sexta-feira, 1 de maio de 2026

Parceria entre Japão e Amazonas ganha novos sabores e reforça laços históricos na FUnATI -


Parceria entre Japão e Amazonas ganha novos sabores e reforça laços históricos na FUnATI

Em: 30 de abril de 2026

Realizado na Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025 com recursos do governo japonês, o encontro reuniu alunos idosos, autoridades e representantes do consulado


Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025. (Foto: Mônica Freires)

A relação entre o Japão e o Amazonas, construída ao longo de décadas por meio de intercâmbios culturais, científicos e econômicos, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (30), em Manaus. A Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI) recebeu uma oficina de culinária japonesa que, mais do que ensinar receitas, simbolizou o fortalecimento de uma parceria marcada por cooperação e troca de conhecimentos.

Realizado na Cozinha Escola da instituição, espaço inaugurado em 2025 com recursos do governo japonês, o encontro reuniu alunos idosos, autoridades e representantes do consulado. À frente da atividade, o chef Takashi Nakano apresentou pratos da culinária caseira japonesa, destacando não apenas técnicas gastronômicas, mas também hábitos alimentares associados à longevidade.

A iniciativa foi tratada como um gesto concreto da amizade entre os dois povos. “Essa é uma prova da relação entre Japão e Brasil, especialmente com o Amazonas”, afirmou o cônsul-geral do Japão em exercício, Akira Suzuki. Segundo ele, a oficina também representa uma oportunidade de compartilhar experiências em um contexto em que o envelhecimento populacional se torna um desafio comum. “A culinária japonesa é uma das mais saudáveis. Esperamos que contribua para a qualidade de vida dos idosos”, disse.


Mais do que um evento pontual, a atividade reflete uma conexão histórica profunda. (Foto: Mônica Freires)

Mais do que um evento pontual, a atividade reflete uma conexão histórica profunda. O reitor da FUnATI, médico e ex-deputado federal Euler Ribeiro, relembrou que a presença japonesa no Norte do Brasil deixou marcas duradouras na economia e na cultura regional. Ele citou, por exemplo, a introdução da juta em Parintins e o estímulo ao cultivo do guaraná em Maué, município que hoje concentra significativa população descendente de japoneses.

“Existe uma relação antiga. Os japoneses contribuíram diretamente para o desenvolvimento de atividades econômicas importantes no Amazonas”, destacou. O reitor também ressaltou que essa troca vai além da produção agrícola, alcançando áreas como ciência e saúde.

Com trajetória acadêmica ligada ao Japão, Euler Ribeiro construiu parte de sua formação em diálogo com instituições japonesas e se tornou referência em estudos sobre envelhecimento. Sua atuação, aliás, acaba de ganhar reconhecimento internacional: ele foi anunciado como condecorado pelo governo japonês com a Ordem do Sol Nascente, uma das mais importantes honrarias do país, concedida a pessoas que contribuem para o fortalecimento das relações bilaterais.


Com trajetória acadêmica ligada ao Japão, Euler Ribeiro construiu parte de sua formação em diálogo com instituições japonesas e se tornou referência em estudos sobre envelhecimento. (Foto: Mônica Freires)


“Vou receber essa homenagem como parceiro do Japão, por tudo o que temos feito em cooperação”, afirmou. A cerimônia de entrega deve ocorrer em breve no consulado.

A história da própria FUnATI está entrelaçada com essa cooperação. Criada a partir de uma iniciativa de Euler Ribeiro ainda nos anos 2000, a instituição se consolidou como referência nacional em educação e promoção da saúde para pessoas idosas. Hoje, oferece atividades que vão da formação acadêmica a cursos práticos voltados à autonomia e geração de renda.

É nesse contexto que a Cozinha Escola ganha papel estratégico. Além de estimular hábitos saudáveis, o espaço também permite que os alunos aprendam técnicas que podem ser aplicadas nas comunidades. “Os cursos ajudam os idosos a produzirem alimentos e até complementarem a renda”, explicou o reitor.

A oficina desta quinta-feira, portanto, reuniu múltiplos significados: foi aula, intercâmbio cultural e reafirmação de uma parceria internacional. Em meio a receitas e histórias, o que se destacou foi a construção de uma ponte entre tradições, uma ponte que passa pela memória, pela ciência e pelo cuidado com o envelhecimento.

No Amazonas, essa relação continua sendo cultivada, agora também à mesa.

Do Jornal do Comercio do Amazonas (jcam.com.br)


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