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quinta-feira, 30 de março de 2017

Vereadores de Curitiba já rejeitam pacote de Greca

Do Sismuc

Servidores têm criado listas de e-mail e grupos nas redes sociais para cobrar posição do legislativo


O prefeito Rafael Greca não terá vida fácil para aprovar o Pacote de Maldades que enviou à Câmara Municipal no último dia 28 de março. Os vereadores já começam a se declarar contra os Projetos de Lei que congelam os salários e adiam a data-base para novembro, travam planos de carreira e progressões e ainda alteram o financiamento do Instituto de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC), até sacando R$ 600 milhões. O pacotaço de Greca, inclusive, toma o vale alimentação mensal de servidor que tenha faltado a um dia de trabalho.

Os vereadores têm manifestado rejeição ao pacotaço. Eles têm sido pressionados por servidores e pela população. O contato tem sido feito por listas de e-mail, Facebook e até por grupos de Whatsapp. Em um desses grupos, a vereadora Fabiane Rosa disse ser contra o ajuste fiscal que retire direitos e que ainda afogue o diálogo. Para ela, o país atravessa um momento econômico delicado, contudo, as medidas não podem ser direcionadas apenas aos servidores públicos, categoria que integra.

“Nesse sentido, somo-me à esperança de milhares de servidores da educação municipal em ver seus direitos garantidos, em ver o Plano de Carreira dos Professores ser integralmente implantado, em ter a certeza de que novos professores serão contratados e que, por fim, a última parcela do Plano de Cargos seja paga”, se comprometeu Fabiane.

Caso os projetos sejam aprovados, os salários dos servidores públicos serão sucateados. 

De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos Econômicos e Sociais (DIEESE), a transferência da data-base para novembro traz um prejuízo de 39% nos vencimentos dos trabalhadores. O economista Sandro Silva ainda diz que após 20 meses, o índice a ser reajustado é ainda maior.

“A inflação acumulada do período está em 4,69%. Agora Greca pretende postergar em oito meses. Somando isso ao terço de férias, isso significa uma perda equivalente a 39%. Lá na frente, a prefeitura terá que discutir vinte meses. Nesse sentido, a inflação será maior. De acordo as projeções do Banco Central, a inflação a mais pode ser de 2,86%, chegando em 7,58%”, alerta o economista Sandro Silva, do DIEESE.

Portanto, o risco de agravar a crise e as contas da Prefeitura de Curitiba só aumenta ao postergar o reajuste. Para a vereadora professora Josete, os “projetos de lei ferem de morte direitos conquistados a partir de muita luta”. A vereadora comenta que estão sendo suspensos planos de carreira aprovados pelos próprios vereadores.

“São ações autoritárias. Além de debater o reajuste, os sindicatos estão apresentando suas pautas. O mínimo que se esperava é que ocorresse o diálogo entre as comissões e o executivo para que se pudesse analisar cada proposta e tivesse dados concretos sobre a real situação financeira de Curitiba. Infelizmente, isso não aconteceu”, lamenta Josete.

A opinião de Josete também faz coro com outros vereadores. O novato Goura disse que já manifestou “pessoalmente meu apoio aos professores e professoras e coloquei o mandato à disposição para ajudar no que for possível”. Já o vereador Felipe Braga Cortes informou que defende o plano de carreira. “Votei nesse plano. Contem comigo’, assumiu o compromisso em um grupo.

Vereadores contra o projeto

Vereadora Noemia Rocha
Vereadora Josete
Vereadora Fabiane Rosa
Vereador Professor Euler
Felipe Braga Cortes
Goura
Prof Silberto
Mestre Pop

Em cima do muro

O vereador Cristiano Santos também está sendo cobrado a tomar posição contra os projetos do prefeito Rafael Greca. No entanto, ele não assumiu posição totalmente contrária. De acordo com o vereador, “todos os projetos serão estudados e tentarei fazer o possível para não ser a favor da retirada de nenhum benefício conquistado”.

Carta aos vereadores

O Sismuc divulga pelo seu Facebook uma carta padrão para ser encaminhada aos vereadores. O texto – que pode ser acessado aqui – questiona a iniciativa do prefeito Rafael Greca de apenas fazer ajustes que penalizam os servidores e a população mais pobre. Além disso, o sindicato se reuniu com os vereadores na tarde do dia 29 de março.

Ao legislativo, o coordenador de Estrutura do Sismuc, o professor de educação infantil Jonathan Faria Ramos lamentou que os sindicatos e os servidores não tenham sido ouvidos pela Prefeitura de Curitiba antes do protocolo das matérias. “A gente entende o momento [de crise], mas não é em cima do trabalhador que vai resolver o problema.” Para ele, as mudanças propostas no Instituto de Previdência do Município de Curitiba (IPMC), se aprovadas, gerarão um “problema maior” no futuro. “Foi a mesma coisa com o parcelamento aprovado no ano passado, que não foi cumprido”, lembrou o dirigente.

Por Manoel Ramires

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