No dia 7 de Setembro, data na qual oficialmente se comemora a independência do Brasil, será realizado em todo país o 24º Grito dos Excluídos que, este ano, tem como lema “Desigualdade gera violência: BASTA DE PRIVILÉGIOS!” e tema “Vida em primeiro lugar”, pelos quais, segundo a Coordenação Nacional, quer chamar a atenção da sociedade para a questão da desigualdade social, cada vez maior, entre os poucos endinheirados e os milhões de despossuídos. “Este sistema não permite que a vida esteja em primeiro lugar, porque privilegia o capital”, diz a coordenação.
Ainda segundo a coordenação, o Grito se constitui em um
espaço onde as pessoas se sintam capazes de lutar pela mudança, através da
organização, mobilização e resistência popular. Nesse contexto, em coletiva de
imprensa, realizada no dia 30 de agosto, na sede do regional Sul 1 da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em São Paulo, o bispo
auxiliar da arquidiocese de São Paulo, dom Eduardo Vieira dos Santos afirmou
que as denúncias trazidas pelo Grito são pertinentes, porque, de acordo com ele
“temos uma sociedade excludente”.
“Uma grande camada da sociedade vive à margem dessa mesma
sociedade, sem direito à moradia, sem direito à alimentação adequada, sem
direito à saúde, ao trabalho, e todos esses aspectos fazem parte da vida e da
dignidade humana. Enquanto tivermos uma parcela, que seja um da sociedade que
passe por essa situação, há sim sentido no Grito dos Excluídos, ainda que esse
excluído não seja o que grite, mas os seus irmãos devem gritar por ele”, afirmou
o bispo.
Segundo dom Eduardo, a base do cristianismo é a
solidariedade. “Aquele que se omite diante do sofrimento do irmão, aquele que
recua em defender o seu irmão diante do sofrimento ele não está vivendo o
Evangelho, não está seguindo a Cristo”, assegurou. A fala do bispo se deu após
a denúncia de Bruna Silva. Jovem, a moradora do complexo da Maré, no Rio de
Janeiro, teve seu filho Marcus Vinícius, 14 anos, morto no dia 20 de junho pela
Polícia Civil, quando estava a caminho de sua escola. Marcus era estudante da
rede municipal de ensino do Rio de Janeiro.
Para o economista Plínio de Arruda Sampaio Filho, também
presente na coletiva, a violência que mata 62 mil pessoas no Brasil é o
resultado da administração da barbárie, com a crescente exploração dos mais
pobres e da militarização. “As vítimas são os mais pobres e 70% deles são
negros”, lembrou. Ainda segundo o economista, a desigualdade social que existe,
e que mais uma vez o Grito dos Excluídos denuncia, é resultado de um sistema
que não enxerga e pauta as necessidades de sua população e sim a manutenção do
sistema atual que exclui e promove a barbárie aos mais pobres. “Na economia,
essa barbárie, é o chamado ajuste fiscal, o ataque à previdência, à política
pública. Por que nenhum candidato [à presidência da República] tem a coragem de
pautar a Dívida Pública? ”, questiona.
Para a socióloga Rosilene Wansetto, uma das coordenadoras
do Grito, enquanto a PEC dos gastos não for revogada nada de diferente poderá
ser feito no país. “É preciso que as pessoas questionem quais são as
prioridades da população brasileira? Por que congelar investimentos na Saúde e
Educação por 20 anos? Para que o Estado brasileiro está servindo”, questionou a
socióloga, que também denunciou a presença militar do Estado nas comunidades e
favelas brasileiras.
O Cartaz
O cartaz do 24º Grito dos Excluídos é de autoria de
Nivalmir Santana, artista plástico formado pela Belas Artes de São Paulo e
Unesp. Ele trabalha há mais de 28 anos com arte sacra em igrejas espalhadas por
todo o Brasil. Atua como músico no curso de verão na Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, desde 1991.
Segundo Nivalmir Santana, o cartaz retrata a união dos
marginalizados e do povo sofrido que luta por vida mais digna. “Esse povo unido
caminha para o sol, que ilumina todas as classes. O sol para o qual esse povo
se volta é Cristo, que pela páscoa dissipa todas as trevas e clareia todas as
coisas”, explica. Ainda de acordo com ele, a mulher como figura principal
retrata a geração da vida, que une as forças e luta com o povo sofrido,
especialmente na atual conjuntura que vive o povo brasileiro.
História do Grito
A proposta do Grito dos Excluídos brotou do seio da
Igreja, em 1995, para aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade daquele
ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e para responder aos desafios
levantados na 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1994, cujo tema era
“Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e
estendeu-se para as Américas.
Com informações da Rede Jubileu Sul Brasil

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