Do Livro: “A PAZ NA LINHA DA VIDA", a crônica "A criatividade de um designer de Modas e a Liberdade"
" (...) O pássaro, preso na gaiola, canta para esquecer a solidão e a saudade do convívio com a natureza". (EMO)
11/05/2023
Por: Mhario Lincoln / Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Do facetubes
Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Executivo Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA - APB
Capítulo X
Os designers trazem coisas surpreendentes que nos estimulam a pensar onde buscam tanta criatividade. Em recente viagem que fiz a São Paulo, capital, visitando um shopping, deparei-me com o lançamento de nova marca de sapato feminino, calçado que me prendeu muita atenção, até mesmo porque uma criança foi o autor da grande descoberta na vitrine.
Essa criança dizia para a mãe que nunca tinha visto um sapato engaiolado. E acrescentava na sua santa ingenuidade:
“Mãe, sapato não tem asa; por que está em gaiola? ” Foi, então, que a mãe lhe explicou sob o trabalho de um designer ao lançar a nova moda. No caso, a criatividade foi para atrair a atenção do público consumidor para aquele calçado que estava sendo lançado.
O garotinho, então, dizia para a mãe que tinha um sapato, mas não tinha a gaiola. Pedia-lhe então que comprasse uma, pois queria lançar nova moda de calçado dentro da gaiola dependurando na janela de sua casa para que quem passasse visse que tinha um sapato muito bonito, embora ele fosse reservado para ir à Igreja aos domingos.
“Vou engaiolar o sapato. A ideia da vitrine foi muito boa. Mãe, eu vou ser designer quando crescer”.
E a mãe respondeu ao filho: "...como ideia de designer, é uma coisa moderna, mas na realidade, quando a ave está em uma gaiola, ela está em uma prisão, privada da sua liberdade que lhe permitiria voar, cortando o horizonte de norte a sul, de leste a oeste e cantar alegremente". Ela está certa! O pássaro, nessa condição, canta para esquecer a solidão e a saudade do convívio com a natureza.
Faço uma regressão para a minha adolescência, quando alguns jovens como eu, à época, tudo faziam para me estimular a manter pássaros presos em gaiola. Falavam-me da beleza que é ter o canto de um pássaro só para si; e como é belo ver-se o mesmo esvoaçando dentro de uma gaiola só para ele, que se alimentará da comida que lhe for colocada no cocho, e sorverá a água que lhe for servida, em bebedouro próprio.
De certa feita, um cidadão criador de “curiós” (ave canora brasileira) chegou a me advertir de que jovens como eu deveriam olhar os pássaros com mais amor.- “Deveríamos ter uma gaiola especial para um pássaro de estimação. O custo para manutenção de um pássaro, em casa, era muito pouco sendo essencial os cuidados para não deixar faltar-lhe alimento e água. A recompensa seria o ouvir o seu canto mavioso.
Eu, então, lhe perguntei se já houvera pensado em ser privado sua liberdade de ir e vir mesmo estando em sua casa com alimentação, lanches, água, tudo que fosse necessário para viver bem. Ele, em resposta, me disse que eu era um jovem difícil de se conversar, por não ter aceito a sugestão de ter um pássaro preso. Nunca foi do meu feitio manter aves engaioladas, por isso nunca abracei essa ideia.
Quero ver todos os pássaros em contato com a natureza voando livres e desimpedidos dos seus movimentos, sem limitações. Sempre recebo as visitas de bem-te-vis, e pardais cantando em minha varanda.
Mantenho em casa, na janela da sala, um bebedouro e um pote para alpiste. Assim eles vêm à hora que querem, se alimentam, sorvem o precioso líquido e vão embora, me permitindo apenas contemplar o seu majestoso voo e escutar seu gracioso canto.
Nesse momento, vê-se o exemplo de vida que um pássaro nos dá: após sorver a água, ele levanta a cabeça e olha para os céus como que a agradecer a Deus a água sorvida.
Tendo voltado para São Luís, ao final das férias, até hoje fico a aplaudir a criatividade do designer com o calçado na gaiola embora questionando se não seria melhor ter sido engaiolado o par de sapatos. Enfim, respeito a criatividade do designer. Não sei mesmo nada de modas.
É então que me parece escutar ainda a voz da criança a dizer: – “Mãe aquele é o pé direito! Como é que uma pessoa pode andar com um só sapato no pé? Será que é para ela andar pulando em uma perna só, com um pé calçado e outro descalço? Assim só quem vai usar é o 'Saci Pererê'”.
O dom supremo da criação do designer é levar o cliente a desenvolver a inteligência até descobrir o significado da sua criação.
Vale dizer que os pássaros livres na natureza sempre nos trazem muita alegria. Lembro-me bem de um passeio que fiz ao interior do estado, junto com minha esposa Elma, em companhia do meu cunhado e minha irmã Léa, sua esposa. Visitávamos a Cidade de Montes Altos, sua cidade natal, onde ele vez por outra ia até lá, rever parentes e amigos.
Getúlio Albuquerque, meu cunhado, foi médico pediatra dos mais prestigiados na Capital maranhense, que tinha grande clientela e envidava todos seus esforços profissionais para contribuir com a saúde das crianças que eram levadas pelos pais.
Em sua casa, acordávamos às 6 da manhã, ao canto mavioso dos pássaros. Era uma verdadeira sinfonia formada por pardais, curiós, sabiás, bem-te-vis e muitos outros. Parece que eles sabiam que chegara Getúlio, que amava não só as crianças seus clientes, mas os pássaros também.
Eles vinham em número muito grande e eram alimentados no terraço de sua casa. Encantavam com os seus gorjeios. Em seguida, sorviam da água que os aguardava e depois batiam suas asas e iam embora, gozar da sua liberdade.

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