Jorge Oliveira
Brasília - Quando trabalhava no Globo, na década de 1970,
fiquei surpreso quando perguntei a um rapaz que acabara de ser preso pelos
seguranças da Central do Brasil, depois de roubar uma mulher operária que
descia com ele na mesma estação, por que ele estava roubando uma pessoa que não
tinha nada, uma pobretona como ele. Na delegacia, depois de preso, a resposta
dele foi imediata:
- Porque miserável não gosta de miserável.
Quase cinquenta anos depois, entendo agora o que aquele
rapaz, um larápio ocasional, falou depois de assistir à queda do prédio de São
Paulo. Os desabrigados, centenas deles, foram unânimes em reafirmar a
cidadania: “Não queremos albergue, nós pagamos aluguel”. Como?, me perguntei.
Aí fiquei sabendo, pelos depoimentos deles, que existe uma milícia paulista por
trás da ocupação dos prédios da cidade de São Paulo. Os mafiosos – que vivem às
custas dos miseráveis – alugam cortiços e deles tiram proveitos como se fossem
uma organização imobiliária.
Que coisa! Já tinha uma ideia de que o Partido dos
Trabalhadores criara a maior organização criminosa do país. Seus dirigentes e
militantes meteram a mão em milhões e milhões de reais. Muitos estão em cana, a
exemplo do chefe Lula da Silva. O que nunca imaginei, no entanto, é que os
organizadores dos sem teto da cidade de São Paulo, que ocupam dezenas de
prédios, fossem donos da maior rede imobiliária do país. Isso mesmo, eles
administram alugueis de centenas de miseráveis e os mantêm como massa de
manobra quando precisam fazer arruaças nas ruas a soldo de políticos desonestos
e inescrupulosos.
Estou horrorizado! Fico sabendo agora que as ocupações dos
prédios é uma coisa engendrada, uma coisa moldada à maneira mais selvagem do
capitalismo desmedido por grupos de esquerda irresponsáveis e mercenários. Um
bando de aproveitadores, fantasia-se de defensores dos pobres e oprimidos,
mapeia os prédios abandonados e incentiva a ocupação. Vende a ideia de que
espaço vazio tem que ser ocupado por gente que não tem teto. A causa seria
nobre se não fosse tão cruel a quem precisa de um teto para morar.
Acontece que a tragédia do Largo do Paissandu abriu a
cortina da safadeza. Por meio dos depoimentos dos desabrigados, a gente fica
sabendo da existência de uma milícia que explora os miseráveis, ameaçando-os de
morte se faltarem com o pagamento. Uma desabrigada, entrevistada, disse como
muita clareza: “Não vamos para nenhum albergue, vamos resistir, não somos sem
teto, pagamos 400 reiais para morar aqui. Eles (os gigolôs dos sem teto) quando
viram a tragédia, pegaram seus carros na garagem e desapareceram”.
Isso mesmo, os miseráveis que roubam os miseráveis
desapareceram. A senhora, que tentava proteger a família dos escombros, estava
indignada, afinal de contas, ela morava em um local onde pagava por ele um
aluguel. E se não pagasse o que os milicianos pediam seria despejada
impiedosamente. Imagina, um sem teto despejado por falta de pagamento! Agora a
gente sabe que esses grupos de impostores, farsantes, são, na verdade,
sanguessugas da miséria alheia, aproveitadores de famílias indefesas,
integrantes de uma máfia que sobrevive sob o manto de um partido político.
Sabemos agora que boa parte das manifestações que ocorriam
no país não era coisa ideológica. Por trás de tudo isso, existe uma organização
para fazer dinheiro e financiar a insurreição da corja. Quando a petezada
estava no poder, o dinheiro público era usado para financiar protestos e
manifestações de ruas de apoio a organização criminosa. Depois disso, sabe-se
agora, gigolôs dos sem teto organizaram uma empresa especializada em ocupar
prédios em São Paulo para dar sobrevida a milícia da moradia.

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