domingo, 9 de agosto de 2026

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta - MEU PAI


Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



MEU PAI

Joaquim Pinto de Oliveira (Pilino): Filho de Sesóstre Pinto de Oliveira (descendente do Clã dos Pote), e Maria Silva de Oliveira, nascido em 28 de agosto de 1911, no povoado Mata dos Bois, munícipio de Vitória do Mearim.

Ainda na infância, perde seu pai e sua mãe, passando a ser criado como filho adotivo, por seu tio. Criança, trabalhou como sapateiro, e com 14 anos, já tinha sua sapataria, inclusive com artesões remunerados. Homem exemplar, amigo, companheiro e inteiramente dedicado à família.

Já proprietário de terras, comerciante, agindo sempre com lealdade, tanto na compra da amêndoa de babaçu, fibra do algodão e farinhas, nunca cobrava o sistema de “meeiro”. Nenhum freguês deixava de levar uma mercadoria por não ter o dinheiro ou por seu caderno já não ter mais espaço para anotações, e todos eram atendidos o ano inteiro. Muitos, no final do ano, tempo do ajuste de contas, não tinham como pagar. Seu Pilino, então, pegava os cadernos dos que pagavam suas contas, e dos que não conseguiam pagar e os queimava e abria um outro com créditos para todos. E aí, iniciava tudo outra vez.

Era chamado de Coronel, Capitão, Major, Pai da Pobreza. Era homem manso, e de voz forte. Separou inúmeras vezes, brigas de pessoas, e uniu famílias litigiosas, em disputas corriqueiras, ou mesmo por terras. Assim manteve sua numerosa prole com dignidade. Era católico, onde por ocasião das desobrigas (festejos, batizados, dia do padroeiro, casamentos), os padres hospedavam-se em sua casa.

Porém no povoado São Raimundo do Lago Limpo (ainda Bacabal), chega uma denominação evangélica dos Adventistas do Sétimo Dia, e o mesmo converte-se, tornando-se evangélico, o que causa uma espécie de desconforto por parte dos padres e nunca mais hospedaram-se em sua residência, e alguns amigos católicos, desgostosos, mudam-se para outras povoações.

No lava-pés, era ele quem fazia isso num agricultor que tinha leishmaniose tegumentar americana, conhecida popularmente pelos nomes: “úlcera de Bauru”, “nariz de tapir” e “ferida brava”, devido muitos se recusarem no cumprimento religioso.

Tinha o bondoso hábito de tirar as prateleiras de madeira de seu empório para fazer caixões (ataúdes) quando alguém morria, tendo em vista que eram enterrados em redes. O velho João Rodrigues, pai do senhor Valério (ora ausente), teve um enterro digno, num caixão de madeira.

Tinha grandes amigos: José Domingos Marques, (Zé Domingos), Raimundo Castro, Joaquim Teixeira Mendes (Seu Quincas). Já no povoado São Raimundo do Lago Limpo: Chico Pereira, Eduardo da Santa, João Rodrigues (pai do Valério), João Gaioso, Simão (pai da D. Geneva), Joaozinho Rodrigues, Sobrinho, Cícero, Norato, Antônio Belo, Antônio Sampaio, Quaresma, Severo Damasceno, Pedro do Kiosque (tinha o costume de cumprimentá-lo, beijando sua mão e dando bênção), Zezinho Preto, Domingos Roseno, dentre outros

No decorrer de sua vida, teve suas terras invadidas, e nunca derramou sangue, e nunca cobrou nada de ninguém.

Velho, cansado, e já doente, retira-se da vida pública, dedicando-se exclusivamente a sua família.

Faleceu em 25 de fevereiro de 1996 com a consciência tranquila e dever cumprido.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 09.08.2025. SÃO LUÍS-MA)


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