segunda-feira, 22 de maio de 2023

Não foi só a princesa Isabel - artigo de Ana Paula Ribeiro

Não foi só a princesa Isabel

Ana Paula Ribeiro*

12.05.23

É preciso reconhecer os principais protagonistas do movimento abolicionista. Estamos há exatos 135 anos da abolição, mas ainda existe muito o que avançar para acabar, de fato, com a desigualdade e reparar os tantos anos em que o Brasil manteve uma grande população de pessoas escravizadas. Não foi SÓ Isabel.

Nosso país foi o último das Américas à abolir a escravidão. O documento assinado pela princesa Isabel marca o fim da escravidão dia 13 de maio de 1888, no entanto, essa conquista só foi possível devido à pressão dos movimentos abolicionistas e debate mundial de políticas abolicionistas que se potencializava na época. Grandes nomes masculinos ganharam protagonismo na luta contra escravidão, no entanto movimentos femininos tiveram uma participação incontestável nessa jornada, como a Sociedade Cearense Libertadora e a Ave Libertas - grupo criado em Recife. 

Raros são relatos de mulheres no estado de Goiás nessa luta. O reflexo da desigualdade racial faz com que elas simplesmente desapareçam da história.

Em Goiás, o destaque  no que se refere à campanha abolicionista fica por conta da imprensa. Na cidade de Goiás, antiga Vila Boa, os jornais locais adotaram procedimentos similares aos dos grandes centros para convencer a sociedade da necessidade da luta abolicionista.

“O publicador Goyano”, por exemplo, noticiou sobre a libertação dos escravos no Ceará em 18 de dezembro de 1886, antes mesmo de maio de 1888, nos fazendo entender que abolição ocorreu por movimentos. 

Com essa reflexão o que se busca não é diminuir o papel ou a importância da mulher que assinou a lei que “libertou” os escravos, ainda mais quando se analisa a sociedade escravocrata e machista da época, mas trazer à reflexão as lacunas históricas que existem e que, uma vez preenchidas com fatos históricos mais abrangentes, podem ajudar a construir uma sociedade menos racista e mais igualitária.

*Ana Paula Ribeiro é advogada, ativista de direitos humanos e das causas de desigualdade racial e de gênero e membro da Comissão da Mulher Advogada (CMA) da OAB-GO

(Artigo publicado dia 12 / 05 / 2023 no portal www.aredacao.com.br/ - Goiânia - GO)


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