20 Mai 2026
Ney Lopes
O vazamento de áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro mergulhou o PL em sua maior turbulência desde a definição informal do senador como herdeiro político do pai para 2026.
O episódio atingiu justamente o ativo mais importante do bolsonarismo: o discurso anticorrupção.
O impacto apareceu de forma contundente na pesquisa Atlas Intel/Bloomberg.
No mata-mata do segundo turno contra Lula, Flávio caiu de 47,8% para 41,8%, enquanto o petista abriu vantagem de 48,9%. Pior: sem Lula na disputa, o senador perde até para Fernando Haddad e Geraldo Alckmin.
Com a maior rejeição do país (52%), fica provado que o eleitorado absorveu o impacto dos áudios sobre o filme 'Dark Horse'.
A agência norte-americana de notícias Bloomberg, que fez a pesquisa, uma das mais conceituadas do mundo, avalia que a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro pode estar inviabilizada, antes mesmo de ganhar corpo eleitoral.
Desconfiança do mercado financeiro
O isolamento de Flávio Bolsonaro já transborda Brasília e atinge o coração econômico do país.
O caso Banco Master implodiu as pontes que o senador vinha construindo com o mercado financeiro, forçando o primogênito a uma viagem de emergência a São Paulo para tentar conter o estrago.
O senador deixou de ser visto como uma aposta viável da direita e passou a ser tratado como um risco fiscal e político alto demais para se bancar.
Surge Michelle
É nesse ambiente que o nome de Michelle Bolsonaro volta ao centro da discussão.
O problema é que sua eventual ascensão esbarra em duas resistências: a política e a familiar.
No PL, há quem veja Michelle sem experiência para liderar alianças nacionais complexas.
Já no entorno da família Bolsonaro persistem ruídos antigos entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente.
Caiado monta rolo compressor eleitoral
Outra hipótese que começa a ganhar corpo é a consolidação de Ronaldo Caiado, que aparece como nome capaz de dialogar com o agronegócio, o empresariado e setores do centro político.
O seu desafio, porém, é conquistar a base emocional do bolsonarismo desconfiada de qualquer outra liderança.
Caiado tenta costurar uma mega coligação unindo PSD, MDB e o União Brasil.
Se essa engenharia política consolidar-se, estará sendo montado não apenas um palanque: criará um compressor eleitoral, sem precedentes na história recente.
Estamos falando de um bloco que controlará o maior exército de prefeitos do país, a maior fatia do bilionário fundo eleitoral e, crucialmente, o maior tempo de propaganda no rádio e na TV.
Seria uma estratégia que oferece ao eleitor de direita alternativa pragmática de poder, esvaziando o discurso de que apenas o clã Bolsonaro consegue rivalizar com o PT
Hoje, o cenário da direita parece dividido entre três caminhos: insistir em Flávio, apostar em Michelle ou migrar para uma alternativa como Caiado.
A dúvida que domina o PL é simples e brutal: até quando Flávio continuará sendo solução — e em que momento passará a ser problema eleitoral?
(Do blog de Ney Lopes)

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