Povo como pretexto
Alex Pipkin, PhD em Administração
Ideologias não nascem como fraude; nascem como tentativas de compreender e organizar o mundo.
A esquerda parte da premissa de que o Estado deve mitigar desigualdades e proteger os vulneráveis. A direita, da convicção de que a prosperidade emerge da liberdade econômica, da iniciativa privada e do conhecimento aplicado à geração de riqueza. Em suas origens, não são dogmas, são hipóteses.
O tempo, contudo, tem o hábito de testar aquilo que os livros apenas sugerem.
A história econômica é menos generosa do que os palanques. Não há nação próspera sem disciplina fiscal, previsibilidade e respeito ao dinheiro extraído da sociedade. O crescimento sustentável definha onde o Estado gasta sem limites, tributa sem critérios e intervém sem medida. Tampouco há avanço onde a livre iniciativa é sufocada, o direito à propriedade é relativizado e a inovação não acontece pelo abusivo intervencionismo estatal.
A ironia trágica é que, em nome do povo, frequentemente se constrói o exato oposto daquilo que o beneficia. A inflação pune os mais pobres. A baixa produtividade os aprisiona, e a estagnação os condena. O discurso promete emancipação; a prática entrega dependência.





