SOB O OLHAR DE DEUS
Carlos Alberto Lima Coelho
São Luís-Maranhão-Brasil
30 / 08 / 2026
Há momentos em que a vida parece diminuir o passo apenas para nos permitir pensar. Pensar no que somos, no que fazemos aqui e, sobretudo, no estranho e maravilhoso mistério de existir.
Basta observar a natureza.
O vento passa pelas árvores e, sem que ninguém lhe ensine música, transforma folhas em instrumentos. A mata responde com seus próprios sons. Uma semente rompe a terra, uma flor se abre silenciosamente, um pássaro anuncia a manhã. Tudo acontece sem aplausos, sem holofotes, sem a necessidade de provar coisa alguma.
Talvez esteja aí uma das grandes lições da existência.
A natureza simplesmente cumpre o seu destino.
Nós, seres humanos, ao contrário, passamos boa parte da vida procurando respostas. Queremos saber de onde viemos, para onde vamos, por que sofremos, por que amamos e qual o propósito de carregarmos um espírito dentro desta temporária morada chamada corpo.
Mistério?
Certamente.
Mas talvez o mistério não tenha sido criado para ser totalmente explicado. Algumas coisas foram feitas para serem sentidas.
O amor é uma delas.
Quanto mais aprendemos a amar sem cobrar, sem exigir, sem transformar afeto em moeda de troca, mais começamos a compreender dimensões da vida que a razão, sozinha, não alcança.
Nascemos de um gesto de amor e, desde o primeiro sopro, iniciamos uma caminhada particular. Os caminhos aparecem diante de nós, as escolhas se multiplicam e cada pessoa precisa descobrir qual estrada deseja percorrer.
É justamente aí que começam muitos dos nossos desencontros.


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