Crônica de Zé Carlos
02 / 09 / 2026
Após um longo e preguiçoso período de convalescença, já venho reaprendendo a caminhar. Vou me firmando em passos miúdos e lentos, tal o luar preguiçoso a se demorar dentro da noite sonolenta e sem pressa. Tal a luz, que ia se fazendo extinta, renovando-se e se encorpando a me alumiar as trêmulas e indecisas passadas.
O certo é que, com teimosa teimosia, me apego a minhas crenças, ora cambaleante como o menino ávido a palmilhar caminhos, a ansiar a liberta liberdade e a correr atrás de tantos e desafiantes mundos; ora fora de combate, só "espiano ais côsa aconteceno", como se já estivesse muito além desta "real idade".
E, em oscilante enfermidade, ambígua e angustiante, tenho muito a agradecer à minha família e aos amigos, que não "mi deixaro di mãu". Persistiram que persistiram, mesmo com o meu silencioso silêncio, a me alvoraçar os dias com suas preocupações e com seus desejos de me ver bem.
E, ainda que não esteja totalmente recuperado, sigo um vivo e teimoso vivente, que vou me permitindo persistir e sonhar e murmurar e falar e cantarolar e gritar em meus medos, em minhas vontades e em minhas certezas. Volto a me enxergar em minhas limitações e em minhas possibilidades.
E volto, ainda que lentamente, a me fazer presente ... Volto à sagrada narração e à sagrada poesia!
Zé Carlos Gonçalves











