29 DE NOVEMBRO DE 2019
Todos os recursos desviados eram provenientes de financiamentos garantidos pela União e as licitações fraudadas pelos denunciados estão relacionadas à antiga Agência de Máquinas e Transportes do Estado do Tocantins – Agetrans, hoje Ageto, vinculada à Secretaria Estadual de Infraestrutura
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, nos últimos dias, mais quatro denúncias no âmbito da Operação Ápia. Foram denunciados políticos, um ex-secretário de Estado e empresários.
Os denunciados formaram uma organização criminosa (Orcrim)
que atuava para desviar verbas públicas oriundas de financiamentos, perante
instituições financeiras federais ou internacionais, com garantia da União;
fraudavam licitações para garantir a vitória de empresários e empresas
pré-determinadas, com o propósito de enriquecimento ilícito e domínio do
mercado, além disso desviavam recursos públicos mediante sobrepreço em aditivos
contratuais e superfaturamento, também utilizavam-se da emissão de notas
fiscais frias, sem a correspondente prestação de serviços.
São alvos comuns nas quatro denúncias José Eduardo Siqueira
Campos, José Wilson Siqueira Campos, Sandoval Cardoso e o ex-secretário
Estadual de Infraestrutura Alvicto Nogueira. Além deles foram denunciados
separadamente um ex-vice-governador do Tocantins, os proprietários das empresas
envolvidas nas irregularidades e mais um empresário. Todos foram denunciados
por peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, desvio de finalidade em
financiamento e alguns por lavagem de dinheiro.
Além do ressarcimento dos valores desviados, o MPF pede
indenização por dano moral coletivo, perda de cargo público e mandato eletivo
eventualmente ocupados pelos acusados, confisco e perdimento dos bens
acrescidos ilicitamente ao patrimônio dos agentes públicos.
Denúncia 1007843-68.2019.4.01.4300
Empresa Barra Grande – Além dos políticos e do
ex-secretário Estadual de Infraestrutura, foram denunciados os empresários José
Maria de Araújo, Geraldo Machela de Araújo e Levi Batista de Araújo,
proprietários da empresa Barra Grande Construções Ltda
Essa configuração da organização criminosa atuou durante
quatro anos no Tocantins - entre janeiro de 2010 e dezembro de 2014, período de
gestão dos ex-governadores José Wilson Siqueira Campos e Sandoval Lobo Cardoso
-, desviando recursos adquiridos pelo Estado junto ao Banco do Brasil, mediante
três operações de crédito, cujo valor supera 1,203 bilhão. Desse total
estima-se que mais de 8 milhões foram desviados. Para dar ar de legalidade ao
dinheiro desviado, o grupo simulava contratos fictícios envolvendo venda e aluguel
das máquinas e tratores.
Denúncia 1007844-53.2019.4.01.4300
Empresa Epeng – Além dos políticos e do ex-secretário
Estadual de Infraestrutura, foi denunciado o empresário Francisco Anteluis Vaz,
proprietário da empresa EPENG - Empresa Projetos de Engenharia Ltda.
Também atuando entre os anos de 2010 a 2014, a Orcrim agia
para garantir que a EPENG - Empresa Projetos de Engenharia Ltda fosse
vencedora, por meio de ajustes, combinações e outros expedientes fraudulentos
de licitações. O grupo garantia ainda pagamentos indevidos à empresa, oriundos
de aditivos contratuais ilegais e medições fraudulentas.
Estima-se que a organização chegou a desviar mais de 32
milhões de reais dos cofres públicos, apenas no contrato com a Empresa Epeng.
De 2013 a 2016 Sandoval Lobo Cardoso, Alvicto Ozores Nogueira, e Francisco
Antelius Sérvulo Vaz agiram para lavar o dinheiro desviado dos cofres públicos,
mediante formulação de contrato fictício de compra e venda de maquinário entre
EPENG e KK Máquinas.
Denúncia 1007846-23.2019.4.01.4300
CRT - Construtora Rio Tocantins Ltda – Nesta, foram
denunciados o ex-vice-governador do Tocantins João Oliveira de Sousa e o
proprietário da CRT - Construtora Rio Tocantins Ltda., Rossini Guimarães, além
dos políticos e do ex-secretário estadual de infraestrutura citados nas
denúncias anteriores.
Nos anos de 2013 e 2016, a organização criminosa agiu para
desviar recursos de contratos firmados entre o Governo do Tocantins e o Banco
do Brasil, com garantia da União destinando-os ao enriquecimento ilícito de
Rossine Guimarães e propiciando pagamentos indevidos a agentes públicos.
José Wilson Siqueira Campos, José Eduardo Siqueira Campos,
Sandoval Lobo Cardoso e Alvicto Ozores Nogueira agiram ilegalmente para que a
empresa CRT- Construtora Rio Tocantins Ltda. fosse vencedora de processos
licitatórios e a partir de aditivos contratuais ilegais e medições fraudulentas
fossem realizados pagamentos indevidos à empresa.
Em 2014, os envolvidos pagaram a João Oliveira de Sousa a
quantia de 2,5 milhões a fim de que ele renunciasse ao cargo de vice-governador
do Estado do Tocantins.
Com esse contrato, grupo teria desviado mais de 58 milhões
de reais.
Denúncia 1007808-11.2019.4.01.4300
MVL Construções Ltda – Além dos políticos e do
ex-secretário, foram denunciados os empresários José Maria de Araújo e Marcus
Vinícius Ribeiro, proprietário da MVL Construções Ldta.
Entre os 2011 e 2014, Eduardo Siqueira Campos, José Wilson
Siqueira Campos, Sandoval Cardoso, Alvicto Nogueira agiram para que a empresa
MVL Construções Ltda fosse vencedora de processo licitatório e para permitir
pagamentos indevidos à empresa, oriundos de aditivos contratuais ilegais e
medições fraudulentas.
Durante o mesmo período, o grupo de políticos e o
proprietário da MVL ocultaram e dissimularam a origem, localização, disposição,
movimentação e propriedade dos valores provenientes, direta e indiretamente,
dos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva e crime contra o sistema
financeiro nacional, mediante repasses de valores da MVL Construções Ltda. para
a empresa Alvicto Ozores Nogueira & Cia Ltda (KK Máquinas) e para José
Maria De Araújo, para posterior repasse e distribuição entre os agentes
políticos denunciados.
Estima-se que a organização tenha desviado nesse contrato
mais de 10 milhões de reais dos cofres públicos.
Somando as operações das quatro empresas, calcula-se que os
denunciados tenham desviado mais de 108 milhões de reais.
Operação Ápia – Operação realizada pelo Ministério Público
Federal, Polícia Federal e Controladoria Geral da União, com a finalidade de
investigar uma organização criminosa, composta por políticos, empresários e
servidores públicos, suspeita de fraudar licitações para obras de
infraestrutura, principalmente terraplanagem e pavimentação asfáltica.
Fonte - Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria da República no Tocantins.

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