terça-feira, 15 de junho de 2021

Do Facetubes do Mhario Lincoln

A Amizade que vi no facetubes do Mhario Lincoln

Lembrando A BULA DOS SETE PECADOS de Mhario Lincoln

Acho que amizade quando vale, não tem dia de Amigo. Existem amizades que fogem ao comum, ao tapinha nas costas. Eu tenho alguns amigos assim. Gosto muito deles e delas. Mas hoje, vale reviver um dos momentos mais emocionantes que experimentei quando da feitura de meu livro A BULA DOS SETE PECADOS.

Portanto,  amigas e amigos queridos exemplos como esse abaixo, não conseguem ser pagos por dinheiro nenhum deste Mundo. E tudo começou a partir do prefácio que recebi para meu livro (veja abaixo). Aprendi a respeitar ainda mais o ser humano e agradecer o presente de ter recebido de Deus  amizades de pessoas assim, que povoam o mundo para nos fazer bem.

A História:

No meu último livro, a BULA DOS SETE PECADOS, lembrei de um amigo meu de infância, (Ratinho), que morava por trás da minha casa, na Rua dos Afogados, em São Luís-MA.   Ele morava em frente ao que chamávamos de "Boca de Lobo", um sumidouro de águas da chuva. Fizemos grande amizade jogando 'borroca', 'xuxo', correndo atrás de papagaio (pipa), tocando campainha de vizinhos e saindo em disparada, escrevendo bilhete de poesia para as meninas da rua. Foi com ele que eu fiz aquele torneio de 'Telecath Montilla' (lembram o Ted Boy Marino?) no meio da rua que não terminou muito bem. Eu já contei aqui. O tempo passou e eu sai do Maranhão. Um dia me lembrei dele e enviei pelo correio os originais do livro A BULA e lhe pedi que fizesse pra mim um prefácio. Ele deu um jeito e me enviou, então, por e-mail, algum tempo depois, a seguinte resposta: "Mario minha filha está escrevendo. Não sei ler direito, nem escrever. Como vou fazer?". Insisti para que ele fizesse. Assim ele pediu para a filha escrever o que ele ditava. Saiu esse o prefácio, fato que me deixou muito feliz pela sinceridade e por demais emocionado> acho que nunca mais esquecerei. Algum tempo depois ele veio a falecer. Mas essas palavras, abaixo, para mim, valem mais do que se eu tivesse ganho todos os prêmios literários do Mundo.

"(...) Carta a Mhario Lincoln

Não sou poeta, nem escritor, nem nada. Sou amigo de Mhario Lincoln desde criança. Nasci quase defronte à casa dele, na Rua dos Afogados, no centro de São Luís. Lá o conheci durante as chuvas torrenciais do mês de abril. Brincávamos de nos deixar levar pela força da água que era muito forte. Nossa casa ficava exatamente no final de duas ladeiras. A enxurrada descia dos dois lados e subia alto, formando uma montanha d’água, onde nos jogávamos. Era um perigo pois as águas eram engolidas por um imenso sumidouro chamado “Boca de Lobo”. Antes não tinham grades e por um amigo nosso ter morrido afogado numa dessas brincadeiras, decidiram colocar na entrada do sumidouro, grades. Isso salvou as nossas vidas. A minha, nem tanto, mas a de Mhario Lincoln foi relevante para que ele produzisse o que está produzindo agora.

Tomei-me de surpresa quando ele me ligou e pediu que eu escrevesse. Disse pra ele que aos meus 67 anos, não estou mais vendendo juventude em razão de um acidente de trabalho que me tirou a mobilidade dos braços e de uma perna. Mesmo assim, ditei esta carta para uma de minhas filhas que é ‘afilhada’ dele. Dei o nome de Orquídea, em razão da irmã dele que era criancinha em nossa época, mas já era bonita o suficiente para sonhar com esse nome, se filha viesse a ter um dia.

Ela, a minha Orquídea, leu demoradamente cada verso, cada soneto, cada quadrinha, cada frase e eu confesso que em algumas ocasiões, chorei. Mas de felicidade em ter o Mhario Lincoln, entregue essa missão de escrever uma das apresentações deste livro pra mim. Sou velho amigo, apenas um funcionário público municipal, que durante a maior parte de sua vida, recolheu nas madrugadas o lixo público pela então companhia de limpeza urbana da cidade. Foi nesse honra do trabalho que recolhi quase toda a minha biblioteca onde meus dois filhos, Orquídea, médica e Junior, das Forças Armadas do Brasil, estudaram e passaram nos concursos públicos para os quais se submeteram.

A bondade de Mhario Lincoln é imensa. Nunca esqueci quando minha mãe morreu em 2007 e ele, mesmo lá de Curitiba soube e me telefonou. Passamos mais de uma hora conversando sobre nossa infância. Ele me lembrou do episódio da música. Ele participou de um conjunto musical e eu ia como ‘ajudante da montagem dos instrumentos.’ Ele arranjou um jeito para eu estar junto. Agora ele me surpreende mais uma vez me dando uma missão como essa. Não fugi e estou escrevendo do meu jeito.

Li alguns prefácios aqui escritos. Quem sou eu para falar da obra de Mhario Lincoln. Mas ouso assim afirmar que existe algo que me chama muito a atenção na linguagem de Mhario Lincoln. Ele é romântico sem ser pastoso. Ele consegue rimas excepcionais, sem se perder na métrica. Deixa o leitor, como eu, bem à vontade para viajar em sua poesia leve e bonita.

Fiquei muito animado com essa oportunidade. Eu que já estava quase desistindo da vida, na situação em que me encontro e com meus filhos já formados, bem casados e bem empregados. Mas essa centelha de Mhario Lincoln me renovou. Me jogou novamente para o alto, como quando éramos crianças e o encontro das enxurradas nos levava ao pico das ondas da Rua dos Afogados.

Obrigado meu amigo. Quando você for lançar o livro em São Luís quero estar lá, na primeira filha, mesmo em cadeira de rodas, para abraçá-lo fervorosamente e revelar o segredo que eu guardava dentro daquela lata de leite ninho e que nunca te deixei abrir.

Não vou revelar o que tinha dentro até rever você e este livro, cuja honra de prefaciar foi tão imensa, o quanto imensa é minha amizade e meu respeito por você.

Um grande abraço.

JOSÉ DE RIBAMAR MACAU DOS SANTOS, Ratinho. (...)".

Essas coisas são testemunhos vivos de que Deus tem me dado a chance de conhecer só pessoas maravilhosas. Bjs no coração.

Abaixo, a casa onde morei parte de minha infância. Afogados, quase esquina com Mangueira. Bons tempos. Essa casa me traz grandes recordações.



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