Moradores do sul da Bahia desenvolvem barreiras de proteção
ao petróleo
Por Ludmilla Balduíno
25 de novembro de 2019
Em Caravelas e Maraú, voluntários desenvolvem tecnologias de contenção do óleo para proteger a água doce e o ecossistema vulnerável dos mangues; técnicas podem ser adaptadas para cada caso.
Em meio ao caos, ao calor e às fake news, quem tem tomado a
frente para minimizar o impacto da poluição causada pelo maior crime ambiental
de derramamento de petróleo no Brasil, é o povo. Em Caravelas, o professor
Anders Schmidt, da Universidade Federal do Sul da Bahia, desenvolveu por conta
própria uma tecnologia de barreiras aquáticas para conter a chegada do óleo no
mangue.
A contenção projetada por Anders é formada por uma manta
impermeável, ancorada na entrada da foz do rio e sustentada por tubos de aço e
troncos de eucalipto. A barreira atua de acordo com o movimento dos ventos e
das marés, arrastando o petróleo pela água até que ele chegue a um trecho da
praia chamado de “zona de sacrifício”. A barreira precisa receber manutenção
constante, assim como é necessário que se limpe a zona de sacrifício sempre que
houver depósito de petróleo no local.
Em Piracanga, na península de Maraú, o fotógrafo Willians
Gomes reuniu uma equipe de moradores para desenvolverem, juntos, uma
ecobarreira, criando filtros que barram a entrada do óleo e permitem a passagem
de peixes e outros animais marinhos pela foz do rio Piracanga.
Quando os primeiros fragmentos de óleo apareceram, a
barreira foi rapidamente construída com materiais que tinham disponíveis. São
quatro redes de contenção, feitas com sombrite (uma tela de plástico, usada em
viveiros de plantas), cascas de coco (que são abundantes na região) e garrafas
de plástico (colhidas nas ruas). Dois últimos filtros feitos de manta
absorvente ainda serão instalados para captar partículas menores do óleo.
“Quando estiver concluído, o filtro do rio Piracanga terá
seis etapas. Esse sistema tem conseguido filtrar 99% do petróleo que chega em
partículas. As mantas devem absorver o óleo diluído, que fica boiando na
superfície da água”, diz Williams.
O que o mangue tem de especial?
Esse ecossistema vulnerável à mudanças ambientais é a fonte
de renda de milhares de famílias do Nordeste que praticamente não existem para
o governo. Ele está presente em mais de um milhão de hectares em quase todo o
litoral brasileiro, do Oiapoque à Santa Catarina, e presente em todos os
estados do Nordeste.
Quando a maré enche, o petróleo que chega do mar avança
pela foz dos rios, atingindo em cheio os manguezais. O mangue é um ecossistema
rico, importantíssimo para a manutenção da vida no mar, na água doce, na terra
e no ar, já que ali vivem representantes de todos os elos da cadeia alimentar e
é o berçário de espécies fundamentais para o equilíbrio ecológico e a economia
da sociedade.
Quando o mangue está sujo, o prejuízo é grande. No
Nordeste, grande parte dos moradores das vilas mais pobres na região litorânea
dependem deles para sobreviver. É ali que essas pessoas coletam artesanalmente
crustáceos e mariscos que garantem sua subsistência.
Com o risco dos animais estarem contaminados pelo petróleo,
as famílias não conseguem vender seus produtos e correm o risco de passar fome.
Para piorar a situação desse ecossistema frágil, no início de novembro,
enquanto o desastre ambiental acontecia, o governo Bolsonaro retirou diretrizes
para proteger os manguezais brasileiros.
O governo, além de agir de forma morosa em relação ao
petróleo no Nordeste, está liberando a destruição da nossa natureza. Não vamos
deixar que isso aconteça. Participe do abaixo-assinado e ajude-nos a pressionar
para que o governo Pare a Destruição Ambiental.



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