AS MARCAS DA VIDA
Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta
O tempo não passa simplesmente. Ele deixa sinais.
Vai desenhando caminhos, acumulando lembranças e escrevendo, silenciosamente, a nossa história no corpo e na alma. Cada ruga que aparece no rosto não anuncia apenas a idade: revela experiências, alegrias, preocupações, esperas e conquistas que somente quem viveu pode compreender.
Há cicatrizes que contam batalhas das quais ninguém tomou conhecimento. Há sorrisos que guardam instantes inesquecíveis. E existem lágrimas que, mesmo derramadas em silêncio, lavaram dores e deixaram no espírito uma nova maneira de compreender a existência.
Somos feitos dessas marcas.
Elas falam das quedas e da coragem de levantar. Das despedidas que doeram, dos reencontros que aqueceram o coração, dos sonhos que conseguimos realizar e daqueles que continuam caminhando conosco, apontando para novos horizontes.
Envelhecer, por isso, não significa simplesmente deixar a juventude para trás. É acrescentar páginas ao livro da existência. É aprender que o verdadeiro valor do tempo não está apenas na quantidade dos anos, mas na intensidade do amor, das amizades, dos gestos e das emoções que couberam dentro deles.
Que ninguém tenha vergonha das marcas que a vida deixou.
As rugas são caminhos percorridos. Os cabelos brancos, testemunhas do tempo. As cicatrizes, sinais de resistência. E o coração, mesmo depois de tantas chegadas e partidas, continua sendo o lugar onde permanecem aqueles e aquilo que verdadeiramente amamos.
No final, talvez sejam exatamente essas marcas as nossas maiores medalhas.
Porque elas dizem, sem necessidade de palavras:
eu vivi, amei, lutei, chorei, sorri, aprendi — e continuei seguindo adiante.
Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

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