quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Um El Niño de incompetência... Por: Ronaldo Amazonas

Um El Niño de incompetência

O artigo ”Um El Niño de incompetência”, de Ronaldo Amazonas, foi publicado originalmente no blog Hiel Levy, em 16 de outubro de 2023. Pela importância e gravidade do assunto, em virtude dos graves problemas que acontecem no Estado do Amazonas, republico também no meu blog.

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Um El Niño de incompetência

Por: Ronaldo Amazonas



Nosso planeta vive em plena era dos maiores avanços tecnológicos no setor das previsões meteorológicas.

Satélites, supercomputadores, cálculos matemáticos, equações climáticas e a existência de renomados institutos de pesquisa na área da climatologia, se somam a cada minuto para prever e evitar catástrofes, destruições e mortes.

Em meados do ano passado, já era mais que confirmada a chegada do El Niño e com ele, a repetição dos graves fenômenos climatólogos absolutamente conhecidos de todos nós.

Além da chegada do nosso verão, teríamos um período cruel de pouca chuva com estiagem, seca dos rios além do normal, ampliação das queimadas e aumento do fumaceiro entre outras consequências.

Esses fatores, seriam parte dos desdobramentos do El Niño por sobre nós.

Entretanto, nada disso foi suficiente para que o governo do nosso estado estivesse preparado para o enfrentamento dessa verdadeira tragédia ambiental e climatológica a que estamos submetidos há semanas.

Desmatamentos e incêndios criminosos, rios, lagos e igarapés secos, fumaça, qualidade do ar a zero, estão expondo nosso povo e especialmente idosos e crianças às doenças.

Nesse momento, quase 400.000 pessoas ou mais de dez por cento de toda a população do estado, é afetada e sofre na pele todos os problemas que circunscrevem essa realidade climática severa.

O isolamento das populações interioranas impõe um cenário horripilante de fome, sede, doenças gastrointestinais e respiratórias levando muitos à morte.

Inicialmente, o governo do estado foi pego com as calças no joelho.

Agora, o governo esta nu diante desse cenário tétrico posto que foi incapaz de mobilizar a gestão ou valer-se dos meios e da logística apropriada para enfrentar o que era mais que previsível.

Um verdadeiro show de incompetência.

Parece que a fumaça das queimadas obnubilou os olhos e o calor torrou o cérebro dessa gente que governa. Só pode!

Os organismos estaduais de controle ambiental, a defesa civil, os órgãos de saúde e seus gestores, agem como tontos batendo cabeça sem saber o que fazer.

O governador espera pelo governo federal porém, sem um plano ao menos de redução de danos para essa tragédia.

O corpo de bombeiros queda-se inerte sem tropa suficiente para cobrir a capital e menos ainda os municípios da região metropolitana, que queimam dia após dia jogando toneladas de fuligem e fumaça no ar.

Semana passada, a plataforma internacional World Air Quality Índex que classifica os níveis de poluição do ar no mundo, colocou Manaus como a cidade com o segundo pior nível de qualidade do ar do planeta.

Comparando com o passado vivido por cidades como Cubatão, Pequim, Bombaim ou Cidade do México, estas são fichinhas diante de Manaus.

Mesmo que tivesse grana o suficiente, o governo do estado não teria um plano de contenção emergencial porque foi incapaz de ler e analisar a chegada do fenômeno climatológico ainda que ele fosse menos danoso.

Não existem cérebros pensantes, faltam coragem e disposição e sobra incompetência nas hostes governamentais porquanto, a liderança do governador é frágil e questionável.

Nosso povo está à mercê de uma série de barbeiragens e de amadorismos.

Parece que 2010 não existiu e mais incrível ainda, muitos dos políticos que estão aí, eram os mesmos que faziam parte do governo de outrora ou eram parlamentares.

Apenas para lembrar, em 2010, a seca, as queimadas, a fuligem, a fumaça, a fome e a mortandade de animais silvestres e de peixes, ocorreram nas mesmas e severas proporções como hoje.

Passados quase catorze anos, essa trupe não aprendeu nada.

A insensibilidade é a mesma, a lentidão é pior, a incompetência só aumentou e a falta de proatividade é de dar dó.

Timidamente, o Ministério Público Federal emitiu um parecer exigindo a adoção de medidas mais enérgicas para o controle da situação. Mas parou por aí o que dá em nada.

Há de fato uma paralisia governamental ante essa repetitiva catástrofe que traz sofrimento e dor para nossa gente especialmente nossos irmãos do interior.

Diz o ditado, que o brasileiro só fecha a porta depois de roubado.

Então, que levem os anéis e deixem os dedos para que, mesmo em meio a amadorismos e roubos, algo seja feito para mitigar esses efeitos danosos ao povo.

Oxalá, o governador do estado vista a roupa, ponha as sandálias da humildade, reconheça que faz uma gestão desastrosa e arregace as mangas da sua camisa de marca e ponha-se a trabalhar para fazer jus ao cargo e ao salário que recebe todo mês.

No mais, é rezar aos céus para que Deus envie chuvas, tenha misericórdia e abençoe nosso povo e proteja nossa gente sofrida e esquecida.

Té logo!

ET. Recomendo a leitura do artigo “Há cem anos, um menino travesso secou o rio Amazonas” de autoria do pesquisador da Embrapa e escritor Evaristo de Miranda, publicado na edição 186 da Revista Oeste.


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