NEM TUDO JUSTO, NEM TUDO PERFEITO
Carlos Alberto Lima Coelho, poeta e escritor
São Luís-Maranhão-Brasil
A vida nos ensina, dia após dia, que nem tudo é justo e nem tudo é perfeito em nossa caminhada pelo mundo físico. Há momentos em que nos perguntamos por que determinadas portas se fecham, por que certas pessoas mudam de direção ou por que a gratidão, tantas vezes, parece perder espaço para a indiferença.
Talvez seja porque a Terra ainda seja uma escola, e não um prêmio. Aqui, as lições nem sempre chegam envoltas em flores; muitas vezes, apresentam-se em forma de desafios, decepções e silenciosas renúncias.
Quando, por qualquer motivo, alguém se afasta da Casa do Pai, é como se atravessasse um portal invisível. O coração, antes alimentado pela fraternidade e pelo propósito, passa a sentir o peso de um mundo estranho, onde a competição substitui a cooperação, o orgulho tenta calar a humildade e a disputa parece ocupar o lugar da paz.
É nesse instante que percebemos o verdadeiro valor do abrigo espiritual. Não pelas paredes que o sustentam, mas pelos sentimentos que ali aprendemos a cultivar. A Casa do Pai não é apenas um endereço; é um estado de consciência que nos recorda quem realmente somos.
Fora dela, o ruído das vaidades pode ser ensurdecedor. Dentro dela, até o silêncio ensina. Lá fora, muitos disputam posições; aqui dentro, aprendemos a servir. Lá fora, mede-se o sucesso pelo que se conquista; na escola do espírito, mede-se a grandeza pela capacidade de amar, perdoar e recomeçar.
Nem tudo será justo. Nem tudo será perfeito. Mas tudo pode ser útil quando permitimos que cada experiência nos aproxime mais de Deus.
No fim das contas, não é a injustiça do caminho que define nosso destino, mas a maneira como escolhemos percorrê-lo. Quem conserva a fé, a serenidade e a consciência tranquila jamais estará distante da verdadeira Casa do Pai, porque ela continuará existindo, viva, dentro do próprio coração.
Escritor e Poeta
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