por Camila Doretto e Marcelo Laterman
21 de novembro de 2019
Em oito dias, realizamos mergulhos, documentamos impactos e
coletamos amostras para avaliar a extensão dos danos do petróleo, que deixa
manchas, mas também marcas invisíveis aos olhos
Depois de 15 mergulhos e 340 quilômetros navegando em
regiões de recifes de corais na costa do Nordeste impactada pelo óleo, chega ao
fim a expedição de pesquisa marinha do Greenpeace em parceria com pesquisadores
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Projeto Conservação Recifal.
Durante os oito dias em que permanecemos no mar, fizemos
mergulhos desde áreas costeiras até 11 quilômetros de distância do continente,
e além da coleta de amostras de sedimentos e água que serão analisados em
laboratório, documentamos em vídeo e foto os ecossistemas recifais. A análise
do que foi coletado será feita pelos laboratórios de Oceanografia Química e
Geológica da UFPE. Além das grandes manchas, o maior desastre ambiental em
extensão por derramamento de óleo já ocorrido no país também tem deixado marcas
que não são visíveis a olho nu.
No último dia 16 de novembro, encontramos óleo submerso,
preso em sedimentos nos recifes de corais da Praia do Cupe, no município de
Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. Além do trabalho que já vínhamos fazendo de
coleta e documentação subaquática, informamos imediatamente à Capitania dos
Portos de Pernambuco, responsável por essa remoção.
Dois dias depois, em 18 de novembro, voltamos à Praia do
Cupe e encontramos com oficiais da Marinha mergulhando nos recifes em busca do
óleo. Segundo os oficiais presentes na praia, eles tinham ido ao local por
conta do contato que havíamos feito com a Capitania dos Portos. No mesmo dia,
efetuamos juntos a busca pelo óleo no ponto indicado.
O petróleo é mais uma das grandes ameaças aos corais, que
já vêm sendo impactados pelo aumento da temperatura do mar, sobrepesca,
poluição da água e turismo. Durante um dos nossos mergulhos numa região próxima
à costa de Maracaípe, também no município de Ipojuca, encontramos uma colônia
morta de corais da espécie Mussismilia harttii, que hoje está na categoria “Em
Perigo” da Lista Vermelha das espécies ameaçadas no Brasil. A espécie já foi
uma das mais abundantes nos recifes brasileiros, mas desde a década de 1960 tem
sido registrado o declínio de suas populações.
“Criar áreas de proteção é uma das medidas para amenizar
esses impactos que nós, humanos, estamos provocando. Nós não conseguimos atuar
para excluir totalmente os impactos gerados, por exemplo, pelas mudanças
climáticas, para isso precisamos de uma política global. O que a gente consegue
é tirar o impacto local do turismo feito de forma inadequada ou a sobrepesca e,
através dessas ações locais, diminuir os danos e favorecer a recuperação
natural desses ecossistemas”, explica Mirella Costa, pesquisadora e professora
da UFPE.
Veja no mapa o percurso da nossa embarcação na segunda
etapa da expedição:
Vivemos em um país com um dos maiores potenciais de
energias limpas e renováveis do mundo. Será que vale a pena colocarmos em risco
toda a riqueza de vida existente e continuar insistindo em uma fonte fóssil e
suja? Participe do abaixo-assinado e nos ajude a pressionar o governo
brasileiro a parar com a destruição ambiental.




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