Análise: Futuro do RN vale bilhões, mas política insiste em centavos
12 Jul 2026
Ney Lopes*
O RN está no centro de uma corrida tecnológica, que colocará o estado diante de um potencial de riqueza sem precedentes.
Trata-se da exploração do hidrogênio verde, um átomo encontrado na natureza (menor partícula da matéria no universo), ligado a outros elementos como a água, plantas, animais, combustíveis e minerais.
Para usá-lo como combustível é necessário separá-lo da água através da eletrólise, que é um processo de isolamento das moléculas da água para a produção do hidrogênio e oxigênio.
Exatamente isto será feito no RN, que é um estado promissor para lançamento no mercado desse produto, além de ser um dos territórios mais indicado do planeta para a integração entre a energia solar e eólica.
A eletricidade responde por cerca de 60% a 80% do custo final do hidrogênio verde.
Aí está mais uma vantagem competitiva do nosso estado, que agrega sozinho cerca de 30% a 32% de toda a produção eólica do Brasil.
Se falarmos em energia solar, os dados mostram que o setor vive momento de crescimento acelerado, com projeções gigantescas para os próximos anos. A produção está diretamente ligado à combinação com a eólica, ou seja, o sol produz ao máximo durante o dia e o vento atinge o pico à noite.
A estimativa é do estado produzir até 80 milhões de toneladas de hidrogênio verde por ano, liderando a geração eólica na América Latina, correspondendo a cerca de 30% da produção nacional e projetando um teto de investimentos, que ultrapassa R$ 95 bilhões entre energia e infraestrutura portuária.
Diante de informações tão relevantes é melancólico registrar, que mesmo com esse cenário bilionário, os candidatos a mandatos públicos na atual pré-campanha mantenham-se inertes, preocupados exclusivamente com a sobrevivência pessoal.
Essa falta de visão coloca o nosso povo diante de horizontes estreitos.
Corre-se até o risco de atrasar o cronograma de implantação de projetos vitais, como o Porto Indústria-Verde em Caiçara do Norte.
Não é possível que a classe política continue sofrendo de miopia provinciana, em detrimento da segurança de um futuro global, que trará a redenção social e econômica para o nosso Estado.
*Ney Lopes é jornalista, escritor. Foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte.

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