Análise: Redução da jornada: avanço social ou bandeira política?
Ney Lopes
É público e notório, que a proposta de redução da jornada de trabalho, já aprovada na Câmara, nasce com objetivo de impulsionar a reeleição de Lula. Não se trata de ser contra os avanços sociais. O verdadeiro propósito é dar mais qualidade de vida ao trabalhador. Para que isso ocorra é necessário acima de interesses políticos imediatos, que prevaleça a razão, apoiada na realidade. O contrário será “chover no molhado”, que gera propaganda, mas não altera a vida de quem trabalha.
O amigo pernambucano, Joel Holanda, deputado estadual, federal e senador da República, escreveu ponderado artigo, onde lembra Roberto Campos, um dos maiores pensadores brasileiros, que dizia: “O bem-estar social não nasce das boas intenções legislativas, mas sim do suor da produtividade. Onde a legislação avança mais rápido que a produção, o resultado inevitável é a inflação e o desemprego”.
O que deseja o trabalhador
A qualidade de vida do trabalhador pode ser melhorada de várias formas. Eis algumas medidas eficazes: ambiente de trabalho saudável, ventilação e áreas de descanso; oferecer acompanhamento da saúde , como vacinação e programas de saúde mental; promover atividades físicas, inclusive com parcerias com academias; ajudar o empregado desenvolver as suas habilidades; criar planos de carreira para o crescimento dentro da própria empresa; avaliações e reconhecimento pelo trabalho bem executado; valorizar a diversidade com respeito a etnia, gênero, orientação sexual, idade e cultura; criação de programas de recompensas, como prêmio por alcançar metas; canais de comunicação onde os trabalhadores possam expressar preocupações e sugestões; flexibilizar horários de entrada e saída, desde que cumpram a carga horária; opção de trabalho remoto, quando possível; suporte psicológico. .
Ilusão travestida de bondade
Em síntese, a implantação dessas sugestões colaboram na melhora na qualidade de vida do trabalhador e não dependem da redução da jornada de trabalho. O Brasil real, que acorda cedo e carrega o peso do Estado nas costas, não precisa de mais uma ilusão travestida de bondade.
O maior exemplo é a França. No ano 2000, aprovou a semana de 35 horas, como meio de geração de empregos. O resultado foram salários congelados e prejuízos para o trabalhador. Depois O país teve que aprovar leis para que as pessoas trabalhassem mais.
Diante de tantas evidencias o desafio está lançado: governar para o futuro da nação ou legislar para a próxima eleição?

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