domingo, 3 de maio de 2026

Setentões!... Por Carlos Silva


Setentões!

Por Carlos Silva*

Em: 30 de abril de 2026

Mudaram a nossa cultura com a força das leis! Tudo bem que é assim em uma democracia. Obedeço, mesmo discordando intimamente de algumas medidas e ideias. Apesar de, em alguns casos, decisões serem desagradáveis, as sigo, por disciplina consciente, que me foi ensinado em anos de coturno. E não demonstro a ninguém se gosto ou não. Minhas ideias, minhas opiniões, meus gostos, dizem respeito apenas a mim, e ponto final. Mas, a minha geração e as mais antigas lembram como foi estruturada a nossa infância, no contexto do entretenimento: assistíamos aos filmes de Tarzan, um herói seminu, branco, com uma namorada branca, vivendo cercado de negros, sob seu jugo, matando animais aqui e ali; o Zorro, latino, vivia mascarado e tinha um mordomo mudo (pessoa com deficiência); o Zorro norte-americano também vivia mascarado e tinha um “auxiliar” índio, o Tonto; Robin Hood, herói eurocêntrico, roubava dos ricos e dava aos pobres; os filmes da Cavalaria americana dizimava os índios; Branca de Neve morava com 7 homens; Popeye usava erva, de textura herbácea e rasteira; Pinóquio era mentiroso; o herói japonês Oitavo Homem ganhava superpoderes assim que fumava um cigarro; as propagandas da Marlboro incentivavam fumar e, naquela época, fumar era elegante, e permitido até em aviões; se comprava armas de fogo em lojas de departamentos, sem muita burocracia  e com propagandas liberadas; as chacretes e a banheira do Gugu exalavam erotismo e sensualidade; Costinha e suas piadas, hoje em dia, causariam fuzilamento; Clóvis Bornay e Clodovil eram vistos como “esotéricos, diferentões”; os filmes de Bruce Lee eram pura violência, igual ao Telecatch Montilla. Enfim, se as gerações atuais vissem os filmetes da nossa época, iriam ter crises existenciais ou nos chamar de criminosos discriminatórios.  E, assistimos a Revolução Cubana, Crise dos Mísseis, Baía dos Porcos, o pouso do homem na Lua, Guerra do Vietnã, Guerrilha do Araguaia e Xambioá, tricampeonato mundial de futebol,  fim da Guerra Fria, e muito mais, e tudo isso, no século passado. Mas, em um contexto de duas ou três gerações. De fato, o mundo, hoje, está muito, muito chato e sem a menor graça mesmo. Bons tempos em que a nossa distração era física e não dependíamos de computadores. Me recordo, na graduação, um show de uma cantora famosa e sensual, em um auditório repleto de moleques de 20 anos. Naquela noite, houve entupimentos da tubulação dos esgotos, devido a quilômetros cúbicos de sêmen “homenageantes”. Aquilo tudo que vivemos é que era divertido, e não isso que se vê por aí hoje em dia. Mas, a vida seguiu, eu a vivi na época, e foi maravilhosa mesmo, e continua seguindo. Com cervejas! Geladas !

*Carlos Alberto da Silva é coronel do Exército, na Reserva, professor universitário, graduado em Administração e mestre em Ciências Militares


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