O verdadeiro esporte nacional
Alex Pipkin, PhD em Administração
É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ato de fé, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é.
O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.
Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.
Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.
A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências.
A revolução terminou exatamente onde tantas revoluções terminam; no salão principal do castelo, com o banquete financiado pelos contribuintes.
Mas a verdadeira inovação brasileira não está na corrupção, nos privilégios ou nas relações promíscuas entre poder político e interesses privados. Nada disso é particularmente novo.
A grande novidade é o desaparecimento completo do pudor. Já não existe a necessidade de negar, esconder ou disfarçar. O escândalo se transformou em passivo gerencial, a contradição foi incorporada à rotina e a incoerência transformou-se em simples detalhe operacional.
A velha res publica foi silenciosamente convertida em algo muito mais conveniente. Continua sendo financiada por todos, mas administrada como patrimônio daqueles que controlam a máquina.
Robin Hood imaginava que o problema eram os privilégios dos nobres instalados dentro do castelo. Nós fomos mais criativos. Transformamos o próprio Estado no castelo e enviamos a conta da manutenção para os camponeses que observam o banquete do lado de fora dos muros.
O detalhe realmente extraordinário é que muitos deles continuam discutindo apenas qual mesa do banquete merece mais aplausos.
No fim, o verdadeiro esporte nacional nunca foi o futebol. Sempre foi torcer pelo ladrão da própria torcida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este blog só aceita comentários ou críticas que não ofendam a dignidade das pessoas.