quinta-feira, 25 de junho de 2026

O CORAÇÃO DE EULÁLIA - Artigo de Gabriel Chalita, acadêmico da Academia Paulista de Letras


O CORAÇÃO DE EULÁLIA

Acadêmico: Gabriel Chalita

Os acúmulos de sentimentos menores diminuem a vida. E entorpecem o movimento dos dias. Se olharmos para trás querendo vingança, o dia não segue para frente.


O coração de Eulália

Não poucas vezes, ela dizia, "É com o coração, não com o fígado, que se decide".

Eu ficava escarafunchando e pensava comigo mesmo que precisamos dos dois. Não era médico nem era das biologias. Mas sentia que cada órgão tinha sua finalidade. 

Ela era mais velha do que eu. Era professora de piano. Era linda. E falava como se depositasse as palavras no mundo com delicadeza difícil de descrever. Um dia fui dizer à minha mãe que não havia mulher como Eulália. Minha mãe achou graça e, na feira, contou. Enquanto as duas escolhiam batatas, minha mãe disse do filho e da paixão quase infantil.

Passei tempos evitando um encontro. Quando a encontrei, ela tratou de sorrir com ternura, como se eu fosse um menino desprovido de qualquer atributo que representasse qualquer possibilidade. Atingiu meu fígado. Tive raiva. E raiva da minha mãe, tão desastrada nos assuntos do coração. Não nos dela que era apaixonada pelo meu pai e que tinha dele os mais lindos sentimentos. Nos meus. Nos meus assuntos do coração.

Algumas pessoas da cidade diziam que Eulália já havia passado do tempo de casar. Eu discordava. O tempo, decidimos nós. Eu era atrevido na época com alguns assuntos. Eulália acordava o meu coração. Ainda sinto o cheiro do seu perfume nas memórias do amanhecer da minha vida.

O verdadeiro esporte nacional - artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


O verdadeiro esporte nacional

Alex Pipkin, PhD em Administração

É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ato de fé, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é.

O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.

Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.

Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.

A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências.

"PISA NA FULÔ" — O XOTE QUE FEZ O BRASIL DANÇAR


Eu estava realmente pesando encontrar alguma música (com letra de São João) em homenagem aos dias de hoje...   E encontrei, na verdade,  o poeta e escritor Augusto Pellegrini Fllho que postou o que abaixo transcrevo, com saudades!...

Pisa Na Fulô  · Ivon Curi ·


"PISA NA FULÔ" — O XOTE QUE FEZ O BRASIL DANÇAR



Por Augusto Pellegrini Fllho 

Entre os grandes clássicos da música nordestina, poucos alcançaram a popularidade de "Pisa na Fulô". Composta por João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior, a canção ganhou projeção nacional na voz de Ivon Curi, tornando-se um dos maiores sucessos do final dos anos 1950.

Nascida da criatividade de João do Vale, um dos mais importantes compositores brasileiros, a música retrata com humor e alegria o ambiente das festas populares do interior nordestino. A narrativa transporta o ouvinte para um animado baile onde todos, dos mais jovens aos mais velhos, se rendem ao ritmo contagiante do xote.

A expressão "fulô", forma popular nordestina da palavra "flor", tornou-se inseparável da canção. Com versos simples, bem-humorados e repletos de regionalismo, a obra ajudou a apresentar ao Brasil urbano a riqueza cultural do Nordeste, seus costumes, sua linguagem e sua musicalidade.

A interpretação de Ivon Curi contribuiu decisivamente para o sucesso da composição. Dono de uma das vozes mais populares da época, o cantor levou a música às rádios de todo o país, transformando-a em um fenômeno de vendas e popularidade.

O êxito foi tão grande que "Pisa na Fulô" acabou se tornando uma das obras mais conhecidas de João do Vale, compositor maranhense que mais tarde também assinaria clássicos como "Carcará". Ao longo das décadas, a canção recebeu inúmeras regravações e passou a integrar o repertório obrigatório das festas juninas e dos eventos dedicados à cultura nordestina.

Mais do que um simples sucesso popular, "Pisa na Fulô" representa a força da música regional brasileira, capaz de atravessar gerações sem perder sua autenticidade, seu humor e sua alegria contagiante.

Uma canção que nasceu nas festas do povo e conquistou definitivamente um lugar na história da música brasileira.


MENTIRAS & VERDADES - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


MENTIRAS & VERDADES

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Mentiras e verdades, nos faz ser quem somos...Tudo que "coletamos" na infância, bom ou mau, faz de nós, conforme nossas escolhas, ser quem somos...

A verdade e a mentira se tornam nossa essência, nos mostrando quem realmente somos... É simples, somos assim: não somos santos!

Desse modo, ela, a verdade mentirosa se torna prova cabal, tanto que, mesmo a mais profunda escuridão, não poderá encobrí-la...

O tempo se relaciona com ambas e nunca é piedoso...Tudo no final das contas é revelado. Isso acontecerá ao entardecer, quando enfim vamos nos ver envelhecidos e nos damos conta de que não cumprimos o ritual da vida como deveria ser...

Portanto, o longo e contraditório caminho é o verdadeiro. E não espere nenhum metro, sequer pavimentado. Nesses termos, nos resta a dignidade - o norte intimo - reconhecer nossos erros...

O hoje, amanhã será ontem... A vida, portanto, é uma sucessão de verdades e mentiras que teimamos não levar ao pé da letra. Contudo, somente o Criador sabe da nossa única certeza, verdadeiramente pura - sem mistura.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 25.06.2026. SÃO LUÍS-MA


quarta-feira, 24 de junho de 2026

Poeta Sertanejo - Quando chovia lá na roça...


Quando chovia lá na roça.. 

Poeta Sertanejo

Quando chovia lá na roça, meu sono era embalado, pelos pingos d'água que caíam no telhado.

Até meu despertador precisava ser acordado.

Geralmente cantava depois que o dia já tinha raiado.

A lenha debaixo do fogão, fazia o braseiro para o café ser preparado.

Uma galocha nós pés, para cuidar do gado.

A natureza agradecia a chuva que cai, deixando os campos molhados.


A siriema cantava com mais alegria, lá no alto do serrado.

As águas cristalinas do pequeno ribeirão, sujas de barro, ficam da cor do chão.

E lá na curva do umbuzeiro, eu pegava bagre de montão.

Hoje tudo isso é lembranças, que igual cachorro perdigueiro vem no rastro.

Dias de folga eu descansava, lá na invernada roçando pasto.


O pouco que eu tinha, era fartura sobre a mesa.

Hoje o muito que ganho, quase não dá para a despesa.

Tudo que eu pego eu gasto, é por isso que a saudade feito cachorro perdigueiro da lembrança vai no rastro.

Hoje pego dinheiro picado, e gasto aos maços.

Aqui na cidade, de tanta saudade já não sei o que faço.

Com humildade eu confesso, em vez do sucesso, só enxergo o fracasso.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


As lições de Buda - Por Luís Lemos


As lições de Buda

Por Luís Lemos*

Em: 23 de junho de 2026

O mundo atual é marcado pela ansiedade, pela pressa e pelos excessos. Em meio a essa inquietação constante, os ensinamentos de Buda continuam surpreendentemente atuais. Há mais de dois mil e quinhentos anos, o príncipe Siddhartha Gautama buscou compreender as causas do sofrimento humano e os caminhos para superá-lo. Suas reflexões atravessaram os séculos porque falam de questões universais que ainda fazem parte da nossa existência. Por isso, compartilho sete lições de Buda que podem nos ajudar a viver com mais serenidade, consciência e compaixão.

1ª lição: “Ao cuidar de si mesmo, você cuida dos outros. Ao cuidar dos outros, você cuida do universo”. Buda ensinava que todos os seres estão profundamente interligados. O cuidado consigo mesmo não é um gesto de egoísmo, mas um ato de responsabilidade. Quando cultivamos equilíbrio, saúde emocional e paz interior, irradiamos esses valores para as pessoas ao nosso redor. Da mesma forma, quando estendemos a mão ao próximo, contribuímos para tornar o mundo um lugar melhor. Pequenos gestos de bondade possuem uma força muito maior do que imaginamos.

2ª lição: “Não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”. Muitas pessoas passam a vida acreditando que serão felizes quando alcançarem determinado objetivo, conquistarem determinado bem ou resolverem determinado problema. No entanto, a felicidade raramente está no destino. Ela habita a caminhada. Está presente nos encontros, nos afetos, nas pequenas alegrias e na capacidade de apreciar o momento presente. Quem vive apenas esperando o amanhã corre o risco de perder a beleza do hoje.

A terra dos inocentes - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


A terra dos inocentes

Alex Pipkin, PhD em Administração

Quanto mais o Estado cresce, mais o mercado é acusado.

Quanto mais decisões são transferidas para Brasília, mais os fracassos são debitados ao capitalismo verde-amarelo. Quanto mais nos afastamos da livre iniciativa, mais a culpamos pelos resultados desse afastamento.

Essa inversão ultrapassou a fronteira do debate econômico. Tornou-se um caso de psicologia social; para não dizer de pura negação da realidade.

Vivemos repetindo que os problemas nacionais decorrem dos excessos do mercado.

Mas olhe em volta. Convivemos com uma carga tributária sufocante, um labirinto regulatório que transforma o ato de empreender numa prova diária de resistência, um Estado que consome parcelas crescentes da riqueza produzida e uma dívida pública que obriga milhões de brasileiros a financiar, por meio de juros elevados, a incapacidade permanente do governo de gastar apenas o que arrecada.

Ainda assim, o réu permanece o mesmo.

Sempre ele: o mercado.

A pergunta inevitável não é se ele é culpado. É de qual mercado estamos falando.

O empresário continua assumindo riscos, investindo capital, empregando pessoas e respondendo sozinho pelos prejuízos.

Do outro lado da mesa, o Estado avança sobre decisões, dita regras, impõe custos e asfixia a autonomia. O nome do dono continua na fachada. O poder de decidir, entretanto, mudou de endereço.

Em muitos casos, o empreendedor transformou-se num gerente terceirizado da própria audácia.

Quando o crescimento desaparece, a culpa continua sendo do mercado.

Quando a produtividade estagna, a culpa continua sendo do mercado.

Quando a dívida explode, a culpa continua sendo do mercado.

O maior triunfo do coletivismo não foi estatizar empresas. Foi estatizar a mentalidade, convencendo indivíduos livres de que os culpados pelos seus fracassos estão sempre do lado de fora e de que as soluções virão do mesmo lugar que criou os problemas.

É por isso que a pobreza perdeu espaço para a desigualdade.

JOÃO & DECAPITADO - por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

 

JOÃO & DECAPITADO



Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

 *****

João Batista, voz que clamava no deserto: "endireitai os caminhos do Senhor; Fazei penitências, porque no meio de vós não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias".

João Batista, pregador das penitências, foi decapitado por ordem de Herodes; João Batista, anunciador de Jesus Cristo!

Amém!

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 24.06.2026. SÃO LUÍS-MA).


“Às vezes um instante distante diz tanto…” - Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

 

“Às vezes um instante distante diz tanto…”

 


Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

 ***

Há momentos que ficaram para trás no calendário, mas permanecem vivos na memória. Um olhar, uma palavra, um abraço, um silêncio compartilhado. O tempo passa, as paisagens mudam, os caminhos se transformam, mas certos instantes continuam falando conosco como se tivessem acontecido ontem.

Às vezes, um instante distante diz tanto porque nele estavam guardadas lições, afetos e emoções que nenhuma distância consegue apagar. São fragmentos da vida que o coração arquiva em suas páginas mais preciosas. Quando voltam à lembrança, não retornam apenas como recordações; retornam como mensagens, ensinamentos e sinais de que nada do que foi vivido com amor se perde.

Talvez seja por isso que algumas memórias falem mais alto do que muitas palavras presentes. Elas nos recordam quem fomos, o que aprendemos e, principalmente, quem amamos.

Porque há instantes que passam pelo tempo, mas permanecem para sempre na eternidade da alma.




terça-feira, 23 de junho de 2026

Poeta Sertanejo "Eu sou vento que sopra no pico da serra"


Poeta Sertanejo 

 "Eu sou vento que sopra no pico da serra"

 *****

Eu sou vento que sopra no pico da serra, a água que brota do veio da terra.

Sou da árvore o fruto e a semente, sou a verde pastagem e o murmúrio das águas corrente.

Sou o canto da ave agreste, e o bóia do vaqueiro conduzindo o gado.

Sou a lenha partida, que rachou no corte do machado.

Sou a saudade de quem partiu, mas já queria ter voltado.


Também sou o amor oculto, da linda menina que caiu no meu agrado.

Sou o pobre ramo que nasceu nas pedras, mas pela chuva foi molhado.

Também sou a ave pequena que foge do gavião malvado.

Sou sombra e sol ardente, certeza e a própria ilusão.

Sou o cabo da enxada, que faz calos na mão.

Sou fogo e fumaça, que sobe pelo chaminé do velho fogão.


Sou planície e cerrado, mata fechada e ribeirão.

Sou caboclo que trabalha a terra, sou lembranças e saudades, plantado neste chão.

Aqui eu nasci e fui criado, por isso eu sou o próprio sertão.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês...


Busca