O dia em que o hospício fiscal ficou sem clientes
Alex Pipkin, PhD em Administração
Durante décadas, a Argentina viveu sob uma das fraudes psicológicas mais sofisticadas já produzidas pela política.
A fraude não era econômica. A economia era apenas a fatura que chegava depois.
O truque consistia em convencer milhões de pessoas de que a única instituição capaz de salvá-las era exatamente a instituição que as tornava dependentes.
Primeiro vinham a inflação, os déficits, os controles de preços, a destruição da moeda, a insegurança econômica e a corrosão silenciosa da capacidade de planejamento das famílias.
Depois surgia o Estado oferecendo proteção contra os estragos que ele próprio havia produzido.
Era o incêndio administrado por um corpo de bombeiros que chegava ao local carregando gasolina.
O peronismo transformou esse mecanismo em cultura nacional. Não vendia apenas políticas públicas. Vendia uma visão de mundo; a crença de que riqueza pode ser distribuída antes de ser produzida, de que prosperidade nasce de decretos e de que o indivíduo é incapaz de caminhar sem a tutela permanente do poder.
Por isso, a grande ruptura promovida por Milei talvez não tenha sido, em sua essência, econômica. Foi psicológica.
Ele compreendeu algo que boa parte dos economistas costuma esquecer. Sociedades raramente abandonam ideias ruins porque encontraram argumentos melhores. Abandonam-nas quando a realidade se torna insuportável.
Milei retirou a maquiagem do cadáver.





