planeta, temos uma matriz elétrica entre as mais limpas do mundo, lideramos globalmente em nióbio, reunimos reservas estratégicas de grafita, níquel, lítio e terras raras, somos uma potência na produção e exportação de alimentos e, ainda assim, seguimos negociando na bolsa com múltiplos significativamente inferiores aos dos Estados Unidos.

A pergunta implícita é simples e devastadora: como um país com tamanha abundância estratégica pode continuar sendo tratado com tamanho desconto?

A resposta passa por abandonar a sedução dos slogans e enfrentar uma verdade menos confortável. O mercado não precifica o que um país tem; precifica o que ele consegue transformar em valor recorrente, previsível, escalável e institucionalmente protegido. É precisamente nesse ponto que a geologia brasileira encontra o limite da nossa história.

O século XXI devolveu centralidade a quatro ativos que o Brasil possui em escala rara: água, energia limpa, segurança alimentar e minerais críticos. Em um mundo marcado pela transição energética, pela eletrificação industrial, pela disputa por cadeias de suprimento e pela geopolítica dos insumos estratégicos, poucos países chegam a este momento tão bem posicionados. Nossa matriz elétrica, impulsionada por hidrelétricas, eólica, solar e biomassa, permanece entre as mais limpas do planeta. Ao mesmo tempo, o país detém reservas gigantescas de nióbio, grafita, níquel, lítio e terras raras — justamente os materiais que sustentam baterias, turbinas, redes elétricas, chips, defesa, mobilidade elétrica e inteligência artificial.

Papa no lugar de Trump - Artigo de Vicente Limongi Netto

Papa no lugar de Trump

Vicente Limongi Netto*


Bem feito, Trump, quem mandou você tirar o Papa leão do anonimato vazio e improdutivo? O mundo hipócrita agora volta-se contra você. Até igrejinhas do interior do sertão aproveitaram como ávidos desocupados e pingentes dos holofotes para tirar pedaços de você e fazer média com o Papa Leão que, como outros pontífices aproveita momentos de barulheira grossa no mundo,  com balas, canhões, drones, vai altivo para a sacada do suntuoso Vaticano e clama pela paz. Pedindo mais pão, menos canhão.  Seria engraçado, nessa linha,  se analistas católicos, padres, bispos , cardeais, coroinhas e carpideiras por algum instante do arranca rabo inútil, que não vai acabar com a guerra nem vai baratear a gasolina nem vai acabar com a miséria no mundo, botassem Trump no Vaticano e o Papa na Casa Branca. Ações nas bolsas do planeta iriam explodir.  Seria engraçado o Papa que é cidadão americano,  na Casa Branca, de terno e gravata.  Como presidente do país mais poderoso do mundo combatendo a guerra com orações, rezas brabas e crucifixo, rouco, enxugando gelo, com missas, discurseiras e bíblia,  enfrentando bombas na Ucrânia, no Irã e no Libano.

*Vicente Limongi Netto é jornalista.


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