quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Leviatã que come o jantar - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


O Leviatã que come o jantar

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

"É o que temos pra jantar”.

Essa resignação irônica virou a legenda do Brasil enquanto os indicadores econômicos despencam. Só que tem um detalhe constrangedor.

Quem comeu nosso jantar não foi a crise. Foi o Leviatã.

O debate público ainda finge que a disputa é "Estado versus Mercado". A realidade é muito mais brutal. É Estado contra a sociedade civil. E, evidente, nós estamos perdendo.

O Brasil não tem um problema de gestão pública. Tem um Estado que se transformou em um negócio disfuncional.

O Leviatã tupiniquim descobriu a fórmula perfeita: quanto pior o serviço prestado, maior o orçamento exigido. Quanto maior a ineficiência, mais atribuições ele avoca. Trata-se de uma casta autorreferenciada — tecnocratas, corporações encasteladas e os "ungidos" do funcionalismo — que se alimenta da própria sociedade que deveria servir. O Leviatã só cresce porque encontra quem o alimente, com uma fome voraz.

A tragédia não é meramente fiscal. É civilizacional.

Arrecadamos como país desenvolvido para financiar privilégios corporativos e feudos institucionais. Devolvemos ao cidadão a precarização dos serviços essenciais e a deterioração da qualidade de vida.

Quando o Estado decide ser a única autoridade e o motor de tudo, ele produz três consequências silenciosas.

Primeiro, esvazia as instituições intermediárias da sociedade, o que é urgente para a coesão social. Segundo, sufoca a vitalidade de quem produz. E terceiro, sequestra a democracia, porque a decisão real não está no voto, mas na caneta de um burocrata inacessível.

Em ano eleitoral, o diagnóstico precisa ser definitivo; procrastinação e remendo não resolvem.

Reforma administrativa não é corte de gasto; é cirurgia de emergência. É coragem moral para acorrentar a máquina e devolver o país ao cidadão.

Porque só temos duas saídas no horizonte.

Ou nós acorrentamos o Leviatã agora, ou, muito em breve, não teremos mais jantar para servir.

E aí a resignação não será mais "é o que temos pra jantar".

Será, funestamente, “não sobrou nada"


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