Escravidão é reconhecida como maior crime contra a humanidade
Um passo histórico. O caminho longo para construir a reparação mostra o grau de dificuldade dos governos e das sociedades no mundo em reconhecer a escravização como parte da história
Do Jornal A Crítica
26/03/2026
A aprovação, pelos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), na quarta-feira (25), de declaração que define a escravidão como o mais grave crime contra a humanidade é um passo histórico. O caminho longo para construir a reparação mostra o grau de dificuldade dos governos e das sociedades no mundo em reconhecer a escravização como parte da história. Por isso, a pauta sobre os povos escravizados não ocupou os espaços que deveria tanto nos governos quanto em agências como a própria ONU.
Votaram a favor da resolução 123 países, três contra – Estados Unidos, Israel e Argentina. E representantes de 52 países se abstiveram. Entre estes estão Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Bélgica. Apresentada pelo presidente do Gana, John Mahama, um dos países mais afetados pelo tipo de comércio, o texto teve o copatrocínio de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique.
Gana, entre os séculos VII e XI funcionou como um dos principais portos de embarque de africanos escravizados em direção da Europa. Hoje, o país faz esforço na manutenção de uma estrutura da memória sobre esse tempo de crueldade e pelo reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade, o que a ONU acaba de aprovar. No Brasil, a escravização durou 388 anos e envolveu africanos e indígenas.
Estudos estimam que 5,8 milhões de africanos foram trazidos à força e submetidos a torturas diversas. O país foi o último nas Américas a abolir a escravidão. A resolução da ONU enfatiza “que as reivindicações por reparações representam um passo concreto rumo à reparação das injustiças históricas contra os africanos e as pessoas de ascendência africana”. Nela há a solicitação para que seja feita a restituição de bens culturais, tais como objetos de arte, monumentos, peças de museu, artefatos, manuscritos e documentos, e arquivos nacionais.
Outro aspecto que o documento ressalta é o valor espiritual, histórico, cultural ou de outra natureza desses bens para os países de origem. E que os mesmos sejam devolvidos sem ônus sem ônus. A ONU também pede que seja fortalecida da cooperação internacional em relação às reparações por quaisquer danos causados.
Em meio as denúncias, em todo o mundo do que é classificado de escravização moderna, a resolução aprovada no dia 25 de março pela ONU é uma boa notícia e instiga a realizara as reparações e enfrentar a escravidão na atualidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este blog só aceita comentários ou críticas que não ofendam a dignidade das pessoas.