Realmente nenhum dinheiro ou fama compra uma verdadeira amizade. Obrigado, 'Ratinho'
Palavras reais, escritas pelo coração. Por isso, mesmo sem sua presença física, esse exemplo de amizade e carinho - independente de posição social, cor ou academicidade - estará em todas as minhas publicações, daqui pra frente.
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Por: Mhario Lincoln / Fonte: Mhario Lincoln / Prefácio A Bula dos Sete Pecados
16/02/2023
Ratinho Macau era uma pessoa muito querida. Meu amigo de infância. Nos separamos fisicamente. Mas a amizade ficou e se engrandeceu em cada momento que o tempo passou. Sem dúvida, quando pedi para ele escrever alguma coisa sobre esse meu livro de poemas - cheio de verdades, emoções e simplicidade - eu sabia das qualidades da alma desse homem. Quando li a carta dele, escrita pela filha, desabou uma tempestade de felicidade. Palavras reais, escritas pelo coração. Por isso, mesmo sem sua presença física, esse exemplo de amizade e carinho - independente de posição social, cor ou academicidade - estará em todas as minhas publicações, daqui pra frente. (Mhario Lincoln).
Carta a Mhario Lincoln
*Conforme o original de Ratinho Macau. No livro, houve pequena editoração por parte de quem o corrigiu.
Não sou poeta, nem escritor, nem nada. Sou amigo de Mhario Lincoln desde criança. Nasci quase defronte da casa dele, na Rua dos Afogados, (no centro de São Luís). Lá conheci ele durante as chuvas torrenciais do mês de abril. Brincávamos de nos deixar levar pela força da água que era muito forte. Nossa casa ficava exatamente no final de duas ladeiras. A enxurrada descia dos dois lados e subia alto, formando uma montanha d’água, onde nos jogávamos. Era um perigo pois as águas eram engolidas por um imenso sumidouro chamado “Boca de Lobo”. Antes não tinham grades e por um amigo nosso ter morrido afogado numa dessas brincadeiras, decidiram colocar na entrada do sumidouro, grades. Isso salvou as nossas vidas. A minha, nem tanto, mas a de Mhario Lincoln foi relevante para que ele produzisse o que está produzindo agora.
Quase morri de susto quando ele me ligou e pediu que eu escrevesse. Disse pra ele que aos meus 67 anos, não estou mais vendendo juventude em razão de um acidente de trabalho que me tirou a mobilidade dos braços e de uma perna. Mesmo assim, ditei esta carta para uma de minhas filhas que é ‘afilhada’ dele. Dei o nome de Orquídea, em razão da irmã dele que era criancinha em nossa época, mas já era bonita o suficiente para sonhar com esse nome, se filha viesse a ter um dia.
Ela, a minha Orquídea, leu demoradamente cada verso, cada soneto, cada quadrinha, cada frase e eu confesso que em algumas ocasiões, chorei. Mas de felicidade em ter o Mhario Lincoln, entregue essa missão de escrever uma das apresentações deste livro pra mim. Sou velho amigo, apenas um funcionário público municipal, que durante a maior parte de sua vida, recolheu nas madrugadas o lixo público pela LIMPATER (era companhia de limpeza urbana da cidade). Foi nesse honra do trabalho que recolhi quase toda a minha biblioteca onde meus dois filhos, Orquídea, médica e Junior, das Forças Armadas do Brasil, estudaram e passaram nos concursos públicos para os quais se submeteram.
A bondade de Mhario Lincoln é imensa. Nunca esqueci quando minha mãe morreu em 2007 e ele, mesmo lá de Curitiba soube e me telefonou. Passamos mais de uma hora conversando sobre nossa infância. Ele me lembrou do episódio da música. Ele participou de um conjunto musical e eu ia como ‘ajudante da montagem dos instrumentos.’ Ele arranjou um jeito para eu estar junto. Agora ele me surpreende mais uma vez me dando uma missão como essa. Não fugi e estou escrevendo do meu jeito.
Li alguns prefácios aqui escritos. Quem sou eu para falar dos escritos de Mhario Lincoln. Mas não me amedronto de afirmar que existe coisas que me chamam muito a atenção na linguagem de Mhario Lincoln. Ele é romântico sem ser pastoso. Ele consegue rimas fora do Planeta, sem se perder na linguagem. Deixa o leitor, como eu, bem à vontade para ouvir sua poesia leve e bonita.
Fiquei muito animado com essa oportunidade. Eu que já estava quase desistindo da vida, na situação em que me encontro e com meus filhos já formados, bem casados e bem empregados. Mas essa centelha de Mhario Lincoln me renovou. Me jogou novamente para o alto, como quando éramos crianças e o encontro das enxurradas nos levava pra cabeça das ondas da Rua dos Afogados.
Obrigado meu amigo. Quando você vier lançar o livro em São Luís quero estar lá, na primeira fila, mesmo em cadeira de rodas, para abraçá-lo com meu coração e revelar o segredo que eu guardava dentro daquela lata de leite ninho e que nunca deixei tu abrir.
Não vou revelar o que tinha dentro até você me dar o livro assinado. Ter eu como prefaciador é tão imenso o quanto imensa é minha amizade e meu respeito por você.
Um grande abraço.
*JOSÉ DE RIBAMAR MACAU DOS SANTOS (Ratinho). São Luís do Maranhão.


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