Onu News
30 novembro 2019
Encontro começa em 2 de dezembro, em Madri, na Espanha;
níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram uma nova alta recorde;
se as tendências atuais persistirem, temperaturas globais podem subir de 3.4 a
3.9ºC ainda neste século.
As mudanças climáticas são uma realidade. O mundo já está
1.1ºC mais quente do que no início da revolução industrial. E isso tem um
impacto importante no globo e na vida das pessoas. E se as tendências atuais
persistirem, as temperaturas globais podem subir de 3.4 a 3.9ºC ainda neste
século. Este cenário causaria impactos destrutivos sobre o meio ambiente.
Este alerta parte da comunidade internacional pouco antes
da Conferência da ONU sobre o Clima, COP 25, que começa em 2 de dezembro, em
Madri, na Espanha. Apenas dois meses antes do evento, o secretário-geral da ONU
convocou o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova Iorque, para chamar
a atenção de líderes internacionais sobre a gravidade da situação. Mas o que
esperar da COP 25?
1. Acaba de
acontecer a Cimeira de Ação Climática em Nova Iorque. Qual a diferença para a
COP 25?
O Encontro de Cúpula em setembro foi uma iniciativa do
secretário-geral da ONU, António Guterres. O foco era a atenção da comunidade
internacional sobre a emergência do clima e sobre acelerar ações para reverter
a mudança climática. A COP 25, realizada em Madri, é a Conferência das Partes
da Convenção sobre Mudança Climática, UNFCCC, que tem como alvo assegurar que a
Convenção (e agora o Acordo de Paris 2015), que reforça a Convenção sejam
implementados.
2. Mas por que tanta atenção da ONU no clima?
Existem mais provas dos impactos da mudança climática,
especialmente em eventos extremos de temperatura, e esses impactos estão
cobrando um preço ainda mais alto. A
ciência mostra que as emissões (de dióxido de carbono) estão subindo e não
baixando.
De acordo com o relatório da Organização Mundial de
Meteorologia 2019, os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram
uma nova alta recorde. Estas tendências
a longo prazo e contínuas indicam que as gerações futuras serão confrontadas
com um aumento severo de impactos incluindo a subida de temperaturas, padrões
meteorológicos mais extremos, escassez
de água e subida no nível do mar além da ruptura dos ecossistemas marinhos e
terrestres.
A agência Meio Ambiente da ONU, Pnuma, alertou em seu
relatório de 2019, que as emissões de gases que causam o efeito estufa teriam
de ser reduzidas numa média de 7,6 por cento ao ano de 2020 a 2030. Somente assim, o mundo poderia alcançar a
meta de 1.5°C de aumento das temperaturas sobre níveis pré-industriais. Os cientistas concordam que esta é uma meta
ambiciosa, e que as chances de alcançá-la estão diminuindo.
3. O que o Encontro de Cúpula sobre o Clima, em setembro,
conseguiu?
O encontro serviu como uma espécie de trampolim para os
prazos cruciais de 2020, que foram estabelecidos no Acordo de Paris sobre
mudança climática. A Cimeira também ajudou a chamar a atenção do mundo para a
emergência do clima e a necessidade urgente de aumentar as ações de mitigação
por parte dos governos e do setor privado. E os líderes internacionais, de
muitos países, demonstraram com ações o apoio ao apelo.
Mais de 70 nações se comprometeram com uma de zero emissão
de carbono até 2050. Mesmo que os grandes emissores de CO2 não tenham feito seus
compromissos ainda. Mais de 100 cidades também anunciaram suas medidas
incluindo várias das maiores capitais do globo.
Pequenos Estados-Ilhas juntaram-se para alcançar
neutralidade em carbono e a direcionarem-se 100% para a energia renovável até
2030. E países do Paquistão à Guatemala, da Colômbia à Nigéria, da Nova
Zelândia a Barbados prometeram plantar mais de 11 bilhões de árvores.
Mais de 100 líderes do setor privado comprometeram-se a
acelerar ações na economia verde. Um
grupo dos maiores proprietários de ativos do mundo, que controlam US$ 2
trilhões, anunciaram que vão partir para investimentos e carteiras de neutralidade
em carbono até 2050. A medida é adicional ao chamado recente de gerentes de
ativos que concentram US$ 34 trilhões, ou quase metade do capital investido,
para que os líderes globais atribuam um preço significante ao carbono e
eliminem os subsídios fósseis e o poder do carvão térmico em todo o mundo.
4. Espere: Pnuma, OMM, Ipcc, Unfccc, COP por que tantos
acrônimos e siglas?
É verdade que a ONU é um local de muitas siglas. Todas elas
representam as ferramentas internacionais e agência que, sob a liderança da
ONU, foram criadas para ajudar a avançar com o tema da ação climática, em nível
global. E mostramos aqui como elas se coordenam e cooperam nesta mesma luta.
O Pnuma é o Programa da ONU para o Meio Ambiente, a agência
líder e uma autoridade ambiental que estabelece a agenda do setor e serve como
uma defensora para o meio ambiente global. A OMM é a Organização Mundial de Meteorologia,
a agência da ONU para cooperação internacional em áreas como previsão da
meteorologia, observação de mudanças no clima e o estudo dos recursos hídricos.
Em 1988, a Assembleia Geral da ONU pediu ao Pnuma e à OMM
que estabelecessem um Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC,
que é composto de centenas de especialistas
que avaliam os dados e fornecem evidência, com base científica, para
ações de negociação climática.
Todas as três agências publicam relatórios que, nos anos
recentes, têm frequentemente chegado às manchetes internacionais, à medida que
a preocupação com o clima aumenta.
E sobre a Convenção Quadro sobre Mudança Climática, UNFCCC,
o documento foi adotado em 1992 durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, no
Brasil. Neste tratado, as nações concordaram em “estabilizar as concentrações
de emissões de CO2 na atmosfera” para evitar uma interferência perigosa da
atividade humana sobre o sistema climático.
Hoje, 197 países têm parte no tratado. Todos os anos, desde
que entrou em vigor em 1994, a “conferência das
partes” ou COP é realizada para discutir o caminho adiante. A próxima
COP começa em Madri, em 2 de dezembro.
5. E o que é importante sobre a COP?
O UNFCCC não tem poder vinculatório sobre as emissões de
CO2 para países individualmente, e tampouco mecanismos de aplicação, várias
extensões e renovações deste tratado foram negociadas durante as últimas COPS
incluindo ao Acordo de Paris, adotado em 2015. Ali, todos os países acordaram
em aumentar seus esforços para limitar o aquecimento global em 1.5ºC sobre os
níveis de temperatura pré-industriais além de acelerar o financiamento da ação
climática.
A COP25 será a última antes de o mundo entrar no ano
determinante de 2020, quando muitas nações submeterão seus planos de ação
climática. Dentre muitos elementos que precisam de um ajuste está o
financiamento do clima em nível mundial.
Atualmente não tem sido feito o suficiente para alcançar os
três objetivos do clima: redução de 45% das emissões de CO2 até 2030; alcançar
a neutralidade em carbono até 2050 (o que representa uma pegada de zero
carbono) e estabilização do aumento da temperatura global em 1.5% até o fim do
século.
E porque o tempo não espera, e o relógio continua a correr
quando o tema é mudança climática, o mundo não pode se dar ao luxo de perder
mais tempo. É preciso acordar um caminho decisivo, ousado e ambicioso que gere
os resultados necessários.




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