Instituições também precisam saber sair da frente
Alex Pipkin, PhD em Administração e consultor empresarial
Existe uma regra silenciosa nas empresas bem administradas. Ela é simples; quanto melhor funciona um processo, menos ele aparece.
Ninguém elogia a folha de pagamento que cai no dia certo, a logística que entrega no prazo ou o sistema que nunca falha. Eles só se tornam assunto quando deixam de cumprir o básico.
Talvez devêssemos julgar as instituições pelo mesmo critério.
No Brasil, acostumamo-nos a medir a força de uma instituição pelo espaço que ela ocupa no debate público. Quanto mais aparece, intervém, amplia suas funções e disputa protagonismo, mais forte parece. Estamos usando a métrica errada.
Uma instituição madura não existe para ocupar o centro da sociedade, mas para produzir regras claras, estáveis e impessoais, capazes de permitir que milhões de pessoas trabalhem, invistam, empreendam, inovem e façam planos sem precisar pensar nela todos os dias.
Empresários não investem porque acreditam em governos. Investem porque acreditam que os contratos sobreviverão aos governos. Incentivos podem estimular investimentos. Apenas instituições previsíveis fazem esses investimentos permanecerem. E é justamente isso que transforma sociedades e empresas comuns em prósperas.
Nas empresas, quando tudo depende do diretor, não há gestão. Há dependência. Talvez aconteça exatamente o mesmo com as nações. Quando tudo depende da atuação permanente das instituições, o problema não é falta de poder. É excesso de vontade.
Um cristalino sinal de desenvolvimento é viver em um país onde quase ninguém precise pensar nas instituições porque elas simplesmente funcionam.
Empresas maduras dependem de processos, não de pessoas.
Nações maduras dependem de instituições, não de governantes.

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