A narrativa fascista para a guerra civil
Quinta-feira, 2 de setembro de 2021
Edição do Alerta Total
Por Jorge Serrão
A extrema imprensa ideologizada promove uma espécie de fetichismo do ódio. O noticiário e seus editoriais fomentam, irresponsavelmente, a guerra entre os indivíduos e os detentores dos poderes, para produzir um conflito psicologicamente desejado. O espetáculo dantesco rende audiência e engajamento, com a aposta na tese de que “a massa adora a treta” (conflitos pessoais agressivos e histéricos). Só que a consequência dessa pancadaria incessante no mundo real é o agravamento da divisão artificial e polarizada das pessoas e dos grupos, na sociedade.
Vivemos uma esquizofrenia cultural e psicossocial. Essa violência psicológica midiática ultrapassa o mundo virtual da comunicação e se converte em violência, no discurso e na realidade física do dia-a-dia. O fenômeno grave é que o discurso midiático fascista, incentivando acirramento, nos coloca em uma prisão psicológica. Pior ainda: A narrativa fascistóide, muitas vezes disfarçada de pretensa isenção e falsa neutralidade, gera as pré-condições para uma guerra civil que pode eclodir a qualquer momento. No curto prazo, tudo parece “treta” O prejuízo maior, no médio e longo prazos, é que inviabiliza a união entre os cidadãos, fator imprescindível para a liberdade, estabilidade e prosperidade de uma Nação.
A expectativa é crescente para a gigantesca manifestação de 7 de setembro de 2021. Estamos diante de anseios populares diversos, de todos os lados, dos apoiadores do Presidente ou de quem é contra, mas também não concorda com o comportamento da chamada “ditadura de toga”. Muitos vão para a rua em Brasília e São Paulo sem saber exatamente como proceder para mudar o quadro institucional de conflito permanente e crescente entre os poderes. Alguns esperam por um “Bonaparte”, que incorpore os anseios populares e parta para a ação que solucione o impasse institucional. Outros sonham com a solução simplista de uma “intervenção militar” - um golpe que não tem condição de acontecer, simplesmente porque os Comandantes das Forças Armadas não desejam.
Todas as pessoas de bem querem que o quadro negativo se reverta, que se deixe o Presidente da República trabalhar. Mas ninguém sabe como isso pode proceder. Tudo é muito diferente do personalismo de 1964, que hoje pode não ter a mesma aplicação, porque o mundo mudou bastante. Embora tenhamos Forças Armadas comprometidas com valores corretos, legalistas, os militares não querem passar pelo que enfrentaram entre o pré-1964 e 1985. O raciocínio predominante na caserna é: A Constituição de 88 é inadequada à gestão do País. Mas tem de ser obedecida, enquanto estiver vigorando. Assim que houver condições, o ideal é propor, debater exaustivamente e aprovar uma nova.
Não tivemos tempo ainda de consolidar uma cultura nacional, definindo bem o nosso ethos. Esse processo é dificultado pela influência das ideologias que têm atrapalhado a formação cultural do nosso povo. Precisamos definir um rumo objetivo, que a maioria entenda facilmente, se mobilize e coloque em prática. Cabe muito bem ao momento brasileiro a bandeira da recuperação dos costumes, da valorização da honestidade, do trabalho, da produção, da humanização das relações, da ordem e da disciplina. Em suma, passou da hora de formularmos e debatermos um Projeto Estratégico de Nação.

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