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domingo, 29 de maio de 2016

Ainda tem boneca de anil?

Crônica

Hélcio Silva


Quem guarda lembrança das bonecas de anil?

Em São Luís, quando eu era moleque de calça curta, gostava de ir à quitanda (geralmente na quitada de seu Berto, um prédio de esquina, na rua de São João), fazer compras.

E, às muitas vezes, quando ia comprar sabão em barra (andiroba, martins ou de coco), seu Berto já colocava três ou quatro bonequinhas de anil, e anotava no caderno do fiado. Naquele tempo quase todo mundo comprava fiado nas quitandas.

Como quase todas as donas de casa, minha avó usava as bonequinhas de anil para lavar as roupas. Ela deixava toda roupa de molho (principalmente as brancas) com as bonecas de anil mergulhadas na água ensaboada e colocada ao sol para quarar.

Boneca de anil era um corante em tablete enrolado num paninho fino e amarrado com pedacinho de barbante. Depois apareceram uns tabletes mais modernos, sem os barbantes, lançados pela indústria Anil Imperial para dominar o mercado da minha cidade.

Em contato com a água, o tablete (boneca de anil) dissolvia suavemente azulando toda água e alvejando as roupas, apesar de sua cor azul...

Na minha cidade, nunca mais eu vi alguém lavar roupa com boneca de anil...

Hoje, tem o sabão em pó, pronto par alvejar as roupas... Modernidade! 
Modernidade!...

Mas, - só para indagar -, será que ainda existe boneca de anil?

(Escrevi e publiquei esta crônica pela primeira vez no dia 17 de dezembro de 2014. Estou republicando hoje).

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