Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo Metropolitano de Uberaba – MG
A desconfiança causa insegurança e prejudica a
normalidade da vida no país. Apesar de o cuidado ser de todos os brasileiros, o
peso se torna maior nos ombros dos governantes políticos, porque são eleitos para
isso. Para muitos a confiança tem que ser em Deus, mas a responsabilidade na
construção do bem comum está em nossas mãos e isso se torna grave no momento
das eleições.
Deus não abandona o seu povo e lhe dá segurança para não
perder o rumo. Vários líderes foram responsáveis na caminhada, e agiram com
determinação. Moisés exerceu uma missão política na condução do povo. O seu
modo de agir e administrar esteve sempre em sintonia com Deus em quem ele
buscava orientação para exercer uma gestão com real fidelidade e em benefício
de todos.
O cuidado que se deve ter com o Brasil precisa estar
apoiado na justiça e na verdade. Isso significa que o poder não é fazer valer a
força sobre os mais fracos, em eliminá-los porque são vistos como incômodo e
peso para a sociedade, mas ajudá-los na superação de seus limites. Essa é a
tarefa de todos os dirigentes e daqueles que têm algum compromisso diante do
povo.
Quem age
“brigando” pelo poder, na verdade não ajuda muito. O poder dos políticos, na
maioria das vezes, não passa de preocupação econômica que beneficie seus
próprios interesses. Não é a economia do país no sentido de administrar bem, de
partilhar o bolo com mais equidade entre os cidadãos, porque o bem comum
conforme a doutrina social não é a meta principal.
Entre os discípulos de Jesus também havia a preocupação
com o poder. Eles discutiam para saber quem seria o maior, havia ambições
desmedidas, mas Jesus os repreende dizendo que o maior é aquele que mais serve
os demais. Portanto, o poder tem que coincidir com o serviço de doação que a
pessoa realiza. Jesus fala de gratuidade e desinteresse egoísta no exercício do
poder.
Falar de cuidar do Brasil, mas também pensando no
descuido que acontece em relação a tudo, entendemos o porquê da destruição, por
incêndio, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde uma rica história milenar
desapareceu com o fogo. Os trabalhos de preservação e de segurança ficaram
sacrificados por causa de burocracia. São situações lamentáveis em nosso país.

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