sexta-feira, 3 de julho de 2026

Jesus vai a um estádio de futebol - Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz Bispo  de Campos ( RJ)


Jesus vai a um estádio de futebol 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo  de Campos ( RJ) 

03 / 07 / 2026

Acompanhando a Copa Mundial de Futebol da FIFA, gostaria de compartilhar esta historinha criada pelo Pe Anthony de Mello, que nos trás alguns aspectos e valores esquecidos no atual certame.  

Mostra Jesus acompanhando com interesse um jogo de futebol e de repente um time faz um gol, e ele se levanta e festeja. Depois de certo tempo o outro time rival faz um gol e empata e ele também se levanta e festeja. Quem estava a seu lado pergunta afinal por quem você torce ? Jesus responde: vim ver o jogo e apreciar a arte de todos os jogadores não me importa quem ganhe, mas a alegria dos que jogam e a beleza do esporte.  

Nunca deveríamos esquecer que todo esporte tem por finalidade melhorar e tornar mais plenas as pessoas, e não apenas um resultado. O futebol sem essa mística esportiva humanizadora, pode tornar-se uma guerra, um fator de rivalidade e divisão, e uma forma de escravizar os jogadores e alienar os espectadores, como acontecia em Roma nas lutas de gladiadores e certas formas de luta “livre” de hoje.  

Não reparamos as vezes que detrás de uma camiseta existe um povo, uma história que devemos incorporar e também acolher no respeito e na fraternidade universal como faziam os gregos nas olimpíadas.  

Sempre me lembro de uma copa passada quando um jogador japonês interpelou a um jogador rival por ter trapaceado e fingido uma falta. Se não respeitamos as normas do jogo que mérito tem nossa vitória e estaríamos ensinando de forma errada que vencer é levar vantagem.  

Outro aspecto é a empatia com os jogadores que sofrem por uma lesão ou por ter falhado,  nunca esquecerei do goleiro do Brasil Barboza no mundial de 1950, que ficou arrasado e desconsolado pela derrota na final, culpando-se da derrota. O capitão do time uruguaio deixou de ir a festa para celebrar a vitória para ficar com ele toda a noite para confortá-lo e aliviá-lo. Importa observar também como comportamo-nos no festejo dos gols e no final dos jogos, a alegria deve ser abundante e contagiante mas não precisa de foguetes que causem sofrimento a crianças e adultos autistas ou neurodivergentes e animais domésticos que padecem transtornos e ficam profundamente confusos e estremecidos. Muito menos debochar dos que perderam, ou provocá-los mostrando animosidade agressiva. 

É bonito ver a confraternização de torcedores, a partilha e camaradagem, pois isso gera novas atitudes, desarma os corações, possibilitando que nos olhemos como irmãos que habitam o mesmo planeta, que imitando as crianças brincam juntas, e tornam-se amigas trocando como fazem os atletas as camisetas após o jogo que oportuniza a cultura da paz, do encontro e e da ternura. Deus seja louvado! 


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