sábado, 8 de agosto de 2026

Guerra nuclear: o último minuto da humanidade - Artigo de Ney Lopes, escritor e jornalista, ex-deputado federal


Guerra nuclear: o último minuto da humanidade

08 Ago 2026

Ney Lopes

Guerra nuclear: o último minuto da humanidade

Se uma guerra nuclear fosse deflagrada hoje, em apenas três horas o planeta registraria 34 milhões de mortos e 57,4 milhões de feridos, segundo o Programa de Ciência e Segurança Global de Princeton. Nos dois anos seguintes, o colapso alimentar global eliminaria entre cinco e oito bilhões de pessoas, retrato brutal que supera a devastação da II Guerra Mundial, responsável por 70 a 85 milhões de mortes em seis anos. Não é alarme, nem pessimismo, mas sim a fotografia precisa do risco iminente que ameaça a sobrevivência da espécie humana.

Heroísmo de Petrov

O mais grave é que, por equívoco - felizmente constatado em tempo - o mundo já esteve à beira desse abismo.

Na noite de 26 de setembro de 1983, Stanislav Petrov, coronel soviético e engenheiro de sistemas de alerta nuclear, de plantão em bunker secreto, próximo a Moscou, de repente disparou o alarme vermelho e o sistema constatou o lançamento de cinco mísseis balísticos americanos.

A tela indicava o nível “máximo” de confiabilidade da informação.

A orientação era clara: transmitir ao comando central para iniciar a retaliação nuclear automática.

Petrov duvidou e raciocinou rápido: se fosse um ataque teriam sido lançados centenas de mísseis e não cinco.

Alarme falso

Comunicou aos superiores, que constatara alarme falso.

Depois verificou-se erro no sistema, que confundiu o reflexo do sol sobre nuvens com o calor de mísseis.

Resultado: um único homem, numa sala escura, salvou a civilização humana.

Não recebeu nenhuma condecoração, pois a Rússia reconhecer o erro seria admitir gravíssima falha no seu arsenal.

O fato somente se propagou em 1998, quando um general escreveu livro de memória.

Países protegidos

Na hipótese da eclosão de uma guerra nuclear, a revista científica Risk Analysis, considerou alguns países mais protegidos dos alvos militares: Australia, Nova Zelandia, Argentina, Uruguai, Paraguai, Costa Rica e Islândia.

Quem sobrevivesse enfrentaria além do frio, a camada de ozônio, que elevaria a radiação a níveis perigosos.

A pesca marinha sofreria queda na produtividade.

Moscas e mosquitos se multiplicariam sobre cadáveres, acelerando epidemias.

Relógio do Juízo Final

Desde 1947, cientistas atualizam o chamado "Relógio do Juízo Final", que é simbólico e tenta avaliar a proximidade da humanidade da destruição nuclear.

Ele foi criado pelo “Bulletin of Atomic Scientists”, que reúne especialistas de renome.

O relógio nunca chegou a bater meia noite, a hora fatal.

Caso um dia isto ocorra, a pergunta é se haverá no último minuto um Petrov de plantão"


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