Após 32 anos de mandato, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez hoje (10) seu discurso de despedida. Ele não foi reeleito para o Senado e deixará a Casa a partir de 1º de fevereiro do próximo ano, quando um terço da Casa será renovado.
Apesar de acumular 60 anos de vida pública, tendo sido
governador e senador por quatro vezes, as três últimas consecutivas, o senador
começou o discurso lembrando mais do momento atual do Brasil que na história
política que vivenciou e ajudou a construir. Lembrou episódios do mensalão,
aprovação da Lei da Ficha Limpa e o escândalo mais recente de desvios da
Petrobras. Segundo Simon, todos ligados à corrupção, avaliada por ele como a maior mazela do Brasil.
“Vou caminhar por este imenso País e semear minhas ideias
nos campos fecundos do saber de uma juventude que clama por mudanças. Não mais
uma juventude de palavras silenciadas pela repressão. Agora, elas são impelidas
pela indignação. A indignação com a impunidade que alimenta a corrupção. A
mesma corrupção responsável pelas nossas maiores mazelas”, disse sobre os
planos.
Ao longo do discurso, Simon foi aparteado por diversos
colegas que elogiaram sua atuação na Casa e ressaltaram a importância de sua
vida política. O senador também se emocionou numa das duas vezes que foi
aplaudido de pé pelos colegas e parentes que acompanharam o discurso no
plenário.
Simon lembrou, ainda, os principais episódios que vivenciou
como homem público, como o governo Juscelino Kubitschek, a renúncia de Jânio
Quadros, ditadura militar e o governo Itamar Franco, após o impeachment de
Fernando Collor, entre outros.
“Se me perguntassem quais desses momentos mais me marcaram a
alma, citaria dois, no mesmo ano de 1984. Um foi um enorme ganho para a Nação
brasileira, o outro, a maior das perdas de vida toda. Aquele foi o último ano
de duas décadas de noites sombrias da ditadura militar, com a vitória de
Tancredo Neves. Também foi o último de uma década de dias ensolarados do meu
querido filho Mateus”, acrescentou.
Ao fim de mais de quatro horas de discurso e apartes, o
senador recebeu dos colegas senadores réplicas da placa do plenário com seu
nome e do microfone usado ao longo dos últimos anos.

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