Uma única alternativa: abraçar a Utopia
Eurico Borba
09/04/2026
Intelectuais, cientistas, filósofos, poetas, romancistas, políticos, cidadãos e cidadãs, concordam que a Humanidade vive uma grave crise moral, pondo em risco sua existência pelos conflitos daí decorrentes. É preciso que se tenha presente e se acredite na verdade histórica, que foi em torno de valores morais que a Humanidade evoluiu, desde os seus primórdios, à procura de segurança, cooperação, regras para a produção, distribuição e consumo dos bens e serviços.
Ciências, artes, economia, organização social, práticas políticas, sistemas jurídicos, tiveram seus inícios e desenvolvimentos a partir de postulados éticos e religiosos, aceitos talvez mais por medo do pós morte, do que por fé, foram pouco contestados. Sobre tais crenças, fortemente enraizadas nas pessoas, ergueram-se as sociedades com seus múltiplos estilos de vida e formas de pensar. Tais pressupostos éticos, queiram ou não os contestadores desta correta perspectiva da evolução da humanidade, foram as fontes de inspiração para o desenvolvimento das leis regulamentadoras dos comportamentos, individuais e coletivos, até os nossos dias.
A Humanidade, as Civilizações que possibilitaram o mundo atual com todas as suas fantásticas conquistas, bem como com todas as suas tristes e dramáticas mazelas, cresceram e prosperaram neste ambiente que deixou permanentes marcas profundas na maneira de ser e de pensar dos povos, continuando a se manifestar fortemente nas sociedades atuais. Apesar de todos os esforços que continuam a ser feitos, para desmoralizar e substituir tais crenças históricas, por exercícios intelectuais errados ou por ambições egoístas amorais, com uma permanente inadequada reverência a um hedonismo ridículo, sem sentido e materialista, pobre de reflexões sobre a vida humana e seu futuro.
Entendem e aceitam, alguns poucos intelectuais, que sem uma prévia revisão das formas de pensar, de agir e de organizar as sociedades, segundo regras morais aceitas pela maioria dos povos, aqueles mesmos postulados que permitiram que a Humanidade chegasse, hoje, aonde chegou, pouco ou nada poderá ser feito para que se tenha a esperança concreta de um mundo democrático, justo, solidário e pacífico. Vencer a devastadora Crise Climática, o crescente distanciamento entre os muito ricos e os muito pobres, o crime organizado internacionalmente, a violência como norma de comportamento coletivo, não serão superados sem uma sólida base ética sobre a qual se erga as Constituições, as Leis e as Instituições que regulamentam e organizam a vida em sociedade, que se quer justa e pacífica.
No entanto, a conclusão, a que se chega, é concordar com as imensas dificuldades para que este nobre ideal seja alcançado.
As pessoas nascem puras, angelicais, mas, imediatamente após o nascimento, o convívio familiar e a crescente interação com as demais pessoas, na inescapável vida social, a perversão da pureza inicial vai se acentuando, por força dos instintos naturais, os mais primitivos. Sem regras morais, interiorizadas pelos povos, que possam agir eficazmente para conter ou arrefecer, no médio e logo prazos, a ganancia de poder e de riqueza, o egoísmo, a inveja e a competição desmedida, pouco se pode esperar para construção de um futuro feliz, pacífico e justo para a Humanidade.
O que fazer? Apenas constatar o fato e esperar a catástrofe final, com o desmantelamento e o desaparecimento das civilizações e das suas notáveis conquistas? Ou abraçar com coragem a utopia?