domingo, 3 de maio de 2026

VOCÊ É MACUMBEIRO? - Por Luiz de Miranda


VOCÊ É MACUMBEIRO?

Por Luiz de Miranda

            Difícil encontrar um adepto da Umbanda ou Candomblé que não tenha tido que responder a essa pergunta. Muitos inclusive, se ofendem, e com razão, pois a pergunta vem carregada de preconceito e discriminação. Já no meio em que vivem os adeptos das religiões de matriz africana, tratarem-se dessa forma, é normal, pois sabem perfeitamente o que significa ser macumbeiro.

            Existem vários estudos sobre a origem da palavra macumba, dentre eles, citaremos alguns:

            1-Árvore da família da famosa jequitibá, considerada sagrada para o povo africano. De sua madeira se produz um instrumento de percussão, que leva o mesmo nome. Este instrumento é semelhante ao reco-reco, e que era muito usado nos rituais de adoração aos Orixás, que eram feitos sob a copa desta árvore. No entanto, muito além dessas definições, a macumba é sim um culto, uma forma bem similar às práticas da Umbanda atual. Pra que a gente entenda melhor, vamos lá: logo após a abolição da escravidão, bem sabemos que a maioria dos negros ficaram sem emprego e consequentemente, sem comida e lugar para viver. Daí, a única coisa que tinham para superarem tanta miséria, era usar seus conhecimentos de magia, para atenderem aos interesses dos homens e mulheres brancos, que os procuravam para pedir todo tipo de magia, pagando com altas quantias pelos trabalhos realizados. Esses trabalhos de magia, tinham várias finalidades: cura de doenças, amarrações, vinganças, pedidos de proteção, melhorias nas plantações e colheitas, livramento de pragas e doenças em suas plantações e criações de animais, sorte em jogos de azar, brigas por disputa de terras, e uma infinidade de magias que os negros manipulavam com muita astúcia e sabedoria.

            Dentre vários significados da macumba, considerando a diversidade da língua banto, Nei Lopes, profundo conhecedor do assunto e autor do dicionário banto do Brasil, afirma que kumba vem do quicongo e significa feiticeiro e o prefixo ma, forma o plural, ou seja: macumba, a reunião de feiticeiros.

     Já o grande filósofo e etimólogo Antenor Nascentes, afirma que macumba vem do quimbundo dikumba, que significa cadeado ou fechadura, fazendo alusão aqui aos rituais secretos de fechamento de corpo.

Setentões!... Por Carlos Silva


Setentões!

Por Carlos Silva*

Em: 30 de abril de 2026

Mudaram a nossa cultura com a força das leis! Tudo bem que é assim em uma democracia. Obedeço, mesmo discordando intimamente de algumas medidas e ideias. Apesar de, em alguns casos, decisões serem desagradáveis, as sigo, por disciplina consciente, que me foi ensinado em anos de coturno. E não demonstro a ninguém se gosto ou não. Minhas ideias, minhas opiniões, meus gostos, dizem respeito apenas a mim, e ponto final. Mas, a minha geração e as mais antigas lembram como foi estruturada a nossa infância, no contexto do entretenimento: assistíamos aos filmes de Tarzan, um herói seminu, branco, com uma namorada branca, vivendo cercado de negros, sob seu jugo, matando animais aqui e ali; o Zorro, latino, vivia mascarado e tinha um mordomo mudo (pessoa com deficiência); o Zorro norte-americano também vivia mascarado e tinha um “auxiliar” índio, o Tonto; Robin Hood, herói eurocêntrico, roubava dos ricos e dava aos pobres; os filmes da Cavalaria americana dizimava os índios; Branca de Neve morava com 7 homens; Popeye usava erva, de textura herbácea e rasteira; Pinóquio era mentiroso; o herói japonês Oitavo Homem ganhava superpoderes assim que fumava um cigarro; as propagandas da Marlboro incentivavam fumar e, naquela época, fumar era elegante, e permitido até em aviões; se comprava armas de fogo em lojas de departamentos, sem muita burocracia  e com propagandas liberadas; as chacretes e a banheira do Gugu exalavam erotismo e sensualidade; Costinha e suas piadas, hoje em dia, causariam fuzilamento; Clóvis Bornay e Clodovil eram vistos como “esotéricos, diferentões”; os filmes de Bruce Lee eram pura violência, igual ao Telecatch Montilla. Enfim, se as gerações atuais vissem os filmetes da nossa época, iriam ter crises existenciais ou nos chamar de criminosos discriminatórios.  E, assistimos a Revolução Cubana, Crise dos Mísseis, Baía dos Porcos, o pouso do homem na Lua, Guerra do Vietnã, Guerrilha do Araguaia e Xambioá, tricampeonato mundial de futebol,  fim da Guerra Fria, e muito mais, e tudo isso, no século passado. Mas, em um contexto de duas ou três gerações. De fato, o mundo, hoje, está muito, muito chato e sem a menor graça mesmo. Bons tempos em que a nossa distração era física e não dependíamos de computadores. Me recordo, na graduação, um show de uma cantora famosa e sensual, em um auditório repleto de moleques de 20 anos. Naquela noite, houve entupimentos da tubulação dos esgotos, devido a quilômetros cúbicos de sêmen “homenageantes”. Aquilo tudo que vivemos é que era divertido, e não isso que se vê por aí hoje em dia. Mas, a vida seguiu, eu a vivi na época, e foi maravilhosa mesmo, e continua seguindo. Com cervejas! Geladas !

*Carlos Alberto da Silva é coronel do Exército, na Reserva, professor universitário, graduado em Administração e mestre em Ciências Militares


A minha Barra! - Por André Milhomem, escritor

A minha Barra!

André Milhomem


Voltar às margens do Rio Corda não é apenas retornar a um lugar, é reencontrar uma versão de si mesmo que o tempo não conseguiu apagar.

Há algo de sagrado no Rio Corda, como se cada correnteza carregasse memórias que insistem em permanecer vivas, no meu rio, o mundo desacelera, e a vida volta a caber no simples, na cruviana que encosta no rosto, no barulho da água e no silêncio que fala mais do que qualquer palavra.

E, de repente, eu já não sou quem fui me tornando, sou novamente o moleque de pés descalços correndo pelas ruas de pedra, com o tempo escorrendo entre os dedos sem qualquer pressa, o corpo leve, a alma solta, e aquela coragem típica de quem ainda não aprendeu a temer a vida.

As “tibungadas” eram mais do que mergulhos, eram rituais de liberdade, cada salto na água era um desafio aceito, uma risada espalhada, um instante eterno que se repetia sem nunca se esgotar, a gente mergulhava sem saber que estava, na verdade, afundando nas raízes da própria existência.

E as brincadeiras… ou melhor, os “folguedos”, palavra que carregava mais do que significado, carregava pertencimento, era correr sem destino, rir sem motivo, inventar mundos com quase nada, porque tudo bastava.

Havia também o aprendizado silencioso, ao sentar ao redor dos mais velhos, ouvir suas histórias, seus causos, suas pausas cheias de sentido, eu não ousava interromper, não por medo, mas por respeito, aquele tipo de respeito que não se ensina, se absorve, ali em silêncio, aprendíamos mais sobre a vida do que em qualquer outro lugar.

Hoje, de volta a minha terra, percebo que nunca se tratou apenas de um lugar, viver em Barra do Corda é carregar um pedaço do mundo dentro do peito, não é só saudade, é identidade, é raiz, por que há lugares que a gente visita… e há aqueles que nos habitam.

E Barra do Corda, com seu rio, suas ruas e suas memórias, não moram em mim como lembrança, mora como essência.

*André Milhomem é escritor e historiador, mora em Barra do Corda (MA)


sábado, 2 de maio de 2026

Árbitros não são jogadores - Por Breno Rodrigo


Árbitros não são jogadores

Por Breno Rodrigo*

Em: 30 de abril de 2026

O Brasil é a pátria dos paradoxos. E a literatura nacional explorou com maestria essa condição. Em “Teoria do Medalhão”, Machado de Assis ironiza a formação de uma elite preocupada mais com aparência e conveniência do que com substância; um retrato agudo de um modo de vida que valoriza a forma em detrimento da substância. Sentencia Machado: “o melhor será não ter ideias absolutamente; coisa que ninguém te invejará”.

Já Lima Barreto, outro gênio e intérprete do espírito nacional, em “Os Bruzundangas”, constrói uma sátira implacável de um país fictício que, na prática, pouco tem de ficcional: “Na Bruzundanga, as leis existem, mas não para serem cumpridas”. A crítica atinge em cheio a distância entre norma e prática: uma constante na vida brasileira.

Mas foi Sérgio Buarque de Holanda, o pai do Chico, quem examinou nossos paradoxos com maior densidade analítica. Em “Raízes do Brasil”, obra-prima da tradição sociológica brasileira, publicada há mais de noventa anos, escreve no capítulo “Novos Tempos”:

Vale a pena ler a longa citação: “Trouxemos de terras estranhas um sistema complexo e acabado de preceitos, sem saber até que ponto se ajustam às condições da vida brasileira e sem cogitar das mudanças que tais condições lhe imporiam. Na verdade, a ideologia impessoal do liberalismo democráticos jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a negação pura e simples de uma autoridade incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tratar com familiaridade os governantes. A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido.”

Mais a diante, no capítulo seguinte e conclusivo ― Nossa Revolução ― ratifica o autor: “É frequente imaginarmos prezar os princípios democráticos e liberais quando, em realidade, lutamos por um personalismo ou contra outro. O inextricável mecanismo político e eleitoral ocupa-se continuamente em velar-nos esse fato.”

Quando tudo ainda era silêncio - Artigo de Dom João Santos Cardoso - Arcebispo de Natal (RN)


Quando tudo ainda era silêncio 

Dom João Santos Cardoso  - Arcebispo de Natal (RN)

O cotidiano nos permite encontros inesperados. Muitos passam sem deixar marca; outros, discretamente, tornam-se significativos. Às vezes, chegam na forma de uma mensagem, de um texto partilhado, de uma palavra oferecida quase sem pretensão. Foi assim que, de maneira inusitada e, ao mesmo tempo, profundamente corriqueira, um jovem me pediu que lesse um texto. 

Apenas isso. Não buscava aplausos nem análise técnica; queria, simplesmente, ser lido. E talvez aí resida uma das verdades mais humanas da escrita: quem escreve deseja encontrar um leitor, um coração que acolha. Não há solidão maior para um texto do que não ser lido; igualmente, não há alegria maior para quem escreve do que perceber que suas palavras encontraram morada em alguém. 

Li o poema com atenção. Depois reli. À medida que avançava, fui sendo surpreendido. Num primeiro momento, pensei tratar-se de um autor já consagrado. Havia ali algo da interioridade densa de Fernando Pessoa, como os pensamentos que habitam sem pedir licença; a delicadeza de Cecília Meireles e de Adélia Prado, onde o essencial se revela nas entrelinhas; e a intuição de Manoel de Barros, capaz de descobrir o extraordinário no cotidiano, no simples, no que passa despercebido e parece supérfluo. 

Mas, ao reler com mais atenção, percebi que a autoria era dele. E então compreendi algo ainda mais precioso: ali não estava apenas a beleza da poesia, mas a memória viva de uma experiência. Não era um exercício literário; era vida tornada palavra.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Agenda municipalista de Brandão alcança a marca de 210 prefeitos


Governador Carlos Brandão fortalece agenda municipalista e alcança a marca de 210 prefeitos recebidos no Palácio dos Leões

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1/05/2026

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, segue fortalecendo o diálogo com os municípios por meio da agenda municipalista, consolidada como um dos pilares de sua gestão. Nessa quinta-feira (30), no Palácio dos Leões, em São Luís, o chefe do Executivo estadual recebeu mais quatro prefeitos. Com os novos encontros, o Governo do Estado do Maranhão alcança a marca de 210 prefeituras atendidas nesta rodada de conversas, restando apenas 7 municípios para a conclusão do cronograma de escuta ativa. 

A iniciativa tem o objetivo de descentralizar os serviços públicos e fortalecer parcerias diretas para a execução de obras e ações nas áreas de infraestrutura, saúde e cidadania. Participaram da rodada de encontros os prefeitos Flávio Amorim (Araguanã), Bruno Cardoso (São João do Caru), Dilcilene Oliveira (Boa Vista do Gurupi) e Erlanio Xavier (ex-prefeito de Igarapé Grande), iniciativa que teve como objetivo ouvir diretamente as demandas locais e construir soluções conjuntas para melhorar a qualidade de vida da população nos municípios.

Durante as reuniões, os prefeitos apresentaram demandas prioritárias de seus municípios, abrangendo áreas como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento social. Entre os principais pontos discutidos estiveram a recuperação de estradas vicinais, ampliação de serviços de saúde básica, investimentos em equipamentos públicos e apoio a programas sociais que atendem comunidades em situação de vulnerabilidade.

O governador destacou que a aproximação com os gestores municipais permite ao governo estadual ter uma visão mais precisa das necessidades de cada cidade, respeitando suas particularidades e potencialidades. Segundo ele, essa escuta ativa é fundamental para garantir que as políticas públicas sejam mais eficazes e alcancem quem realmente precisa.

"Já recebemos 210 prefeitos e prefeitas, só hoje foram quatro municípios. E nessas discussões a gente ouve as demandas e autoriza para que a gente possa melhorar os municípios. Daqui saiu Viva Procon, Colégio Militar, asfalto, enfim, várias obras que interessam ao município. E hoje eles estão saindo daqui com ambulância zerinho, para que eles possam transportar pacientes e salvar vidas. É assim o nosso governo: trabalhando para melhorar a vida das pessoas", disse o governador Carlos Brandão.

Brandão também ressaltou que o municipalismo é uma diretriz permanente de sua gestão, baseada na cooperação institucional e no fortalecimento das prefeituras. Ele enfatizou que o governo está aberto ao diálogo e disposto a firmar parcerias que resultem em benefícios concretos para a população, independentemente de posicionamentos políticos ou partidários.

O prefeito de São João do Caru, Bruno Cardoso, celebrou os investimentos anunciados. O prefeito avaliou de forma positiva a oportunidade de apresentar suas demandas diretamente ao governador. “Essa é uma ótima oportunidade para tratar de assuntos de grande interesse para o nosso município de São João do Caru. Fortalecemos a parceria, e já já tem novidade chegando na cidade”, destacou.

Segurança Pública

Governo do Maranhão entrega 85 novas viaturas e equipamentos para reforçar a Segurança Pública




Nesta sexta-feira (1º), que se comemora o Dia Internacional do Trabalho, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e com a presença do governador Carlos Brandão, entregou 85 novas viaturas, destinadas ao reforço do policiamento ostensivo em unidades da capital e do interior do estado. O evento ocorreu no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão, no bairro Calhau, em São Luís.

A entrega dos novos equipamentos e viaturas integra a política de fortalecimento da segurança pública no Maranhão, com investimentos em tecnologia, mobilidade e estrutura para as forças policiais.

O governador Carlos Brandão destacou os investimentos feitos pelo Governo do Maranhão no combate à criminalidade durante a solenidade e ressaltou a importância da tecnologia e da inteligência policial para as operações de segurança.


“Estamos entregando hoje estas viaturas para ampliar a capacidade operacional da Polícia Militar em todo o estado, garantindo mais segurança para a população exercer suas atividades do dia a dia. Este é um dos vários investimentos que temos feito para fortalecer a segurança pública no estado. Também ampliamos o efetivo com a contratação de novos policiais. E não posso deixar de destacar a questão da inteligência e tecnologia, que nos auxilia muito nas investigações, como videomonitoramento e câmeras de reconhecimento facial”, pontuou Brandão.

A ação tem o objetivo de reforçar o policiamento ostensivo, ampliar a capacidade de monitoramento e inteligência, modernizar os recursos operacionais das forças de segurança e garantir maior eficiência no atendimento à população.

A secretária de Estado de Segurança Pública, Augusta Andrade, informou que a entrega das viaturas e equipamentos tecnológicos vai agir diretamente na segurança da população e no combate eficaz à criminalidade. “Com essas viaturas a gente vai poder atender de forma eficaz a nossa população, reforçando o nosso policiamento tanto na capital quanto no interior com policiamento ostensivo, com inteligência e com as ações integradas entre o sistema de segurança pública”, assinalou.

DIA DA LITERATURA BRASILEIRA - Por Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor

 

DIA DA LITERATURA BRASILEIRA

Por Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor


Neste dia nacional da literatura, ressalto a importância do livro. Os mais antigos escritos pelo homem, seja em tabletes de argila ou pergaminhos; pele de animais ou papiros; tecidos ou papel; máquina de datilografar ou computador, e agora, no limiar da espécie humana, a Inteligência Artificial (IA).

No decorrer da nossa história, foram escritos a Bíblia, Livro dos Mortos, Zarastruta, Confúcio, Livros dos Gregos, todos discorrendo sobre o homo sapiens, até os dias atuais. Sobre a importância dos livros, cito as palavras de Silas Fonseca: "Eu do livro não me livro. Nem quero me livrar. Se do livro eu me livro, como livre vou ficar?"

O livro encontramos em bibliotecas gigantescas ou não, nas livrarias, nos sebos, nos bolsos, nas mesas, nos lixeiros (descartados), e até mesmo nos banheiros, são acessíveis e transmitem, ensinam toda e qualquer forma de conhecimento.

Em minhas palestras gosto de citar os cinco maiores clássicos da literatura universal: Ilíada, Odisseia (Homero), Eneida (Virgílio), Divina Comédia (Dante Alighieri), Os Lusíadas (Camões).

Lembro que durante meus verdes anos, lia William Shakespeare, Miguel Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, Alexandre Dumas (pai e filho), Júlio Verne, Lord Byron, Victor Hugo, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Gonçalves Dias, Gregório de Matos Guerra, Álvares de Azevedo, Viriato Correa, Maranhão Sobrinho, Coelho Neto, Aluísio de Azevedo, Josué Montello, dentre outros.

Parceria entre Japão e Amazonas ganha novos sabores e reforça laços históricos na FUnATI -


Parceria entre Japão e Amazonas ganha novos sabores e reforça laços históricos na FUnATI

Em: 30 de abril de 2026

Realizado na Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025 com recursos do governo japonês, o encontro reuniu alunos idosos, autoridades e representantes do consulado


Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025. (Foto: Mônica Freires)

A relação entre o Japão e o Amazonas, construída ao longo de décadas por meio de intercâmbios culturais, científicos e econômicos, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (30), em Manaus. A Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI) recebeu uma oficina de culinária japonesa que, mais do que ensinar receitas, simbolizou o fortalecimento de uma parceria marcada por cooperação e troca de conhecimentos.

Realizado na Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025 com recursos do governo japonês, o encontro reuniu alunos idosos, autoridades e representantes do consulado. À frente da atividade, o chef Takashi Nakano apresentou pratos da culinária caseira japonesa, destacando não apenas técnicas gastronômicas, mas também hábitos alimentares associados à longevidade.

A iniciativa foi tratada como um gesto concreto da amizade entre os dois povos. “Essa é uma prova da relação entre Japão e Brasil, especialmente com o Amazonas”, afirmou o cônsul-geral do Japão em exercício, Akira Suzuki. Segundo ele, a oficina também representa uma oportunidade de compartilhar experiências em um contexto em que o envelhecimento populacional se torna um desafio comum. “A culinária japonesa é uma das mais saudáveis. Esperamos que contribua para a qualidade de vida dos idosos”, disse.


Mais do que um evento pontual, a atividade reflete uma conexão histórica profunda. (Foto: Mônica Freires)

Mais do que um evento pontual, a atividade reflete uma conexão histórica profunda. O reitor da FUnATI, médico e ex-deputado federal Euler Ribeiro, relembrou que a presença japonesa no Norte do Brasil deixou marcas duradouras na economia e na cultura regional. Ele citou, por exemplo, a introdução da juta em Parintins e o estímulo ao cultivo do guaraná em Maué, município que hoje concentra significativa população descendente de japoneses.

“Existe uma relação antiga. Os japoneses contribuíram diretamente para o desenvolvimento de atividades econômicas importantes no Amazonas”, destacou. O reitor também ressaltou que essa troca vai além da produção agrícola, alcançando áreas como ciência e saúde.

Atualidade: 1º de Maio: Inovação sem inclusão é retrocesso - Artigo de Ney Lopes, jornalista, escritor, ex-deputado federal


Atualidade: 1º de Maio: Inovação sem inclusão é retrocesso

Ney Lopes*

01 Mai 2026

O 1º de maio não permite neutralidade; é uma data que exige posicionamento. Em um cenário onde a tecnologia redefine a criatividade humana em velocidade inédita, insistir em discursos genéricos sobre modernização já não basta. A questão central, que deve ecoar em cada fábrica, escritório e plataforma digital, é: quem, de fato, está colhendo os frutos desse progresso?

No Brasil, a produtividade atinge picos históricos e a eficiência é o tema da vez. Contudo, milhões de trabalhadores permanecem à margem dos ganhos reais. Segundo o IBGE, cerca de 40% da força de trabalho opera na informalidade. Esse dado não é apenas um detalhe estatístico; é um retrato estrutural de exclusão, representando uma massa de cidadãos privados de direitos fundamentais sob o pretexto da flexibilidade.

Progresso tecnológico e compromisso social

A evolução técnica desprovida de responsabilidade social apenas aprofunda abismos, revelando que o "futuro do trabalho" ainda é desenhado para poucos. Sem políticas públicas consistentes, regulação adequada e um pacto real pela inclusão, a inovação deixa de ser uma ferramenta de emancipação para se tornar um multiplicador de desigualdades.

A reflexão é urgente: se a tecnologia não melhora a vida da maioria, ela falhou em sua essência. Quando o lucro se sobrepõe à qualidade de vida e a automação substitui postos de trabalho sem contrapartida humana, o que chamamos de "avanço" nada mais é do que a atualização da miséria. Para os mais vulneráveis, a modernidade tem sido sinônimo de precarização e instabilidade.

O humano acima do lucro: O pilar democrático

O verdadeiro desenvolvimento precisa colocar a dignidade humana no centro da estratégia. É imperativo resgatar a premissa de que o trabalho deve existir em função do ser humano, e não como mero combustível para o lucro eventual ou a acumulação desenfreada. Dentro de uma democracia vibrante, a liberdade não se resume apenas ao direito de escolha, mas à existência de condições materiais que permitam ao trabalhador viver com autonomia e segurança.

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