Diário Espírita
Reencarnação
Na visão espírita, a reencarnação não surge como acaso, castigo cego ou repetição sem sentido. Cada volta à carne responde a uma necessidade real do espírito, dentro das leis de causa, efeito, aprendizado e reparação. Allan Kardec mostra, em O Livro dos Espíritos, que a existência corporal serve ao aperfeiçoamento da alma. Por isso, quando se fala em expiação, provação e missão, fala-se de aspectos diferentes de uma mesma jornada evolutiva, todos ligados ao progresso moral do ser.
A expiação se liga ao resgate. Certos sofrimentos, limites e dores não aparecem como abandono de Deus, mas como consequência educativa de escolhas pretéritas. Não se trata de vingança celeste. Trata-se de reajuste. A alma recolhe, na medida justa, a oportunidade de compreender o mal que gerou, reparar o desequilíbrio e refazer, pela consciência, aquilo que feriu pela ignorância.
A provação possui outro matiz. Em muitas passagens da codificação kardequiana, compreende-se que o espírito pode aceitar lutas e desafios com finalidade de crescimento. Nem toda lágrima nasce de culpa. Certas provas fortalecem virtudes, revelam forças adormecidas, amadurecem a fé e ampliam a capacidade de renúncia, disciplina e amor. A prova, quando bem atravessada, eleva.
A missão, por sua vez, dignifica a passagem pela Terra. Não se resume a tarefas grandiosas. Um encargo humilde, quando realizado para o bem, também se reveste de caráter missionário. Educar, servir, consolar, orientar, cuidar, escrever, acolher: toda tarefa reta, assumida com fidelidade ao bem, pode adquirir sentido espiritual profundo.
A Terra, ensinou Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, pertence à categoria dos mundos de expiação e provas. Por isso a dor ainda visita tanto a experiência humana. Ainda assim, nenhuma existência é vazia. Cada vida traz uma lição, uma quitação e uma tarefa. Tudo responde à justiça divina.
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