terça-feira, 19 de maio de 2026

TRAPOS & RELÍQUIAS - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

TRAPOS & RELÍQUIAS

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


Como sou apaixonado por objetos, principalmente, fotos antigas. Sinto, por exemplo, uma profunda saudade das ausentes bancas de revistas, onde trocava-se figuras repetidas, afim de completar os nossos álbuns de "figuras".

Comprar revistas de faroeste e de heróis infalíveis, principalmente, era uma verdadeira aventura. Era prazeroso - fazia parte de uma época. Meu Deus, esse tempo passou, não existe mais, senão nas minhas reminiscências.

Hoje, constato que "evoluímos" para a cibernética, onde computadores e celulares de última geração se apresentam no lugar de tudo de bom que era do antigamente...

O peão, a baladeira e o bom carrinho de lata, etc., ficaram para trás. Cederam lugar para outros entretenimentos que tenho como obrigação, duramente de me acostumar.

O ser humano está usando sua inteligência numa tentativa de melhorar, mas as lembranças deixadas machucam em forma de uma ruptura brusca, criadora de uma cratera, chamada, saudade.

Uns dizem: tudo tem sua hora, desde gente até os objetos tecnológicos. Isso é verdade. Meu mundo passou e esse no qual estou agora inserido, parece não me caber.

Sinto saudade de uma época, em que as pessoas tinham mais tempo umas para as outras. Tudo, atualmente ficou apressado e de forma paradoxal, mais distante, gerando pessoas (seres) sozinhos...

É fato que agora não somos "vigiados ou protegidos" por nossos pais, e sim por consciência maquinal, cheia de engrenagens, introduzidas sutilmente em nossas vidas...

O que será de um homem como eu, cheio de saudade e vivendo num mundo alheio? Sinceramente, não sei. Essa pergunta devo fazer a mim mesmo. Então eu faço: Eu, qual tua posição?

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 19.5.2026. SÃO LUÍS-MA).


Meu pai, escravo - Artigo de Carlos Silva


Meu pai, escravo

Por Carlos Silva*

Em: 19 de maio de 2026

Durante este mês de maio, que está finalizando, participei de algumas atividades culturais e artísticas, lembrando, que ambos termos nem sempre são sinônimos. Refleti sobre algumas comemorações a respeito do 13 de maio e a Abolição da Escravatura. Mas, como eu penso sobre tal data, e tal época, e suas consequências e repercussões? Meu pai foi registrado em 1930. Nasceu escravo em algum lugar no sertão da Paraíba. Os antecedentes deles vieram trazidos da Mãe África, à força, com extrema violência. O pior é que meus bisavós paternos já eram escravos de outros negros em terras, hoje conhecidas como Luanda e adjacências. Qualquer guri que tenha estudado História irá entender que a dinâmica do mercado, ao longo dos séculos XV em diante, na colônia portuguesa da América, era baseada no trabalho da mão-de-obra negra. Sim, sabemos que escravos sempre existiram. E não era pela cor da pele e, sim, pela falta de força contra os opressores, e, como exemplo, as civilizações romanas e  egípcias. Mas, por mais de 300 anos, para os senhores de engenho, cafeicultores, proprietários de minas de ouro e em todas as formas de enriquecimento, a base era o braço escravo. Naquele período, essa amaldiçoada forma de se fazer economia era aceita pelas sociedades, pela Igreja Católica, pelo poder. Ou seja, era o status quo. Então, por pressão de determinada potência europeia, decidiu-se, com apenas uma penada, acabar com a maldição. Lembrando que a tal potência não tinha as veias de civilização humana e, sim, buscava ampliar a quantidade de consumidores de seus produtos. Pergunte a um aborígene australiano o que a oralidade deles fala dessa potência. No entanto, era para ter terminado em 1888. E não foi assim. De fato, como aqui na nossa terrinha temos as nossas formas de fazer as coisas, em 1930 meus avós paternos e meu pai eram, ainda, escravos. E devem ter muitos casos assim hoje em dia, com certeza. Como não existe limite para a maldade humana, me julgo no direito de não perdoar. Tudo bem que houve a miscigenação. E isso foi e é excelente. Mas, a chaga continua. E não é com palestrinhas e bandeirinhas sociais que vamos apagar o passado. A dor continua. Não em todos, mas continua viva, sim. Mas, em respeito a todos os meus antepassados paternos, eu sobrevivi e os honro, com orgulho. Afinal, eu não pedi para nascer negro, apenas tive sorte!

*Carlos Alberto da Silva é Coronel do Exército, na Reserva, professor universitário, graduado em Administração e mestre em Ciências Militares


A república do bonsai - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


A república do bonsai

Por Alex Pipkin, PhD em Administração

Tenho batido nesta mesma tecla porque ela esconde o engano moral mais destrutivo do nosso tempo. O problema do Brasil nunca foi a desigualdade. O problema real, urgente e doloroso é a pobreza.

Desigualdade existe até na floresta mais saudável. Algumas árvores rompem a copa do céu enquanto outras sobrevivem na penumbra. Ainda assim, a floresta pulsa e prospera porque há disputa por luz, ímpeto de crescimento e espaço para o gigantismo.

O que destrói uma sociedade não é a diferença de altura entre os troncos, mas o solo compactado que impede qualquer nova semente de germinar. O populismo estatista brasileiro especializou-se exatamente nisso ao transformar o que deveria ser uma floresta tropical em um imenso e controlado jardim de bonsais. Planta-se a fragilidade para colher a dependência.

Nossa luta - artigo de Pedro Valls Feu Rosa, desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.


Nossa luta

Pedro Valls Feu Rosa

17/05/2026 

Na aurora de 2020 a conceituada Universidade de Cambridge entregou à humanidade um sério alerta na forma de um relatório denominado “Satisfação Global com a Democracia”.

Ao término de longa pesquisa de opinião pública (quatro milhões de consultas entre 1973 e 2020) os pesquisadores detectaram um fenômeno preocupante: a maioria da população mundial está desiludida com a democracia.

A nível global o índice de insatisfação subiu de 47,9% para 57,5% desde meados da década de 1990. Um dos autores do estudo, Dr. Roberto Foa, bem sintetizou o estado de coisas: “a democracia está doente”.

Observo que este não é um quadro relativo a governos, mas, antes, ao sistema que os gera. Houve o cuidado de isolar-se dos resultados questões momentâneas ou paroquiais.

Qual a explicação? Há várias, claro. Mas chamou-me a atenção um fator especialmente realçado pelo historiador David Olusoga, em artigo publicado no jornal britânico The Guardian: “quando os bancos tiveram problemas durante a crise econômica de 2008 receberam ajuda – e o resto de nós austeridade”.

Eis aí uma dura verdade. Pelo planeta afora temos visto governos legitimados pelo voto popular conferindo benesses a grandes empresas e reduzindo absurdamente a qualidade e a quantidade dos serviços a serem prestados pelo Estado – enquanto isso, a reboque, começam a subir descontroladamente os níveis de pobreza e desigualdade.

Faço rápida pesquisa em meu banco de dados. Retorno a 25 de outubro de 1999, quando a conceituada revista Time publicava uma séria frase de Mohammed Tariq, um motorista de taxi paquistanês de apenas 22 anos de idade: “Nós não queremos democracia. Queremos apenas lei, ordem e preços estáveis”.

Vou à janela. Vejo o mundo mergulhado em denúncias de corrupção e optando pela impunidade mais acintosa. Contemplo a epidemia então instalada no planeta – e os Estados completamente despreparados, com sistemas de saúde falidos e estruturas sucateadas. Uma vez mais começam as discussões sobre benefícios e resgates para alguns poucos – ao custo da austeridade para muitos.

A democracia não nos foi presenteada. Foi conquistada. Daí nosso dever maior de provar ser ela compatível com o desenvolvimento econômico e social – e incompatível com a corrupção. Este não é um dever apenas cívico – é, acima de tudo, espiritual.

*Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

SAGRADOS & PROFANOS - Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


SAGRADOS & PROFANOS

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Gente, há quantas religiões? E a Bíblia Cristã, gerou quantos eventos de paz e de guerra? E se não bastasse, quantas denominações estão aí com suas "verdades" e pastores, sacerdotes "podres" de ricos?

Creio na integridade de Deus, isso não é - nem de longe - a verdade Dele. Pastores, sacerdotes e outras autoridades eclesiásticas... Como pode uma coisa dessa ser de Deus? Meu pensamento, no momento, me direciona a esses absurdos aceitos como verdades e normalidades.

Finalmente, chegaram as chuvas torrenciais. As velhinhas, coitadas, com suas sombrinhas chinesas - de péssima qualidade - vão para suas respectivas casas. Não é nem preciso dizer que chegam molhadas e espirrando "catarro" para todos os lados.

O pastor, o sacerdote, há muito tempo já chegou em casa em seu carro de luxo... Quando, naturalmente ou não, morre um irmão da igreja, o caixão, sim, o ataúde é dos mais simples e humildes. Até parece que é de papelão.

Já aconteceu de o fundo de um desses não aguentar o defunto e esse caiu, todo duro no chão. No entanto, o caixão, a urna fúnebre do pastor ou sacerdote de "Deus" é de luxo, é de madeira de lei. Tem até uma vidraça para que se olhe a cara do morto.

O cemitério? O melhor da cidade, o contrário do pobre crente, que vai lá para a periferia da cidade disputar uma vaga com quem chegou não faz muito tempo...

"Contínua" a história do ser humano e a fé. Eu, escrevendo estilhaços de verdades e de ilações. O pastor com seu impecável paletó de sempre e os "crentes" - velhos e novos -, com suas limitações, esperando o dia do Juízo Final.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA.18.05.2026. SÃO LUÍS-MA).


Não se esqueça de nós - Artigo de Dom Itacir Brassiani


Não se esqueça de nós

Dom Itacir Brassiani

Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

O evangelista João nos informa que, na noite da ceia e do lava-pés, Jesus se demora num diálogo tenso e amistoso com os discípulos. Eles estavam perturbados com o gesto radical de Jesus e com o anúncio da sua partida para o Pai, que coincide com a “elevação” na cruz. Eles não conseguem imaginar a vida sem a presença orientadora de Jesus.

É neste contexto que Pedro pergunta a Jesus para onde ele vai (cf. João 13,36-38). É como se Pedro suplicasse: “Não nos deixe sozinhos!” Jesus responde indiretamente, dizendo que Pedro não poderia acompanhá-lo naquele momento, mas o faria mais tarde. Pedro reage dizendo que está disposto a dar a vida por Jesus (mas não para viver como Jesus).

Transcorridos os dias em que aquilo que Jesus anunciou na ceia se realizou nas ruas de Jerusalém e no calvário, fora dos muros da cidade, e depois do tempo necessário para a superação do escândalo e o reconhecimento dos sinais de que o Crucificado vivia, Jesus é “elevado aos céus”, e uma nuvem o oculta “aos olhos dos discípulos” (cf. Atos 1,9).

}Não obstante a intensa e incisiva catequese de Jesus sobre a validade e o caráter divino do seu caminho de amor e compaixão, os discípulos ainda alimentam expectativas de uma ação poderosa e restauradora por parte dele. Jesus insiste que o tempo é de testemunho e de missão, mas eles ficam parados, olhando para o céu, esperando um evento miraculoso (cf. Atos 1,6-11).

Ainda hoje, há cristãos que esperam e suplicam ansiosamente que Jesus volte e conclua a obra que a cruz interrompeu. Eles esquecem que a cruz – o amor incondicional de Jesus e o amor incondicional dos discípulos – é a ação definitiva de Deus para mudar o mundo. E não aprenderam que a ascensão de Jesus é a sua divina inserção no coração do mundo pelo nosso testemunho.

Na cena da ascensão, os anjos continuam a questionar a nossa inércia e a tentação de delegar a Jesus a tarefa que é nossa (cf. Atos 1,11). Ele não nos deixou órfãos e indefesos, com uma missão impossível e cercados de perigos e ameaças. Ele nos envia o Defensor, aquele que nos envolve de Sabedoria, Inteligência e Fortaleza, e isso basta. Ele não esquece de nós! Ele está no meio de nós!

Somos nós, discípulas e discípulos de Jesus e ungidos pelo seu Espírito, que somos convocados a não esquecer as vítimas da violência e as pessoas que estão à margem; a ser pais e irmãos de quem sente-se órfão de Esperança; a estar próximos de quem se desespera com a impunidade dos grandes algozes do povo. E a sermos Igrejas que rezam e caminham juntas, conscientes de terem um só coração e um só espírito, e de serem chamadas a uma única esperança.


domingo, 17 de maio de 2026

NINGUÉM ESCAPARÁ! - artigo de José Renato Nalini, acadêmico da Academia Paulista de Letras


NINGUÉM ESCAPARÁ!

Acadêmico: José Renato Nalini*

Não é a Terra que corre perigo. Ela continuará a existir. Mas, se continuarmos surdos e cegos à realidade atual, ela prescindirá da nossa espécie para continuar sua rota no Cosmos infinito


Ninguém escapará!

Em 1962, a bióloga e ecologista Rachel Louise Carson lançou o livro “Silent Spring”, ou “Primavera Silenciosa”, por isso é considerada a mãe do ambientalismo. Ela alertava a sociedade americana de que o uso excessivo de herbicidas estava matando abelhas e borboletas. Isso conduziria à extinção da humanidade.

A sensível cientista já raciocinava à luz de uma concepção que se tornou vitoriosa e hoje é incontestável. A cadeia existencial – toda espécie de vida – forma uma corrente que não pode ter nenhum de seus elos rompido. Se isso acontecer, compromete-se todo o sistema vital. Os outros elos também se rompem e isso é o prenúncio da catástrofe. Não sobrará qualquer espécie de vida.

É o que está acontecendo no mundo, que continua – de forma inclemente e insensata – a desmatar e a se servir de combustíveis fósseis, mesmo sabendo que eles envenenam a atmosfera e causam a morte prematura de milhões de seres. Os humanos, principalmente.

A ruptura do equilíbrio natural de um universo tão bem orquestrado, oferece um quadro tétrico ao bicho-homem. As duas principais causas do aquecimento global – desmatamento e uso de fósseis – provocam profunda mutação climática.

Embora exista uma enfermidade chamada negacionismo, para a qual ainda não se inventou a vacina, é impossível não constatar que a cada ano a temperatura aumenta. Todos os últimos anos têm sido recordes de calor. Ele ocasiona a escassez hídrica. O calor mata mais do que as ondas de frio e as outras causas de desastres vinculados à mutação do clima: afogamentos em enchentes, soterramentos pelos deslizamentos e desmoronamentos.

Por óbvio, não constará do assento de óbito como “causa mortis” o calor. Mas ele foi o gatilho deflagrador de AVCs, enfartes, síncopes cardíacas e outras ocorrências fatais. Morre-se antes do tempo. Embora a morte seja a única certeza, a mais democrática das ocorrências, pois não poupa ninguém, a vida é muito preciosa para ser precocemente interceptada.

Outra consequência nefasta é a crise hídrica. O mundo inteiro registra falta de água potável. Muitos países já estão dessalinizando a água do mar. Processo complexo e dispendioso. O ser humano tem se mostrado um eficiente fabricante de desertos. Eles estão chegando muito perto de nós. E provocam outro fenômeno: os refugiados climáticos. Sem água não se vive.

Alguns espíritos empedernidos costumam atribuir à ecologia, que é verde, uma tonalidade rubra. Acusam os amigos da natureza de serem ideologicamente de esquerda. Só que essa causa não tem ideologia, nem conotação política. É uma questão humanitária.

Cumpre registrar que a expressão “desastres naturais” é inadequada. Não são naturais as respostas que a natureza oferece à insanidade dos seres humanos. Todos os fenômenos extremos são consequência de nossa omissão ou até de predeterminada disposição dolosa de sacrificar o patrimônio ambiental que recebemos gratuitamente, mas que exterminamos sem pudor ou remorso. Sem pensar no amanhã e que estamos frustrando a expectativa de vida de nossos descendentes.

Por isso é que a mais grave ameaça a recair sobre a humanidade teimosa e ignorante, não é a guerra da Ucrânia, nem a faixa de Gaza, nem os outros conflitos que se espalham pela Terra. É aquilo que chamávamos “mudança climática”, passamos a denominar “emergência climática” e hoje pode já ser conhecido como “cataclismo climático”.

Os cientistas alertaram o mundo durante décadas, e ninguém ouviu. Ou, pelo menos, fez que não ouviu. Agora, é a natureza que está com a palavra. E ela está bem ressentida com seus detratores.

As vítimas preferenciais da desordem climática são os mais vulneráveis. E os mais frágeis dentre estes, são crianças, mulheres e idosos. Daí a urgência de que toda cidade, pois a população mundial é essencialmente urbana, tenha um órgão destinado a tratar a mudança climática de forma séria. Não é por ambientalismo raiz. É para salvar vidas humanas. Não é a Terra que corre perigo. Ela continuará a existir. Mas, se continuarmos surdos e cegos à realidade atual, ela prescindirá da nossa espécie para continuar sua rota no Cosmos infinito em que situada.

Não é isso o que queremos. Então, ajamos conscientemente para evitar o ecocídio.

*Publicado no Estadão/Blog do Fausto Macedo, em 11 05 2026


Mais luz na escuridão: centro-direita procura novo rosto - artigo de Ney Lopes, jornalista, escritor, poeta, ex-deputado federal

 

Análise: Mais luz na escuridão: centro-direita procura novo rosto

17 Mai 2026

Ney Lopes*

O Brasil assiste ao aprofundamento de uma contradição política cada vez mais latente. PT e PL, embora separados por abismos ideológicos, convergem hoje para um ponto perigoso diante do eleitorado: a erosão da credibilidade.

De um lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta se equilibrar no poder, mas permanece politicamente associado aos grandes escândalos que marcaram a trajetória petista.

Ainda que condenações tenham sido anuladas por ritos processuais — sem o reexame do mérito das acusações —, o desgaste político e a memória do eleitor não são apagados por canetadas judiciais.

Do outro, o bolsonarismo assiste ao enfraquecimento da autoridade moral que outrora sustentou o discurso da "nova política".

Essa bandeira perde força de forma dramática diante das revelações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Cresce, assim, a fadiga crônica da sociedade frente à polarização permanente.

Esse vácuo produz um efeito colateral direto: permite que o PT, mesmo carregando seu histórico de controvérsias, tente se vender como a única alternativa organizada no cenário nacional, beneficiando-se da paralisia da oposição.

Presos no Labirinto de Creta

Como na mitologia grega, PT e PL parecem presos em um labirinto construído por suas próprias contradições.

Se as instituições não cumprirem o papel simbólico de um Teseu, rompendo esse ciclo de retroalimentação, o país continuará vagando por corredores de desconfiança e instabilidade.

A percepção dominante é que, se o bom senso prevalecer, a centro-direita buscará renovação e afastará o senador Flávio Bolsonaro, por razões óbvias.

Neste cenário, Ronaldo Caiado emerge como a alternativa mais sólida, por reunir atributos hoje escassos: perfil institucional, entregas reais na segurança pública e uma gestão técnica blindada contra escândalos.

Conheço-o pessoalmente; fomos colegas na Câmara dos Deputados por anos.

Como escreveu Guimarães Rosa, “o que a vida quer da gente é coragem”.

E coragem é um atributo que lhe sobra.

A sua gestão em Goiás não se ancora em abstrações teóricas, mas em uma premissa direta que se tornou sua marca registrada: “ou o bandido muda de profissão, ou muda de estado”.

O resultado é um discurso calcado na eficiência e no direito básico do cidadão de ir e vir sem medo.

Outras alternativas correm por fora. A senadora Tereza Cristina é vista como um "coringa" de extrema habilidade, com excelente articulação no Congresso e trânsito livre no agronegócio.

Já o ex-governador Romeu Zema acabou se distanciando do xadrez principal por ter "falado demais".

A reação agressiva e intempestiva ao saber do escândalo — declarou textualmente que o episódio era "imperdoável, um tapa na cara dos brasileiros de bem" — acabou por isolá-lo politicamente.

O governador Tarcísio de Freitas está excluído do páreo por não ter renunciado ao mandato no prazo legal, optando por continuar governando São Paulo. Seria um excelente candidato;

Diante de fatos que redesenham o tabuleiro, o Brasil vê surgir um novo centro de gravidade política.

Em seus momentos finais, Goethe clamou por “Mais luz!”.

Hoje, o país exige o mesmo: clareza para enxergar além da polarização e sair do labirinto.

A renovação da centro-direita não é mais uma opção partidária, é um imperativo ético.

Quem não tiver a experiência necessária para guiar o país sob essa nova luz será, inevitavelmente, engolido pela própria escuridão.

*Ney Lopes é jornalista, escritor, poeta, ex-deputado federal   

sábado, 16 de maio de 2026

LEMBRANÇA & ORIGEM - texto de Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


LEMBRANÇA & ORIGEM

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Todo ser homem nasce aflito, e aos "berros" exterioriza isso. É assim em todos os partos e as vezes, até ainda, dentro do útero, com raras exceções.

A mãe, ser de Deus o acalma com suas mãos macias e tetas expelindo leite e ele dorme, mas não por muito tempo, porque o ser homem é aflito de natureza, quer conhecer o mundo, inclusive suas imundices.

Sim, ele inventa de ser calmo, autônomo e "ganha" o mundo, mas sempre, a um palmo do abismo, se apavora e lembra da mãe com suas mãos divinas e das duas tetas fartas.

Pergunto: de onde vem essa aflição, essa natureza chamada, mãe e essa simulação de calma que o ser homem, tem?

Não é preciso eu responder a mim mesmo. Eu sei que o homem, o ser, é assim: aflito desde que nasce, carente de mãe, que sempre o "livra" de despencar num abismo profundo - sem fundo.

Meu Deus, obrigado por, o ser homem, enxergar a luz e as trevas, sentir a fome e o saciar - a sede e o conforto, o vazio e as tetas.

Senhor, obrigado por todas as mães. Elas caem no abismo por um filho... Se deixam exaurir de secura e enchem as mãos de calos - morre, se for o caso.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 16.5.2026. SÃO LUÍS-MA)



O que é uma crônica? - Por Hélcio Silva



O que é uma crônica?

Por Hélcio  Silva

(16 / 05 / 2026)

A crônica é um gênero textual curto que narra situações do cotidiano, misturando literatura...

Um arranjo do pensamento!!!

Ideias flutuantes!!!

Ufa! Como vou explicar isso melhor?

Não sei... Só sei que não sei...

Como poderia hoje, sem grandes conhecimentos e poucas informações, escrever uma crônica sobre a ansiedade - intensa ansiedade - do senador Flávio Bolsonro ao pedir, implorando, uma grana de mais de 100 milhões ao Vorcaro - bilionário do banco Master -... Nem sei o que dizer, nem sei o que escrever!

Aliás, nesse campeonato chamado corrupção, todo mundo se diz honesto.

Lembram uma frase de Lula, em tempo que já se foi?... “Aqui, ninguém é mais honesto do que eu!...!  

Cara de pau! Fiquei com vergonha:.....: é um cara de pau!

Parei no espaço e no tempo, ao lado de um beija-flor... e perguntei:

- Lula é honesto?

O beija-flor deu meia volta e foi simbora... !!!

Quero saber agora o que é uma egrégora... O que é?

Uma egrégora é um campo energético ou "forma-pensamento" coletivo criado pelas emoções, intenções e crenças de um grupo... Vixe!... que “qui” é isso, gente?!

Há egrégoras do mal?, perguntei ao vento e ao tempo...

As duas existem, respondeu o vento que é mais rápido

Isso é - me diz um mentor espiritual - que me acompanha desde tempos de eras passadas, que há egrégoras do bem e do mal... as duas existem!  

Quando você se depara com o conceito de uma egrégora "do mal" (frequentemente associada a energias densas, inveja ou manipulação), isso significa que um determinado ambiente ou grupo está vibrando em frequências de medo, raiva, de vingança ou vitimismo. Essa vibração cria uma força extrafísica que acaba influenciando todos que estão conectados a ela.

E a corrupção se aloja onde?...

Geralmente é hóspede da egrégora do mal...

E o político corrupto mora onde?

Tem residência fixa na egrégora do mal...

Gente, não entendi nada...


Depois dessas duas cirúrgias na cabeça, fiquei mais burro...

Tô perdido...

Té logo!

Meu nome é Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


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