quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A arrogância das exceções - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


A arrogância das exceções

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Tenho uma má notícia para quem acredita em engenharia social.

A gravidade jamais participou de reuniões ministeriais, a escassez nunca se intimidou diante de discursos e a matemática continua rigorosamente indiferente às maiorias ocasionais.

Durante décadas fomos convencidos de que a prosperidade dependia da inteligência dos governantes, da sofisticação dos planejadores ou da criatividade dos economistas “especialistas”.

Hoje penso exatamente o contrário.

Prosperidade nunca foi uma demonstração de inteligência. Sempre foi uma demonstração de humildade. Da humildade de reconhecer que existem leis às quais nem o poder, por mais sedutor que seja, consegue impor exceções.

Nenhum agricultor persuade a terra a produzir sem plantar; nenhum empresário convence clientes a comprar indefinidamente aquilo que não entrega valor, e nenhuma família consegue gastar para sempre mais do que ganha. Essas limitações não pertencem ao campo da ideologia. São imanentes à própria realidade.

É justamente por isso que a política se transformou no único ambiente em que ainda se acredita que consequências possam ser revogadas. Gastar passou a parecer mais nobre do que produzir, endividar-se mais virtuoso do que poupar, tributar mais simples do que reformar e prometer mais confortável do que explicar quem pagará a conta.

A riqueza deixou de ser consequência do trabalho, do investimento e da segurança jurídica para tornar-se uma expectativa criada pelo poder da canetada.

Existe uma forma particularmente dispendiosa de arrogância intelectual. É a convicção de que finalmente seremos a primeira sociedade da história a enriquecer ignorando exatamente os princípios que enriqueceram todas as outras. Como se existisse uma matemática nacional, uma física tropical ou uma economia disposta a suspender relações de causa e efeito apenas porque nossas intenções parecem moralmente superiores.

Foi assim que compreendi que a decadência de uma sociedade não começa quando a dívida cresce, quando a economia perde dinamismo ou quando as contas públicas entram no vermelho. Tudo isso pertence ao último capítulo.

O verdadeiro declínio começa muito antes, no momento em que uma sociedade deixa de acreditar que a realidade estabelece limites e passa a imaginar que esses limites podem ser reescritos pela “arte da política”.

A economia nunca foi uma ideologia. Sempre foi a caligrafia da realidade. Ela apenas registra, com a serenidade dos fatos, aquilo que governos insistem em apagar.

As sociedades dificilmente empobrecem por desconhecer o caminho da prosperidade. Elas escolhem a estrada da pobreza quando acreditam que serão a primeira exceção da história.

A realidade nunca precisou vencer governo algum. Bastou continuar sendo realidade. Ela tem o péssimo hábito de não ler decretos.


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