A oposição já colhe assinaturas no Congresso para instalar uma nova CPMI da Petrobras no início de 2015. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), um dia depois de o PT finalizar o relatório da atual comissão sem o indiciamento de nenhum dos investigados na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Para Aécio Neves, a base da presidente Dilma Rousseff provocou um fim “vexatório” das investigações.
“Já estamos colhendo assinaturas para instalar uma nova CPMI
já a partir do início de fevereiro, porque o Congresso Nacional não pode
privar-se de avançar nas investigações diante de algo de tamanha gravidade e
tamanha irresponsabilidade, uma ação tão criminosa como essa”, disse em entrevista
à imprensa em Belo Horizonte nesta quinta-feira (11).
Aécio Neves também fez um chamado à população para
pressionar o Congresso a avançar nas investigações. “Se existe CPMI hoje é por
causa da oposição. Infelizmente, a base do governo foi quem abafou as
investigações. Cotamos com a opinião pública para que essa nova CPMI não tenha
o desfecho vexatório que essa proporcionou ao Brasil”, afirmou o presidente
nacional do PSDB.
As declarações foram dadas após reunião com deputados
estaduais e federais do PSDB e da base aliada em Minas Gerais, que contou com a
presença do governador do estado, Alberto Pinto Coelho.
Na reunião, o senador agradeceu o apoio dos parlamentares na
eleição e ressaltou a necessidade de união da oposição. “Nosso papel é de uma
oposição vigilante, atenta no campo federal e no estadual. A minha determinação
em cumprir esse papel é a mesma que se tivesse vencido as eleições. Precisamos
estabelecer um nível de oposição, claro e firme. Não questiono o resultado das
urnas, fui o primeiro a reconhecer isso, mas nós vamos cobrar, e cobrar
incessantemente, os compromissos assumidos pela candidata nas eleições”,
anunciou.
Aécio Neves lembrou que os vencedores das eleições no âmbito
federal estão com dificuldade de sair às ruas em razão das medidas, tomadas
após a disputa, que revelaram um Brasil diferente do apresentado pela
propaganda petista. “Aquilo que
denunciávamos sobre o rombo nas contas públicas se mostrou verdadeiro”, disse
ao se referir à aprovação do projeto de lei que livrou a presidente Dilma de
cumprir a meta fiscal após ter gastado além do previsto para 2014.
Manifestações democráticas
Isso, segundo Aécio Neves, é um dos motivos que têm gerado
os protestos contra o governo Dilma ocorridos nas últimas semanas em algumas
capitais do país. “Esta eleição despertou uma parte da população brasileira que
estava adormecida. Esse Brasil está nas ruas e nas redes. Temos que expressar
esse sentimento em relação à corrupção, ao desgoverno, aos baixos indicadores
na economia e à volta da inflação. Faremos uma oposição dentro das regras
democráticas.”
Questionado sobre a posição do partido em relação às
manifestações que pedem o retorno da ditadura, Aécio Neves reprovou qualquer
iniciativa que se dê fora do campo democrático. “A nossa história é muito
coerente. A minha oposição é no campo da democracia, e vamos fazer essa
oposição em favor do Brasil e dos brasileiros. Se existe algum sentimento na
sociedade de saudosismo (em relação à ditadura), obviamente eles se
manifestarão longe de nós e não têm nenhuma vinculação com a oposição
democrática que fazemos no Congresso e que temos que fazer nas ruas também”,
ressaltou o presidente nacional do PSDB.

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