quarta-feira, 26 de agosto de 2026

AS MARCAS DA VIDA por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


AS MARCAS DA VIDA


Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

O tempo não passa simplesmente. Ele deixa sinais.

Vai desenhando caminhos, acumulando lembranças e escrevendo, silenciosamente, a nossa história no corpo e na alma. Cada ruga que aparece no rosto não anuncia apenas a idade: revela experiências, alegrias, preocupações, esperas e conquistas que somente quem viveu pode compreender.

Há cicatrizes que contam batalhas das quais ninguém tomou conhecimento. Há sorrisos que guardam instantes inesquecíveis. E existem lágrimas que, mesmo derramadas em silêncio, lavaram dores e deixaram no espírito uma nova maneira de compreender a existência.

Somos feitos dessas marcas.

Elas falam das quedas e da coragem de levantar. Das despedidas que doeram, dos reencontros que aqueceram o coração, dos sonhos que conseguimos realizar e daqueles que continuam caminhando conosco, apontando para novos horizontes.

Envelhecer, por isso, não significa simplesmente deixar a juventude para trás. É acrescentar páginas ao livro da existência. É aprender que o verdadeiro valor do tempo não está apenas na quantidade dos anos, mas na intensidade do amor, das amizades, dos gestos e das emoções que couberam dentro deles.

Que ninguém tenha vergonha das marcas que a vida deixou.

As rugas são caminhos percorridos. Os cabelos brancos, testemunhas do tempo. As cicatrizes, sinais de resistência. E o coração, mesmo depois de tantas chegadas e partidas, continua sendo o lugar onde permanecem aqueles e aquilo que verdadeiramente amamos.

No final, talvez sejam exatamente essas marcas as nossas maiores medalhas.

Porque elas dizem, sem necessidade de palavras:

eu vivi, amei, lutei, chorei, sorri, aprendi — e continuei seguindo adiante.

Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


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