quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ROUPA BRANCA NA SEXTA-FEIRA - por Luiz de Miranda

 

CONVERSANDO SOBRE A UMBANDA

ROUPA BRANCA NA SEXTA-FEIRA


Luiz de Miranda*

Na Umbanda, o dia de sexta-feira é consagrado ao Pai Oxalá, o Senhor da criação, e no Candomblé, o Orixá funfun (branco, em iorubá), igualmente o Senhor da vida. É de costume , e, em algumas Casas até obrigatório, o uso de roupa branca na sexta-feira em homenagem a esse importante e reverenciado Orixá.

Nas correntes de médiuns da Umbanda, o uso da roupa branca é obrigatório. Tal atitude vem da intenção de dizer que todos somos iguais perante nossos Guias e Orixás, abrindo mão das vaidades e do ego.

No entanto, usar o branco na sexta-feira, de acordo com o Sheikh Abdul Hameed Ahmad, líder espiritual da comunidade mulçumana baiana, tal costume deriva do comportamento dos escravizados islâmicos trazidos para Salvador-BA, que marcaram com grande evidência a cultura e a religiosidade neste local. Eram conhecidos como malês, dotados de alto nível de instrução, por terem sido alfabetizados em árabe. E ainda detinham uma forte capacidade de organização que os fizeram famosos no grande e talvez o maior levante urbano contra a escravidão: a revolta dos malês. Tinham como costume vestirem-se de branco todas as sextas-feiras, obedecendo as ordens contidas no Alcorão que afirma aos seguidores da religião, se vestirem de roupas claras para homenagear Alá, considerado por eles o Criador do universo. Tal costume então, passa também a fazer parte do comportamento dos escravizados que cultuavam os Orixás, que igualmente, faziam da sexta-feira um dia especial, só que, para se conectar a Oxalá de forma pura e serena em gratidão e respeito ao Senhor da vida.

A convivência na dificuldade desses povos gerou formas e saberes de resistência e boa convivência. Algo que se deve entender como forma de sobrevivência e também de união de forças, onde o que era sagrado para uns, se fazia sagrado também para os outros. Mas, sem nenhum dos lados perder sua essência e fundamentos. Ou seja: usar branco nas sextas-feiras não é um fundamento da Umbanda, é apenas um costume adquirido para de maneira singela e expressiva se conectar com o Pai da Criação: Oxalá. Já que, Alá, igualmente Pai da Criação, era homenageado por seus seguidores da mesma forma, só que com fundamentos e entendimentos distintos.

No Brasil, usar o branco nas sextas-feiras é considerado também um ato político, onde os seguidores das religiões de matriz africana fazem questão de confessar sua fé publicamente.


*Luiz de Miranda é presidente e Sacerdote da Casa de Umbanda do Caboclo 7 Penas, com mais de quarenta anos dedicados aos atendimentos fraternais e divulgação da nossa querida Umbanda.

QUANDO O POETA DESCOBRE A REALIDADE, por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


QUANDO O POETA DESCOBRE A REALIDADE

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão - Brasil

Houve um tempo em que me inspirei como um poeta e imaginei que as palavras poderiam melhorar o mundo.

Dentro de mim havia cores. Muitas cores. Algumas nasciam da esperança, outras do desejo de acreditar que o homem seria capaz de construir uma sociedade mais justa, onde a riqueza não humilhasse a pobreza e onde ninguém precisasse esconder a própria dignidade sob uma roupa desgastada.

Com essas tintas interiores, comecei a pintar meus cenários.

Coloquei beleza onde havia tristeza. Plantei flores onde o chão parecia seco. Aproximei os homens, distribuí abraços, inventei sorrisos e fiz do amor uma espécie de moldura para aquele quadro imaginário.

Por alguns instantes, tudo parecia verdadeiro.

O poeta possui esse privilégio: consegue visitar lugares que ainda não existem. Enxerga pontes onde os outros veem abismos. Descobre luz nas frestas da escuridão e, quando necessário, transforma lágrimas em versos.

Mas chegou o momento em que precisei afastar-me um pouco da tela para observar melhor a pintura.

Foi então que percebi que algumas cores não pertenciam ao mundo real.

Lá fora continuavam existindo desigualdades. De um lado, a fantasia dos salões elegantes; do outro, a roupa simples daquele que luta diariamente pela sobrevivência. Uns desperdiçando o que tantos outros jamais tiveram. Gente cercada de gente, mas vivendo profundamente só.

Meu quadro começou a perder as cores.

A realidade passou sobre ele como uma chuva inesperada. Misturou as tintas, apagou alguns traços e me obrigou a reconhecer que aquele mundo perfeito existia apenas dentro de mim.

O sonho havia acabado?

Talvez não.

Com o passar dos anos, compreendi que o poeta não escreve porque o mundo é belo. Muitas vezes escreve justamente porque ele ainda precisa tornar-se belo.

A poesia não existe apenas para celebrar flores. Também serve para apontar espinhos.

Hoje, olhando aqueles versos que nasceram décadas atrás, percebo que o jovem poeta desejava muito mais do que escrever. Queria compreender o homem. Queria descobrir por que somos capazes de amar tanto e, ao mesmo tempo, produzir tanto desamor.

Ainda não encontrei todas as respostas.

Continuo misturando cores, pensamentos, lembranças e esperanças.

E talvez seja essa a missão de quem escreve: mesmo sabendo que o cenário perfeito não existe, continuar segurando o pincel.

Porque enquanto houver alguém disposto a imaginar um mundo melhor, ainda haverá uma pequena possibilidade de transformá-lo.

Carlos AL Coelho

Inspirado no poema “Inspirei-me como um poeta”, do livro Conversa de Amigo ou Denúncia.


POETA & OFÍCIO - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


POETA & OFÍCIO



Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

O poeta tem como destino (obrigação), colocar as palavras em seus devidos lugares. A partir de então emerge uma lógica advinda do caos.

Um poeta verdadeiro, sofre para tornar agradável o inferno da confusão de letras, formadoras de palavras desordenadas.

Se ele, o poeta não se esforçar a ponto de conseguir tal intento, continua o purgatório do belo, do claro, do novo, da luz cintilante e divina, escondido na couraça do anonimato.

Ao lado do poeta, encontram-se as musas (anônimas), o pensamento inédito que servirá de base para os muitos que ainda virão na forma de versos, formando livros que transcendem o tempo.

O poeta vive uma vida diferente dos outros mortais, num mundo vivo de imagens que ainda se formarão e passarão pelo olhar e coração de muitas pessoas.

É duro e difícil o ofício de um poeta, mas em sua solidão e muitas vezes, timidez, ele ajuda na construção de um mundo que se forma a cada momento.


(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 27.08.2026. SÃO LUÍS-MA)

 


Povo do Meu Agrado... e tem mesa que...

 

Povo do Meu Agrado

 27 / 08 / 2026

**Tem mesa que serve comida. Outras servem também alegria, amizade e boas lembranças.**



Panela cheia, café esperando,

gente chegando e sorriso no rosto.

Cada prato servido carrega um pouco

do carinho de quem preparou tudo.

 

É no meio dessa simplicidade

que o encontro fica bonito.

Um ajuda daqui, outro acolhe dali,

e ninguém precisa de muito para ser feliz.

No nosso Nordeste é assim:

 


**quando a mesa é compartilhada, sempre cabe mais um e sempre sobra história pra contar.**

*****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Eu morei numa casinha bem lá no alto da serra.


Poeta Sertanejo

27 / 08 / 2026

Eu morei numa casinha bem lá no alto da serra.

Seus campos eram floridos, seu caminho era de terra.

E quando chegava a primavera, com as cores da beleza ficava toda enfeitada.

Da porta da sala, até a porteira da entrada.

Porque quem ali passava era sempre admirada.

Com a tinta do tempo, sua pintura era sempre renovada.


Seu jardim estava sempre belo, sua cerca bem cuidada.

Seu lago de águas clarinhas, contemplava a chegada.

Na varanda tinha duas cadeiras de balanço, e uma rede armada.

O café sempre fresquinho, era feito nos carinhos de quem um dia foi minha amada.

Eu era feliz morando naquela casinha, hoje no meu peito a saudade é quem faz morada.

Quem eu amava foi embora, antes do romper da aurora, ainda era madrugada.

Hoje meu peito se encontra feito a velha casinha, solitária e abandonada.

A vida é muito boa, mas às vezes se torna complicada.

Eu que me esforcei pra ter tudo, hoje não tenho nada.

Nem mesmo carinhos, daquela que por um dia foi amada.

Porém não entendeu, que sina boiadeira, era viver pelas estradas.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Direitos do Homem e dia Internacional da Igualdade Feminina



DIREITOS DO HOMEM E DA IGUALDADE FEMININA

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

No dia Internacional dos Direitos do Homem e dia Internacional da Igualdade Feminina, não podemos nunca esquecer da história e como isso aconteceu.

Surge quando foram declarados os direitos universais do Homen (1948), porém no Brasil, de fato só ocorre com a promulgação da constituição de 1988, que consagrou todos os direitos e deveres.

Devemos lutar sempre pela garantia dos direitos iguais e "teimar" que não repitamos erros e barbáries do passado.

Que o ser humano, único ser com capacidade de compreender a si mesmo e aos outros seres, continue evoluindo e sobreviva ao caos que sempre se apresenta no decorrer da contínua caminhada.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 26.08.2026)


AS MARCAS DA VIDA por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


AS MARCAS DA VIDA


Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

O tempo não passa simplesmente. Ele deixa sinais.

Vai desenhando caminhos, acumulando lembranças e escrevendo, silenciosamente, a nossa história no corpo e na alma. Cada ruga que aparece no rosto não anuncia apenas a idade: revela experiências, alegrias, preocupações, esperas e conquistas que somente quem viveu pode compreender.

Há cicatrizes que contam batalhas das quais ninguém tomou conhecimento. Há sorrisos que guardam instantes inesquecíveis. E existem lágrimas que, mesmo derramadas em silêncio, lavaram dores e deixaram no espírito uma nova maneira de compreender a existência.

Somos feitos dessas marcas.

Elas falam das quedas e da coragem de levantar. Das despedidas que doeram, dos reencontros que aqueceram o coração, dos sonhos que conseguimos realizar e daqueles que continuam caminhando conosco, apontando para novos horizontes.

Envelhecer, por isso, não significa simplesmente deixar a juventude para trás. É acrescentar páginas ao livro da existência. É aprender que o verdadeiro valor do tempo não está apenas na quantidade dos anos, mas na intensidade do amor, das amizades, dos gestos e das emoções que couberam dentro deles.

Que ninguém tenha vergonha das marcas que a vida deixou.

As rugas são caminhos percorridos. Os cabelos brancos, testemunhas do tempo. As cicatrizes, sinais de resistência. E o coração, mesmo depois de tantas chegadas e partidas, continua sendo o lugar onde permanecem aqueles e aquilo que verdadeiramente amamos.

No final, talvez sejam exatamente essas marcas as nossas maiores medalhas.

Porque elas dizem, sem necessidade de palavras:

eu vivi, amei, lutei, chorei, sorri, aprendi — e continuei seguindo adiante.

Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


Os caminhos do passado... Minha última crônica...


Minha última crônica...

Hélcio Silva 

26 / 08 / 2026

Estou com 5 dias afastado das redes sociais e do meu blog... Eu, que gosto de ler e escrever, já se vão uns bons tempos... Minha última crônica foi a republicação de “O Filho de Pedro!...”

Nota para relembrar fatos: Edivaldo Holanda Júnior (PDT) foi reeleito prefeito de São Luís no segundo turno das eleições municipais em São Luís, em 2016.

Resultado do Segundo Turno

Edivaldo Holanda Júnior (PDT): 53,94% (votos reeleito)

Eduardo Braide (PMN): 46,06%

1º Turno: Ocorreu em 2 de outubro de 2016.

2º Turno: Ocorreu em 30 de outubro de 2016, data em que Edivaldo Holanda Júnior foi reeleito prefeito...

A primeira eleição de Edivlado foi em 2012, que tinha como vice o senador Roberto Rocha...

Se esses dados estão corretos, as minhas duas cirurgias na cabeça... ou da cabeça... não atropelaram a minha memória...

*****

Hoje, dia 26... desse gosto de agosto... Eu volto!

Duas crônicas!... Lembradas...

XXXXX

A madrugada que amanheceu

Crônica do amanhecer

Hélcio Silva

(05/10/2016)

Amanhece! Olho a cidade!... Vejo-a linda e em bela canção de seu hino:

"Ó minha cidade / Deixa-me viver

que eu quero aprender / tua poesia / sol e maresia / lendas e mistérios / luar das serestas /e o azul de teus dias..."

É minha cidade aos cantos de Tribuzzi / pai do Chico que também é Tribuzzi, ambos poetas: todos Tribuzzi!

É minha cidade!


Enxergo-a com meus olhos..., dantes castanhos de lindos encantos / hoje quase fechados em seus cantos... Mas, são olhos que ainda veem!


E vi - vindo não sei de onde - de longe, de muito longe – a chegada dos braideanos... Os braideanos chegaram!...

E haverá nesta cidade - berço encantado da menina da ponta d’areia, neta do Rei Sebastião – uma histórica disputa, sem ódio – espero eu – entre os braideanos e holandeanos...

“Essa eleição entrará para a história”  - dizem os mares atlânticos que nos cercam..., em belas ondas de beira-mar!..., entre duas baias milenares!

Um anjo pede que repita – mais uma vez – aquele texto que escrevi no face, dia 3 de outubro:

“A máquina pública, o poder econômico e o poder político deveriam estar sempre a serviço do bem. No entanto, a ambição dos maus políticos leva-os ao caminho do mal...” (De HS, em suas andanças pelas estradas da vida...)

Caminho pela estrada, nesta Ilha de Upaon-Açu.  Não vejo nenhum braideano. Não vejo nenhum holandeano... Estariam ainda a dormir... Porém, precisam madrugar. A luta exige madrugança... São muitos os nossos problemas... A cidade, abandonada, grita!... Grita por socorro!..

Amanhece o dia. Alguém invisível sussurra aos meus ouvidos. Um sussurro inaudível. Peço clareza..., e vem uma voz suave:

- Peço-te a republicação da crônica do dia 3: O Poder de Mudar...

- És algum braideano?

- Não. Só te peço a publicar...

- Pois, então, publicarei:

XXXXX

O Poder de Mudar

Crônica do amanhecer

Hélcio Silva

(03/10/2016)

Há um bom tempo não se via um fenômeno político nas eleições que tivesse poderes para sepultar as engendradas forças das pesquisas encomendadas. Por falta de lideranças e bons oradores, isso era (ou parecia ser) impossível transformar-se.

A mídia se orientava pelas pesquisas e o povo entrava na onda, dominado pelas partículas da enganação.

Talvez, Louis de Broglie, físico francês, que introduziu em sua tese de doutorado a teoria de onda de elétrons, pudesse, mesmo espiritualmente, explicar a causa das falsas ondas criadas pela mídia com este poder mental para mudar a nossa cabeça e o resultado das eleições..., na maioria dos casos para o campo do erro.

As pesquisas e a mídia faziam a onda, confeitavam-na e o povo navegava.

Muitos eleitores (a maioria) picados pela onda da mídia não viam outros horizontes...

No caso específico das eleições em São Luís, o piano tocava do mesmo jeito, apenas com três teclas: Edivaldo, Wellington e Eliziane. As outras teclas foram anuladas pela mídia e pela pesquisa...

O que é isso? Isso é física, história ou conto de carochinha?

O que faltava então para impor-se o fato real sem as mentiras que enganam?

Faltava a realidade quântica que poderia estar na palavra forte, na atitude coerente, mesmo uma vez só diante de um palanque eletrônico, como tal foi o caso a que me refiro...

Os campos energéticos do debate na TV Mirante lançaram ondas e partículas que foram absorvidas por quase um milhão de mentes, entre eleitores e não eleitores.

As portas de um novo horizonte se abriram e as palavras, frases, ideias e conceitos, colocados durante o debate, foram selecionados e assimilados por mentes de um povo guerreiro que buscava novos caminhos...

Houve uma verdadeira revolução quântica que mudou o resultado da eleição e levou Braide para o segundo turno.

É a revolução das ideias capaz de mudar o mundo.

Agora, em eleição limpa, vamos ter – espero – um confronto de ideias, o que é saudável para a democracia.

Bom dia meus irmãos e irmãs... Até mais ver!...


Eu sou Hélcio

Apenas Hélcio

Nada mais do que Hélcio...


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O FILHO DE PEDRO - Crônica da saudade - Por Hélcio Silva


O FILHO DE PEDRO

Crônica da saudade


Por Hélcio Silva

(30/07/2022)

Um tempo que já se faz antigo!

Parte de minha infância que não lembro. Alguma coisa - um pequeno espaço de recordação que fosse - gostaria de recordar.

Uma infância nascida, que não sei se nasceu, nem sinto que nasci e nem sei se chorei, no momento de nascer.

Minha mãe, nunca vi... Se a vi, amnésia me puniu, cegando-me por momentos, por muitos momentos que até hoje se prolongam.

Dizem haver sido uma mulher bonita de cabelos longos, que nunca segurei seus fios e se os segurei não lembro que os tenha segurado.

Morreu e não a vi em seu ataúde... E se a vi não lembro que a tenha visto.

Não tenho foto dela com seus cabelos longos, nem dela deitada no seu leito da morte.

Meu pai, um homem de bem, morreu poucos anos depois, longe dos filhos, em outro Estado onde fora buscar socorro médico, sem êxito...

Todos na orfandade!...  Éramos seis os filhos da mulher bonita de cabelos longos e do homem de olhos bonitos, que cortou os mares para morrer no rio.

Uma história real.


A feiura como virtude gerencial - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A feiura como virtude gerencial

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Existe uma lição sutil na arquitetura. Edifícios modernos podem ser esteticamente horrorosos e continuar de pé, mas pontes precisam prestar contas à realidade. Na engenharia, falhas estruturais cobram um preço imediato. A gravidade não aceita jargões, não frequenta congressos e jamais concorda com o chefe para proteger a carreira.

Nas empresas ocorre o oposto. A feiura intelectual desfruta de um ecossistema extraordinariamente confortável.

O ser humano é tribal antes de ser corporativo. Quer pertencer, assimilar códigos e sinalizar alinhamento.

Observe por um momento os ambientes de inovação. Empenhados em celebrar a ruptura, usam o mesmo vocabulário, leem os mesmos autores, frequentam os mesmos eventos e até se vestem igual. A corporação conseguiu padronizar até a rebeldia.

DiMaggio e Powell explicaram em 1983 como organizações de um mesmo setor se tornam progressivamente parecidas. A velha gaiola institucional ganhou decoração futurista. Benchmarking, consultorias e metodologias ágeis ampliam repertórios, mas também servem como blindagem.

Fracassar acompanhado é profissionalmente seguro; ter razão sozinho é um risco inaceitável. O consenso se converteu em uma apólice de seguro contra a demissão. Se todos erraram juntos, o desastre ganha contornos de prudência.

Por isso o dissidente experiente incomoda. Não porque tenha sempre razão, mas porque já viu modismos nascerem com nomes em inglês e morrerem sem deixar valor. A experiência não garante o acerto. A conformidade garante ainda menos.

Inovar não é substituir o que envelheceu. É saber o que precisa mudar sem desaprender o que continua verdadeiro.

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