Hoje quase
ninguém escreve uma carta pra colocar nos correios, é só e-mails. Nem sei mais
como se começa. Antigamente, era adorável escrever-se uma carta. Até o bilhete
tinha seu valor. Pedia-se a mão da moça em casamento através de uma carta...
Lembro também que o Jânio Quadros governou o Brasil dando ordens com seus
bilhetinhos.
Hoje
gostaria de escrever uma carta para os nossos irmãos lá do meu sertão, onde
menino fazia buraco com o calcanhar para jogar bolinha de gude, novidade dos
anos 50 que já havia chegado ao nosso sertãozão...Naquela época, a gente dizia, no sertão, que Getúlio era o pai dos pobres... Havia o trem, que roçava suas janelas nas folhas verdes das matas que sombreavam a estrada, para que os trilhos não esquentassem demais. Os pássaros cantavam, mesmo com o barulho do trem...
Meninas-moças
- jovens bonitas - gritavam: “manga madura, banana macia... Hoje tem galinha
caipira no molho de prato-feito, com farofa de farinha...”
Não havia
internet!... Toda comunicação era feita pelo telégrafo... Em toda estação havia
um telegrafista...
Ué! Pensei
em escrever uma carta!... Ééééé... Não sei mais!... Esqueci!... Só sei passar
e-mails...Que saudade das cartas escritas com gotas de amor... / e saudade do meu sertão... / da pedra dura que tirava do chão... / da poeira que voava nas asas do vento... / e dos risos do sol que traziam acalento... / saudade de tudo: do luar do sertão... não há luar mais lindo no mundo que o luar do sertão... / nas noitadas de amor.../ com embalos de paixão...//
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