A república do bonsai
Por Alex Pipkin, PhD em Administração
Tenho batido nesta mesma tecla porque ela esconde o engano moral mais destrutivo do nosso tempo. O problema do Brasil nunca foi a desigualdade. O problema real, urgente e doloroso é a pobreza.
Desigualdade existe até na floresta mais saudável. Algumas árvores rompem a copa do céu enquanto outras sobrevivem na penumbra. Ainda assim, a floresta pulsa e prospera porque há disputa por luz, ímpeto de crescimento e espaço para o gigantismo.
O que destrói uma sociedade não é a diferença de altura entre os troncos, mas o solo compactado que impede qualquer nova semente de germinar. O populismo estatista brasileiro especializou-se exatamente nisso ao transformar o que deveria ser uma floresta tropical em um imenso e controlado jardim de bonsais. Planta-se a fragilidade para colher a dependência.
Criou-se por aqui uma ecologia de samambaias dóceis e girassóis domesticados, onde quase ninguém sobrevive sem irrigação política.
Nesse ecossistema, empreender exige um heroísmo quase irracional. Produzir algo reduziu-se a uma gincana humilhante de taxas, carimbos e licenças que drenam a energia de quem faz. Contratar assumiu o peso de um risco jurídico permanente. E prosperar? Prosperar passou a ser pecado social.
Aos poucos, amputou-se o músculo da iniciativa. Milhões de brasileiros foram sutilmente educados a terceirizar a própria sobrevivência, como se dignidade pudesse ser entregue por protocolo. Mas os mais pobres não acordam pensando em manifestos anticapitalistas escritos por acadêmicos imunes ao fracasso. O topo do desejo de quem está na base é o que há de mais pragmático e legítimo, trabalho, renda e mobilidade. Eles não querem o fim do topo; eles querem a escada.
Economias livres não gerenciam escassez; multiplicam oxigênio. Quando o Estado sufoca a produção, os ricos mudam o CEP do patrimônio. O pobre não tem essa opção. Nenhuma nação construiu riqueza ensinando seu povo a esperar eternamente pela próxima gota do gotejador estatal.
A verdadeira justiça social começa no instante em que o indivíduo descobre que seu destino pertence a ele, não a um burocrata.
Um país que poda suas árvores por medo da altura está condenado a olhar para o chão para sempre.

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