O Brasil trocou a cura pelo alívio
Alex Pipkin, PhD em Administração
Toda criança acredita que as consequências pertencem ao futuro. Todo adulto aprende que o futuro chega. A maturidade consiste justamente em trocar a satisfação imediata pela recompensa duradoura, economizar antes de gastar, estudar antes da prova e plantar antes da colheita. Crescer, no fundo, é descobrir que quase tudo o que realmente vale a pena exige desconforto antes da recompensa.
As sociedades não inventam defeitos novos. Apenas transformam defeitos individuais em políticas públicas.
O Brasil escolheu esse caminho há muito tempo.
Um dos traços mais reveladores da natureza humana é a extraordinária capacidade de transformar fraquezas em virtudes. Chamamos medo de prudência, acomodação de compaixão e adiamento de responsabilidade. Inventamos palavras elegantes para evitar decisões difíceis e, ainda assim, preservamos a confortável sensação de estar fazendo a coisa certa.
Essa é uma das explicações mais incômodas para o nosso fracasso.
Há décadas deixamos de perguntar como criar riqueza para discutir apenas como distribuí-la. Quando o crescimento desaparece, anunciamos benefícios. Quando a produtividade estagna, multiplicamos subsídios, exceções e incentivos. Quando as contas públicas se deterioram, procuramos um novo contribuinte. Preferimos repartir expectativas a construir prosperidade, como se fosse possível distribuir aquilo que ainda não foi criado.
O contribuinte tornou-se sócio compulsório de um Estado que cobra cada vez mais, entrega cada vez menos e insiste em vender como solução os problemas que ele próprio produz. Quanto pior funciona a máquina pública, maior ela se torna. Quanto menor o crescimento, maior a intervenção. Quanto mais escassos os recursos, maior a tentação de confundir arrecadação com criação de riqueza.
Isso não é apenas uma escolha econômica.
É um padrão de comportamento.
O populismo é a institucionalização da procrastinação humana. Ele oferece os benefícios imediatamente e empurra os custos para um futuro que, imagina-se, sempre pertencerá a outra geração, outro governo ou outro contribuinte.
Mas o futuro chega.
Chega para as famílias que gastam mais do que podem. Chega para as empresas que deixam de inovar. Chega para as pessoas que adiam decisões inevitáveis. E chega também aos países que preferem o conforto das ilusões ao desconforto das reformas.
Depois dos 60, a morte deixa de ser uma abstração filosófica e passa a ensinar uma lição que nenhuma teoria econômica explica melhor. Dignidade não consiste em prolongar indefinidamente qualquer existência, mas em preservar aquilo que faz a vida valer a pena. Há momentos em que insistir no paliativo deixa de ser humanidade e passa a ser resignação.
Talvez as nações também envelheçam assim. Não quando lhes faltam recursos, mas quando lhes falta coragem para enfrentar a realidade.
O futuro nunca cobra juros sobre aquilo que fizemos. Cobra, sempre, sobre aquilo que preferimos adiar.
Uma nação amadurece exatamente como uma pessoa: quando troca o conforto imediato pela coragem de construir o futuro.

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