terça-feira, 10 de agosto de 2021

Exaustão emocional pode ser prevenida, artigo de Nádia Santana, psicóloga e professora

Exaustão emocional pode ser prevenida

Nádia Santana*

A pandemia trouxe tristezas, mas também muitos progressos em vários sentidos. Um deles foi um olhar mais atento à valorização da saúde mental. Pena que para que isso foi necessário um  intenso sofrimento por parte de muitas pessoas. Infelizmente, porque saúde mental é algo para se pensar como promoção e não como tratamento. A psicologia possui ferramentas para cuidar da saúde mental. Devemos de pensar preventivamente.

Vimos, durante as Olimpíadas, exemplos de sofrimento emocional, ao ponto de uma atleta com medalhas praticamente garantidas na ginástica olímpica abandonar parte das provas por causa da exaustão emocional. A opinião pública aprovou a opção da ginasta. Isso é ótimo.   Questiono, porém, por que não estamos mais atentos à saúde mental? É necessário perder o controle das próprias emoções para que nos voltemos a esse tema tão importante?

Relaciono o desgaste da saúde mental à intensa cobrança exercida nos tempos atuais. Ainda temos a ideia de que quanto mais cobrarmos, mais teremos resultado. A exigência, às vezes impiedosa, de pais, mães, professores, chefes e treinadores é absorvida se transformando em uma autocobrança intensa.

Esse quadro mina as reservas emocionais, gera desgastes e estresse, dificultando a evolução e disparando o  gatilho para os sofrimentos emocionais, incluindo ansiedade, depressão e podendo até levar ao suicídio. A orientação é que a sociedade por meio de seus diversos setores continue incentivando a evolução, o desenvolvimento, mas que haja valorização de cada conquista; validação das habilidades; não comparação com o outro, mas consigo mesmo; incentivo à disciplina e à superação, sempre com muito respeito à individualidade de cada um.

Devemos nos  lembrar que a psicologia não existe apenas para tratar,mas também para a promoção da saúde emocional. Crianças e jovens que vivenciam cobranças no esporte ou na vida escolar devem ser acompanhados por profissionais especializados.

*Nádia Santana é psicóloga e professora.


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