JOANA D'ARC, HISTÓRIA E VIDA
Vatican News
30 maio
Joana D’Arc é representada sobre um cavalo, com uma enorme armadura de ferro, quase que esmagando a sua figura franzina ou então amarrada em uma coluna, enquanto as chamas e a fumaça a consomem. Há seiscentos anos, são estes seus dois ícones: uma guerreira vitoriosa e uma "bruxa" moribunda. Nestas duas imagens estão condensados seus 19 anos de vida: a menina, nascida em 6 de janeiro de 1412, em Domremy, nordeste da França, que ajuda sua família em casa e nos campos, mal conseguindo rezar, foi aquela que, aos 13 anos de idade, ouviu "vozes" do céu e se sentiu envolvida em um grande projeto.
De “louca” a “donzela”
“Livrar a França” e proclamar Carlos VII, rei da França:
esta missão foi-lhe incumbida - disse Joana D’Arc, primeiro, aos pais e,
depois, às autoridades - pelas vozes do Arcanjo Miguel, de Catarina de
Alexandria e de Margarida de Antioquia... que ela ouviu claramente. Tais vozes
foram, logo, criticadas como brincadeiras de uma analfabeta, de olhos
esbugalhados.
Porém, quando aquela jovem, de 17 anos, que fugiu de casa,
predisse, com exatidão, uma derrota da França contra os invasores britânicos,
as suas “fantasias” adquiriram maior valor.
Ao ser examinada por alguns teólogos, que a interrogaram
sobre a sua fé, Joana foi posta à frente de um exército, que marchou para
Orléans e a circundou. Em apenas oito dias, aconteceu um prodígio, em termos
militares: os ingleses foram, várias vezes, derrotados na batalha, onde a
audácia da "donzela" foi incomparável. Orléans foi libertada e, em 17
de julho de 1429, atingiu o auge da sua glória: Carlos VII foi coroado em Reims
e, ao seu lado, Joana d'Arc, com seu estandarte.
Os dois inimigos
No entanto, duas forças opostas e similares conspiram
contra a donzela: de um lado, os ingleses, que não aceitavam ser derrotados por
uma jovem; de outro, os próprios franceses, generais e clérigos, que não
queriam ser suplantados pelo mesmo motivo.
Por isso, enquanto Joana D’Arc guiava a libertação de
Compiègne, a ponte levadiça foi levantada, antes que ela pudesse se livrar.
Assim a jovem foi capturada pelos borgonheses.
Era o dia 23 de maio de 1430. Após dois dias, a
Universidade de Paris pediu aos membros da Inquisição que a jovem fosse julgada
por feitiçaria. Carlos VII fez bem pouco para libertá-la e, no dia 21 de
novembro, Joana D’Arc foi entregue aos ingleses.
A alma não queima
O processo começou em Rouen, em 9 de janeiro de 1431. Cerca
de cinquenta homens, entre os mais cultos da França e da Inglaterra, julgaram a
donzela. Bispos, advogados eclesiásticos, prelados de vários níveis fizeram-lhe
uma interrogação pormenorizada sobre as acusações de imputação, idolatria,
cisma e apostasia. A sua fé, suas roupas masculinas, as misteriosas “vozes”
foram objeto de duras acusações e falsas reconstruções, às quais Joana, quase
sem nenhuma instrução, respondeu com coragem e precisão. Perguntaram-lhe, entre
outras coisas, se ela estava na graça de Deus e respondeu: “Se eu estiver, Deus
me protegerá; se não estiver, que Deus me permita tê-la, pois prefiro morrer a
não estar na graça de Deus”.
O julgamento de Joana D’Arc terminou no dia 24 de março: a
heroína da França foi considerada uma herege e devia morrer. Assim, em 30 de
maio de 1431, ela foi obrigada a subir na fogueira, preparada na praça do
Vieux-Marché, em Rouen, onde morreu queimada viva, com os olhos fixos na grande
cruz, que o frade Isembard de la Pierre havia trazido para ela.
A Igreja reabilitou, solenemente, Joana d'Arc, em 1456. Pio X a beatificou, em 1910 e, dez anos depois, Bento XV a canonizou.

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