Polícia Federal investiga fraude em licitações com recursos do SUS
Investigação visa desarticular grupo que direcionava
vencedor de licitação em contratos para aquisição de medicamentos.
07/10/2021
Cerca de 45 policiais federais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Macapá/AP e Santana/AP, em residências e empresa ligadas aos investigados. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF 1, tendo em vista que dois investigados possuem prerrogativa de foro, e os possíveis crimes foram cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
A ação de hoje é um desdobramento da operação Terça Parte, deflagrada pela Polícia Federal em maio de 2021, ocasião em que 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos para investigar possível cometimento dos crimes de “rachadinha”, na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP) e compra de votos.
Documentos apreendidos na Operação Terça Parte trouxeram indícios de que um político se valia de sua influência junto a um servidor da SESA/AP para favorecer determinada empresa de prestação de serviço hospitalar e garantir contratações junto à Secretaria, a partir de dispensa de licitação, envolvendo recursos públicos do SUS (incluindo verbas destinadas ao combate da COVID-19). Em troca, eram oferecidas vantagens indevidas aos agentes públicos na forma de pagamentos e negociação de cargos públicos.
A investigação apontou indícios de que a negociação de cargos públicos em hospitais, com a indicação de aliados, ignorava critérios técnicos e interferia indevidamente na gestão das repartições hospitalares.
A investigação da PF ainda verificou que as contratações da SESA junto à empresa investigada, entre os anos de 2019 e 2021, totalizaram mais de R$ 15,7 milhões, sendo a maioria na modalidade de dispensa de licitação. Destes, cerca de R$ 1 milhão, em dois contratos assinados no ano de 2020, era de recursos exclusivos destinados ao combate da COVID-19.
Os envolvidos poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de corrupção ativa e passiva, dispensa indevida de licitação, advocacia administrativa e associação criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 27 anos de reclusão.
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