A noite dorme / o dia acorda / ninguém dorme / a agitação
não deixa // Os sinos tocam / mesmo assim / tudo depois / como dantes... / E tudo continua como outros anos / de
anos que se foram...
Neste dia de Natal ouvi algo sobre a Dama da Caridade,
revelações vindas de longe, de muito longe, quando Ana falava sobre ela: sobre a a Dama da Caridade. Às vezes, emocionada,
a Ana chorava... Fazia uma parada para
engolir o choro, e continuava... Outras novas paradas para engolir mais um,
mais outro e mais outro choro... E a
caridade da dama apertava o coração da Ana... A Ana estava emocionada!
De que adianta eu ficar linguajando esse assunto..., só
linguajando!
É melhor eu mostrar a Ana, o choro da Ana falando da Dama da
Caridade... Depois mostrarei, abaixo do vídeo, em texto, um pouquinho mais da vida da
Dama da Caridade: sua prisão, os passes espirituais na prisão e as sobras que
alimentaram as crianças, fazendo surgir uma grande obra de Amor e Caridade...
Uma história de Amor, em nome do Cristo!
Se as lágrimas vierem, esmaguem a vergonha e deixem chorar
as lágrimas!
A Ana vai falar: deixemos a Ana falar! Não importa o tempo, se
10 minutos, 15 ou uma hora... A Ana vai falar, em ambiente simples, cercado pelas
luzes de amor e caridade...
Assistam ao vídeo, com a palestrante espírita Ana Jaicy
Guimarães:
(- SOBRAS DE ESPERANÇA E AMOR é palestra da oradora e médium
espírita Ana Jaicy Guimarães, sobre fatos da vida de Benedita Fernandes, a
"Dama da Caridade" , que viveu em Araçatuba, interior do Estado de
São Paulo -)
BENEDITA FERNANDES
Texto da Revista O CONSOLADOR
![]() |
| Benedita Fernandes |
Benedita Fernandes nasceu aos 27 de junho de 1883, em
Campos Novos de Cunha (SP),
sendo filha de Maria Josefa
Nascimento, que era viúva.
Portadora de atroz obsessão,
autêntica subjugação, Benedita
perdeu o contato com a família e
perambulava sem rumo. Certa
feita, causava tantos incômodos
à população que foi recolhida à
Cadeia Pública da cidade de
Penápolis.
Àquela época não existiam hospitais ou atendimentos para tal fim. O carcereiro Padial e depois o Sr. Marcheze deram assistência à mulher doente, principalmente com passes, e Benedita, premiada pela necessidade, recebeu o chamamento libertador; uma feita depois de uma crise muito forte, ouvira: "Benedita, se promete consagrar-te, inteiramente, aos enfermos e pobres, sairás curada daqui".
Ela recobrou a consciência e
resolveu rumar para Araçatuba.
Chegou ela, totalmente
desequilibrada pela mediunidade
que lhe aflorava os sentidos, a
Araçatuba, região alta noroeste
de São Paulo localizada a umas
seis horas da capital paulista.
Foi bondosamente amparada e
recolhida em nome da
fraternidade por um casal amigo.
Mais tarde, refeita, começou a
recolher aqui e ali, crianças
desvalidas, surgindo assim um
modestíssimo lar, hoje o Lar
Benedita Fernandes de Araçatuba .
Certa feita, as crianças não tinham o que comer. Benedita explicou-lhes que se elas fossem ao portão, Jesus as auxiliaria. Elas se postaram à entrada do Lar, com o estômago a doer. Ora, passava por ali um homem chamado Ricieri, que era vendedor numa carrocinha, de buchos, rins, fígado, um tripeiro, enfim. Ricieri perguntou-lhes o que elas faziam ali fora. "− Estamos esperando Jesus para nos dar de comer". Ele lhes respondeu: "− Digam pois lá dentro, para a mãezinha de vocês, que Jesus chegou! E daquele dia em diante, com as sobras do tripeiro, não houve mais fome por lá. Ainda, ele também, em cada casa que parava, falava aos fregueses daquele pequeno abrigo e muitos passaram a auxiliar.
Certa feita, as crianças não tinham o que comer. Benedita explicou-lhes que se elas fossem ao portão, Jesus as auxiliaria. Elas se postaram à entrada do Lar, com o estômago a doer. Ora, passava por ali um homem chamado Ricieri, que era vendedor numa carrocinha, de buchos, rins, fígado, um tripeiro, enfim. Ricieri perguntou-lhes o que elas faziam ali fora. "− Estamos esperando Jesus para nos dar de comer". Ele lhes respondeu: "− Digam pois lá dentro, para a mãezinha de vocês, que Jesus chegou! E daquele dia em diante, com as sobras do tripeiro, não houve mais fome por lá. Ainda, ele também, em cada casa que parava, falava aos fregueses daquele pequeno abrigo e muitos passaram a auxiliar.
Conta-se que, um dia,
Benedita Fernandes viu jogado a
um monturo, morto, e quase
devorado por urubus, o corpo de
um antigo mendigo, seu
conhecido, que pela carência
socioemocional, era considerado
louco. Ela ali mesmo jurou que
jamais alguém, considerado
louco, ou mesmo os loucos,
ficariam sem o seu amparo.
Passou a recolhê-los e
abrigá-los num quartinho. Quando
em crise, os dementes avançavam
para ela, mas essa mulher de
seios fartos, cabelos carapinha
e sorriso de esperança,
sentava-se numa cadeira próxima,
aconchegava-os ao seu regaço,
colocava a cabeça dos
desvairados no seu colo,
acalmava-os com preces, passes e
boas palavras e a crise ia
regredindo, e eles ficavam
calmos, pacificados pela força
irresistível do amor.
O Prefeito da cidade, vendo
que aquela era uma boa causa,
passou a auxiliá-la com recursos
financeiros, mas um dia, esse
dinheiro, essencial, passou a
não mais chegar. E ela, ao
reclamá-lo com o Prefeito, soube
que não mais o teria. Não
titubeou. Era mulher de fibra
vigorosa, avisou ao mandatário
que soltaria os loucos todos por
não poder sustentá-los. Eles
ficaram então, por algumas
horas, vagando pela cidade de
Araçatuba e, assim, Benedita
Fernandes obteve novamente a
subvenção e pôde continuar a
deles tratar no que é, hoje, o Sanatório
Benedita Fernandes de Araçatuba.
Além da obra de assistência,
atuou como médium,
principalmente passista, e na
evangelização das crianças.
Merece destaque que o
Espírito que anteriormente a
obsediava, veio a se transformar
em um dos seus colaboradores
espirituais. Benedita Fernandes
tornou-se igualmente uma das
pioneiras do atual movimento de
unificação dos espíritas quando
fundou, aos trinta de agosto de
1940, a União
Espírita Regional da Noroeste,
sendo eleita sua presidente.
Mantinha correspondência
com Cairbar Schutel, que sempre
publicava notícias sobre o
trabalho dela, no histórico
jornal O
Clarim. Era visitada por
lideranças expressivas como João
Leão Pitta e por Leopoldo
Machado. Sentiu-se mal às 23
horas do dia oito de outubro de
1947, quando conversava com as
crianças, aconselhando-as.
Desencarnou à uma hora e trinta
minutos do dia nove de outubro
de 1947, vítima de colapso por
insuficiência cardíaca. Muitos
anos mais tarde, Ricieri passou
a consultar-se no atual INCA, no
Rio de Janeiro, devido a um
doloroso câncer no pulmão.
Sabedor que Divaldo Franco
estaria num Culto, na residência
do casal Irene e Aristides
Silva, no Flamengo, para lá
então se dirigiu com a esposa
Matilde e com os confrades Ana e
Geraldo Guimarães. Divaldo
Franco, na sua discrição,
naquele dia, tomando
conhecimento do caso do doente,
disse-lhe de chofre, para
espanto de todos que ali se
encontravam:"− É,
Ricieri, você, como todos nós,
vai desencarnar, mas há aqui um
venerando Espírito a me dizer
que irá recebê-lo e auxiliá-lo
no trânsito pós-morte. Diz-me
ela também, que você a conhece
bem, desde os tempos das
sobras... Está ela a agradecer,
a dizer obrigada pelas sobras!" "− Sobras?
Ah, então é D. Benedita
Fernandes! Pergunte-lhe se eu
não poderia ter uma moratória.
Preciso de um tempo para
terminar a obra dos esgotos no
Lar de crianças da minha cidade.
Divaldo, será que posso pedir
além da moratória, que minhas
dores sejam minimizadas?"
Divaldo ficou a escutar Benedita
Fernandes. "− Ela
me diz que sim, que a moratória
ser-lhe-á concedida. Mais tarde,
você sentirá uma dor forte no
coração e no pulmão. Aí será
chegada a hora da viagem..." −completa-lhe
Divaldo. Depois, o médium
oferece ao doente a terapêutica
do passe renovador e suave
perfume balsâmico invade o
ambiente. Ricieri e a esposa
Matilde foram para casa; para
espanto dos médicos, a dor havia
passado. Um ano após esses
acontecimentos, o bondoso
tripeiro já havia terminado os
esgotos do abrigo, quando sentiu
uma fortíssima e aguda dor no
peito, avisou a mulher,
deitou-se e, tranquilamente,
desencarnou, auxiliado,
certamente, por esse Espírito
dedicado que se chama Benedita
Fernandes. A psicografia de
Francisco Xavier registra o
trabalho de Benedita Fernandes,
que é intitulada Num
Domingo de Calor, assinada
por Hilário Silva, e publicada
pelo Anuário
Espírita 1964
(IDE).
Nos anos 70 e 80, Divaldo
Pereira Franco psicografou
várias mensagens de autoria de
Benedita Fernandes. Estas estão
incluídas em livros do mesmo
médium. Por ocasião do
cinquentenário de suas obras,
lançamos um livro sobre Benedita
– Dama
da Caridade, inicialmente
editado pela então União
Municipal Espírita de Araçatuba,
na qual reunimos informações
sobre a vida e as ações desta
notável obreira, bem como as
mensagens espirituais dela ou
alusivas a ela.

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