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quinta-feira, 3 de março de 2016

Plantar sementes de paz nos corações infantis


Lúcia Moysés*







Há adultos violentos, grosseiros, mal educados e insensíveis que inviabilizam qualquer tipo de relacionamento afetivo feliz. Ao longo da vida, não há quem não conheça casos de casamentos desfeitos e companheiros magoados pela convivência com esse tipo de pessoa.

É importante saber que, na maioria das vezes, isso tem origem na infância, quando crianças testemunham cenas negativas às quais a família atribui pouca importância: brigas de casal marcadas por agressões verbais e total falta de respeito; ausência de compromisso com a palavra empenhada; mentiras ditas pelos adultos da casa, a fim de encobrir ocorrências banais; atitudes desrespeitosas para com os mais velhos ou conversas entremeadas de palavrões são algumas delas.

Infelizmente esse é o retrato de muitos lares, nos quais os pais ou responsáveis parecem não dar a devida importância ao tipo de ambiência e de exemplos oferecidos aos próprios filhos. O fato é preocupante, uma vez que climas domésticos são portas de entrada para os espíritos. Pela lei de atração sabemos que espíritos desajustados e de baixo padrão vibratório sentem-se atraídos para aqueles lares onde imperam o desequilíbrio e o desamor.

Ao lado de tais atitudes dos pais, há ainda outras, igualmente perniciosas para o desenvolvimento emocional sadio da personalidade em formação. Exemplo: acobertar os erros dos filhos ou considerá-los como incapazes de cometer malfeitos. Quantas vezes vêm-se educadores arrasados depois de chamarem à escola pais de alunos extremamente indisciplinados que os defendem como se eles fossem verdadeiros anjos, em uma completa inversão de valores.

As consequências de se viver em ambientes onde reinam a violência, os vícios, o desrespeito, a omissão e a conivência com o erro podem ser muito graves, tanto do ponto de vista afetivo e social, como do espiritual. Obsessões tenazes, não raro, têm suas origens exatamente em tais desajustamentos.

Portanto, é um equívoco considerar como triviais e inconsequentes as atitudes aqui citadas. Bons pais sabem que precisam preparar seus filhos para o mundo, ajudando-os a serem pessoas socialmente ajustadas, independentes e produtivas.

A criança tudo observa. Seu cérebro em formação capta, do ambiente a sua volta, o material com o qual vai plasmando a sua forma de estar e de agir no mundo. Tudo o que encontra ao nascer, e permanece ao seu redor, assume o caráter de “coisa normal”, como os hábitos e costumes. Tais circunstâncias são apreendidas como naturais. É essa forma de pensar que a leva a reproduzir aquilo que observa nos adultos com os quais convive.

Há, por exemplo, pesquisas da National Drug and Alcohol Research Centre (Centro Nacional de Pesquisa sobre Droga e Álcool), dos EUA, que confirmam haver uma frequência elevada de jovens que começam a beber muito cedo entre os filhos de pais que bebem quando comparada com a daqueles cujos pais não têm esse vício. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que a criança pequena que vê seus pais e familiares próximos bebendo passa a ver o uso do álcool como algo natural. Consequência: será, a seu turno, bebedor precoce.

Por essa lógica, bater, mentir, trapacear, desrespeitar a todos e a tudo é natural para quem, desde que nasceu, observou tais comportamentos nas pessoas a sua volta.

Pela gravidade das suas consequências, entendemos que os pais precisariam tomar mais cuidado com os exemplos que estão dando para a sua prole, evitando todos aqueles comportamentos desequilibrados, substituindo-os por outros mais construtivos e sadios.

É sempre oportuno lembrar de que, apesar de os filhos virem por nosso intermédio, eles são, antes de tudo, espíritos criados por Deus e que vêm à Terra em busca da própria iluminação.

Igualmente importante é ter a certeza de que tornar-se cego aos comportamentos equivocados dos filhos é dificultar a sua vida em sociedade quando adulto, além de retardar a sua marcha no caminho do bem.

Perguntas que os pais devem se fazer sempre: estou ajudando o meu filho a cumprir aquilo que se propôs quando se preparou para sua nova encarnação? Se ele tivesse que retornar ao Plano Espiritual ainda jovem, será que a sua existência conosco foi proveitosa ao seu espírito? Será que se adiantou ao nosso lado? Esperamos que as respostas sejam sempre um vigoroso sim.

Se desejamos ver nossos filhos vivendo em um mundo mais harmonioso e pacífico, precisamos cuidar da infância, cultivando o bem, lançando desde cedo as sementes de paz nos campos da vida.

*Lúcia Moysés é educadora e escritora espírita

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