O Brasil das aberrações
Roberto Kenard
É preciso ser tapado em grau elevadíssimo, para não perceber que estamos já (novamente) com os pés metidos em nova e grave crise econômica. Passada a eleição, em 2027 a conta baterá na porta.
O PT dizia ter um projeto para o Brasil. Chegou ao poder em 2002, então mostrou-se a verdade: não tinha. Tratou simplesmente de manter o arcabouço econômico da época de FHC, arcabouço que na oposição tanto criticava.
A coisa tem se dado assim: durante três anos, o governo não apresenta nada; chega o período eleitoral, se dana a oferecer "benefícios", para comprar os votos daqueles que faz questão de manter na pobreza.
De outra parte, de quatro em quatro anos, renegocia a dívida de estados perdulários e mal administrados, oferecendo crédito a quem não fez por merecer. O resultado é catastrófico: estados melhores administrados pagam as contas dos estados improdutivos.
Basta ver dois exemplos. São Paulo produz mais, arrecada mais e entrega mais ao governo federal. O Maranhão, estado improdutivo, que tem 51% da população vivendo de Bolsa Família, entrega muito menos ao governo federal. Mas recebe mais do que São Paulo. Trata-se de uma aberração.
Passou da hora de criar mecanismos de punição aos administradores incompetentes e corruptos. Administradores de estados e municípios que não entregam melhorias nos indicadores sociais precisam ser punidos.
Mas para isso acontecer, seria necessário ter no comando do país um governo igualmente não perdulário, não incompetente e não corrupto. Com o PT, isso é uma impossibilidade. Assim como é uma impossibilidade com os Bolsonaro, que estiveram no poder e fizeram de conta que essas aberrações nunca existiram.
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